segunda-feira, 11 de março de 2013
Tudo isto existe, tudo isto é triste…
Depois, lá se chegaram à frente com uma
Quando soube que a aposta ganhadora tinha sido entregue num café da Póvoa do Varzim, pensei de imediato: Ora aqui está uma boa notícia! O meio milhão para pagar os prejuízos causados pelo tornado podem ser desembolsados pelo feliz contemplado. Meio milhão? Peanuts para quem ganhou 51 milhões…
Às 20h, todos os dias, o país e o mundo!
domingo, 10 de março de 2013
Bitaites da 7ª Arte
I – Life of Pi (A Vida de Pi)
De uma beleza emocionante e com cenas deslumbrantes, esta alegoria filosófica teve o condão de me fazer acreditar na versão que Pi arquitectou para sobreviver…”Acima de tudo, não perder a esperança”. Uma obra-prima do cineasta Ang Lee. Indispensável ver!
II - Django Unchained (Django Libertado)
Três horas de filme notáveis. Do meu ponto de vista, o melhor desempenho de Jamie Foxx, no papel de Django. Christoph Waltz, como já é hábito, brilhante, e Leonardo DiCaprio sublime, provando que merece ser eleito por grandes realizadores. Tarantino insuperável! Obrigatório ver!
III – Lincoln
Duas horas e meia que andam à volta da 13ª emenda que aboliu (na verdade, muito mais tarde…) a escravatura nos Estados Unidos da América. Duas horas e meia de compra de votos e corrupção para aprovação da 13ª emenda à Constituição americana.Duas horas e meia de convite à sonolência…
Daniel Day-Lewis, no papel de Presidente dos EUA, assustadoramente convincente. Day-Lewis, um dos meus actores preferidos, é a verdadeira essência do filme.
Tommy Lee Jones, muito bom no papel de um republicano radical e Sally Field, como primeira-dama, tem um papel… higiénico! Não gostei, como diriam os brasileiros, uma chata de galocha.
Enfadonho q.b., diria mesmo, excelente para combater insónias. Escusado ver! Se teimarem em ver, tomem metanfetamina porque aumenta o estado de alerta e diminui a necessidade de dormir… As minhas desculpas a Spielberg.
IV – Skyfall
A lealdade de James Bond à M., chefe do Serviço Secreto de Inteligência britânico, também conhecido por MI6, é posta à prova e, enquanto o MI6 é atacado, Bond tem que destruir a ameaça a qualquer custo, mesmo que isso o leve a mexer com o seu passado.
Javier Bardem, “deliciosamente louro” e intimidante, interpreta com mestria o papel de um ex-agente do MI6. Judi Dench, já veterana na pele de M., fria, firme e decidida. Daniel Craig, um Bond perfeito, o melhor 007 de sempre, deixou-me atordoada!
Sem dúvida, o melhor filme deste agente secreto! "Shaken, not stirred". Apesar de puro entretenimento, não deixem de ver!
sábado, 9 de março de 2013
Livros e Mar: eis o meu elemento! (70)
“D. Maria II” Tudo por um Reino. Isabel Stilwell surpreendeu-me com este magistral e memorável romance histórico. Apesar de ser uma leitora assídua dos seus editoriais, enquanto directora do jornal gratuito Destak (que julgo ter perdido com a sua saída…), nunca tinha lido nenhum dos seus romances, shame on me…
Fiquei de tal forma agradada com a sua escrita envolvente e simples, mas cuidada, que já adicionei os outros três romances históricos à minha lista (o problema é que esta não pára de aumentar…).
Recomendo sem reservas, sobretudo aos admiradores de narrativas históricas. E sou capaz de recomendar os outros de olhos fechados, ou seja, mesmo sem os ter lido… Para conhecimento, são eles: “D. Filipa de Lencastre”, “Catarina de Bragança” e “D. Amélia”.
Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança foi a filha primogénita do imperador do Brasil D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal), e da arquiduquesa D. Leopoldina da Áustria. Maria da Glória nasceu em terras brasileiras em 1819 (a família real tinha fugido para o Brasil quando das invasões francesas), três anos antes do famoso grito do Ipiranga que deu a independência ao Brasil em 1822. Entretanto D. João VI morre e, em 1826, D. Pedro IV (apaixonado pelo Brasil e pela sua amante Domitília de Castro) opta por ser imperador do Brasil abdicando do trono de Portugal em nome da filha, Maria, apenas com sete anos, que cedo se foi preparando para ser rainha.
O casamento da jovem com o seu tio, D. Miguel, é combinado na esperança de que em Portugal a paz e a causa liberal pudessem triunfar, mas tal não aconteceu. Aos nove anos é enviada para a Europa para ser educada pelos avós maternos na corte austríaca, mas, durante a viagem, D. Miguel proclama-se rei absoluto de Portugal, e o seu tutor considera mais seguro rumar até Londres. Aí conhece a jovem Alexandrina Vitória, a futura rainha Vitória do Reino Unido, com quem, mais tarde, virá a trocar correspondência ao longo do seu reinado e através dessas cartas vamos tomando conhecimento das muitas crises políticas que Portugal atravessa, assim como das alegrias e dos dramas das duas famílias.
Em 1828, desencadeia-se uma guerra civil entre absolutistas, apoiantes de D. Miguel, e liberais, apoiantes de D. Maria, mas chefiados pelo próprio imperador do Brasil. As Guerras Liberais entre os dois irmãos prolongaram-se até 1834, ano em que os liberais conseguiram que D. Miguel renunciasse e partisse para o exílio e colocar definitivamente D. Maria no trono.
Casa, em 1835, com Augusto de Beauharnais, da Família Real da Baviera, que morre pouco depois. Novo casamento é negociado e a escolha recai sobre Fernando de Saxe-Coburg-Gotha, sobrinho de Leopoldo de Saxe-Coburg que ocupava o trono belga com o título de Leopoldo I. Fernando era primo de Alberto, que veio a casar com a rainha Vitória com quem teve 9 filhos.
O casamento político de D. Maria com Fernando de Saxe-Coburg-Gotha depressa se converteu num casamento por amor e deste matrimónio nasceram 11 filhos (quatro morreram à nascença), todos eles no Palácio das Necessidades, onde sempre viveram. D. Maria II morreu de parto aos 34 anos e D. Fernando assumiu a regência até à maioridade do primogénito, D. Pedro V, que reinou apenas 10 anos e como não deixou descendência sucedeu-lhe o irmão, D. Luís, pai de D. Carlos.
D. Fernando era um homem de grande cultura, evitava sempre que possível a política, preferindo dedicar-se às artes e foi um protector do nosso património. Atraído pela serra de Sintra, adquiriu as ruínas do Mosteiro de Nossa Senhora da Pena e áreas circundantes para aí edificar o singular e deslumbrante Palácio Nacional da Pena. O Pinheiro de Natal foi um costume introduzido em Portugal por D. Fernando que mandava decorar um abeto com velas, laços e bolas de vidro transparente.
O reinado de D. Maria II foi marcado por muitos confrontos e, na opinião de alguns historiadores, a rainha terá cometido erros graves como governante (não posso deixar de concordar porque depois de uma guerra civil para implementar a monarquia liberal, D. Maria II reinou de uma forma despótica, como uma monarca absolutista…). Exemplo disso é o facto de Costa Cabral, depois de nomeado ministro do reino, dominar toda a administração, chegando a colocar familiares em cargos considerados políticos (prática que dura até aos nossos dias…), e dominar mesmo a própria rainha que, apesar da revolta do povo e nem sempre ter o apoio do marido, continuou a protege-lo e deu-lhe o título de Marquês de Tomar.
No entanto, é impossível não admirar D. Maria II que, não obstante as crises políticas que assolaram o país, foi uma mulher de coragem que soube conciliar os assuntos de Estado com a vida familiar, nunca descurando nenhum deles.
Foi, para mim, fascinante ficar a conhecer a rainha Vitória, tão diferente de D. Maria II. Sem prepotência, mas com garra, conduziu os destinos do Império Britânico pedindo a opinião sobre as suas decisões aos ministros e ao marido, e durante o seu longo reinado o Império desenvolveu-se e consolidou-se.
Segundo a autora, a rainha D. Maria II e a rainha Vitória eram primas, mas não consegui encontrar a confirmação desse parentesco, a não ser por parte dos respectivos cônjuges que eram, de facto, primos direitos.
Nota: A leitura deste resumo não dispensa a leitura do livro…
Com apenas 7 anos, Maria da Glória torna-se rainha de Portugal. Um país do outro lado do oceano que nunca havia pisado. A sua infância foi vivida no Brasil, entre o calor e os papagaios coloridos que admirava na companhia dos seus irmãos e da sua adorada mãe, D. Leopoldina. A ensombrar esta felicidade apenas Domitília, a amante do seu pai, imperador do Brasil e D. Pedro IV de Portugal. Em 1828 parte rumo a Viena para ser educada na corte dos avós. Para trás deixa a mãe sepultada, os seus adorados irmãos e a marquesa de Aguiar, sua amiga e protetora. Traída pelo seu tio D. Miguel, que se declara rei de Portugal, e a quem estava prometida em casamento, D. Maria acaba por desembarcar em Londres onde conhece Vitória, a herdeira da coroa de Inglaterra a quem ficará para sempre ligada por uma estreita relação de amizade. Aos 15 anos, finda a guerra civil, D. Maria pisa pela primeira vez o solo do seu país. Seria uma boa rainha para aquela gente que a acolhia em festa e uma mulher feliz, mais feliz do que a sua querida mãe. Fracassada a sua união com o tio, agora exilado, casa-se com Augusto de Beauharnais que um ano depois morre de difteria. Maria era teimosa, não desistia assim tão facilmente da sua felicidade e encontra-a junto de D. Fernando de Saxo-Coburgo-Gotha, pai dos seus onze filhos, quatro deles mortos à nascença.
terça-feira, 5 de março de 2013
Postcrossing (24)
Dizer que os ingleses são um povo fleumático é já um lugar-comum, mas o David parecer fugir a esse estereótipo com a sua boa disposição e sentido de humor. Diz ele, neste postal alusivo ao Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II, que vive em Windsor e vê com alguma frequência os seus “vizinhos” quando chegam ou saem rumo a Londres. O David vai mais longe e confessa que por várias vezes quase foi atropelado pelo marido da Rainha, o Duque de Edimburgo, quando corria no Windsor Great Park… Este parque, localizado a sul da cidade de Windsor, tem cerca de 20 Km2 e foi durante muitos séculos uma coutada privada propriedade do Castelo de Windsor. Hoje em dia está aberto ao público e é uma área recreativa que serve os habitantes da cidade e a população dos subúrbios ocidentais de Londres, continuando a ser detido e gerido pela Coroa.
Quem já teve o privilégio de visitar Windsor, lembrar-se-á de uma pequenina e encantadora casa de chá inclinada. Pois reza a história que essa casa de chá contém uma passagem secreta, actualmente fechada, para o Castelo de Windsor…
sábado, 2 de março de 2013
Reservado à Indignação (47)
Já desisti de me indignar, melhor dizendo, revolto-me com tudo, e se começo a rabiscar de cada vez que me indigno, as horas do dia não chegam, sobretudo se os destinatários da minha raiva forem os estadistas e as suas maquiavélicas manobras políticas.
Assim sendo, vou-me indignando com bagatelas, coisas de lana-caprina, que não me tomam muito tempo e sempre me vou exercitando, vou ganhando traquejo… sim, porque quem não nasce “Mafaldinha” (contestatário) tem que aprender a sê-lo!...
Este foi o texto que enviei à equipa do Postcrossing a condenar o comportamento de um dos membros da comunidade.
Estimada equipa,
Há uns meses que pertenço a esta magnífica comunidade e, até hoje, tenho tido a satisfação de trocar correspondência com pessoas impecáveis que me conseguem transmitir o que eu julgo ser a verdadeira essência do Postcrossing.
Todos os perfis dos membros, para quem tenho enviado postais, apontam as suas preferências, mas fazem-no de uma forma educada.
Uma das minhas filhas, também postcrosser, recebeu um pedido de troca de correspondência, vulgo “swap”, da usuária ******** da China. Ficámos boquiabertas ao ler o primeiro parágrafo do seu perfil. Em letras garrafais, que, curiosamente, vocês desaconselham pois assemelham-se a um grito, lemos:
No multiview cards ,self-made or Ad cards for me Please!!
IF U DO THAT, I WILL NEVER REGISTER YOUR POSTCARD!!!!!!!!!! (continuava com “I WANT…”, só faltava mesmo “posso e mando”).
Considero uma ameaça, quase um ultimato, uma chantagem! Trata-se de uma pessoa sem consideração pelos outros membros e que põe em causa o bom nome da comunidade. E se todos fizessem o mesmo? Não sei se já alguém denunciou esta situação, mas não me parece correcto utilizar este meio para obter algo de alguém. Julgo mesmo que é reprovável e que não é, certamente, o espírito do Postcrossing!
Procedam como acharem melhor.
Adianto que a equipa do Postcrossing procedeu como achou melhor. A moçoila alterou o perfil… que remédio!
sexta-feira, 1 de março de 2013
Message in a bottle (77)
As unhas de gel de Passos Coelho (por Tiago Mesquita no jornal Expresso)
"O feitiço virou-se contra o feiticeiro. Em protesto contra a nova legislação que penaliza com multas até 2000 euros quem não pedir facturas, muitos consumidores começaram a pedir facturas com o número de identificação fiscal de Pedro Passos Coelho. Os dados do primeiro-ministro estão a ser divulgados em SMS e emails que se tornaram virais. As redes sociais estão a propagar o protesto.
Segundo o Correio da Manhã, deram entrada no sistema e-factura "milhares de facturas" com o número de contribuinte do primeiro-ministro, passadas em restaurantes, cabeleireiros e oficinas de automóveis - totalizando milhões de euros em despesas." Público
Pois é, isto de legislar à portuguesa tem quase sempre uma resposta... à portuguesa. A originalidade sempre foi uma das facetas do povo português e isso está a ficar demonstrado nos balcões de pastelaria e nas mesas de restaurante, ao som dos secadores e com um cheiro intenso a óleo de motor impregnado no ar. O protesto, apesar de ilegal, pois configura um crime de falsas declarações, é de tal forma criativo que jornais como o El Pais e o Financial Times já o destacaram nas suas edições. Uma página criada no Facebook denominada "As Facturas do Coelho" vai dando conta das "alegadas" despesas privadas de algumas figuras de Estado.
E ao que parece não é só Pedro Passos Coelho a fazer unhas de gel todo o santo dia, depois de comprar vários quilos de cenouras a granel. Enquanto o primeiro-ministro comprava um corpete e preservativos que davam para um regimento numa sex-shop do Bairro Alto, o ministro Miguel Relvas, em Campolide, colocava extensões pela quinta vez em apenas uma semana. Ao mesmo tempo, comprava um chupa-chupa em Évora. Vítor Gaspar muda o óleo do automóvel de hora a hora e bebe mil e quinhentos cafés por dia, facto que não parece ajudá-lo em relação à acuidade das suas previsões orçamentais, nem tão pouco parece a cafeína em excesso acelerar-lhe o discurso. Passa a vida a recauchutar os pneus e o défice.
A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, também não sobreviveu à onda das facturas: deve ter mais pontos da Galp que uma empresa de camionagem. O ministro Paulo Portas, a julgar pelo dinheiro que gasta em fast food, deve estar a pesar trezentos e cinquenta quilos. A caminho de Viseu, comprou um rapa-tachos.
Mas não fica por aqui. Desde que a legislação se tornou moda pelo célebre discurso do "tomar no cu" proferido pelo ex-secretário de Estado da Cultura, insurgindo-se contra a máquina fiscal do Estado, até o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, parece ter sido "obrigado" a aderir ao e-factura. Um brushing, meia-perna e virilhas, seguidos de um almoço farto na estrada da Guia. Ironias do destino, seguir-se-á a mais que provável fiscalização por gastos superiores aos rendimentos declarados. Se é de lei, é para cumprir.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Postcrossing (23)
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Funny Old Ladies
Quero acreditar que ninguém me levou a sério no parágrafo anterior. Ou houve por aí alguém que tenha, por segundos, pensado que eu estava plenamente convicta do que dizia? Alguém que não tenha acanhamento para confessar que me achou doida varrida?
Bem, pois eu confesso que idealizar-me, qual Sherlock Holmes, a resolver enigmas através da lógica dedutiva, a dominar uma vasta quantidade de assuntos, a tocar violino, a consumir cocaína, a passar noites sem dormir, a ser um mestre na arte do disfarce e a esclarecer a mente fumando cachimbo, habita o meu imaginário… Digam lá, agora é que pensam que sou chanfrada de todo! É bem possível que seja uma loucura, mas vejo-a como uma loucura saudável, aquela loucura que nos permite quebrar a monotonia diária, a rotina enfadonha, e nos ajuda a suportar a vida.
O que me levou a iniciar o texto desta forma foi justamente a minha faceta “sherlockiana” que me conduziu, pela lógica, a um reencontro com a B., colega e amiga que não via há mais de trinta anos…
Não vou contar como a encontrei, pois isso levaria a revelar a minha “arte” e, mais importante do que isso, a desvendar a profissão dela, ou seja, seria violação de privacidade, mas posso afirmar que não foi através das redes sociais, o que tem muito mais valor. Posso apenas divulgar que nos passámos a tratar por “Sherlock” e “Watson”…
O reencontro aconteceu no dia 15 deste mês, em Torres Vedras, pelas 20h30m. A minha filha A. e o R. levaram-me até lá e testemunharam “aquele abraço” e a loucura sadia de duas cinquentonas. Posteriormente, a minha filha disse-me que o “quadro” lhe recordou os postais das “Funny Old Ladies” (que curiosamente eu adoro…) da ilustradora finlandesa Inge Löök… Pessoalmente tomei isto como um elogio (da loucura…), mas não sei o que a B. achará da chalaça, provavelmente o mesmo que eu já que somos as duas bem-humoradas. Aqui deixo três ilustrações para que possam avaliar o que a minha filha quis dizer…
Depois… depois foi a alegria e a felicidade do reencontro…
Depois… depois foi um fim-de-semana de ternas recordações com muito fumo à mistura como se estivéssemos num conclave para eleger o novo Papa. Depois… depois foi um fim-de-semana como qualquer outro há trinta e tal anos, como se retomássemos a conversa que tínhamos deixado no dia anterior, como se não tivesse existido um hiato de tantos anos… Depois… depois foi um fim-de-semana de partilha de intimidades, daquelas que só conseguimos compartilhar quando o sentimento de amizade é legítimo e nos aconchega a alma… Depois… depois foi um fim-de-semana de devaneios, de risos, de evocar amigos, de folhear o álbum de fotografias a preto e branco, de lembrar nomes que fazem parte da nossa infância e da nossa adolescência… Depois… depois foi um fim-de-semana de cumplicidade, de cavaqueira, diálogos de ontem, de hoje, de amanhã, de incertezas quanto ao futuro… Depois… depois foi um fim-de-semana em que me senti acarinhada, conheci a determinada filha da B. e revi a sua mãe, uma senhora fora de série, e irmã, uma quarentona espontânea que relembro pequenita e alvo das “ordens” da B. que fazia dela “criada”…
Depois… depois foi um dueto de emoções, uma viagem ao passado…
Depois… depois foi, como era previsto, um fim-de-semana mágico!
Elementar, meu caro Watson!
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Postcrossing (22)
Este mapa chegou- me dos States, através de troca de correspondência (direct swap) com a Lisa, uma americana que, tal como eu, vive com duas filhas e dois gatos… Gosto bastante (do postal e da minha situação, claro!).
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Postcrossing (21)
BY-698558 enviado por Oksana
Esta bielorussa vive perto de Hrodna, a terceira cidade mais populosa da Bielorrússia, localizada próxima da fronteira com a Polónia e a Lituânia. Impressionante é o número de bibliotecas públicas desta cidade, nada mais, nada menos que 14, sendo seis infantis! Surpreendente, não é? Conseguem, por segundos, imaginar a Amadora, a nossa terceira cidade mais populosa, com estas bibliotecas todas? Impensável… e triste. Acreditam que em Moscovo e S. Petersburgo aproveitam todos os sítios para ler? Até as escadas rolantes do metro (algumas estações construídas durante a Segunda Guerra Mundial ou que passam sob o rio Moscou são muito profundas e foram planeadas para serem abrigos seguros em caso de bombardeamento; assim, há escadas com 120 metros). Cultura, meus amigos, ah pois é…
Julgo que o postal será dos gratuitos porque faz publicidade a um café, mas poderei estar enganada. Na verdade, o mais relevante é o desenho que a Oksana fez e que aqui deixo como prova da sua habilidade.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Livros e Mar: eis o meu elemento! (69)
Esther Mucznik, estudiosa das questões judaicas, redigiu de forma exímia o livro “Portugueses no Holocausto”, baseando-se numa investigação profunda e cuidada.
As ideias fulcrais que retirei da leitura foram perturbantes. O anti-semitismo e a xenofobia estavam espalhados, não só na Alemanha, mas em vários países europeus; alguns governos colaboraram activamente com os nazis na “Solução Final”, ultrapassando mesmo as expectativas alemãs; a passividade com que o mundo permitiu o extermínio do povo judeu. Concluindo, se povos e governos se tornaram cúmplices destes crimes, a responsabilidade pesa sobre toda a humanidade.
Editora: A Esfera dos Livros
[…] Este livro é dedicado a todos os portugueses que morreram no Holocausto, vítimas dos crimes nazis e, entre todos eles, aos descendentes de portugueses expulsos pela Inquisição refugiados em Amesterdão, Istambul ou Salónica. Salvaram-se das fogueiras da Inquisição mas não das câmaras de gás. Acreditaram que eram portugueses, mas Portugal não os reconheceu como tal. No momento em que precisavam desesperadamente da nacionalidade portuguesa, esta foi-lhes negada. […]
[…] …grande maioria dos refugiados que procuravam desesperadamente fugir da Europa ocupada, dos seus campos de morte e de trabalho escravo… […] eram indesejáveis em todo o lado, como o comprovou a Conferência de Evian convocada pelo presidente Roosevelt, em Julho de 1938, para solucionar o problema do acolhimento dos refugiados judeus da Alemanha. Na conferência, para a qual Portugal não foi convidado, participaram trinta e dois países, mas apenas um, a República Dominicana, se mostrou disponível para os receber. […] Hitler regozijou-se com esta atitude, destacando com cinismo o facto de os países criticarem a sua política relativamente aos judeus, mas nenhum deles abrir as suas portas para os acolher. […]
[…] Para o Führer, a indiferença do mundo face à sua política anti-judaica foi um claro sinal de que podia avançar com o seu sinistro plano sem nenhuma oposição de monta. […]
[…] … destaca-se uma ideia-chave: a força das convicções que animavam, não apenas os nazis, mas vastos sectores da sociedade alemã. A “Solução Final” não foi obra de um punhado de loucos e de monstros que decidiram de um momento para o outro varrer da face da terra judeus, comunistas, ciganos, homossexuais e deficientes. Não foi uma imposição ditatorial sobre uma população relutante e amedrontada. Foi uma tarefa colectiva levada a cabo com entusiasmo por milhares de pessoas que, voluntariamente, decidiram contribuir para a máquina de morte nazi, convencidos de que esse era o caminho necessário, justo e correcto para a Alemanha. […]
[…] O racismo e, muito especialmente o anti-semitismo são fenómenos muito anteriores a Hitler e ao nazismo mas foram o terreno fértil que alimentou o nacional-socialismo. Muitas pessoas culpavam os judeus pela derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e por todos os males que se lhe seguiram. […]
[…] Hitler não trouxe qualquer originalidade ao pensamento político; trouxe, sim, originalidade de liderança. E os alemães viraram-se para ele na esperança de uma solução para os problemas do país. […]
[…]… a reflexão sobre o Holocausto e a forma como se processou leva-nos a uma conclusão assustadora: o genocídio nazi aconteceu não apesar do alto nível educacional, cultural e tecnológico da sociedade alemã, mas devido a ele. […]
[…] … isto não é apenas o resultado de espíritos toldados por uma ideologia assassina, mas também da acção conjugada de homens e mulheres dotados de elevadas competências técnicas em todos os escalões da sociedade. […]
[…] Mas o que também fica para a História é que, enquanto a Alemanha e os seus aliados consagraram grandes esforços e recursos para o extermínio do povo judeu e de muitos outros civis de convicções, religiões e etnias diversas, o mundo observava sem se comprometer. […]
[…] Como refere o historiador Ian Kershaw: “A estrada de Auschwitz foi construída pelo ódio, mas o seu pavimento foi a indiferença.” […]
[…] … Salazar, que acumulava as pastas de Presidente do Conselho, ministro dos Negócios Estrangeiros e da Guerra teve conhecimento dos crimes nazis, através dos seus representantes diplomáticos espalhados pela Europa…[…]
[…] …Apesar disso, recusou-se a atender os pedidos desesperados dos quatro mil judeus descendentes de portugueses da Holanda, cuja vida acabou ceifada em Auschwitz, ou dos portugueses da Grécia e da Turquia a quem negou a nacionalidade que os poderia ter resgatado. […]
[…]…Portugal não sai pior no retrato do que os outros países neutros ou até, do que os próprios Aliados. […] Exceptuando a Dinamarca que defendeu e salvou efectiva e colectivamente a sua comunidade judaica, só já no final, quando o mal estava praticamente consumado e a derrota da Alemanha irreversível, é que os países neutros e os Aliados tomaram algumas iniciativas no que diz respeito ao salvamento de civis. Salazar não é uma excepção nas considerações de realpolitik que nortearam, na época, a política da grande maioria dos governos. […]
[…] À pergunta que nos surge constantemente ao espírito: “podia ter-se feito mais?”, não tenho dúvida em dizer que sim. […] …Tudo o que se fez representa necessariamente uma gota de água no oceano imenso e terrível daqueles por quem nada pôde ser feito. Portugal podia ter feito mais, o mundo podia ter feito mais, as próprias organizações judaicas internacionais, os judeus portugueses também. Mas não podemos mudar a história. Podemos apenas fazer os possíveis para que ela não se repita. […]
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Being Flynn
Um drama intenso, mas Robert De Niro conseguiu fazer-me sorrir com algumas tiradas arrogantes… Gostei muito, mesmo muito!
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Candidato-me…
Salvem o Gato (por Maria José Morgado)
No fim do dia no Campus de Justiça de Lisboa a escuridão rodeia o conjunto de edifícios de vidro, um halo de fantasia desprende-se do peso do silêncio, da extensão feérica do brilho das luzes. O computador encerrado na ansiedade crónica da justiça dos dias, matemática intangível destas paragens.
Estamos bem instalados, perdemos funcionários todos os dias, não existem os recursos de produtividade, a renda e o condomínio custam ao contribuinte €9600 milhões e €1.3 milhões respetivamente. Nos próximos 18 anos a soma rondará mais de €220 milhões, se lá chegarmos. Quem protege o Estado do Estado?
Flutuo até à portaria onde a esta hora costuma recolher-se o pequeno gato que adotamos e alimentamos. A imagem do bichano enrolado em sono profundo dignamente instalado ao lado do segurança espalha um inesperado bem-estar. É assim desde que o adotamos quando apareceu a morrer junto ao nosso edifício. A frequência destas instalações pelo gato causou inicialmente grande agitação junto da administração Campus. Um escândalo. Mas o bichano tem vantagens enormes e ficou.
A atitude perante a natureza e a vida não-humana é sempre reveladora de opções éticas e culturais. Acontece que o gatinho tem vantagens ambientais e qualidades inestimáveis.
Está vacinado, esterilizado, registado, tem seguro de saúde. Pode ser visto à porta do edifício do costume com o seu porte orgulhoso de gato amarelo às riscas ao lado dos polícias e dos seguranças, ou no espaço circundante à caça de pássaros, gafanhotos e ratos. Uma contribuição ecológica para o controlo sem químicos das pragas de ratazanas.
Por vezes é raptado por desconhecidos mas acaba sempre por regressar a casa — no que tem revelado invulgar capacidade de sobrevivência, mesmo para um gato. É um gato meigo, reservado e fiel. Não representa qualquer perigo e revela comportamentos adaptados ao local. Adora polícias, seguranças, fardas que são os seus fornecedores da ração. Foge dos grupos de pessoas de etnia cigana, importantes frequentadores deste Campus, talvez com medo que os miúdos lhe puxem a cauda.
Domina os horários burocráticos. Ao fim de semana, estando fechado o DIAP, faz o seu turno alimentar no Tribunal de Instrução Criminal para onde se desloca e onde é estimado. À segunda-feira de madrugada está novamente à nossa porta com o seu ar feliz. De vez em quando mostra alguma curiosidade por ajuntamentos jornalísticos à porta dos tribunais, observando-os às escondidas.
Um dia destes acaba-se o dinheiro para as rendas e têm que nos pôr nalgum lado. Talvez nos restem uns contentores à beira-rio, hipótese que já nem me aflige. Assalta-me um único desventurado pensamento: quem acudirá ao gato quando tudo se desmoronar? Tornou-se dependente de nós mas está inocente. É o único ser vivo neste espaço que não se alimenta do OGE. Nessa altura salvem ao menos o gato. Alimentá-lo, só custa 20 euros por mês.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Postcrossing (20)
Este alemão enviou-me um magnífico mapa que apresenta a Floresta do Palatinado ou o planalto Pfälzerwald. É uma região montanhosa, no sudoeste da Alemanha, localizada no estado da Renânia-Palatinado e tem um rico património paisagístico, histórico e cultural, sendo caracterizada por um grande número de castelos e palácios.
Percam-se no Google em busca destas pérolas…
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
Message in a bottle (76)
Não ofereça sabedoria a quem só pode pagar com ignorância (por Max Gehringer, jornalista da Central Brasileira de Notícias)
Um rato saiu de manhã para o seu dia-a-dia e no caminho cruzou-se com um caracol. Muitas horas depois, após um dia exaustivo em que teve de labutar para arranjar comida e escapar aos predadores, o rato regressou e notou que o caracol não tinha andado mais do que uns 2 metros.
O rato parou e comentou que se sentia compadecido pelo facto do caracol ter uma vida tão monótona, tão sem emoções, enquanto ele, rato, conseguira viver, em apenas um dia, aventuras que o caracol não iria provavelmente conseguir viver em toda a sua existência.
"Emérito rato", respondeu o caracol, "como tenho bastante tempo para observar e reflectir, permita-me oferecer-lhe alguns dados comparativos entre as nossas espécies, que talvez possam ajudá-lo a rever o seu ponto de vista. Os caracóis têm casa própria enquanto os ratos são escorraçados de todos os lugares onde chegam. Os caracóis vivem em jardins e os ratos em esgotos. O alimento dos caracóis está sempre ao seu alcance, enquanto os ratos precisam de caminhar horas e horas para encontrar comida. Por isso, os caracóis podem passar o dia a apreciar a natureza, ao passo que os ratos não podem descuidar-se nem por um segundo. E não por acaso, a esperança de vida dos caracóis é de cinco anos, dois anos mais do que os ratos."
O rato ouviu tudo atentamente e concluiu que o caracol tinha razão, e com uma violenta patada esmagou o caracol.
Felizmente o solo era bastante fofo e o caracol sobreviveu, mas aprendeu uma lição para o resto da vida: Por mais razão que se tenha, nunca se deve tentar revelar a alguém que se acha importante e detentor da verdade, o que efectivamente vale.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Message in a bottle (75)
… ou O glutão do BPI…
“Maior crime que roubar um banco, é fundar um banco”
Brecht
Sem açúcar nem afecto, em discurso directo (por Alice Brito, advogada, dirigente do Bloco de Esquerda)
Sei que a raiva não é boa conselheira. Paciência. Aí vai.
Havia dantes no coração das cidades e das vilas umas colunas de pedra que tinham o nome de picotas ou pelourinhos. Aí eram expostos os sentenciados que a seguir eram punidos com vergastadas proporcionais à gravidade do seu crime. Essa exposição tinha também por fim o escárnio popular. Era aí que eu te punha, meu glutão.Atadinho com umas cordas para que não fugisses. Não te dava vergastadas. Vá lá, uns caldos de vez em quando. Mas exibia-te para que fosses visto pelas pessoas que ficaram sem casa e a entregaram ao teu banco. Terias de suportar o seu olhar, sendo que o chicote dos olhos é bem mais possante que a vergasta.Terias, pois, de suportar o olhar daqueles a quem prometeste o paraíso a prestações e a quem depois serviste o inferno a pronto pagamento. Daqueles que hoje vivem na rua. Daqueles que, para não viverem na rua, vivem hoje aboletados em casa dos pais, dos avós, dos irmãos, assim a eito, atravancados nos móveis que deixaram vazias as casas que o teu banco, com a sofreguidão e a gulodice de todos os bancos, lhes papou sem um pingo de remorso.
Dizes com a maior lata que vivemos acima das nossas possibilidades. Mas não falas dos juros que cobraste. Não dizes, nessas ladainhas que andas sempre a vomitar, que quando não se pagava uma prestação, os juros do incumprimento inchavam de gordos, e era nesse inchaço que começava a desenhar-se a via-sacra do incumprimento definitivo.
Olha, meu estupor, sabes o que acontece às casas que as pessoas te entregam? Sabes, pois... São vendidas por tuta e meia, o que quer dizer que na maior parte dos casos, o pessoal apesar de te ter dado a casa fica também com a dívida. Não vale a pena falar-te do sofrimento, da vergonha, do vexame que integra a penhora de uma casa, porque tu não tens alma, banqueiro que és.
Tal como não vale a pena referir-te que os teus lucros vêm de crimes sucessivos. Furtos. Roubos. Gamanços. Comissões de manutenção. Juros moratórios. Juros compensatórios, arredondamentos, spreads, e mais juros de todas as cores. Cartões de crédito, de débito, telefonemas de financeiras a oferecerem empréstimos clausulados em letrinhas microscópicas, cobranças directas feitas por lumpen, vale tudo, meu tratante. Mesmo assim tiveste de ser resgatado para não ires ao fundo, tal foi a desbunda. E, é claro, quem pagou o resgate foram aqueles contra quem falas todo o santo dia.
Este país viveu décadas sucessivas a trabalhar para os bancos. Os portugueses levantavam-se de manhã e ainda de olhos fechados iam bulir, para pagar ao banco a prestação da casa. Vidas inteiras nisto. A grande aliança entre a banca e a construção civil tornavam inevitável, aí sim, verdadeiramente inevitável, a compra de uma casa para morar. Depois os juros aumentavam ou diminuíam conforme era decidido por criaturas que a gente não conhece. A seguir veio a farra. Os bancos eram só facilidades. Concediam empréstimos a toda a gente. Um carnaval completo, obsessivo, até davam prendas, pagavam viagens, ofereciam móveis. Sabiam bem o que faziam.
Na possante dramaturgia desta crise entram todos, a banca completa e enlouquecida, sendo que todos são um só. Depois veio a crise. A banca guinchou e ganiu de desamparo. Lançou-se mais uma vez nos braços do estado que a abraçou, mimou e a protegeu da queda.
Vens de uma família que se manteve gloriosamente ricalhaça à custa de alianças com outros da mesma laia. Viveram sempre patrocinados pelo estado, fosse ele ditadura ou democracia. Na ditadura tinham a pide a amparar-vos. Uma pide deferente auxiliava-vos no caminho. Depois veio a democracia. Passado o susto inicial, meu deus, que aflição, o povo na rua, a banca nacionalizada, viraram democratas convictos. E com razão. O estado, aquela coisa que tu dizes que não deve intervir na economia, têm-vos dado a mão todos os dias. Todos os dias, façam vocês o que fizerem.Por isso falas que nem um bronco, com voz grossa, na ingente necessidade de cortes nos salários e pensões. Quanto é que tu ganhas, pá?Peroras infindavelmente sobre a desejável liberalização dos despedimentos. Discursas sem pejo sobre a crise de que a cambada a que pertences é a principal responsável.
Como tu, há muitos que falam. Aliás, já ninguém os ouve. Mas tu tinhas que sobressair. Depois do “ai aguenta, aguenta”, vens agora com aquela dos sem-abrigo. Se os sem-abrigo sobrevivem, o resto do povo sobreviverá igualmente.
Também houve sobreviventes em Auschwitz, meu nazi. É isso que tu queres? Transformar este país num gigantesco campo de concentração?
Depois, pões a hipótese de também tu poderes vir a ser um sem-abrigo. Dizes isto no dia em que anuncias 249 milhões de lucros para o teu banco. É o que se chama um verdadeiro achincalhamento.
Por tudo isto te punha no pelourinho. Só para seres visto pelos milhares que ficaram sem casa. Sem vergastadas. Só um caldo de vez em quando. Podes dizer-me que é uma crueldade. Pois é. Por uma vez terás razão. Nada porém que se compare à infinita crueldade da rapina, da usura que tu defendes e exercitas.
És hoje um dos czares da finança. Vives na maior, cercado pelos sebosos Rasputines governamentais. Lembra-te do que aconteceu a uns e ao outro.
domingo, 3 de fevereiro de 2013
Let's look at the trailer (30)
American History X (América Proibida) é um filme de 1998 dirigido por Tony Kaye.
Danny Vinyard (Edward Furlong) é um adolescente influenciado pelo irmão mais velho, Derek (Edward Norton), um skinhead repleto de ódio por todos os que são diferentes de si. A aversão a outras raças dispara com a morte do pai. Ele inicia uma viagem ao mundo da violência que o vai levar à prisão. Nesse período de solidão Derek apercebe-se que pode ser um homem diferente. A sua única incerteza é se vai ser capaz de ajudar o seu irmão… Um retrato do racismo através da tragédia íntima de dois irmãos.
O filme vai alternando cenas a preto e branco, o passado, que nos mostram como Derek entrou num grupo de extrema-direita, cometeu um crime (a cena é rápida, mas chocante…), é preso e o sofrimento na prisão, e cenas a cores que representam o presente e a sua luta para tirar o irmão daquele condenável mecanismo.
Edward Norton, que teve neste filme a sua segunda nomeação para os Óscares, tem uma interpretação notável. Não posso deixar de salientar algumas cenas sublimes: quando Derek é preso; o discurso racista, anti-semita e xenófobo que Derek faz sentado à mesa, em que as palavras brotam cheias de ódio; quando chora na prisão, depois de…(não vou contar…); a cena final. O filme é brilhante, brutal, marcante, explosivo.
Baseado numa história verídica, América Proibida é, sem dúvida, um dos melhores filmes que tive o privilégio de ver e achei-o tão memorável que seria uma falha não ver o último filme deste realizador, Detachment (O Substituto).
Postcrossing (19)
RU-1373759 enviado pela Anna
A Anna tem 22 anos e é uma estudante russa que vive na cidade de Kirov, que passou a ter esta designação apenas em 1934, em homenagem ao revolucionário Sergei Kirov. Estas figuras, do antigo e histórico artesanato popular russo, são moldadas em barro e pintadas à mão, e continuam a ser feitas na vila de Dymkovo, perto Kirov (ex-Vyatka). Estamos sempre a aprender!
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Justiça versus Vingança
Law Abiding Citizen (Um Cidadão Exemplar) é outro filme de acção dirigido por Félix Gary Gray, mas, ao contrário de The Italian Job, considero-o muito bom.
Clyde Shelton (Gerard Butler) assiste, impotente, ao assassínio brutal da mulher e da única filha. Os culpados são presos, mas o procurador, Nick Rice (Jamie Foxx), oferece um acordo para que um deles cumpra apenas uma pena leve em troca do seu testemunho contra o seu cúmplice.
Dez anos depois, o assassino, já em liberdade, é encontrado morto e Shelton confessa a autoria do crime. É preso, mas faz um ultimato ao procurador dizendo-lhe que terá que corrigir o sistema judicial que falhou em relação aos assassinos da sua família ou todos os envolvidos no caso acabarão por pagar da pior maneira...
O suspense é crescente e, porque um cidadão exemplar terá sempre que se revoltar com a ineficácia do sistema judicial, torcemos por Clyde Shelton que, mesmo preso, espalha o terror. Sangrento! Quando a justiça não funciona, a crueldade toma conta do ser humano. Gostei do desempenho de Gerard Butler, que contrasta com uma interpretação apagada de Jamie Foxx. Opiniões de uma bloguista, não de uma perita em cinema. Se forem muito impressionáveis, é melhor não verem!...
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Um Golpe (alemão) em Itália
The Italian Job (Um Golpe em Itália), dirigido por Félix Gary Gray, é um remake de 2003 do filme britânico com o mesmo nome, dos finais da década de 60.
Um roubo de vários milhões em barras de ouro, em Veneza, que não corre bem. O grupo é traído por um dos envolvidos que, durante a fuga, mata John, o arrombador de cofres, interpretado por Donald Sutherland. Enquanto o traidor (Edward Norton) pensa que não houve sobreviventes, estes, chefiados por Charlie Croker (Mark Wahlberg), arquitectam um plano para reaver o ouro e, desta vez, quem arrobará o cofre será a filha de John, Stella (Charlize Theron), que trabalha na polícia, mas pretende vingar o pai…
Os 3 MINIS (marca actualmente detida pela BMW) que utilizam na fuga fizeram disparar as vendas nos Estados Unidos quando o filme estreou, ou seja, foi uma bela promoção do carrito. Para mim, este golpe da BMW foi inteligente porque julgo que é o ponto alto do filme. Puro entretenimento, mas com desempenhos bastante satisfatórios.
Postcrossing (18)
FI-1622910 enviado pela Kaija
A kaija vive numa pequena cidade perto de Tampere, na Finlândia, e enviou-me este postal engraçado que chegou perto do Natal. Aqui fica não só o postal, como também uma mimosa cercadura do verso e, como é habitual, o selo. A outra impressão faz parte do postal…
Sei que com as novas tecnologias se perdeu o hábito da escrita, da troca de correspondência física, e que, gradualmente, foi desaparecendo a variedade de postais que existia nas décadas de 60, 70 e até mesmo nos anos 80. A maioria dos postais que se fazem no nosso país são os típicos postais para turistas. Com o Postcrossing, julgo que o negócio poderia florescer de novo, visto que nos outros países (desenvolvidos) a tecnologia não substituiu na totalidade a tradição. Em Portugal seria impossível comprar um postal destes. Porquê? Somos um país de vistas curtas?
sábado, 12 de janeiro de 2013
Livros e Mar: eis o meu elemento! (68)
“Visibilidade”, de Boris Starling. Que mais posso dizer que não esteja na síntese? Se me esticar, estarei a contar demais…
O suspense é uma constante nos livros deste autor e, como apreciadora de policiais, li o seu primeiro romance, “Messias”, e “Tempestade”. De Starling falta-me apenas ler “Vodka”, que tem estado a aboborar numa das prateleiras desde 2009 porque as suas 674 páginas pesam na mala de quem, como eu, anda de transportes públicos…
Boris Starling, que trabalhou como repórter para o The Sun e para o Daily Telegraph e ainda para uma organização especializada em negociações com raptores e investigações confidenciais, usufruiu, nessas funções, de um manancial de conhecimentos e experiências que emprega de uma forma admirável nas suas narrativas.
Em Dezembro de 1952, com as sombras da guerra a esbaterem-se e com a Guerra Fria cada vez mais quente, Londres viu-se envolvida numa combinação mortal de poluição com condições meteorológicas adversas que ficou conhecida como o Grande Nevoeiro sendo responsável por mais de 12000 vidas. Neste miasma, um homem encontra a morte, nas águas baixas e geladas da Long Water. Alguns dizem que estava apenas bêbado, vagueando no Hyde Park. Mas, para Herbert Smith, novo detective da Scotland Yard o corpo torna-se uma pista muito mais interessante ao descobrir que a sua morte não foi acidental. Era bioquímico, e poucas horas antes de morrer tinha reclamado estar na posse de um segredo que podia mudar o mundo.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Postcrossing (17)
BE-182622 enviado pela Greta
Esta avó belga fez o que todas as pessoas deveriam fazer. Leu o meu perfil, viu os meus favoritos e escolheu um postal a pensar em mim. Agradeço-lhe a amabilidade, as palavras atenciosas com que me brindou e esta vista espectacular da cidade de Antuérpia, a sua cidade natal, embora viva perto da fronteira com a Holanda e tenha enviado o postal de Roterdão.
A cidade de Antuérpia situa-se na Flandres, onde, segundo o Financial Times, vive o maior número de pessoas que dominam plenamente quatro idiomas. Os seus habitantes, os sinjoren, falam correctamente o neerlandês, o francês, o inglês e o alemão, e é mesmo possível encontrar ainda alguns falantes de espanhol, o que não é de estranhar, se pensarmos que a designação sinjoren deriva, provavelmente, do termo castelhano señores. A origem da palavra remonta ao século XVI, o século de ouro da cidade, em que se dizia que os habitantes de Antuérpia viviam com lujo de señores (luxo de senhores), utilizando o espanhol, tão importante nas relações comerciais da época.
Antuérpia alberga o centro de diamantes mais importante do mundo, um dos santuários mais restritos e conhecidos de todo o mundo, com uma superfície que abrange um quilómetro quadrado. Este centro internacional de lapidação e comércio destas pedras transacciona actualmente 85 por cento dos diamantes brutos e 50 por cento dos lapidados.
O postal mostra-nos o centro histórico e, sobressaindo na paisagem, com os seus 123 metros de altura, o campanário da Catedral de Nôtre Dame, cuja construção se iniciou no século XIV e que conserva ainda importantíssimas obras de Rubens.
O edifício da Câmara Municipal de Antuérpia (telhado grande e cinzento) é uma das construções mais belas e antigas da cidade, localizado na Praça Principal. Destacam-se também os famosos prédios de tecto triangular que definem a arquitectura típica da região.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Let's look at the trailer (29)
Recomendo sem reservas esta minissérie, um épico medieval dois séculos após os acontecimentos de “Os Pilares da Terra”.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Livros e Mar: eis o meu elemento! (67)
Confesso que o entusiasmo que senti ao ler a sinopse de “Comboio Nocturno para Lisboa”, um dos maiores best-sellers europeus dos últimos anos, começou a desvanecer-se quando comecei a leitura. Apesar de a narrativa ser sólida e existir um fio condutor evidente, o escritor emprega uma linguagem demasiado pesada. Talvez por Pascal Mercier ser o pseudónimo literário do filósofo suíço Peter Bieri, o romance tem muitos pontos filosóficos sobre a morte, a solidão, a amizade, traumas, frustrações. O tema principal é imaterial, uma viagem em que a personagem principal questiona a sua existência.
Confesso, também, que sempre tive dificuldade em ajuizar conteúdos metafísicos, descobrir a essência das coisas, que é complicado questionar-me sobre as minhas decisões e angústias, que me deprime a introspecção, a descoberta do eu interior. Brincando um bocadinho, é assim como a geometria no espaço, transcende-me…
Apesar das duas confissões supracitadas, não escondo que acabei por gostar do livro. Nota-se que o autor tem alguma falta de conhecimento da realidade portuguesa no tempo do Estado Novo e trata com alguma “ligeireza” o regime salazarista, mesmo que, certamente, tenha feito recolha de dados, mas, tal como eu tenho dificuldade em compreender o impalpável, também se desculpa quem não viveu na ditadura…
A vida solitária e monótona de Raimund Gregorius, o protagonista da história, divorciado e professor de línguas clássicas num liceu em Berna, sofre uma mudança profunda quando um acontecimento insólito o faz largar a sua vida rotineira e partir num comboio nocturno para Lisboa. O encontro, num dia chuvoso, com uma mulher portuguesa que, prestes a saltar de uma ponte, desaparece depois de lhe escrever um número de telefone na testa, é o ponto de partida para a viagem. Evitando que salte, Raimund fica seduzido pela sonoridade das palavras da desconhecida que, questionada sobre a língua que fala, lhe diz ser português. Por casualidade, encontra, numa livraria espanhola, um volume editado em 1975 em Lisboa, com excertos filosóficos, intitulado “Um Ourives das Palavras” do português Amadeu Inácio de Almeida Prado. Tenta, recorrendo a um curso de português, traduzir passagens do livro e, fascinado com o que lê, resolve partir para Lisboa em busca de Prado. Já em Lisboa, descobre que Amadeu, um médico que se opunha ao regime de Salazar, faleceu em 1973, antes da Revolução de Abril. Começa, então, a procurar familiares, amigos e conhecidos que possam ajudá-lo a compreender a complexidade de Amadeu e a conhecer-se a si próprio…
E mais não conto!
A sinopse apresenta uma falha. Amadeu Prado morreu antes da Revolução de Abril e não depois. Julgo que terão confundido o ano da morte com o ano da publicação do seu livro…
Tudo começa numa manhã chuvosa. Uma mulher prepara-se para saltar de uma ponte de Berna. Raimund Gregorius, um banal professor de grego e latim de 57 anos, evita o acto desesperado e fica surpreendido com o som de uma palavra. Português, responde ela, ao ser questionada sobre a língua que fala. Antes de desaparecer da história ainda tem tempo de escrever um número de telefone na testa deste míope professor que descobre, por acaso, um livro de um autor português, Amadeu Inácio de Almeida Prado, intitulado Um Ourives das Palavras. Sem conseguir explicar porquê, entra num comboio para Lisboa atrás deste médico que morreu 30 anos antes, em 1975, pouco depois da Revolução, numa descoberta do outro que acaba por ser uma descoberta de si próprio.
Amado pelos pobres que atendia de graça no seu consultório, Amadeu passa a ser rejeitado pelo povo no dia em que aceita tratar o "Carniceiro de Lisboa", assim conhecido por ser chefe da polícia política. Integrará posteriormente a resistência contra o regime de Salazar.
Porquê Portugal? Porquê a ditadura de Salazar? Estas são as perguntas mais feitas a um autor que admira Pessoa, "esse gigante da literatura", há mais de 20 anos, e escreve um livro do desassossego com a escrita de Prado a assemelhar-se aos textos do poeta português. Pela sua cultura, pela sua atitude de outros tempos, Raimund precisava de um ambiente de século XIX e Lisboa é a grande cidade europeia que mais se aproxima pelo seu aspecto, pela sua topografia, afirma Pascal Mercier, para quem a principal razão para escolher Lisboa e Portugal prende-se com o pai de Prado, um juiz em funções durante uma ditadura, mas que não trabalharia sob as ordens de Mussolini, Hitler ou Franco. "Salazar era diferente. Era um intelectual brilhante, era muito inteligente, culto, de uma brutalidade mais subtil que poderia seduzir pessoas como o juiz Prado e só nas ditaduras se dão as condições necessárias para tratar os problemas morais no contexto político."
Imprevisto singular: Quando Mercier/Bieri esteve em Lisboa pela altura do lançamento do livro, em 2008, fez um périplo pelos locais do romance acompanhado por um jornalista e um fotógrafo do jornal Expresso. Junto ao Arco da Rua Augusta, no momento em que o fotógrafo capta as últimas imagens do escritor, surge das arcadas uma mulher, Comboio Nocturno para Lisboa debaixo do braço. “Desculpe, o senhor é o autor deste livro, não é?” E o autógrafo já não escapa. Mercier sorri, ao ver a leitora a afastar-se, tão incrédula quanto ele. “Coisa incrível, não acham? Quem é que explica acasos destes?” Ninguém. Mas Amadeu de Prado, que na Lisboa ficcional do escritor suíço morreu ali a dois passos, era bem capaz de tentar.
sábado, 5 de janeiro de 2013
Postcrossing (16)
NL-1588561: enviado pela Bianca
A Bianca vive em Roterdão e enviou-me este postal. Diz ela, como se eu não soubesse, que a Holanda é a terra natal da vaca da raça holandesa.
Para que as vacas leiteiras continuem a ser recordistas na produção de leite, as mordomias chegam a ser inéditas. A cidade de Voorst conta com uma faixa para passagem de vacas. Segundo a agência “France Presse”, os motoristas devem parar e respeitar a sinalização, pois os animais têm preferência para atravessar… Cá, nem no tempo das vacas gordas…
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
Afinal, o que é a inteligência?
Isaac Asimov (1920-1992, físico e bioquímico russo, naturalizado americano, autor de obras de ficção e divulgação científicas)
Durante toda a minha vida consegui notas como esta, o que sempre me deu uma ideia de que era realmente muito inteligente. E imaginava que as outras pessoas também achavam isso.
Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que sou muito bom para responder a um tipo específico de perguntas académicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar num teste destes, acho que não chegaria aos 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente do que ele. Mas, quando acontecia alguma coisa ao meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito, era a ele que eu me dirigia. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia os seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos. No fim, sempre era ele quem consertava o meu carro. Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro ou qualquer outro que não fosse um académico.
Em qualquer desses testes eu comprovaria a minha total ignorância e estupidez.
Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Num mundo onde não pudesse valer-me do meu treino académico ou do meu talento com as palavras e tivesse de fazer algum trabalho com as mãos, dar-me-ia muito mal. A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas. Certa vez levantou a cabeça por cima do capô do meu carro e perguntou-me:
- Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de ferragens para comprar uns pregos. Colocou dois dedos no balcão como se estivesse a segurar um prego invisível e com a outra mão imitou umas marteladas. O empregado da loja trouxe um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o empregado trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria, pagou e foi-se embora. O cliente seguinte era um cego, queria comprar uma tesoura. Como acha que ele fez?
Eu levantei a minha mão e “cortei o ar” com dois dedos, como uma tesoura.
- O Dr. é muito burro mesmo! O cego simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir!
Enquanto o meu mecânico ria à gargalhada, comentou:
- Estou a fazer esta adivinha a todos os clientes hoje!
- E muitos caíram? Perguntei esperançoso.
- Alguns. Mas consigo eu tinha a certeza absoluta que ia funcionar.
- Ah é? Porquê?
- Porque eu acho que o doutor tem muitos estudos, mas não é lá muito esperto.
E algo dentro de mim me dizia que ele tinha alguma razão nisto tudo...