segunda-feira, 19 de junho de 2017

Reservado à Indignação (48)

Mais uma vez, o povo português é convocado a ajudar as vítimas de uma tragédia, desta feita o incêndio dantesco de Pedrógão Grande. Mais uma vez, as estações de televisão abrem Linhas Solidárias. Mais uma vez, 50 cêntimos reverterão para o apoio às vítimas.
Ontem, li o seguinte texto: Um Abraço a Portugal é uma linha solidária da SIC de apoio às vítimas dos incêndios. Ao ligar 760 100 100 estará a contribuir com 50 cêntimos. Juntos vamos dar um abraço a Portugal. Preço/chamada: 0,60€+IVA; Com o apoio MEO, NOS e Vodafone. Esta é uma linha que reverte totalmente a favor das vítimas dos incêndios em Pedrógão Grande.
Pergunto: reverte totalmente, como? Para onde são direccionados os 10 cêntimos de diferença entre os 60 e os 50 cêntimos? O Estado vai contribuir com o IVA cobrado? Qual é o apoio das operadoras? Estas questões não são recentes, mas continuam a não ter resposta e parece-me que haverá sempre quem tire proveito da solidariedade do povo, provavelmente, sou eu que sou desconfiada… (*)
A verdade é que o valor que é pago pela pessoa que faz a doação não é entregue na totalidade à causa solidária. Uma coisa é fazer uma chamada de valor acrescentado para um concurso, outra, completamente díspar, é fazer uma chamada que tem como propósito recolher donativos para uma causa solidária.  
Mas há mais…
Evento Leiria Dancefloor: Cada bilhete vendido para o "Leiria Dancefloor", entre os dias 4 e 5 de Agosto, a organização doará 1€ às vítimas do incêndio. Para conhecimento, o bilhete diário custa 15€ e o passe de 2 dias custa 20€.
Espectáculo Solidário Pedrogão Grande: Dia 24 de Junho, pelas 21h30m, no Teatro José Lúcio da Silva, irá realizar-se o espectáculo "Solidário Pedrogão Grande", que irá contar com a participação de David Fonseca e Orquestra de Jazz de Leiria, Academia de Ballet e Dança Annarella, Omnichord Records, Samp Pousos, Orfeão de Leiria Conservatório de Artes, Fade In - Associação de Acção Cultural. Os bilhetes têm um custo de 15€, e estarão à venda no Teatro a partir de hoje segunda-feira dia 19.
No primeiro evento, a organização doará 1€ por cada bilhete vendido. No segundo, apenas sabemos que os bilhetes custam 15€. Estas organizações que não me levem a mal, mas pergunto: quem ganha com a enorme divulgação e promoção dos eventos? Este propagandear tem como objectivo ajudar apenas o próximo? Estas questões não são recentes, mas continuam a não ter resposta e parece-me que haverá sempre quem tire proveito da solidariedade do povo, provavelmente, sou eu que duvido de tanta alma solidária…
Talvez haja uma incapacidade de compreensão da minha parte, talvez esteja a ser demasiado dura, mas, julgo que para que todas estas iniciativas tenham relamente valor, as doações deveriam ser na íntegra. Ser solidário quer dizer que partilhamos o sofrimento de alguém, que prestamos auxílio, não se subentende qualquer lucro financeiro nesta palavra.

(*) Adenda: neste mesmo dia, no Jornal da Noite, a SIC referiu que, depois da aprovação das operadoras, o valor a doar será de 60 cêntimos. No entanto, continua a não reverter totalmente, a não ser que o Estado se associe à causa e renuncie ao seu quinhão (leia-se IVA).   

sábado, 17 de junho de 2017

Rota Bordaliana

Percorri, o ano passado, a Rota Bordaliana, nas Caldas da Rainha. Recomendo, não fosse Rafael Bordallo Pinheiro o génio eterno que inventou o Zé Povinho e nos ensinou a fazer o manguito! 
A Rota Bordaliana sugere dois roteiros. 
O percurso curto, de cerca de uma hora, que passa apenas nos locais que têm as peças de cerâmica de grande escala. 
O percurso mais longo, que demora, aproximadamente, duas horas a ser percorrido, passando por vários pontos turísticos relacionados com o artista e com o seu trabalho. Fazem parte desta proposta, edifícios com painéis e fachadas de azulejo, peças toponímicas únicas, peças à escala humana e informações sobre episódios da vida de Rafael Bordallo Pinheiro.




(imagens gentilmente cedidas pela net e gentilmente roubadas por mim...)

Ambos começam no Largo da Estação porque quando Bordallo Pinheiro se deslocava para as Caldas da Rainha, fazia-o de comboio, entrando na cidade precisamente nesse local e terminam na Fábrica de Faianças e Casa Museu do artista. Mais informações, aqui.
O Posto de Turismo tem um folheto com as diferentes peças que estão espalhadas pela cidade, tendo cada uma delas uma descrição e também um código QR que fornece mais informações. A parte de trás do folheto é uma breve biografia de Rafael Bordallo Pinheiro e um mapa assinalando onde as peças estão colocadas.



Os visitantes poderão percorrer os vários pontos a partir de orientações da aplicação instalada no telemóvel, a CityGuide Caldas da Rainha.


Rafael tinha, como tantos outros artistas plásticos, uma paixão pelos gatos, não só pelas ergonomias felinas – o “design” de um gato é irresistível para quem desenha – mas também pela sua personalidade: rapinante, esquivo, emboscado para apanhar a vítima, predador, tal como o caricaturista, comenta Osvaldo Macedo (historiador de arte), “caçador de falhas, de deslizes, de momentos, de atitudes, de atos”. E sobretudo livre: “Tanto podia ir à Ribeira comer uma sardinha, como ir a um salão aristocrático deliciar-se com um manjar faustoso.” O artista tinha este sonho louco: transformar o Rossio numa atração turística cheia de gatos, como os pombos da Praça de São Marcos, em Veneza, e distribuir-se-iam carapaus à hora certa para reunir toda a gataria de Lisboa… Talvez por amar tanto os gatos não se servia deles enquanto alegoria, nos seus célebres zoomorfismos – até na cerâmica era raro. Nunca aparecerá um gato em forma de político ou essa gente de má fama. A política era a grande porca, as finanças um cão esfaimado, a economia a galinha choca, a retórica parlamentar o papagaio. Rafael e suas “garras satíricas” à solta pela cidade, “adorava a noite para descobrir os segredos do dia, gostava do dia para desvendar as curiosidades da noite”. 
(cedido gentilmente pela Visão e rapinado gentilmente por mim…)

sexta-feira, 16 de junho de 2017

terça-feira, 13 de junho de 2017

Durante a minha ausência

Durante estes três anos e meio de ausência, o panorama da minha vida alterou-se. A nossa vida é marcada por acontecimentos e alguns são inevitáveis, interferindo de forma positiva ou negativa na nossa existência.  Alguns, varrem-se da memória como um castelo de areia à beira mar, apagam-se com o tempo; outros, deixam marcas, deixam saudades, deixam lembranças, ficarão na nossa memória para sempre. Doces ou amargos, os acontecimentos fazem parte da nossa vida e, custe o que custar, temos que seguir em frente.
No seu último livro “A Hora da Estrela”, Clarice Lispector diz “a vida é um soco no estômago”. Julgo que a autora não quis dizer que a vida é toda ela feita de situações inesperadas e negativas e que temos que nos conformar com isso. Creio que a frase pode ser interpretada de uma forma mais abrangente e profunda porque a vida causa dor, mas também nos regozija, magoa e deleita, tira o fôlego e dá alento, enfraquece e dá-nos força, desgasta e estimula, atormenta e tranquiliza, é tumulto e bonança, razão e emoção, é adrenalina e fadiga, afectos e frieza, entusiasmo e desânimo… A vida é, de facto, um murro no estômago, uma vez que é uma manifestação constante e imprevisível de sentimentos entre o desassossego e a serenidade.
Nestes três anos e meio de ausência, perdi dois amigos. Dois amigos que eram irmãos. Num espaço de cinco meses, a mãe ficou sem os dois filhos, ambos na casa dos 50. Ambos inesquecíveis. Até há pouco tempo, fui incapaz de apagar os contactos deles do telemóvel, como se ao eliminá-los quebrasse o último elo e tivesse que admitir que não mais os veria, que faltavam peças no puzzle da minha vida. Doces ou amargos, os acontecimentos fazem parte da nossa vida e, custe o que custar, temos que seguir em frente…
Nestes três anos e meio de ausência, perdi a minha mãe, dois dias antes da minha filha mais nova fazer anos. Devido à idade e ao desinteresse pela vida que se enraizou após a morte do meu pai, a partida da minha mãe não me causou surpresa e, embora pareça de uma cruel insensibilidade, não me perturbou como a do meu pai. Ainda que, nos últimos dias de vida, a minha mãe não dialogasse, consegui transmitir-lhe tudo o que ela sempre representou para mim, todo o meu amor e o enorme orgulho por ser sua filha. Penso que terá partido feliz. Ao contrário, a morte do meu pai, apesar da doença, foi inesperada, um murro no estômago que ainda não ultrapassei totalmente porque o desenrolar dos acontecimentos foi demasiado célere e não me permitiu dizer-lhe as palavras que nunca lhe direi… Disse-as mais tarde, numa angústia só minha, mas o significado perdeu-se no tempo impossível de parar…      
Nestes três anos e meio de ausência, a minha filha mais nova entrou na universidade e estará no 3º ano no próximo ano lectivo. Sempre pensei que proporcionar um curso superior aos filhos seria a melhor herança que podemos deixar-lhes. Uma ferramenta para que possam ser livres e tomar opções, mesmo que sigam uma via diferente da que estudaram. O tempo da universidade é de crescimento académico e pessoal, de convivência e de organização, e tudo isto será sempre muito vantajoso no futuro. Espero que viva a vida em pleno, intensamente, como um soco no estômago, mas sem esquecer a sua essência e os valores que lhe passei.
Nestes três anos e meio de ausência, ganhei um genro. Ganhei no verdadeiro sentido da palavra, acho-o imperdível. Os dois, seguros e equilibrados, bem resolvidos com a vida. A minha filha mais velha casou no mesmo ano em que perdi a minha mãe. Um acontecimento feliz que veio atenuar o outro. A vida é assim, uma manifestação constante e imprevisível de sentimentos entre o desassossego e a serenidade…

quinta-feira, 8 de junho de 2017

domingo, 7 de maio de 2017

O meu “sexygésimo” aniversário

Mas eu já tenho 60 anos? 60 anos redondos? Duvido muito… Deve existir algum equívoco! Sou, em relação a certos factos, céptica, só acredito no que vejo, e na verdade não me vejo com 60 anos, essa é que é essa!
A infância é a idade das interrogações, a juventude a das afirmações (lembro-me bem desta fase…), a idade adulta a das reafirmações e a velhice a das negações. Mas qual velhice? Recuso-me a aceitá-la tal como Dorian Gray? Não, claro que sinto a falta da energia que tinha aos 20 anos, quando descia as escadas a correr e as subia saltando degraus, claro que a idade me trouxe algumas rugas, claro que o corpo deixou de ter firmeza (encanito com isto…) e os cabelos embranquecem, mas a minha alma continua jovem e continuará eternamente jovem…
Na minha opinião e no alto dos meus 60 anos redondos, a juventude é um estado de espírito, assim como a felicidade. Há dias em que me sinto juvenil e noutros essa juvenilidade esmorece, há dias em que transbordo de felicidade e noutros sou assaltada pela melancolia, mas, por sorte, os dias bons são, de longe, superiores aos menos bons.
Tenho consciência que já vivi mais de metade da minha vida, que o meu passado é mais longo que o meu futuro, que os momentos vividos jamais se repetirão. Se é verdade que estou grata pelo passado, assusta-me pensar que os anos que me restam de vida são insuficientes para tudo o que ainda quero fazer…
No entanto, neste dia quero celebrar os meus 60 anos redondos com um brinde ao meu futuro e à vida, com votos que este ano de 2017, ano chinês do galo de fogo (salvo erro), me transforme numa “sexygenária” liofilizada (enxuta faz-me pensar que sou velha mas não sofro de incontinência… ahahahah). Iniciei uma “recauchutagem”, deixei de usar óculos, fiz há dois meses uma artroplastia, ou seja, tenho uma prótese no joelho direito, e farei, assim que as minhas finanças permitam, uma correcção dentária. Depois sim, como diz uma colega, ninguém pára a “puta da velha”… E, por favor, a quem me lê, não me comparem ao RoboCop, sim?

Mais uma vez, os meus familiares e amigos deram-me uma comovente prova de amizade no meu “sexygésimo” aniversário. Mais uma vez, um almoço surpresa, mas este com mais familiares e amigos do que o almoço dos 50 anos redondos. Mais uma vez, um almoço surpresa, mas num restaurante mais distante com um nome sui generis, “Solar dos Amigos”, na freguesia de Salir de Matos, concelho das Caldas da Rainha, cidade da qual tenho tão boas e doces recordações.


Face ao exposto, já estou a prever um almoço no Porto daqui a 10 anos e, como a distância vai aumentando, quiçá o almoço dos meus 80 anos seja na belíssima região da Toscana… A cidade e o restaurante, deixo ao critério das minhas filhas, não sou esquisita, desde que não morra sem ir a Itália. Por esta altura, devo estar a fazer a revisão (da prótese) dos 20.000… Dicas para lembranças? Calibragem dos “pneus”, mudança de “velas”, rever o “motor de arranque” e trocar os “fusíveis”…
Deixando-me de sandices, vou agora dissertar pelo verdadeiro motivo que me fez começar estas linhas e voltar ao “Balada” ao fim de três anos e meio, os meus familiares e amigos.
Há quem acredite ter pelo menos um anjo da guarda, se o (os) tenho nunca se revelou (ou revelaram), talvez porque a minha fé é pouco consistente e não move montanhas, mas tenho, com toda a certeza, seres humanos excepcionais que se preocupam comigo, uns mais recentes e outros da velha guarda, sendo que nenhum é da Guarda embora me guardem…
A maioria destes meus “anjos” exerce a sua função aos pares, da mesma maneira que as duplas famosas. Quando pensamos em Dom Quixote, vem-nos logo à ideia Sancho Pança e o mesmo se passa com outras duplas, como Sherlock Holmes e Dr. Watson, Bonnie e Clyde, Tom e Jerry, Coyote e Bip Bip, Lucky Luke e Jolly Jumper, Astérix e Obélix, Dupond e Dupont, Sansão e Dalila, Blake e Mortimer, David e Golias, Romeu e Julieta, R2D2 e C3PO, e muitas mais, tais como Tiro e Queda, Corte e Costura e Ponto e Vírgula…
Pois a maioria dos meus “anjos” é assim, funciona aos pares! Relacionando-os com as duplas famosas, não quero, de forma alguma, melindrar nenhum deles, trata-se apenas de uma brincadeira e nem sempre tenho uma explicação aceitável para a analogia, mas sei de antemão que ao lerem isto irão sorrir. Outro ponto que quero salientar é que todas as duplas escolhidas são personagens de ficção.
Começo por uma dupla peculiar nos tempos áureos, Cocas e Miss Piggy (Z. e L.). Porquê? Porque a dupla real é também peculiar, porque o relacionamento deles é impagável, o Cocas mesmo mal humorado é divertido e a Miss Piggy dá umas belas gargalhadas e irrita-se com ele. Se calhar porque quando estou com eles me apetece cantar o tema do Muppet Show… (esta dupla também se poderia chamar Capitão Haddock e Castafiori ou Branco e Tinto).
A dupla seguinte faz parte de algumas das obras da escritora inglesa Agatha Christie, adaptadas à televisão e é o único casal utilizado pela autora. Tommy e Tuppence (J. e R.). Porquê? Sei como gostam de cinema e de séries e, como tal, foi a primeira dupla a ter uma conotação fundamentada, até porque tive uma prova em como ela é excelente em deduções de mensagens cifradas. Ele, perito em fugas, costuma aparecer sempre pelo Natal… Ao contrário do que acontece nos livros, em que os personagens envelhecem de um volume para o outro, este casal bebeu do “elixir da juventude” em pequenos goles and it seems to me that you have the solution to this mistery, don’t you Tuppence?... Gosto muito de ti, Tuppence R. e como diria o Pepe Legal “não se esqueça disso”.
Estava longe de supor que as próximas três duplas estariam no almoço e, embora não tenhamos uma convivência frequente, foi um prazer a sua comparência, inesperada, é certo, mas um prazer. Confesso que não foi nada fácil estabelecer uma ligação entre “estes meninos” e as duplas, porque as que me vinham à ideia não me satisfaziam. Continuam a não me satisfazer plenamente, mas, face à dificuldade, escolhi as menos más.     
A primeira das três duplas (que me deu água pela barba) faz parte do meu imaginário infantil e não perdia os episódios que, na época, passavam a preto e branco na RTP. Fred e Wilma Flintstone (J. e M.). Vive em Bedrock? Não, mas vive numa vila que deverá ter tantos habitantes como Bedrock e julgo que a população tem o costume de participar num entretenimento representativo da região, não, não é bowling, é a Festa da Gastronomia do Maranho. Ele trabalha numa pedreira? Claro que não, mas sei que na zona, onde esta dupla vive, já existiu uma pedreira… Tal como Fred e Wilma, também têm uma filha. Não, não se chama Pedrita…     
A segunda dupla também faz parte do meu imaginário infantil, Mickey e Minnie (C. e T.). Porquê? Porque é um casal que está junto há muito tempo e isso prova que o amor vence tudo e pode durar anos e anos. É uma dupla que gosta de diversão, de conviver com a família, de almoçaradas, jantaradas e petiscos. Tal como o Mickey e a Minnie, envelhecem juntos. É uma dupla que combina bem e que me parece intemporal…
Dei voltas à imaginação para escolher a terceira dupla. Duplas famosas há muitas, a dificuldade está em conseguir estabelecer uma ligação entre o casal e a dupla. Depois de muito ponderar, escolhi Buzz Lightyear e Jessie (P. e A.). Porquê? Confesso que nem sei bem porquê, mas talvez porque ela é extrovertida e agitada e ele mais tranquilo, consequentemente consigo imaginá-lo a chamar-lhe “my desert flower”, talvez porque o relacionamento me parece equilibrado…   
A dupla que se segue é um ícone, Barbie e Ken (O. e A.). Porquê? Surgiu-me de repente, talvez porque são um casal de bom gosto, porque são bem-sucedidos, porque se a dupla marcou várias gerações, a “minha dupla” também me marcou. As diferenças existem, claro, a Barbie é loura e o Ken, apesar de estiloso, não pode variar de corte de cabelo de acordo com o último estilo, mas o resto é indiscutível e eles são um casal fashion…
Lois e Peter Griffin (T. e Z.C.), da série Family Guy, é a dupla que se segue. Porque será? Não, não é uma dupla disfuncional, funciona de uma forma singular conseguindo atingir a perfeição. O Peter é muito popular, faz tudo pela sua Lois, desde que ela o deixe ver o programa de Tv favorito sem falar; ele encanta-nos com o seu entusiasmo, adora conversar e fazer comentários cáusticos. Lois tem tempo para tudo e para todos, é a voz da razão, mas já a vi perder a cabeça em algumas situações, enfim, momentos hilariantes…
E a próxima dupla é Homer e Marge Simpson (Z.C. e C.). Juro a pés juntos que ela não tem o cabelo azul e que ele não é incompetente nem ignorante. Então, porquê? A primeira associação de ideias surgiu porque têm três filhos, depois porque são ambos dedicados à família e julgo que o casamento resiste a tudo. Porque ele, tal como o Homer, tem uma predilecção por cerveja e gosta de comer bem e ela, tal como Marge, tem uma personalidade paciente. Porque é uma dupla divertida e com sentido de humor. (esta dupla também se poderia chamar Imperial e Tremoço…). 
Esta dupla é futurista, talvez porque o signo que rege o casal me transmite uma ideia de vanguardismo, George e Jane Jetson (H. e A.). Porquê? Porque a série se passa na Era Espacial e ela é uma entusiasta de ficção e do Espaço. Talvez porque ele gosta de passar o tempo com a família e ela gosta de novos visuais. Talvez porque consigo imaginá-los a guiar carros voadores e ela seria, certamente, uma digna representante da Galaxy Women Historical Society…   
E mais uma dupla, difícil (duplas femininas são mais complicadas…), que faz parte das minhas recordações de infância, Madame Min e Maga Patalógica (B. e S.). São bruxas? São, as minhas bruxinhas da sorte, têm uma capacidade sobrenatural para me alegrar e eu sempre adorei a dupla. O estereótipo popular de bruxa não se aplica a elas porque não são malvadas nem narigudas. São muito inteligentes e uma delas faz uso frequente de uma “poção mágica” que nos adormece, temporariamente, num abrir e fechar de olhos. Não é um feitiço, mas o nosso reencontro ao fim de tantos anos foi pura magia…
Seguidamente, presenteio-vos com um trio porque não tenho subtileza suficiente para as apresentar separadas. Fauna, Flora e Primavera (Z., L. e T.). Porquê? São fadas? Sim, são três simpáticas fadas que fazem parte da minha vida. Não são minhas fadas madrinhas, mas concederam-me o dom da sua presença. Conheço uma desde os meus seis anos, é verdade, e empresta-me, frequentemente, a sua “varinha de condão” (a que ela chama “ar condicionado portátil”) quando estou com calor. Uma delas, garanto-vos, tem mesmo mãos de fada e poderosas habilidades na cozinha, de tal maneira que no almoço houve quem perguntasse pelas empadas “mágicas”. Cativam pela sua genuinidade…
A última dupla, perdoem se puxo a brasa à minha sardinha, é a mais adorável, a dupla que trabalhou na sombra (com a preciosa ajuda de um elemento que vive comigo) para que o meu aniversário/Dia da Mãe fosse inesquecível (R. e A.). Parece que já esgotei as duplas mais famosas com os outros familiares e amigos, ups… Bem, já que demonstraram ser bons agentes secretos, poderia associá-los aos célebres Agentes 86 e 99. Cresci a rir-me com eles e quem não se lembra  de Maxwell Smart e da sua colega, a Agente 99? Claro que a única semelhança que encontro entre o Maxwell e o R. é o jeito para falar ao telefone e consigo imaginá-lo a conspirar este almoço num sapato telefone igual ao do Agente 86 e ela com cara de frete por ele não atinar com o equipamento ultra-secreto… Outra dupla que poderia encaixar-se seria Aladdin e Jasmine. Porquê? Ele não é um ladrão e ela não é uma princesa (ok, é uma das minhas princesas…), mas conheceram-se no mercado, actualmente Olx, e acreditem que ele é capaz de inventar tudo para vender a sua mercadoria. Até sou capaz de o imaginar de turbante na cabeça a tentar convencer-vos que tem uma lâmpada mágica feita de peças Lego e que funciona! Ela não lhe comprou nada, mas achou-o divertido, inteligente e astuto e lá começaram a sair no “tapete voador”, um “tapete” antigo, mas ainda com capacidade para voar (espero que isto não seja lido por nenhum agente de trânsito…). Essencialmente, são duas peças Lego que encaixam na perfeição…
Na mesma linha, segue-se o elemento que vive comigo e que prestou serviços secretos à dupla anterior, a minha querida Lola Bunny (R.). Porquê a Lola Bunny? Nasceu em 1996, é simplesmente adorável e tem estilo. Não é dada ao desporto nem tem olhos azuis, mas eu diria, embora seja suspeita, que ela, tal como Lola, é atraente, engraçada e consegue ter alguns momentos de loucura. A Lola é apaixonada pelo Bugs Bunny, que é inteligente, decidido, sarcástico, provocador e algo irritante. Aguardo para conhecer pessoalmente o “Pernalonga”… 
Não posso deixar de agradecer a comparência do Muttley (o meu ex). Porquê o Muttley? Porque é um personagem das Corridas Loucas e adorava imitar a risadinha sarcástica dele… Como gosta de “voar baixinho”, também poderia relacioná-lo com o Speedy Gonzalez…   
Last, but not least, o Superman (M.). E porquê? Porque é dotado de qualidades e tem pulso para dirigir, sendo, certamente, no futuro, um líder. Embora não esconda a sua verdadeira identidade, esconde muito bem e persistentemente a identidade da sua Lois Lane… Aguardo pacientemente que a torne pública…    
Que me desculpem os filhos das outras duplas, mas não vou retratá-los. Merecem, mas o texto ficaria muito longo e eu já não consigo fantasiar mais.

Para finalizar, o meu eterno agradecimento por todas as prendas e flores, destacando o presente que me deixou perturbada emocionalmente, um livro com uma compilação dos meus textos “Memórias e Afectos”, publicados no blogue, com uma capa e contracapa magníficas.

A minha gratidão a todos os presentes e ausentes (por ser Dia da Mãe ou notícias dolorosas) que contribuíram monetariamente para que a ideia genial das “minhas ricas filhas” chegasse às minhas mãos.
De todos, continuo a querer amizade incondicional e felizes recordações e sei que estes meus desejos serão satisfeitos. Porquê? Porque, reproduzindo uma letra de Bruce Hornsby, that’s just the way it is, some things will never change… 

sábado, 2 de novembro de 2013

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

terça-feira, 29 de outubro de 2013

A última jogada

Ao fim de 74 anos a fabricar diversões para a família, a Majora encerrou a produção. Para trás ficam mais de 300 jogos.
Há muito, muito tempo, se calhar numa outra era, havia um boneco mágico. Chamavam-lhe Sabichão e era uma figura de madeira pintada, com um ponteiro de arame que os ‘putos' rodavam para fazer perguntas.O senhor Sabichão acertava sempre na resposta: rodava em cima de um espelho de vidro e apontava para a solução de todos os mistérios, fossem eles do corpo humano, da anatomia, ou da história de Portugal. Gerações e gerações deliciaram-se com este jogo da Majora, que até estava para se chamar “Eu Sei Tudo”, não fosse esse o título de um jornal de Coimbra.
O jogo não estava para se chamar “Eu Sei Tudo”, a verdade é que a primeira versão chegou a chamar-se assim, como podem confirmar:
Euseitudo
Eu-Sei-Tudo-Majora-Anos-60
Fernando Freitas é, com Alfredo Amável, a pessoa que guarda as chaves da empresa, na rua Delfim Santos. Mostra as amplas salas vazias onde se produziram milhões de jogos, até fevereiro deste ano, altura em que os últimos trabalhadores da Majora foram mandados para casa. Nessa altura, já só estavam na empresa cerca de trinta. Hoje restam pilhas de caixotes que guardam centenas de jogos novos, ainda selados nas embalagens de plástico com que seguiam para as lojas.A maquinaria já foi desmontada e o pequeno museu que mostrava algumas das mais bonitas peças desenhadas naquela fábrica está quase todo metido em caixotes. "Custa muito ver isto. Entrei aqui em 1975, foi uma vida passada aqui", diz Fernando Freitas, que correu vários departamentos da Majora até se fixar no de Recursos Humanos. "A empresa sempre tratou muito bem os trabalhadores", diz.Para Alfredo Amável, o fim era inevitável. "Os jogos electrónicos, os telemóveis e os computadores tomaram conta do mercado e nós não tínhamos vocação para esse tipo de produtos. Ficámos cercados, não podíamos competir com todos os produtos estrangeiros que chegam às lojas. As vendas começaram a cair progressivamente e quando a produção acabou ninguém ficou surpreendido".
Os tempos mudaram, as crianças já não brincam como antigamente, aliás, as crianças brincam cada vez mais sozinhas. Os tempos mudaram, as meninas já não brincam com bonecas, os meninos já não brincam com carrinhos, as crianças já não brincam com jogos de tabuleiro nem jogam às cartas. A infância deixou de ser uma fase de criatividade e descobertas para passar a ser uma fase em que a capacidade criadora é entregue de bandeja pela indústria tecnológica. Os tempos mudaram, há que acompanhar o progresso, mas parece-me que as crianças de hoje em dia crescem rapidamente, já não querem ser crianças, já não sonham…
Os tempos mudaram, mas acredito que foram as minhas brincadeiras de infância e os meus sonhos que fizeram a adulta que sou hoje…
A Majora fechou portas e, dentro daquelas paredes, junto com as mais bonitas peças desenhadas naquela fábrica, estão algumas das minhas mais doces memórias aconchegadas em caixotes.


sábado, 26 de outubro de 2013

Postcrossing (48)

Unesco

Selos_Unesco

DE-2294940 enviado pela Helga
Mais um postal referente ao Património Mundial da Humanidade. Desta vez, uma vista aérea da Igreja de São Miguel, em Hildesheim. Esta igreja tem cerca de mil anos e é uma das igrejas românicas mais bonitas da Alemanha e uma obra marcante da arte medieval. O tecto, de madeira, tem uma pintura do século XIII e mostra “A Árvore de Jessé”, uma representação artística da árvore genealógica de Jesus Cristo a partir de Jessé, pai do rei David.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sugam-me a vida

Sinto-me, cada vez mais, uma “pastilha elástica”.O dia-a-dia e a sociedade vão-me mastigando até que fique sem sabor, depois irão cuspir-me, deitar-me fora quando não tiver mais préstimo...
Conforme os anos passam, apercebo-me que os melhores anos da minha vida se afastam cada vez mais do presente e não consigo vislumbrar um futuro, muito menos um futuro risonho...
Sugam-me a vida e a esperança. Bem me agarro a essa vida e a essa esperança, mas a amargura cola-se-me à pele,  não há como fugir às sanguessugas...
No “tempo da outra senhora” só os filhos das famílias com posses tinham oportunidade de estudar, particularmente os que viviam nas grandes cidades. Sinto que caminhamos para o mesmo… sem ter em conta se vivemos na cidade ou no campo.
Todas as pessoas são iguais e têm direito a oportunidades iguais, mas no mundo as coisas não funcionam assim. Todas as pessoas devem ter as mesmas oportunidades independentemente do sexo, da raça, da língua, da religião, das convicções políticas ou ideológicas, da orientação sexual, etc., mas a verdade é que a situação financeira é um elemento que traz desigualdades bem visíveis. As famílias com melhores condições financeiras podem oferecer aos filhos benefícios, actividades e alguns bens e auxiliares educativos que eu não posso. Assim, o sucesso não depende apenas das faculdades intelectuais, mas das oportunidades, sejam elas educativas ou não. As oportunidades são condicionadas pelo estatuto económico e este limita o desenvolvimento cultural das pessoas.
Sugam-me a vida e a esperança. A esperança de progresso, de facultar às minhas filhas uma vida mais despreocupada, de lhes dar a possibilidade de se aperfeiçoarem e se prepararem melhor para um mundo cada vez mais exigente, enfim, garantir-lhes o que os meus pais me proporcionaram. Claro que os meus pais, com a minha idade, tinham uma vida estável, como era natural que acontecesse quando entrávamos numa fase da nossa vida. Esse princípio, lamentavelmente, já não pode aplicar-se. Actualmente, na altura da vida em que precisamos de tranquilidade e de um certo desafogo financeiro, não há certezas nem esperanças…
Não me sinto discriminada pela profissão, sexo (não escondo o rosto atrás de uma burca) ou cultura. As minhas oportunidades não são condicionadas pela região onde vivo, a minha orientação sexual, as convicções ideológicas ou pela (des) crença, estão sim sujeitas à minha situação financeira, condenada a agravar-se sem que haja expectativas à vista, uma tempestade que tenho de atravessar sem bonança no horizonte…
Se a inserção está ligada a todas as pessoas que não têm as mesmas oportunidades dentro da sociedade, então, cada vez serão mais os excluídos socialmente…
O Ministério da Igualdade teve uma existência curta, foi criado e extinto há uns anos, quase sem darmos por ele, talvez porque a igualdade, que se apregoa como um direito, é quimérica e não é sustentável…
Sugam-me a vida e a esperança, mastigam-me até ficar sem sabor, trituram-me, reduzem-me a nada, arrastam-me numa tormenta que não criei…

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Corta!…

Os castelos e as quinas, da bandeira nacional, foram substituídos por tesouras, na verdade, tesourinhas deprimentes… 

Cortugal

Cartoon de Henrique Monteiro

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Memórias e Afectos (110)

O autor destes desenhos foi César Abbott, nascido em 1910 no Porto e filho do pintor Tomás Abbott. Contribuiu com a sua arte para o meu crescimento, pois fez centenas de desenhos para livros e jogos da Majora. Ilustrações muito próprias, típicas do Estado Novo, que me transportam aos tempos da minha infância…

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 é uma adaptação cinematográfica do romance homónimo de Ray Bradbury, dirigida por François Truffaut e, curiosamente, o seu primeiro filme em inglês.
Apesar de ser um filme dos anos 60, passa-se num futuro hipotético. Sabemo-lo através de um transporte inovador para a época, um monocarril, e, principalmente, porque num diálogo inicial ficamos a saber que as casas são à prova de fogo. Neste filme, a função dos bombeiros não é apagar fogos, mas sim queimar livros.
Nesta sociedade imaginária, os bombeiros eliminam todo o rasto de literatura que encontram porque os livros são considerados perigosos para a estabilidade social. O nome da corporação de bombeiros que se entrega a essa tarefa exclusiva é precisamente o título do filme e tem um significado especial: é a temperatura a que o papel dos livros incendeia e começa a queimar.
O filme mostra-nos uma sociedade totalitária que controla o acesso ao conhecimento e à informação, mantendo o povo na ignorância. A população vive alheada, depende da televisão e interage com ela de uma forma patética como se os apresentadores dos programas fossem da família. Bradbury explorou os efeitos que a televisão tem nas pessoas e como destrói o interesse pela leitura. O protagonista, Montag, um bombeiro da corporação, começa a questionar estes comportamentos e começa a esconder livros em casa e a lê-los, acabando por se insurgir e mudar totalmente o seu destino.

fahrenheit-451

Fahrenheit 451 continua atual e faz-nos pensar. Pensar que uma sociedade evoluída não é sinónimo de literacia, que é preciso combater a falta de conhecimentos e a ignorância, que, ao contrário do que nos é apresentado no filme, os livros têm muito a dizer, que não fazem as pessoas ficar descontentes, que as pessoas que lêem são felizes. Faz-nos pensar que sem livros, todo o conhecimento humano morreria, que os livros não serão ultrapassados pelas tecnologias.
É um filme que apela à leitura e à descoberta dos grandes livros, é um filme que me fez sentir privilegiada por viver numa sociedade livre em que ler não é proibido.
Destaco uma, das muitas frases memoráveis, quando Montag, já convertido, critica os discípulos da televisão:“Vocês não passam de zombies. Não vivem, apenas matam o tempo.”

terça-feira, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Postcrossing (47)

UAfrente

UASelos
UA-659943 enviado pela Olga
Um postal de Kiev com o símbolo do Euro 2012. Neste europeu de futebol, a Polónia e a Ucrânia foram os países anfitriões.
Em destaque, a Porta Dourada (Zoloti Vorota), a entrada da cidade histórica, é uma das antigas entradas da cidade, uma estrutura em madeira do século XI, com uma capela no interior, reconstruída em 1982.
Em cima, à esquerda, Philharmonic Hall, o prédio histórico construído no final do século 19, sede da Filarmónica Nacional da Ucrânia, embora, inicialmente pertencesse ao Conselho de Anciãos dos Comerciantes de Kiev.
Em baixo, à direita, a Casa Gorodetsky, um lindíssimo edifício Art Nouveau, construído, entre 1901 e 1902, pelo arquitecto Vladislav Gorodetsky, considerado como o Gaudi de Kiev. Originalmente foi um prédio de apartamentos requintados e os seus ornamentos representam várias cenas de caça e animais exóticos, pois Gorodetsky era um caçador.

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GH1

domingo, 13 de outubro de 2013

Livros e Mar: eis o meu elemento! (79)

Madrugada Suja não é uma obra baseada em factos reais, é pura ficção. No entanto, não posso dizer que qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência porque o autor nos mostra um retrato notável da sociedade portuguesa, pós 25 de Abril até aos dias de hoje. Chamar “os bois pelos nomes” é apanágio do autor e em Madrugada Suja não é diferente. Muitas das passagens são testemunhos exemplares do que, lamentavelmente, se passa no nosso país.
Nas primeiras páginas, um grupo de jovens estudantes alcoolizados passa todos os limites, os acontecimentos precipitam-se, e o que não devia passar de uma vulgar e divertida noite de copos transforma-se numa fatalidade. O que se passou nessa madrugada torna-se num pesadelo que irá perseguir os jovens, envolvidos no acontecimento, durante anos.
Através de uma narrativa alternada de três gerações, vamos conhecendo os protagonistas da história, habitantes de uma aldeia do interior alentejano que aos poucos vai ficando despovoada até ficar apenas um morador, o avô de Filipe. O jovem deixou a aldeia para se instalar no litoral alentejano e trabalhar numa autarquia local, como arquitecto. Por força do exercício das suas funções, Filipe vê-se perante um caso de corrupção que o leva a regressar ao passado, além de o conduzir pela promiscuidade dos políticos e manobras ilícitas dos autarcas, ao mesmo tempo que se questiona sobre os valores morais e a integridade.

[…] Fora a época dourada dos grandes dinheiros europeus, em que bastava apresentar um projecto e Bruxelas financiava. Os governos projectavam, construíam, mostravam, ganhavam eleições. A banca intermediava, comissionava, cobrava, prosperava. O PIB crescia, os imigrantes afluíam e não havia credores à vista: só os parvos desconfiavam de tanto “desenvolvimento”. […] […] Todos estavam endividados, mas felizes: o Estado, as autarquias, os cidadãos. […]

Extra análise do livro:
Agora, pagamos pelos erros cometidos e pelos que se continuam a cometer. Pagamos pelo dinheiro da UE que estes senhores desbarataram fraudulentamente, beneficiando algumas “máfias” e amigos, pagamos as subvenções escandalosas, os Institutos e Fundações ineficazes e inúteis, os custos com a Presidência da República e a Assembleia, as viaturas de luxo, os vencimentos dos políticos, os escabrosos financiamentos dos partidos políticos, enfim, pagamos os interesses pessoais de quem nos governa há anos passando por cima dos interesses do povo e do país, uma corja de manhosos e de aldrabões.
Como alguém disse, e eu subscrevo, só na Ditadura as Contas Nacionais estavam “certas ao tostão”…

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No princípio, há uma madrugada suja: uma noite de álcool de estudantes que acaba num pesadelo que vai perseguir os seus protagonistas durante anos. Depois, há uma aldeia do interior alentejano que se vai despovoando aos poucos, até restar apenas um avô e um neto. Filipe, o neto, parte para o mundo sem esquecer a sua aldeia e tudo o que lá aprendeu. As circunstâncias do seu trabalho levam-no a tropeçar num caso de corrupção política, que vai da base até ao topo. Ele enreda-se na trama, ao mesmo tempo que esta se confunde com o seu passado esquecido. Intercaladamente, e através de várias vozes narrativas, seguimos o destino dessa aldeia e em simultâneo dos protagonistas daquela madrugada suja e daquela intriga política. Até que o final do dia e o raio verde venham pôr em ordem o caos aparente.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Mais um dos meus “tesouros”

Jogo de cartas dos anos 50/60 com instruções em Inglês, acompanhado de uma “carta” de Enid Blyton aos fãs…

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sábado, 5 de outubro de 2013

Memórias e Afectos (109)

No liceu, as tardes desportivas obrigatórias eram, como se subentende, impostas e inevitáveis. Como sempre fui avessa à ginástica e nunca fui muito atlética, como tudo o que é obrigação deixa de me dar prazer, este espírito um pouco militarista irritava-me. Só na modalidade de basquetebol encontrei alguma satisfação e, embora a minha pequena estatura, não me saía mal. Diga-se, em abono da verdade, que a minha próspera imaginação fazia milagres e algumas dessas tardes espartanas, que deveriam ser passadas a manter corpore sano, eram passadas num café, longe de casa, a fazer quadras humorísticas com a N, isto é, a manter a mente sã
Só os desportos aquáticos me entusiasmavam, razão pela qual, como já descrevi aqui, frequentei as aulas de natação, gratuitas, no Sport Algés e Dafundo, através da Mocidade Portuguesa. Até 1971 a filiação na MP e na Mocidade Portuguesa Feminina eram obrigatórias, mas eu nunca fiz parte de nenhum dos 4 escalões. Sei que é estranho, tendo em conta o regime totalitário da época, mas não fui obrigada a pertencer às Lusitas nem às Infantas, não fui Vanguardista, nunca usei uniforme, nunca jurei o “compromisso solene”, nunca cantei o hino da mocidade lusitana. É verdade que fiz a instrução primária num Externato, mas em 1967 já frequentava o Ensino Público, numa secção do Liceu Passos Manuel, e não tenho recordações negativas desses tempos… A partir de 1972, a filiação tornou-se voluntária. Comprava a revista quinzenal “A Fagulha”, propriedade da Mocidade Portuguesa Feminina, e recordo-me de a ler de uma ponta a outra, assim como recordo a espera, ansiosa, do número seguinte…

Fagulha
Fagulha2

Mais tarde, eu a T. resolvemos mudar de modalidade e a escolha foi consensual, a vela. Segundo o historiador Ricardo Serrado, Salazar defendia que o desporto nacional deveria ser a vela. Das poucas vezes em que ele aparece com trajes desportivos, surge dentro de um veleiro e diz que se houvesse um desporto nacional deveria ser a vela, por estar ligada ao mar. Obviamente que não optámos pela modalidade por ser a primeira escolha de Salazar, evidentemente que, nessa época, pouco nos importava a opinião dos adultos, mesmo que esta fosse do “Chefe” da Nação portuguesa. Inscrevemo-nos na nova actividade. Estávamos em Março de 1974. A Organização Nacional da Mocidade Portuguesa, nascida em 1936, foi extinta pela Junta de Salvação Nacional a 25 de Abril desse ano, logo, todas as actividades desportivas gratuitas deixaram de existir. Nunca velejei… 
Desde essa altura até aos dias de hoje, muita coisa mudou. 
As actividades gratuitas passaram a ser pagas, e eu deixei de as praticar…

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Postcrossing (46)

FinlandiaParty

FinParty

FI-1795704 enviado por Ladybiker (nick)
O que posso eu dizer desta festa, de aniversário, canina? Que é o máximo! Todos de meias porque está frescote lá pela Finlândia…
Quanto a Ladybiker, conseguiu que eu estrebuchasse de inveja ao ler que teve cinco (5) semanas de férias… Terão sido em balão?

domingo, 29 de setembro de 2013

Coleccionadores

"É aos psicanalistas que se deve perguntar por que se coleciona. Só eles sabem descobrir quais os motivos inconfessáveis e escabrosos que levam um burguês pacato e morigerado a praticar atos perfeitamente simples e morais. Não resta dúvida que o dom de colecionar é uma compensação para algum complexo. Em muitos casos é simplesmente um complexo de fuga, uma “Pasárgada” que ajuda a suportar guerras, inflações, desejos frustrados ou simplesmente uma mulher tagarela. Compensá-los, escrevendo poemas, pintando, esculpindo ou colecionando ainda é a melhor terapêutica que pode haver. Há gente que coleciona selos, discos de fonógrafo, botões de fardas, soldadinhos de chumbo, figurinhas de toda a sorte, e até caixas de fósforos. Tutankhamon colecionava bengalas e queria-as tanto que foi enterrado com elas. "

Quando morrer, serei também, certamente, cremada com os livros da minha infância e juventude… (ihihih)

“Seria – vocês hão-de perguntar – uma característica do colecionador não ler livros?
Menciono aqui a resposta que Anatole France tinha na ponta da língua para dar ao filisteu que, após ter admirado a sua biblioteca, terminou com a pergunta obrigatória:
- O senhor leu tudo isso, Monsieur France?
– Nem sequer a décima parte. Por acaso, o senhor usa diariamente a sua porcelana de Sèvres?”

O colecionador é, assumidamente, um ciumento! Especialmente quando se trata de outro colecionador. Ele dá, mas não empresta livros.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mistério…

Registei-me no “Mistério Juvenil”. Após aprovação do administrador, fiz a minha apresentação no fórum, no tópico da secção Patrícia chamado “ainda hoje sabe bem reler”. Como membro certificado, irei receber um cartão e um crachá!
Para quem não conhece, aconselho uma visita ao fórum.
Segue a minha apresentação… 


Já aqui fui citada várias vezes (não sei se estou a ser pretensiosa…) e alguns até já me conhecem de um encontro na feira da ladra.Faço colecção de livros juvenis (e de livros infantis, cadernetas de cromos, jogos da Majora dos anos 60, etc.), não por ter espírito de coleccionadora, mas porque desenterrei o baú das memórias e a sua revelação permanecerá até ao resto dos meus dias. Esta ideia agrada-me…Resumindo, eu compro e colecciono memórias, apenas as minhas memórias. Colecções que não preencham esta condição, estou fora! 
As diligências para encontrar alguns dos meus antigos “bens”, que perdi levianamente, nasceram quando o termo saudosismo começou a fazer parte do meu vocabulário e, admito, a procura é aliciante… Foi assim que acabei por conhecer uns membros empenhados deste fórum… Por insistência desses simpáticos chatos (limitei-me a fazer copy paste do que um deles disse…) aqui do fórum, registei-me, e gostava que me inscrevessem oficialmente na cábula. Sei que a ideia da cábula nasceu dos coleccionadores dos livros da Patrícia (bem mais recentes que as minhas velhas memórias…) e que os membros são conhecidos por codornizes ou CBV’s ("Codornizes Brancas do Vale", nome do clube formado pela Patrícia). Embora as minhas características físicas se assemelhem à codorniz, pequena e rechonchuda, confesso que tenho uma verdadeira fobia a galináceos (riam-se à vontade...), o que me tornará, caso me aceitem na cábula, num caso patológico, e passe a ser a ONV (Ovelha Negra do Vale)… Se eu não aparecer por aqui muitas vezes, culpem a falta de tempo e, claro, os chatos que me “coagiram” a registar… 
Saudações juvenis

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Excelente documentário

Uma curta metragem documental sobre a biodiversidade da cidade de Lisboa e o trabalho que o LxCras tem vindo a desenvolver enquanto centro de recuperação de animais selvagens. Louvável!
Um filme lindo, uma enorme promoção para o nosso país, óptimo para ver com os mais pequenos, enfim, todos os elogios são poucos… Vejam e maravilhem-se!

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Portugal é uma casa farta

Li por aí…

Os portugueses estão fartos dos políticos.
Os políticos estão fartos de nos enganar.
A Oposição está farta do Governo.
O Governo está farto da Oposição.
Toda a gente está farta do PR.
O PR está farto de ser PR.
Os privados estão fartos dos funcionários públicos.
Estes estão fartos de ser maltratados.
Muitos fartaram-se disto e emigraram.
Enfim, vamos ver até quando nos fartamos de vez disto tudo...

sábado, 21 de setembro de 2013

Gatos e café…

… uma combinação perfeita!

Café dos Gatos em Paris.
A moda dos cafés com gatos chegou a Paris, que tem agora o seu primeiro café onde é possível apreciar a companhia de felinos.
Os gatos, nove ao todo, foram resgatados de abrigos onde se encontravam para adopção, as idades escolhidas estão entre os 5 meses e os 2 anos e o critério que presidiu à escolha foi a sociabilidade dos mesmos, para além do facto de não estarem doentes, o que poderia pôr em risco os clientes. Neste espaço os gatos são reis e vão ter colo, festas e muita atenção enquanto os clientes se deliciam com um croissant e um chá, e como dizem os japoneses, estas “trocas de mimos” têm efeitos terapêuticos comprovados.Inspirado em locais semelhantes no Japão, o café, localizado no Quartier du Marais, já está a ficar bastante concorrido. Quem quiser ir aos fins-de-semana, por exemplo, precisa fazer reserva com um mês de antecedência…

Café_Paris
Enquanto não ganho o Euromilhões para abrir o primeiro café dos gatos em Lisboa, podem vir tomar um café a minha casa e desfrutar do prazer de ouvir o ronronar de um gato. Café e gato, 2 euros.
Nota: Não faço promoções. O café é “What else?” e os gatos são educadíssimos…

(Notícia fornecida pelo meu amigo JMC) 

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Livros e Mar: eis o meu elemento! (78)

Os livros são como as pessoas, temos a capa e o miolo. Há indivíduos exteriormente encantadores com um cérebro de fugir a sete pés. Há pessoas que “vestem mal de cara” e se revelam interessantíssimas. Há ainda os que são bonitos por fora e por dentro. Com os livros passa-se exactamente o mesmo.
Há capas excelentes que encerram narrativas banais e capas menos boas que contêm verdadeiras obras-primas da literatura, mas, como já aqui referi, deixo-me seduzir com facilidade por algumas capas. Por vezes, não compro o livro, compro a capa, particularmente, quando não conheço o autor, e seria, seguramente, o que aconteceria com O Livreiro, mas as minhas filhas anteciparam-se e ofereceram-mo.

A capa, sóbria, mostra uma enigmática figura de costas, tendo Paris e as margens do Sena como fundo, um livro aberto que pressagia um segredo e, a rematar, a suástica e as sugestivas frases “Um livro raro”, “Um sobrevivente do Holocausto” e “Uma história perfeita para todos os que gostam de livros”. Mark Pryor, o autor, é um estreante. Estariam reunidas as condições para eu comprar o livro, mesmo correndo o risco de estar a adquirir um fiasco, mas O Livreiro é um daqueles livros “double face”, bom por fora e por dentro. No entanto, errei ao pensar que seria mais um livro sobre o Holocausto, uma matéria já muito batida, mas que ainda continua sombriamente a despertar a minha atenção. Talvez por ter partido dessa ideia errada, senti um pequeno desapontamento quando me apercebi que Pryor abordou ao de leve o tema, servindo-se dele exclusivamente como contexto. Tirando a minha desilusão, fruto da minha interpretação errada, a leitura é muito agradável, espirituosa e descontraída, embora, no desenrolar da acção, aconteçam várias mortes.
Hugo Marston, chefe da segurança da embaixada americana em Paris, assiste impotente ao rapto do seu amigo Max Koche, um idoso vendedor de livros antigos nas margens do Sena, pouco depois de lhe ter comprado um livro raro. Marston inicia então uma investigação com a ajuda do seu amigo Tom, um agente da CIA, destinada a encontrar o livreiro. Nessa demanda, descobre que Max é um sobrevivente do Holocausto que mais tarde se converteu num caçador de nazis.
Tendo como cenário a Cidade Luz, confesso que o que mais me atraiu nestas 345 páginas não foram as personagens nem a teia em que estas se movem, mas sim a forma como o autor descreve e detalha o mundo dos livros usados e dos alfarrabistas (neste caso, os bouquinistes que têm as bancas nas margens do rio Sena) e os meandros de uma actividade que tanto me fascina. O meu agradecimento ao autor por me ter guiado pelo mundo dos alfarrabistas.

livreiro
Neste romance de ritmo acelerado e empolgante (que prenderá os leitores da primeira à última página), encontramos a história de um terrível segredo escondido durante décadas nas páginas de um livro há muito desaparecido.
Hugo Marston decide comprar um livro raro ao seu amigo Max, o idoso proprietário de uma banca de obras antigas. Poucos minutos depois, Max é raptado. Vivamente surpreendido com o ato, Marston, chefe de segurança da embaixada americana em Paris, nada consegue fazer para impedir o raptor. Marston inicia então uma investigação destinada a encontrar o livreiro, recrutando a ajuda do seu amigo Tom, um agente da CIA.
A busca de Hugo revela que Max é, afinal, um sobrevivente do Holocausto que mais tarde se converteu num caçador de nazis. Estará o rapto ligado ao sombrio passado de Max ou aos misteriosos livros raros que vendia?

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Gurus da vida

Então, bora lá sonhar!…
O fotógrafo Nick Olson e a designer de moda Lilah Horwitz formam um casal que levam os seus sonhos muito a sério. Eles deixaram seus empregos fixos para construir e morar em uma casa feita de janelas recicladas. Sua habitação envidraçada está situada nas belas montanhas de West Virginia (EUA) - no mesmo local onde sonharam construir uma casa para assistir ao pôr do sol em seu primeiro encontro.

(Com os devidos agradecimentos ao meu amigo JMC)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Postcrossing (45)

Irlanda

IE_Selos
IE-54970 enviado pela Claudia
Mais uma alemã que não vive na Alemanha. Começo a questionar as razões para não viverem no país natal… A Claudia vive a 45 Km de Dublin há mais de 15 anos (excluída, portanto, a hipótese de ter saído da Alemanha por causa da Angela Dorothea…).
O postal escolhido pela Claudia, que muito me agradou, tem alguns panoramas do Trinity College, incluindo a famosa Biblioteca onde se encontra o Livro de Kells, um dos mais sumptuosos manuscritos iluminados que restaram da Idade Média. Escrito em latim, o Livro de Kells contém os quatro Evangelhos do Novo Testamento, além de notas preliminares e explicativas, e numerosas ilustrações e iluminuras coloridas. Este manuscrito é considerado por muitos especialistas como um dos mais importantes vestígios da arte religiosa medieval.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Cartas de Amor…

A minha faz hoje 93 anos.
Abandonou, durante umas horas, o olhar triste que tem diariamente de há quatro anos para cá… O meu pai, nascido em 1913, comemoraria, também neste dia, 100 anos…
Aqui fica um registo das cartas de amor que trocaram durante o namoro, nos longínquos anos 30…

DSC05140

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas
que nunca escreveram cartas de amor, é que são ridículas.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Let's look at the trailer (35)

The Following – 1ª Temporada

O FBI estima que existam actualmente mais de 300 serial killers activos nos Estados Unidos. O que aconteceria se esses assassinos tivessem uma maneira de comunicar e estabelecer uma ligação uns com os outros? E se eles fossem capazes de trabalhar em conjunto e formar alianças em todo o país? E se eles fossem seguidores de um brilhante serial killer?

Kevin Bacon e James Purefoy (Marco António, na série de televisão Rome), dois desempenhos que considero sem falhas.

sábado, 31 de agosto de 2013

Compromissos de Férias

O título deste post dá a ideia de que me obriguei a fazer determinadas tarefas durante as férias, mas não é disso que se trata, principalmente porque as palavras férias e tarefas são, a meu ver, antagónicas. Estas duas palavras juntas não jogam, e eu não consigo associá-las sem ter um ataque de brotoeja…
Na verdade, os compromissos a que me refiro são agradáveis e relaxantes actividades que me dão um enorme prazer.
Já é do conhecimento de todos os que me visitam com alguma regularidade que sou membro do Postcrossing e existem duas razões óbvias e de peso que me levaram a fazer parte dessa comunidade, receber e enviar postais. É claro como água, embora o Postcrossing, ao contrário da água, nada tenha de incolor e insípido.
O conteúdo da minha caixa do correio, sensaborão e previsível, passou a ser uma caixinha de surpresas coloridas. É evidente que as contas para pagar, os extractos bancários e a publicidade não desapareceram, mas a verdade é que os postais vieram dar vida a uma caixa do correio agonizante e tristonha.
Recordo, com saudade, a satisfação que dantes sentia ao receber postais ilustrados no meu aniversário, na época natalícia e nas férias. Era uma sensação única… Passei a receber SMS e emails, mas essas mensagens não têm o fascínio de uma missiva manuscrita. Por cá, com a agitação que nos consome no dia-a-dia e a rendição sem luta às novas tecnologias da comunicação, fomos perdendo o hábito de enviar postais. Dado que julgo isto lamentável, e me agrada muito esta salutar correspondência, porque não recuperar a tradição e o tempo perdido?
Pois foi assim que, nestas férias, retomei o delicioso ritual e os postais ilustrados voltaram à vida, renascendo das cinzas qual fénix. Sem necessidade de eloquência, sem preocupações com a caligrafia, somente pelo prazer de escrever, mesmo que sejam apenas banalidades próprias das férias ou notícias meteorológicas e sazonais, troquei postais com família e amigos. E vocês, dependentes do rato e do teclado, há quanto tempo não escrevem um postal?
Infelizmente, não tenho fotografia dos postais que enviei, mas aqui fica uma dos postais que recebi. Magníficos…

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O outro compromisso a que me dediquei deleitosamente foi à leitura e, nestas férias, regressei aos livros juvenis da minha adolescência, mais precisamente a livros de Enid Blyton. Reli e, apesar de os ver com outros olhos, de já não sentir o entusiasmo e a emoção de tempos idos, não me desiludiram. Por muito que o mundo gire e o tempo passe, Enid Blyton fará sempre parte de uma parte da minha vida, particularmente das minhas saudosas férias grandes.

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Logo, pareceu-me apropriado relê-la no meu maior período de descanso. Sem sair da espreguiçadeira ou da toalha de praia, mesmo já não sendo criança, parti à aventura na ilha, partilhei o mistério de Rockingdown, viajei até à montanha secreta, passei momentos mágicos na casa da árvore oca, desembarquei na ilha Kirrin e convivi diariamente com a família da casa da esquina… Valeu a pena…