A minha fase hitchcockiana, a descoberta do mestre do suspense...
terça-feira, 9 de Fevereiro de 2010
Memórias e Afectos (46)
Livros da minha adolescência - 4
A minha fase hitchcockiana, a descoberta do mestre do suspense...
A minha fase hitchcockiana, a descoberta do mestre do suspense...
O gato do autocarro
Casper, assim se chamava o felino preto e branco, costumava usar os transportes públicos para os seus passeios diários e era por isso já conhecido pelos motoristas da carreira número três em Plymouth, no Reino Unido, que conheciam inclusive quais as paragens em que descia.
Segundo os jornais locais, o gato acabou por morrer atropelado por um automóvel que se pôs em fuga e a notícia, antes de sair nos jornais, circulou nos mesmos autocarros onde Casper andava: “Muitos conheciam o Casper, que adorava toda a gente, e também gostava das viagens de autocarro”, dizia um papel com uma fotografia do gato, afixado pela dona.
“Infelizmente, um automobilista atropelou-o e fugiu, e Casper morreu dos ferimentos. Vamos sentir a sua falta. Obrigado a todos os que o acarinharam”, prosseguia a nota.
Num comunicado da empresa de camionagem, a companhia admitiu estar “devastada” com a morte do animal, mas manteve o sentido de humor: “Suspeitamos que ele esteja agora a explorar o Céu e a contar aos outros gatos lá em cima as muitas aventuras que teve”, afirmava.
Segundo os jornais locais, o gato acabou por morrer atropelado por um automóvel que se pôs em fuga e a notícia, antes de sair nos jornais, circulou nos mesmos autocarros onde Casper andava: “Muitos conheciam o Casper, que adorava toda a gente, e também gostava das viagens de autocarro”, dizia um papel com uma fotografia do gato, afixado pela dona.“Infelizmente, um automobilista atropelou-o e fugiu, e Casper morreu dos ferimentos. Vamos sentir a sua falta. Obrigado a todos os que o acarinharam”, prosseguia a nota.
Num comunicado da empresa de camionagem, a companhia admitiu estar “devastada” com a morte do animal, mas manteve o sentido de humor: “Suspeitamos que ele esteja agora a explorar o Céu e a contar aos outros gatos lá em cima as muitas aventuras que teve”, afirmava.
Renascer aos 63 anos...
Autobiografia (de Rosa Lobato de Faria escrita para o JL há dois anos)
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom. Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves. Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra-chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo. Encontramo-nos no meu próximo romance.
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom. Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves. Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra-chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo. Encontramo-nos no meu próximo romance.
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segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010
domingo, 7 de Fevereiro de 2010
Memórias e Afectos (46)
Anos 60. Mister Ed, o cavalo que falava, uma das séries de televisão que continua a fazer parte das minhas memórias...
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15 Horas, fila H, lugar 16.
Entrei num espectáculo visual prodigioso e mágico.
Entrei em Pandora, planeta dos Na’vis… simplesmente encantador…
A história, uma bela visão de ecologia, uma linda lição de protecção do ambiente!
sábado, 6 de Fevereiro de 2010
Livros e Mar: eis o meu elemento! (19)
“O principal desafio para um escritor de ficção, é criar um mundo imaginário e então arrastar o leitor para lá.”
Acabei de ler o 2º volume e já sinto a falta dos personagens que acompanhei ao longo desta extensa história.
Envolvente, cativante e intemporal. Quase me senti a fazer parte do enredo, voltando atrás no tempo e vivendo os acontecimentos em pleno século XII.
Para mim, um dos melhores romances históricos sobre a Idade Média.
Assim que as finanças permitam vou adquirir Um Mundo sem Fim, uma sequela de Os Pilares da Terra. Não vejo a hora.
Acabei de ler o 2º volume e já sinto a falta dos personagens que acompanhei ao longo desta extensa história.Envolvente, cativante e intemporal. Quase me senti a fazer parte do enredo, voltando atrás no tempo e vivendo os acontecimentos em pleno século XII.
Para mim, um dos melhores romances históricos sobre a Idade Média.
Assim que as finanças permitam vou adquirir Um Mundo sem Fim, uma sequela de Os Pilares da Terra. Não vejo a hora.
sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010
A lei dos “cowboys”
O primeiro a sacar é que se safa…
Recordo, desde sempre, as pequenas trocas de galhardetes entre os meus pais.
Esta troca de "elogios" recíproca sempre mereceu a minha atenção porque, na verdade, eles tinham graça. Chegaram mesmo a conseguir rir deles próprios, coisa que acho muito saudável.
Evidentemente que estes "miminhos", com o avançar da idade, se foram tornando cada vez mais cáusticos porque o traquejo já vai sendo outro e, diga-se, em abono da verdade, eles também nunca faltavam aos "treinos"…
Só para que fiquem registados, exemplos do que acabo de escrever, aqui deixo duas preciosidades, que testemunhei, inseridas num só diálogo. Um luxo…tendo em conta que são as duas da autoria da minha mãe, que sempre teve "melhores notas" nesta matéria…
O meu pai procurava uma pilha e nesta demanda pediu à minha filha R para o ajudar. No preciso momento em que ele levantava o sofá, para ela espreitar lá por baixo, a minha mãe entrou na sala e, claro está, perguntou o que andavam a fazer.
− Andamos a ver se encontramos uma pilha… – respondeu o meu pai.
− Uma pilha!? Tu é que me pões numa pilha de nervos!... – ripostou a minha mãe.
Para pôr, rapidamente, um ponto final no assunto, o meu pai, conformado, disse:
− Não se encontra a pilha, paciência…
A minha mãezinha, sem compasso de espera, atirou a matar:
− Paciência…Paciência tenho eu para te aturar!...
Estes gracejos fazem-me lembrar os trocadilhos hilariantes de António Silva, Vasco Santana e Ribeirinho, nos anos de ouro do cinema português.
Recordo, desde sempre, as pequenas trocas de galhardetes entre os meus pais.
Esta troca de "elogios" recíproca sempre mereceu a minha atenção porque, na verdade, eles tinham graça. Chegaram mesmo a conseguir rir deles próprios, coisa que acho muito saudável.
Evidentemente que estes "miminhos", com o avançar da idade, se foram tornando cada vez mais cáusticos porque o traquejo já vai sendo outro e, diga-se, em abono da verdade, eles também nunca faltavam aos "treinos"…
Só para que fiquem registados, exemplos do que acabo de escrever, aqui deixo duas preciosidades, que testemunhei, inseridas num só diálogo. Um luxo…tendo em conta que são as duas da autoria da minha mãe, que sempre teve "melhores notas" nesta matéria…
O meu pai procurava uma pilha e nesta demanda pediu à minha filha R para o ajudar. No preciso momento em que ele levantava o sofá, para ela espreitar lá por baixo, a minha mãe entrou na sala e, claro está, perguntou o que andavam a fazer.
− Andamos a ver se encontramos uma pilha… – respondeu o meu pai.
− Uma pilha!? Tu é que me pões numa pilha de nervos!... – ripostou a minha mãe.
Para pôr, rapidamente, um ponto final no assunto, o meu pai, conformado, disse:
− Não se encontra a pilha, paciência…
A minha mãezinha, sem compasso de espera, atirou a matar:
− Paciência…Paciência tenho eu para te aturar!...
Estes gracejos fazem-me lembrar os trocadilhos hilariantes de António Silva, Vasco Santana e Ribeirinho, nos anos de ouro do cinema português.
Gosto...e não se fala mais nisso! (15)
Informação deturpada…
…ou problemas na transmissão de ordens.
Do coronel para o capitão: Amanhã haverá um eclipse do Sol. Se estiver bom tempo, os soldados formarão na parada para assistir ao fenómeno. Se chover, manter-se-ão na caserna.
Do capitão para o sargento: Por ordem do nosso coronel, amanhã haverá um eclipse do Sol. Se estiver bom tempo, os soldados formarão na parada. Se chover, será na caserna.
Do sargento para os soldados: Amanhã, se chover, o coronel fará eclipsar o Sol dentro da caserna. Se fizer bom tempo, será na parada.
Os soldados entre si: Parece que amanhã vão eclipsar o coronel dentro da caserna. Nós vamos apanhar Sol para a parada.
Do coronel para o capitão: Amanhã haverá um eclipse do Sol. Se estiver bom tempo, os soldados formarão na parada para assistir ao fenómeno. Se chover, manter-se-ão na caserna.
Do capitão para o sargento: Por ordem do nosso coronel, amanhã haverá um eclipse do Sol. Se estiver bom tempo, os soldados formarão na parada. Se chover, será na caserna.
Do sargento para os soldados: Amanhã, se chover, o coronel fará eclipsar o Sol dentro da caserna. Se fizer bom tempo, será na parada.
Os soldados entre si: Parece que amanhã vão eclipsar o coronel dentro da caserna. Nós vamos apanhar Sol para a parada.
quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010
Flashes
Hoje teria ficado na tranquilidade do lar, calma e muda, inteiramente entregue ao silêncio e às lágrimas… mas, infelizmente, por diversas razões, nunca podemos fazer aquilo que mais desejamos.
Os dias correm rotineiros, embalados pela saudade e, por vezes, essa saudade ataca-me quando menos espero. Quando penso que a dor da perda está a atenuar, afinal está bem viva e desperta.
As imagens e as doces lembranças sucedem-se em catadupa mas acabam sempre por dar lugar às recordações mais recentes e amargas…e essas teimam em permanecer como imagens estáticas e silenciosas, como fotografias que captam os momentos.
Hoje, estas imagens são como flashes que registaram para sempre aqueles momentos dolorosos, flashes que registaram aqueles momentos que eu não consigo esquecer. Como se o mundo tivesse parado e só os registos tristes tivessem ficado gravados na minha lembrança.
Talvez porque não tive oportunidade de dizer, pela última vez, ao meu pai, que ele não estava só, que eu estaria sempre ao seu lado, que o amava, que sofria com ele e por ele. Porque não lhe dei um último abraço, porque pensei que ainda tinha tempo e adiei para “amanhã”…
Na ilusão do “amanhã”, perdi o momento de “ontem”…
Os dias correm rotineiros, embalados pela saudade e, por vezes, essa saudade ataca-me quando menos espero. Quando penso que a dor da perda está a atenuar, afinal está bem viva e desperta.
As imagens e as doces lembranças sucedem-se em catadupa mas acabam sempre por dar lugar às recordações mais recentes e amargas…e essas teimam em permanecer como imagens estáticas e silenciosas, como fotografias que captam os momentos.
Hoje, estas imagens são como flashes que registaram para sempre aqueles momentos dolorosos, flashes que registaram aqueles momentos que eu não consigo esquecer. Como se o mundo tivesse parado e só os registos tristes tivessem ficado gravados na minha lembrança.
Talvez porque não tive oportunidade de dizer, pela última vez, ao meu pai, que ele não estava só, que eu estaria sempre ao seu lado, que o amava, que sofria com ele e por ele. Porque não lhe dei um último abraço, porque pensei que ainda tinha tempo e adiei para “amanhã”…
Na ilusão do “amanhã”, perdi o momento de “ontem”…
quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010
Candelária
Hoje é dia de Nossa Senhora das Candeias ou Candelária. Segundo o ditado popular, Candelária a rir , está o Inverno para vir; Candelária a chorar, está o Inverno a passar.
Hoje o Sol brilhou o dia todo. Quer isto dizer que a Candelária riu...
Será que há tradições que ainda são o que eram e está o Inverno para vir?
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