sábado, 1 de julho de 2017

Mãezinha, eras linda…

Habitualmente, os filhos acham que as suas mães são lindas, melhor, acham que as suas mães são as mais lindas do mundo. Mesmo que sejam grandes camafeus é natural que as achem lindas, basta serem as suas mães. Acredito que haverá filhos que terão a noção que as mães não são nenhumas belezas, mas mãe é mãe, e nunca irão admitir isso. Assim como os filhos serão sempre os mais bonitos para qualquer progenitor, embora alguns consigam constatar que há rebentos mais bonitos do que os seus. Como mãe, enquadro-me nestes. Reconheço que as minhas filhas nunca foram uma Kristina Pimenova, mas para mim, mãezinha coruja, as minhas filhas são perfeitas e lindas. Como filha, enquadro-me nos que acham que as suas mães são (eram) as mais lindas do mundo…

Para que não fiquem na ignorância, esta é Kristina Pimenova, modelo russa 
(meu Deus, aqui para nós, porque fizeste a miúda tão bonita, tanto não era preciso!...)

A minha mãe era verdadeiramente linda. Morenaça, cabelos escuros e olhos verdes, de um verde lindo salpicado por pequeninas “borras de café”. Linda! A imagem mais distante que guardo na memória é o seu penteado banana, um penteado clássico que se usou muito nos anos 60 e que está de volta, mas mais desarranjado. Numa fase mais madura e o aparecimento dos primeiros grisalhos, começou a pintá-los, de dois em dois meses, no cabeleireiro e só deixou de o fazer depois do meu pai falecer. Os efeitos da passagem do tempo imprimiram uma nova coloração aos cabelos da minha mãe, que passou a ser loura, o que sucede a uma grande maioria das mulheres com o passar dos anos (também estou a ficar loura e não me incomoda nada a associação estigmatizada com a burrice…).            
Há uma explicação simples para este lourar geral, é muito mais fácil disfarçar os cabelos brancos no meio de cabelos louros. Deixo aqui um apelo: Senhoras velhinhas e gaiteiras que pintam o cabelo de preto e usam batom vermelho, abandonem essa imagem, por favor, particularmente as que têm demasiadas rugas no lábio superior! (parece um código de barras).
Prosseguindo, a minha mãe passou a ser loura de olhos verdes. O contraste perdeu-se, mas a minha mãe continuou a ser linda. Quando, aos 90 anos, deixou de frequentar o cabeleireiro e de pintar, o cabelo assumiu um orgulhoso e bonito branco que lhe ficava bem e a tornou especial. O brilhozinho nos olhos, até ali tão intenso, sobressaindo no fundo verde, apagou-se, não fossem os olhos o espelho da alma…

2 comentários:

A. disse...

Concordo com o que escreveste, mas da minha perspectiva de neta, as avós podem não ser as mais lindas, mas são as mais fofinhas do mundo... A avó F. era muito fofinha, mesmo quando se enervava e refilava connosco. Para mim ainda era mais fofinha quando punha os óculos... :)
Lembro-me de dormir em casa dela e do avô, quando era pequena, e inconscientemente pensar que aqueles dias eram eternos...

Pezinhos na Areia disse...

Como disseste, num outro comentário,"O passado não reconhece o seu lugar, está sempre presente", por isso mesmo continuas a recordar esses dias com tanta doçura...
A tua avó F. era fofinha, mas não perdia uma oportunidade para espetar uma farpazinha e rir-se de si própria...