Depois de descobrir este santinho compreendi que a boa saúde que a minha mãe tem desfrutado até ao presente se deve a “luvas”… Obrigada J. por teres subornado o Filho de Deus…
domingo, 29 de janeiro de 2012
Tráfico de influências…
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Memórias e Afectos (94)
Descobri a 7ª Arte nos finais dos anos 60, início da década de 70. Não consigo precisar em que filme se deu o meu baptismo, mas sei exactamente com quem me estreei nestas andanças. As minhas colegas e amigas B. e M. foram as minhas companheiras de fins-de-semana cinematográficos. Inicialmente íamos aos únicos cinemas que existiam na nossa zona, o Cinema Lido, uma belíssima sala que já só existe nas nossas memórias, e os Recreios da Amadora que é agora um Centro Cultural pertença da Câmara. Mais tarde, alargámos os horizontes até ao Cinema Condes e ao Cine-Teatro Éden, ambos nos Restauradores. Presentemente a ida ao cinema é trivial, mas naquele tempo era um acontecimento. Embora hoje em dia o leque de filmes seja mais diversificado, quando vou ao cinema não sinto o entusiasmo que sentia naquela altura.
Nesse tempo não éramos exigentes nem selectivas quanto ao género. Tanto fazia ser um filme histórico como um filme de guerra, um musical, uma comédia ou mesmo um western.
Ben-Hur e Lawrence da Arabia, Patton, Música no Coração, Hello, Dolly! e My Fair Lady, O Bom, o Mau e o Vilão, Rio Bravo, Dois Homens e um destino, Se o meu carro falasse e a Grande Evasão são alguns dos filmes que me ocorrem, mas há dois filmes que destaco e que vimos pelo menos três vezes… É frequente passarmos por uma fase em que temos uma paixoneta por um actor/actriz e nós não fugimos à regra. A B., apaixonada devota de Charlton Heston, que eu não aplaudia nem acompanhava porque não fazia o meu estilo, conseguiu convencer-me a assistir por três vezes ao filme O Homem que Veio do Futuro (Planeta dos Macacos), de 1968, uma obra-prima da ficção tendo em conta a época, e protagonizado por Heston. Devo dizer que aceitei estas três “doses” de filme porque a organização da sociedade símia me fascinava, ao contrário da constituição física do protagonista…
Evidentemente que a B. pagou caro este meu acordo. Viu-se na obrigação de me fazer companhia quando bisei o filme francês Le Cercle Rouge, a anatomia de um grande assalto e o que se passa posteriormente. O filme conta com grandes actores europeus da época. Yves Montand, que me fez rir no filme A Mania das Grandezas e que tem uma interpretação magnífica em Jean de Florette e Manon des Sources (recomendo os dois!). Gian Maria Volontè que voltei a ver no western Por um Punhado de Dólares. O singular Bourvil que contracena com o incomparável Louis de Funès em A Grande Paródia. Alain Delon, a minha paixão de adolescente e o motivo que me levou a ver o filme!
Confesso que fui mais malvada do que a B. porque impus que me acompanhasse a três matinées no mesmo fim-de-semana… e confesso que só li as legendas na primeira, nas outras duas apenas suspirei… Seguiram-se outros filmes com este actor, como A Tulipa Negra, A Piscina, Flic Story ou Borsalino. O Delon envelheceu mal, está um canastrão… mas era lindo!
A minha amiga M. não era imune “ao fogo que arde sem se ver” e também tinha a sua paixão arrebatadora, mas essa não a obrigava a ir ao cinema. Nesse tempo passava na televisão a série Lancer, uma série americana de cowboys que teve algum sucesso. O pai, Murdoch Lancer, e os dois filhos, Scott Lancer, um ex-oficial do exército, e Johnny Madrid Lancer, um pistoleiro, lutavam contra as ameaças que pairavam sobre o rancho.
Pois a M. estava pelo beicinho pelo James Stacy (o Johnny Madrid, à direita na foto) e fazia-me lembrar a canção “Ele e Ela” da Madalena Iglésias porque só falava nele a cada momento e vivia com ele no pensamento… Isto valeu-lhe uma gargalhada geral da turma porque a M., que sonhava dia e noite com o Johnny, deu um erro num ditado, na disciplina de Inglês, que o safado do professor partilhou connosco. O título do texto que o professor ditou era “Algebra and Geometry” e a M. escreveu…“Algebra and John Madrid”! Memorável, sem dúvida…
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Livros e Mar: eis o meu elemento! (52)
Aravind Adiga não me arrebatou neste seu terceiro romance “O Último Homem na Torre”. Continua a ser muito bom, mas, infelizmente, depois de ter lido “O Tigre Branco” e “Entre os Assassinatos”, deu-me a ideia de que Adiga em vez de “subir as escadas”, “desceu-as”…
Considerem uma Cooperativa de Habitação com duas torres, a Torre A e a Torre B. Pensem na quantidade de andares e nas fracções por piso. Ponderem bem no número de indivíduos que povoam essas torres. Conseguem visionar? Então, agora, imaginem isso em Bombaim…
Mais um retrato complexo da Índia, desta vez mostrando-nos os contrastes gritantes deste país através dos moradores desta Cooperativa inaugurada em 1959. A acção desenrola-se na Torre A, que tem vários problemas na sua estrutura, como o telhado que ameaça desmoronar-se a cada monção e a água que só corre nos canos duas vezes por dia, e alberga famílias católicas, hindus e muçulmanas.
Quando um responsável por uma empresa de construções, Dharmen Shah, oferece uma choruda indemnização aos habitantes das torres para que deixem as casas com o objectivo de ali construir um luxuoso complexo de apartamentos, a primeira reacção é de resistência. No entanto, os interesses pessoais e a ganância superam a valiosa união e a antiga cumplicidade entre os vizinhos. Também os recalcitrantes se arriscam a sofrer um “acidente”, pois o empreiteiro é um indivíduo asqueroso e sem escrúpulos. Neste contexto, apenas um morador, Yogesh Murthy ou "Masterji", velho professor viúvo e reformado, não se deixa seduzir pelo dinheiro fácil e luta pelas suas convicções, recusando-se a abandonar a sua casa. Ele fez aquilo que considerava ser o mais correcto. Ao contrário de Shah, era uma pessoa íntegra e independentemente do que os vizinhos lhe disseram ou fizeram, nunca mudou de ideias e nunca traiu os seus princípios. Manteve-se livre até ao fim…
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Lisboa d'outras eras (9)
domingo, 15 de janeiro de 2012
Memórias e Afectos (93)
É simples recordar, com uma nitidez surpreendente, acontecimentos da minha infância e juventude, mas lembrar coisas mais recentes, às vezes, torna-se mais bicudo. Diz-se que relembrar memórias antigas em detrimento das recentes se chama senilidade… prefiro pensar que é mais um desmazelo da memória… Adiante!
O meu pai, que quando jovem era uma nódoa a matemática, começou a apreciar esta matéria quando um episódio algo insólito despoletou esse gosto. Em meados da década de 20 (a long time ago…), frequentava a Escola Académica e tinha um colega de apelido Fragoso que, sendo um aluno mediano, era uma barra a matemática. Numa prova (no meu tempo denominava-se “ponto” e agora “teste”) dessa disciplina, o meu pai, sentado atrás do Fragoso, pediu-lhe ajuda porque via o tempo a passar e não tinha feito praticamente nada. O Fragoso, rápido nos cálculos, terminou a prova e copiou-a integralmente, passando-a ao meu pai. Este, pegou na cábula e começou a reproduzi-la na sua folha, mas não teve tempo para concluir a trapaça e resolveu entregar a folha do colega colocando o seu nome… (parece-me que hoje em dia é improvável suceder uma coisa destas). Assim que o professor ficou na posse da prova, os remorsos assaltaram o meu pai. Imaginou-se a ser punido pelo professor e a ser repreendido pelo próprio pai, também professor…
Acreditem ou não, a realidade foi outra. O professor, não só não deu pela fraude, como também enalteceu o meu pai, dizendo-lhe que finalmente tinha encarreirado na matemática…
O professor nunca soube, mas, ao proporcionar este desfecho improvável, causou uma profunda mudança na vida escolar do meu pai. Os elogios de que foi alvo encheram-no de brio, aplicou-se, os bons resultados não se fizeram esperar, e passou também a ser uma barra a matemática, tudo isto graças ao Fragoso… Ouvi esta história dezenas de vezes, mas, lamentavelmente, o meu pai não conseguiu passar-me a mensagem, talvez porque nunca apareceu um “Fragoso” na minha vida.
Ora, adivinhem quem me dava explicações de matemática? Acertaram, o meu pai!... Com uma santa paciência ensinava-me a Matemática Clássica e mandava-me fazer exercícios, simplifica a expressão e obtém um polinómio na forma reduzida, calcula o valor da expressão com denominador racional, resolve em ordem a x a equação… Tudo isto era “secante” e eu ia passando à “tangente” para desgosto do meu pai. Presentemente sinto-me atraída pelo raciocínio matemático, mas, na época, não tinha maturidade suficiente.
Numa dessas sessões, em que me distraía frequentemente, eu atirava, repetidamente, a caneta ao ar e apanhava-a, enquanto o meu pai perguntava se eu estava a compreender. É claro que não estava a prestar atenção, é claro que a caneta caía ao chão imensas vezes, é claro que não estava a ligar patavina, é claro que o meu pai não tinha qualquer dúvida em relação a isso, é claro que começou a ficar irritado, um indício que me deveria ter feito parar se não se desse o caso de eu estar completamente alheada e ocupada a apanhar a caneta… Repentinamente, quando a caneta caiu ao chão pela quinquagésima vez, o meu pai levantou-se e pisou-me a caneta até a fazer em frangalhos e restar apenas a recarga… Não ganhei para o susto, mas afianço que nunca mais brinquei em serviço! Este incidente serviu de gozo durante vários anos e ainda hoje é recordado pelo dia em que o meu pai se passou...
Gente feliz com gatos (7)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Reservado à Indignação (45)
Nunca pertenci à categoria de pais que fazem dos professores os maus da fita, nunca fui conivente com facilitismos e esforcei-me por mostrar aos meus rebentos que devemos respeitar as hierarquias, valorizar os educadores e reconhecer a sua autoridade. Tenho adoptado a mesma estratégia que o meu pai empregou com os filhos, ouvir e dialogar, sendo que, na maioria dos casos, a condescendência dele pendia para os docentes. Julgo que não devemos minar a autoridade dos professores, devemos, sim, mostrar aos nossos filhos o que está certo e o que está errado, o que é justo e o que é injusto. Só assim conseguimos formar cidadãos dignos e idóneos.
É bonito ter uma relação próxima com os filhos, sou uma mãe tolerante (por vezes permissiva demais, segundo a minha filha mais velha…), mas os pais são pais, e não amigos. Estarei sempre onde precisarem de mim, mas como mãe, não como amiga. Assim como os pais têm os seus próprios amigos, os filhos também têm os seus amigos, é natural e saudável que assim seja. Não posso generalizar, mas, hoje em dia, numa inversão de valores, parece-me que os filhos mandam nos pais e estes, por sua vez, curvam-se perante os caprichos dos filhos e insurgem-se contra os professores, como se a escola fosse uma filial da família e tivesse o dever de “domesticar” os meninos. Ainda que, presentemente, não tenha razões de queixa, prefiro uma negativa à falta de educação ou mau comportamento.
Pode parecer que, como mãe, sou quase perfeita, mas não sou… Há ocasiões em que esqueço a ética e tenho atitudes menos ortodoxas, algumas, confesso, em relação aos professores, como já tive oportunidade de desabafar aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui… Interessei-me sempre pelo percurso académico da minha prole, mas, embora a minha presença nas reuniões escolares seja constante, reconheço que me tenho mantido um pouco à margem da vida escolar, não interferindo in loco … O motivo desta conduta deve-se, essencialmente, ao receio que o feitiço se vire contra o feiticeiro. Receio que em vez de solucionar uma ou outra contrariedade acabe por agravá-la, porque insisto em pensar que a máxima “os professores têm a faca e o queijo na mão” ainda está vigente…
O professor deve ser isento e imparcial, mas nem sempre isso acontece. Há uns anos surgiu uma incompatibilidade entre a professora de filosofia e a minha filha mais velha. A senhora parecia estar sempre contra ela e, aparentemente, nada explicava essa antipatia. Chegou ao ponto de privilegiar uma aluna que tinha feito copy paste (coisa que qualquer aluno sabe fazer…) de um livro de apoio e repreender a minha filha pelo seu livre pensamento (estamos a falar de filosofia, não de uma ciência exacta…). Deixava passar uma falta num aluno e a seguir castigava outro por uma falta semelhante e nada indigna mais um aluno que a injustiça. Mais vale cair em graça do que ser engraçado… As aulas de filosofia tornaram-se completamente insuportáveis. Por sorte, no ano seguinte a professora desapareceu literalmente do mapa (deve ter ido criar mau ambiente para outra escola…) e a nova professora conseguiu reconhecer as suas qualidades de forma justa. Se eu tivesse interferido, teria mudado alguma coisa? Não creio… Limitei-me a praguejar e amaldiçoar a senhora, não lhe reconhecendo, ainda hoje, a mínima idoneidade para leccionar.
Pode parecer que, como mãe, sou quase perfeita, mas não sou… Há ocasiões em que esqueço a ética e tenho atitudes menos ortodoxas…
A minha filha mais nova, a contestatária, entrou, este ano lectivo, no secundário. Apesar dos testes de orientação profissional terem sido mais favoráveis à área de Ciências Socioeconómicas, influenciada por mim escolheu Ciências e Tecnologias… A aversão à professora da disciplina de Biologia (e directora de turma…) foi rápida, mas lá fui pondo água na fervura. Na primeira reunião com a senhora entendi o porquê de tanta raiva e pensei, com os meus botões, que a coisa não ia correr nada bem. Aspirante a “tiazoca”, arrogante, repetitiva, inflexível, rabugenta e com um forte discurso provocatório. Em casa, através de umas evasivas, disfarcei o meu desânimo e incentivei a minha filha a prosseguir o estudo naquela disciplina. Não fui bem-sucedida. A minha filha definhava, a família notou que andava triste e desinteressada. A reunião no final do 1º período deu-me a conhecer mais um traço do seu mau feitio, a má-criação. Quando a avó, e encarregada de educação, de um aluno fez uma observação, a indelicada e despótica professora ignorou-a… e continuou a sua dissertação dirigida aos “ranhosos” progenitores, como se, para nós, fosse uma bênção ouvi-la.
Desta feita não escondi a minha indignação em casa e dei largas à minha revolta. Isto foi “música” para os ouvidos da minha filha, como se eu tivesse acabado de pronunciar a famosa frase do Star Wars, “May the Force be with you”… Começou a desbobinar e revelou-me, então, que detestava a matéria de biologia e que a professora fazia alguns comentários depreciativos (a qualquer aluno, sem mostrar favoritismos, o que já não é mau…).
Se já não gostava de Biologia, bastou achar que a professora esperava pouco dela para perder completamente a motivação. Com o meu consentimento anulou a disciplina, assim como a de Física e Química, determinada a mudar para Ciências Socioeconómicas no próximo ano lectivo. Comunicou à professora a sua decisão e surpreendeu-se pelo feedback positivo… mas quando a fartura é muita, o pobre deve sempre desconfiar. Assim que teve oportunidade espetou a primeira farpa: “A vossa colega R. vai deixar-nos porque pretende mudar de curso, mas vocês não julguem que ao mudar para outro curso vão sentir menos dificuldades porque todos são difíceis”. Observem com atenção a frase da “fera”. Ainda na mesma aula, aproveitou para meter a segunda bandarilha: “A R. vai trocar-nos…por um dos outros cursos… aqueles que não fazem nada…”. Observem a frase desdenhosa da “fera”. Mas afinal como é? São todos difíceis ou só se empenha e trabalha quem tem Biologia? Estaria a afirmar, de uma forma dissimulada, que a minha filha pertence ao lote dos burros? A minha filha, que nestes momentos teria o meu aval para lhe responder polidamente, calou-se…
Primeiro, não me parece que ela, particularmente como directora de turma, tenha que dar palpites sobre o assunto, segundo, não demonstrou bom senso nas críticas nem as devia fazer na frente de toda a turma, terceiro, irritam-me os estigmas e as rotulagens, quarto, não lhe reconheço a mínima idoneidade pedagógica e pior que isso, os alunos também não…
O modo como os professores interagem com os alunos é determinante no processo de aprendizagem e na forma como lidam com a escola. Por esse motivo, é raro um professor marcar-nos ao longo da vida, é raro haver um professor inesquecível…
Na próxima quinta-feira irei conversar com a senhora visto que continua a ser a directora de turma e quero que ela entenda que me preocupo com os resultados académicos da minha filha, que me interesso pelo seu êxito, mas, acima de tudo, preocupa-me o seu bem-estar e a sua felicidade…
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
No escurinho do cinema…
…chupando drops de anis, longe de qualquer problema, perto de um final feliz. Assim começa Flagra, a canção de Rita Lee.
Dispenso os drops de anis, prescindo de finais felizes e, em alguns casos, troco a sala de cinema pelo animatógrafo familiar…
Depois de tomar conhecimento de que o filme “Contraluz”, do realizador português Fernando Fragata, tinha sido galardoado com o prémio na categoria de melhor drama no Festival Internacional da Costa Rica fiquei com curiosidade em vê-lo. Rodado integralmente nos Estados Unidos, conta com um elenco de actores portugueses e americanos e conta-nos como a vida de um conjunto de pessoas, estranhas umas às outras, acaba casualmente por se cruzar devido a penosos acontecimentos pessoais que mudam as suas vidas. Joaquim de Almeida como um dos protagonistas é completamente irrelevante… Não sendo um filme notável, gostei!
O que posso dizer do “Planeta dos Macacos: A origem”? Que a tecnologia que criou a personagem Gollum em “O Senhor dos Anéis” foi também usada para criar os símios digitais. Que se para algumas pessoas o efeito é magnífico, para mim não é assim tão extraordinário (shame on me!... deve ser falta de sensibilidade tecnológica…). Que Andy Serkis (como Gollum e mais tarde como Capitão Haddock) foi escolhido para dar corpo e vida ao macaco Caesar.
O filme tocou-me, sobretudo, pela mensagem crítica sobre as leis que regem as pesquisas médicas com animais e ficamos por aqui…
Entre o filme “A Árvore da Vida”, de Terrence Mallick, e o filme “Melancolia”, de Lars Von Trier, venha o diabo e escolha… Neste último, um planeta gigante que dá pelo nome de Melancholia, desconhecido até à data por estar oculto pelo Sol, aproxima-se tragicamente da Terra. A sequência inicial do filme, ao som de “Tristão e Isolda” (grandioso…), só pode ser fruto de um qualquer entorpecimento induzido por álcool ou drogas…fogo! A primeira parte do filme não anda, arrasta-se, é de um marasmo assustador… O casamento de Justine (Kirsten Dunst assombrosa no papel…) decorre num clima de falsa e efémera felicidade, a noiva luta para ser feliz, mas entra num estado de instabilidade emocional e melancolia. A segunda parte rasteja, é solenemente enfadonha… O centro das atenções passa a ser a irmã da noiva, Claire, que vive completamente mortificada pela ameaça iminente da catástrofe. Se no início, Claire era o apoio de Justine, quando a tragédia está prestes a desabar é Justine, que nada tem a perder com o fim do mundo, que lhe transmite uma calma de morte...Eleito melhor filme de 2011 pela Sociedade de Críticos de Cinema, nos EUA, e melhor filme de 2011 pela Academia Europeia de Cinema, um bando de iluminados dos quais, evidentemente, não faço parte porque me falta sensibilidade cinematográfica. Segundo a crítica “Melancolia” é uma pérola, na minha questionável opinião é um tesourinho deprimente, uma dor, uma angústia sem fim, uma pedrada de 140 minutos…
sábado, 7 de janeiro de 2012
Dexter–6ª temporada
A 6ª temporada de Dexter não fez jus às minhas expectativas. Transpirou religião por todos os poros, o que não teria qualquer problema se Dexter não se apresentasse menos inteligente e mais distraído, e teve um final tramado. Tenho esperanças que nas próximas duas temporadas, já confirmadas pela ShowTime para este ano, os produtores executivos se redimam desta sexta temporada medíocre e voltem a mostrar-nos o nível das outras temporadas, particularmente da quarta…
Desmame…
Não podemos deixar de comer estas delícias das Festas assim de um dia para o outro. É um choque e é perigoso!… O nível de açúcar no sangue não pode baixar drasticamente, tem que ser progressivo, não acham?… É o mesmo que tomar antidepressivos e deixar de os tomar de um dia para o outro. Começamos a sofrer de dormência dos membros, cabeça oca, tonturas, enfim, coisas evitáveis se tudo for feito gradualmente… Vai uma fatia?
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
A Fera…
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Aviso à navegação…
Desde o início do ano que o acordo ortográfico da Língua Portuguesa passou a estar em vigor nos documentos oficiais e em todos os serviços, organismos e entidades estatais, incluindo o site do Parlamento.
Em vigor desde o dia 13 de maio de 2009, o novo acordo ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em Lisboa, a 16 de dezembro de 1990 e compreende um período de adaptação de seis anos durante o qual são aceites as duas grafias, a do acordo ortográfico de 1945 e a de 1990.
Se este blogue subsistir até 2015, continuarei a abraçar o AO de 45 e estarei a marimbar-me para o entendimento que resultou de um consenso (com senso?) entre os PALOPES. Sempre ouvi dizer que burro velho não aprende línguas e eu comprometi-me com a língua pátria desde a 1ª classe…
Na instrução primária dava a mão à palmatória quando cometia erros como “direção”, “correto” ou “ótimo”. Depois vou “levar reguadas” por escrever “direcção”, “correcto” ou “óptimo”?! É o mesmo que esforçarem-se por inverter a minha lateralidade à esquerda até conseguirem que eu use preferencialmente a mão direita e ao fim de cinquenta anos obrigarem-me a ser sinistra…
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Cat Land
Aproximando-se a data em que o (meu?) gato se juntou à família, pretendo homenagear esses nobres felinos. Houve, em vários povos e culturas, o culto ao gato. Eu idolatro os meus!... Não sei se alguns gatos mudaram o mundo. Os meus gatos mudaram o meu mundo!.. O gato medita, está em imperturbável estado zen, no nirvana…
Louis Wain foi um artista britânico conhecido pelos seus desenhos de gatos, semelhantes, do ponto de vista morfológico, ao homem. Os desenhos de gatos e gatinhos mais fragmentados e com olhos mais esbugalhados foi-se acentuando à medida que o estado de saúde do pintor, que sofria de esquizofrenia, se agravava.
Durante a doença da sua esposa Emily, entreteve-se a desenhar o gato de casa, Peter, em diversas poses imitando atitudes de pessoas. Tais desenhos destinavam-se a distrair e animar Emily, mas foi a partir daí que a sua carreira se definiu distinguindo-se com os desenhos antropomórficos de gatos. Ora aqui está um bom exemplo de que o mal existe para que possamos conhecer o bem, de que o mal existe inerente ao bem… Se não fosse a doença de Emily, pressuponho que não teríamos oportunidade de nos deleitarmos com a arte de Wain…
H. G. Wells, escritor inglês, disse de Louis Wain: Ele apropriou-se do gato. Inventou um estilo, uma sociedade, todo um mundo do gato. Os gatos ingleses que não se pareçam e vivam como os gatos de Louis Wain deveriam envergonhar-se de si próprios.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
domingo, 1 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Humm…não sei, hesito!…
Estou indecisa com a árvore de Natal para 2012.
Esta, invertida, sofreria menos com os ataques dos meus gatos…
Esta… sim, talvez, com recortes de facturas que pago durante o ano…
Esta é linda! A minha preferida, claro. Monta-se e desmonta-se na sala,
não preciso desarrumar mais nada, mas fico com muitas prateleiras vazias…
Esta faz-me lembrar as medidas orçamentais de austeridade,
mas, enfim, o espírito está presente… na bolinha…
Esta é bestial porque pode ser feita só no dia 24, mas requer
um lápis verde e um afia estrela. O resto, piece of cake!…
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Memórias e Afectos (91)
Claro que não resisti a procurar publicidade a estes três refrigerantes que me mataram a sede na década de 60…
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
A vida é bela…
…quando temos colegas, por acaso, amigas, por escolha, que nos surpreendem com presentes singulares. Um deles, as fotografias, depois de tantas diligências já tinha perdido a esperança, mas como diz o ditado “guardado está o bocado para quem o há-de comer” e assim foi, a S. conseguiu proporcionar-me uma grande alegria. Também a J. me presenteou com um marcador lindo e personalizado com uma foto da sua autoria. Obrigada a ambas, são umas queridas!…
Livros e Mar: eis o meu elemento! (51)
Decididamente, devota da obra de Ken Follet! A narrativa decorre no ano de 1939 e começa quando o primeiro-ministro inglês, Chamberlain, declara guerra ao Reich anunciando assim a entrada da Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial. As primeiras páginas de “Noite Sobre as Águas” levam-nos a conhecer o carácter das personagens, as suas vidas, relacionamentos, raízes, dramas e paixões, assim como os motivos que os levaram a reservar passagens no Clipper da Pan American Airways, numa viagem de trinta horas, partindo de Southampton rumo a Nova Iorque. A incerteza e inquietação surgem logo no início quando a mulher do engenheiro de voo é raptada e ele recebe um telefonema ameaçando matá-la caso ele não colabore numa perigosa operação de amaragem perto da costa do continente americano.
Nesta viagem a bordo do Clipper, um hidroavião luxuoso, o grupo heterogéneo, que conta, entre outros, com um fanático defensor de Hitler e a família, com ideias completamente antagónicas, um criminoso, um cientista judeu que arrisca escapar aos nazis, um ladrão charmoso, uma conhecida actriz, jovens amantes e uma empresária de sucesso, sem saída possível sobrevoa o Oceano Atlântico num ambiente conflituoso e de ansiedade crescente. O desfecho é brilhante.
Naquela época, viajar de avião só estava ao alcance de uma minoria e a descrição sobre o Boeing 314 Clipper, um hotel voador de luxo, irrepreensível e apaixonante. Follet levou-me, numa viagem deliciosa, a conhecer os beliches, a suite, as casas de banho com toucadores, as refeições esmeradas compostas por vários manjares e servidas em porcelanas, como se fosse um restaurante requintado onde não faltavam os talheres de prata e os copos de cristal. Quem teve o privilégio de voar neste Clipper terá tido, sem dúvida, uma experiência única.
O primeiro serviço aéreo de passageiros entre os Estados Unidos e a Europa foi inaugurado pela Pan American no Verão de 1939. Durou poucas semanas. O serviço foi cancelado quando Hitler invadiu a Polónia. Dos doze hidroaviões da Pan American não ficou qualquer exemplar. Um deles transportou o presidente Roosevelt à Conferência de Casablanca em Janeiro de 1943 e outro sofreu um acidente em Lisboa do qual resultaram 29 vítimas.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Message in a bottle (62)
Este Natal vou a casa (Pedro Marques Lopes na Revista Life)
Este ano o Natal é lá em casa. A casa dos meus pais, claro está. Aquela em que eu vivo é a nossa casa, a minha, da minha mulher e dos meus filhos. Quando eu era apenas filho também ia a casa pelo Natal, à do meu pai ou da minha mãe, onde viviam os meus avós.
O meu Natal é o regresso ao ninho. Onde me fiz homem, onde aprendi tudo o que de facto interessa. Pouco importa se a casa não é a mesma onde nasci e cresci. A casa é um local muito para lá das salas, dos quartos, da rua, ou da cidade onde se encontra. É onde estão os meus, os meus eternos gurus, os meus heróis, aqueles a quem eu pertenço e que me pertencem: os meus pais.
Juntamo-nos muitas vezes durante o ano, mas a noite de consoada é especial. Não porque a esmagadora maioria da minha família seja particularmente devota, não por causa da gritaria da rapaziada excitada com os embrulhos e as prendas que a entusiasmará por pouco mais de dez minutos, não pelas rabanadas, mexidos, aletria, ou mesmo pelo sagradíssimo bacalhau.Dentro da euforia, das canções que permanentemente berramos, dos excessos etílicos, das histórias de sempre que repetimos para nos sentirmos mais seguros ou mais próximos, das eternas discussões acaloradas que acabam sempre com um berro do meu pai, dos comentários jocosos aos alfacinhas que trouxemos para a família e ao seu pouco civilizado hábito de comer o infame e seco peru, há sempre uma melancolia mais ou menos disfarçada.
Passei anos e anos sem entender o porquê dos olhos brilhantes do meu pai ou das lágrimas fugidias da minha mãe. Dos momentos de silêncio disfarçados com mais uma garfada na couve-galega. Causavam-me estranheza aqueles instantes de tristeza profunda como se lhes faltasse um pedaço de alma, como se viajassem para um lugar longínquo. Não estão eles ao pé de quem mais amam? Claro que sim. Mas eles também tiveram um ninho, o tal espaço só deles e dos outros seus. Naqueles brevíssimos pedacinhos viajam para casa, para os que perderam, para os que estão noutras terras, para os que amaram e para os que continuam a amar. A minha angústia, a melancolia que também sinto vem de não lhes poder preencher esse espaço. Não posso, mas tenho todo o meu coração para lhes dar.
Bom Natal, mãe, Bom Natal, pai.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Memórias e Afectos (90)
Os dias que antecedem o Natal são apáticos. Queria esquecer que existo para não pensar, queria adormecer e acordar só em Janeiro, queria apagar os dias 23 e 24 de Dezembro, queria fugir às festividades, queria voltar ao Natal de 2008, quando ainda tinha pai…
Com a aproximação do Natal, as minhas mais doces memórias natalícias insistem em sobrepor-se à dor, e toda uma parafernália de imagens, que povoavam o meu quotidiano natalício ao longo da minha infância, resgatadas do seu sono profundo, despontam como clarões de relâmpagos.
A Festa de Natal dedicada aos filhos e familiares dos empregados da Companhia de Seguros L’Urbaine, onde o meu pai era chefe da secção de contabilidade, era um acontecimento. Não faltavam os palhaços e o ilusionista, mas a peça de teatro infantil, encenada pelos empregados do clube de teatro do grupo desportivo, era, para mim, a parte alta do espectáculo porque achava imensa graça ver os colegas do meu pai convertidos em actores. A entrega dos presentes, excelentes e adequados às idades, era personalizada. As crianças eram chamadas pelo microfone e as prendas entregues pela esposa do Presidente ou pelo próprio Pai Natal... Ouvir chamar o meu nome dava um certo sainete e isso fazia sentir-me importante. O lanche, bem servido, rematava a festa. Os adultos conviviam enquanto a miudagem brincava e corria atrás dos balões.
Seria muito bom que todas as crianças pudessem viver o fascínio dos dias que antecedem o Natal e a magia da noite da Consoada como eu vivi. Dias antes do Natal, a ida à Baixa lisboeta era peregrinação obrigatória. Os presentes para a família raramente eram comprados na Baixa, mas a roupa para estrear no dia de Natal (tradição que se manteve durante uns anos) era comprada na secção infantil da Lanalgo, a loja das três entradas para uma saída feliz. Num desses inevitáveis dias de roupinha nova, apesar dos conselhos para não me afastar perdi-me dos meus pais, mas uma empregada levou-me pela mão e chamou-os pelo altifalante. O reencontro foi comovedor, digno de um filme lamechas com um final feliz…
Eram também local de romaria imprescindível, a Casa Africana, os Grandes Armazéns do Chiado e os do Grandella, estes últimos com umas pomposas e memoráveis escadas rolantes que tinham sido inauguradas por Gertrudes Tomás, com direito a corta-fitas, no final da década de 50. Andar nas escadas rolantes era um intenso prazer, um verdadeiro gozo para a alma. Estes famosos armazéns lisboetas serviram de palco ao filme “O Pai Tirano” e quem não recorda o caixeiro Chico e o grupo de teatro amador “Os Grandelinhas”?
Nesse périplo pelas novidades, que apareciam em maior número na quadra natalícia, eu ficava colada aos vidros das montras, atraída pelos bonecos mecânicos que se moviam, convidando-me a entrar no seu mundo fascinante. Naquela idade da inocência, em que ainda acreditava no Pai Natal, ser fotografada com esse ajudante incansável do Menino Jesus era uma felicidade sem limites, uma comoção, pura magia… Julgo que esta foto foi tirada junto à Quermesse de Paris, uma loja de brinquedos que existia ao lado do Hotel Avenida Palace, mas pode ter sido em frente ao Paraíso Infantil na Rua da Prata.
Regressando à infância, recordo outras lojas de brinquedos que me deliciavam nos longínquos anos 60, o Bazar Thadeu na Rua Augusta, a Biaggio Flora na Rua do Ouro e Pinóquio nos Restauradores, e que ficaram na memória de muitos alfacinhas, assim como as iluminações de Natal que, nesse tempo, eram atração para todas as idades…
Depois do jantar da Consoada e de ter posto o sapatinho na chaminé, mandavam-me para a cama pois o Menino Jesus e o Pai Natal só viriam quando todos os meninos estivessem a dormir. Era difícil adormecer, a ansiedade pela chegada de tão ilustres visitantes não me deixava sossegar. Com a porta do quarto fechada, levantava-me, e por entre as frestas dos estores olhava o céu tentando ouvir as campainhas do trenó puxado pelas renas. Voltava para a cama, com o som dos guizos à distância, e acabava por adormecer sonhando com as prendas pedidas ao Menino Jesus. Na manhã do dia 25 corria à chaminé e à volta do meu sapatinho, estavam os embrulhos coloridos que eu me apressava a levar para a cama dos meus pais. Aí, desembrulhava-os um a um, provando-lhes que os meus pedidos tinham sido satisfeitos. Aos meus pais cabia a tarefa de se mostrarem surpreendidos de cada vez que eu lhes mostrava um brinquedo novo…
Andaria eu pelos sete anos quando, na escola, apanhei o meu primeiro balde de água fria. Quase a entrarmos nas férias de Natal a decepção chegou através de uma colega que me informou sem pejo e com a maior das naturalidades que quem nos dava as prendas eram os pais. A suspeição assaltou-me. Então o Pai Natal não existia? Não era o Menino Jesus que, através do seu fiel ajudante, me dava as prendas de que eu me achava merecedora? Podia lá ser… Não contei nada em casa. Queria esclarecer a dúvida sem melindrar ninguém. Nesse ano, na noite de 24, quando me mandaram para a cama, não preguei olho. Ouvia conversar na casa de jantar/sala. Tinha frio, mas mantinha-me sentada na cama para não ceder ao joão-pestana. Já a noite ia longa quando as vozes deram lugar ao silêncio. Os passos soaram pela casa e julguei, na minha inocência, que eram horas dos outros se deitarem, mas um pequeno restolhar vindo da cozinha fez-me aproximar da porta do quarto e espreitar pela fechadura. A fantasia do Natal caiu por terra, os sonhos desfizeram-se como que levados pelo vento e o encanto do Natal parou ali, naquele momento, quando vi passar a minha mãe e o meu irmão, com dois embrulhos, a caminho da cozinha…
Na manhã seguinte, corri à chaminé e por entre os vários embrulhos de papel colorido, lá estavam os dois que eu tinha visto nas mãos dos meus queridos familiares. Mantive a farsa, fiz de conta que estava maravilhada pelo facto das minhas preces terem sido atendidas e deliciei-me com os presentes. Será que a magia natalícia tinha desaparecido? Não me recordo se cheguei a contar-lhes ou se continuei a simular a minha crença, mas se o fiz não foi para os enganar, foi, certamente, para manter viva a magia do Natal e poder sonhar enquanto era criança…
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Regressar aos tempos da mala de cartão…
Interessante este primeiro-ministro: não disse ter assinado um acordo diplomático, político ou empresarial – o que ele quisesse – para reforçar o ensino de português em Angola, no Brasil ou na China. Numa frase leviana e sem o contexto adequado, indicou a porta de saída do País a milhares de pessoas que, presumo, não lhe merecem muito mais esforço intelectual. (André Macedo in Dinheiro Vivo).
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Lamentamos as obras…
Incómodo em curso. Lamentamos as obras… Isto deveria ser a divisa de todos os empreiteiros da construção civil, afins e similares. Adjudicámos a obra de intervenção no telhado do prédio onde resido. Os trabalhos, a cargo da firma Decimal & Universal, começaram dia 5 de Dezembro. Os colaboradores do engenheiro L., responsável pela obra, só trabalharam da parte da manhã porque às 14 horas ainda não tinha chegado o material e, como sabemos, não se fazem omeletas sem ovos. Nos dois dias seguintes trabalharam com vontade, mas meteu-se o feriado à quinta-feira, quebrou o ritmo e fizeram ponte…
Retomaram o serviço na segunda-feira seguinte e, como nestas coisas é o Sol que dita as regras, chegaram às 9.45 e saíram às 16 horas. Trabalharam de sol a sol! Na terça-feira não apareceram. Liguei ao engenheiro, “culpado” pela obra, e fiquei esclarecida…os empregados trabalham em rotatividade 24 horas por dia! Ah, compreendi-te!... E nesse sistema rotativo nunca passam pelo telhado? Passam, quando a órbita do telhado coincide com a trajetória dos colaboradores, ou seja, no resto da semana nunca se encontraram…
Tentei não azedar. Telefonemas, mensagens, e nada! Na sexta-feira de manhã bem cedo ligou-me o engenheiro, irresponsável da obra, para me informar que dois dos colaboradores, de nacionalidade moldava, estavam a caminho. Nunca cá chegaram! Ou eu, na ânsia de ver terminado o trabalho, compreendi mal, ou o engenheiro não acabou a frase… Estavam a caminho…da Moldávia!
Tentei não envinagrar. Telefonemas, mensagens, e nada! Cheguei a supor que o arquiteto Gaudí teria encarnado no engenheiro L. e a estrutura se convertesse num novo Templo Expiatório da Sagrada Família, com conclusão prevista em 2025, lá para as calendas gregas…Era lindo, visitas guiadas e milhares de visitantes à obra inacabada!
Incómodo em curso. Lamentamos as obras…mas agora mete-se o Natal…
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Lisboa d'outras eras (8)
Que edifício é este? Por aqui passei muitas vezes a caminho de uma tipografia que, durante anos, existiu neste passeio, um pouco mais à frente. O meu pai foi sócio da Casa Africana, assim se chamava essa oficina de composição e impressão, e eu acompanhava-o com gosto…
Fica bem perto de um antigo Estabelecimento de Ensino que podem ver aqui…
domingo, 11 de dezembro de 2011
Publicidade enganosa
Existe a palavra encanitar em português lusitano? Existe! Segundo José Pedro Machado, um dos maiores dicionaristas da língua portuguesa, a definição de encanitar é: sofrer dos nervos; irritar ou irritar-se; enervar-se ou exasperar-se. Pois é exactamente isto que eu sinto quando vejo o anúncio da Toys R us!
O slogan “se existe, a Toys R us tem”, que deu polémica aqui há uns anos, é uma enorme aldrabice. Procurei por diversas vezes brinquedos, que sei que existem, e a Toys R us não tinha, nem tem!… Os empregados não faziam a mais pequena ideia de que artigos eu estava a falar e os preços são, em geral, mais caros. Tudo isto me encanita… Quando me reformar vou arranjar mais um hobby, reclamar, reclamar, reclamar…
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Memórias e Afectos (89)
No início deste blogue publiquei fotografias da casa onde nasci e passei uma parte da infância. Esta moradia de rés-do-chão e 1º andar, pertença do meu avô paterno, situada na principal artéria da antiga vila da Amadora, tinha um pequeno jardim e um grande quintal onde eu dava asas à minha imaginação.
A minha família ocupava o 1º andar. O andar de baixo estava arrendado (mais uns cobres que o meu avô ia buscar…) a um casal que tinha uma filha da minha idade, a Ana Maria. A última moradia, de uma fileira de quatro, logo a seguir à nossa, era habitada pela família Pimenta, o pai, aquele do anúncio radiofónico dos Parodiantes de Lisboa “pois, pois, J. Pimenta”, a mãe, a D. Julieta, e os dois filhos do casal, a Graciete e o José Luís. Não me recordo do nome das famílias que moravam nas outras duas moradias, mas tenho uma vaga ideia de algumas crianças que também frequentavam o nosso quintal. Os dias, um após o outro, passados numa eterna brincadeira, começavam quase de madrugada… Acordava bem cedo, lavava-me, vestia-me, tomava o pequeno-almoço e abria a porta da cozinha, que dava para o quintal, com um sorriso estampado na cara. O dia estava a nascer e não podia perder tempo, a natureza e tudo o que a cercava aguardavam-me ali tão perto. Descia as escadas a correr e batia à porta do rés-do-chão, onde me esperava a impaciente Ana Maria, quase a terminar as sopas de café com leite. Sempre cobicei o pequeno-almoço dela e tanto o enalteci que consegui que a mãe me brindasse com o mesmo, uma vez por outra.
O quintal era dividido por um carreiro de terra batida. O lado direito pertencia-nos e o lado esquerdo pertencia à família da Ana Maria, mas isso eram coisas de adultos, nós nunca fizemos essa distinção. Tal como os antigos Romanos controlavam todo o Mediterrâneo (Mare Nostrum), também o quintal era todo nosso… Ao fundo, um tanque de pedra usado pelas mães para lavar a roupa, que em algumas ocasiões ficava a corar ao Sol, e árvores de fruto, entre elas, uma ginjeira, a preferida da minha amiga. Quando a minha mãe pensava que tinha ginjas na árvore, já eram… a Ana Maria tinha dado conta delas. Um dia, com a minha conivência, a minha mãe, que era danada para a paródia, escondeu-se para pregar um susto à miúda, mas virou-se o feitiço contra o feiticeiro. A Ana Maria, branca como a cal e a gaguejar, voou carreiro abaixo, deixando a minha mãe aflita. Ainda hoje nos rimos com esta malvadez da minha mãe…
Nunca tivemos uma casa na árvore, mas improvisámos uma numa latada que existia a seguir ao único portão lateral de entrada para a moradia. A pérgula servia de suporte a uma velha trepadeira, uma Glicínia de flores lilases e troncos grossos, que formava uma espécie de galeria acompanhando os primeiros metros da entrada e três degraus que nos colocavam ao nível do jardim. Ajudados pelo tronco principal, subíamos para a nossa casa imaginária. Lá em cima, como que transportados para um universo paralelo, esquecíamos que nos podiam ver e ouvir e a imaginação levava-nos a vivermos outras vidas num mundo povoado de personagens das histórias de encantar.
Enquanto os dias se seguiam e avançavam em direcção ao Inverno, a Glicínia perdia as folhas e hibernava, tornava-se num emaranhado de troncos secos até à Primavera seguinte, rebentando então verdejante e em cachos de flores deslumbrantes… As suas ramadas frondosas estavam prontas para nos tornar a acolher e a partilhar connosco as fantasias da infância…
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Fases da vida
A primeira, quando acreditamos no Pai Natal.
A segunda, quando deixamos de acreditar.
A terceira, quando nos tornamos Pai Natal…
Quanto mais velho, pior…
Envelhecer é uma palavra que me inquieta. Como é um assunto que me deprime, não me consome muito tempo, mas tenho a convicção férrea de que, tal como a minha mãe, não aceitarei bem a velhice. Nem sempre assim foi. Tempos houve em que mais um aniversário era sinónimo de vivência, de solidez, de primazia, mas os anos passam e constatamos que envelhecer, desculpem o termo, é uma grande merda… Aquela famosa frase “quanto mais velho, melhor” que define o Vinho do Porto, passou a servir também para nos definir quando chegamos a uma determinada idade, sendo alardeada por muitas pessoas. Como se rotularmo-nos de Vintage afastasse os anos, nos tornasse mais ágeis, suavizasse as rugas e avivasse a memória…
Não há como dar a volta à coisa, envelhecemos... Assistir, impotente, à decadência física dos nossos pais é doloroso, mas quando a falência física é acompanhada por uma falência cerebral, torna-se, inegavelmente, insuportável e penoso. O envelhecimento saudável resulta da conjugação de vários factores, como a saúde mental, a saúde física, a autonomia e a independência económica. Todos eles me assustam, isto é, a falta deles… Claro que há quem envelheça bem, ou melhor, menos mal, mas o tempo é implacável. Não me perturba o aparecimento de rugas nem tão-pouco os cabelos brancos, o que me inquieta é perder 50 000 neurónios por dia, a decadência física, a dependência, o declínio da capacidade cognitiva, a demência. Envelhecer é um verbo arrasador e com um sabor amargo…
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Pergunto eu... (3)
... que não percebo nada disto...
Depois da polémica em torno do carro de 86 mil euros herdado pelo Ministro Mota Soares, depois deste ter vindo desmentir a notícia, depois de saber que o carro foi entregue ao ministro ao abrigo de um acordo com a SIVA, empresa que importa veículos Audi, Skoda, Volkswagen, Bentley e Lamborghini, depois de saber que o carro foi obtido através de um Aluguer Operacional de Veículo e se destinava a um secretário de Estado do anterior governo, depois de saber e verificar que todos os veículos são gama alta, depois de saber que o processo de aluguer de viaturas do Estado é gerido única e exclusivamente pela Agência Nacional de Compras Públicas, não quero saber se os contratos são ou não para cumprir nem se é ou não possível renegociar o contrato.
Pergunto eu, que não percebo nada disto… porque razão nunca se negoceia o aluguer de viaturas mais económicas? Porque razão o Estado não adquire a frota directamente à Autoeuropa, se apenas 1,3% da produção da mesma tem como destino o mercado português? Não iria ajudar a incrementar a economia? Pergunto eu, que não percebo nada disto…
sábado, 3 de dezembro de 2011
A tradição já não é o que era…
(via email)
Belchior trazia ouro.
Baltazar trazia mirra.
Depois, apareceu o Gaspar e tirou-nos tudo!…
Memórias e Afectos (88)
Recordo, saudosa e tristonha, as tardes de domingo da minha infância. O meu pai ia todos os domingos visitar os meus avós, que, na época, moravam numa moradia na Rua da Milharada, em Massamá, onde actualmente existe um condomínio da empresa de construção civil Pimenta e Rendeiro. O meu avô paterno J.J., de quem já tive oportunidade de falar aqui, habitava com a minha avó L. numa vivenda, que ainda existe, quase à beira da estrada, com duas grandes palmeiras e um coreto, em Queluz de Baixo. A casa era muito bonita, mas por qualquer razão que desconheço, resolveram mudar-se para Massamá…
Tenho presente na minha memória toda a disposição da casa, do jardim e do quintal e felizmente que assim é pois não existem fotografias da mesma. Os meus avós habitavam o primeiro andar. Depois de aberto o portão, a entrada, para familiares e amigos, fazia-se sempre pelas traseiras, por uma escada que dava acesso imediato à cozinha. A entrada pelo lado frontal fazia-se por uma escadaria que partia do jardim, sempre florido (lembro-me particularmente das dálias…), entrando num pequeno hall de onde partia uma escada de madeira para o sótão, com uma porta rematada com vitrais coloridos. Desse átrio passava-se ao corredor, com divisões de ambos os lados, que terminava na sala. Da sala podíamos passar à cozinha e descer ao quintal. A casa de banho era enorme, quase tão grande como a sala e, certamente, maior do que os quartos…
O andar de baixo estava alugado. O meu avô, sempre com olho para o negócio e porque não necessitava de ocupar toda a moradia, alugou o rés-do-chão. Ao fundo do quintal habitavam os caseiros. Julgo que não pagavam renda, mas tratavam da horta e das capoeiras ainda que não fizessem desse trabalho modo de vida. Ao fundo da propriedade, para lá de um pequeno portão, podia ver-se uma ribeira, que “teima” em continuar a passar rigorosamente no mesmo sítio, mas sem o aspecto sombrio que tinha quando se ocultava no caniçal…
Recordo, saudosa e tristonha, as tardes de domingo da minha infância. Cumprimentados os meus avós e uma prima direita do meu avô que com eles vivia, olhava intrigada para o cenário invariável da sala e para os seus singulares ocupantes. A prima do meu avô e a minha avó, sentadas à mesa oval, viam televisão, enquanto um gato preto dormitava aos seus pés. O meu avô descansava no seu cadeirão, junto à janela, devidamente escudado por um modesto biombo, que, segundo ele, o resguardava de correntes de ar. Domingo após domingo, a cena e os personagens permaneciam no estado em que os tinha encontrado na semana anterior, inalteráveis, como se aquela sala, imutável, tivesse parado no tempo…Recordo, saudosa e tristonha, as tardes de domingo da minha infância. Depois de confirmar que tudo estava inalterado, corria para o quintal à procura de companhia da minha idade. Geralmente, os filhos dos caseiros andavam por ali e com eles brincava e explorava o quintal. Quando não os encontrava, ocupava o tempo junto ao tanque abastecido de água pelo moinho metálico de vento, sem compreender o seu funcionamento, mas maravilhada pela sua eficácia. Ali ficava, perdida nos meus rudimentares pensamentos infantis, olhando as pás que se moviam ora depressa, ora devagar, até o meu pai me chamar.
Recordo, saudosa e tristonha, as tardes de domingo da minha infância. Tardes simultaneamente rotineiras e divertidas…
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Gosto...e não se fala mais nisso! (27)
…do cheiro a relva aparada
…do cheiro a terra molhada
…do cheiro do pão quente
…do cheiro a roupa lavada
…do cheiro de um livro novo
…do cheiro a maresia
…de escrever com lápis escuro e afiado
…de ouvir o ronronar dos meus gatos
…de dormitar no sofá
…do silêncio
Tempo de “vacas magras”
Não sou partidária de Salazar, mas é impossível não admitir que foi um estadista que suplanta todos os políticos que nos têm governado, para além de ter sido um economista notável. Claro que houve um lado negro do salazarismo, um regime conservador e autoritário com características fascistas, que não senti na pele porque era ainda muito jovem, que intervinha na vida dos cidadãos desprezando a liberdade individual. Apesar da minha juventude vivi a revolução dos cravos com entusiasmo. Actualmente, quando olho para este jardim à beira-mar plantado e ao estado a que isto chegou, parece-me que só voltaríamos a ser um país verdadeiramente soberano com um Salazar por cada Junta de Freguesia… (ih ih ih). Claro que houve um lado escuro do salazarismo, mas, desde o 25 de Abril, não há quem saiba governar-nos, há quem se vá governando à custa do povo… Em vez de “orgulhosamente sós”, estamos “orgulhosamente” a prestar vassalagem à Europa e às potências estrangeiras. Agradeço que não façam comentários provocadores à minha liberdade de pensamento…