quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Obras em marcha!?

Obra a obra num cemitério!
Será que foi aqui que deram início à demolição do denominado “corredor da morte”, no Bairro do Condado, Zona J de Chelas?
Obra a obra num cemitério!
Não está mal pensado… como a mão-de-obra está pela hora da morte (esta foi má…) pode ser que os “locatários”, por obra e graça do divino Espírito Santo, não se importem de fazer uma obra de misericórdia e metam mãos à obra…

Não deixem que isto se torne numa obra de Santa Engrácia! Vá lá… toca a fazer uma obra de referência! É que de boas intenções o inferno está cheio!
Vão pintar os jazigos? Isso é que vai ser um bico-de-obra… Eu aconselharia um vermelho “vivo” ou um azul “celeste”…

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Caixinha de surpresas

Quando julgo que o meu pai está completamente alheado e indiferente a tudo, apanha-me desprevenida e zás… ataca de surpresa!
Quando julgo que o meu pai já não me pode surpreender, apanha-me desprevenida e zás... surpreende-me!
Consegue surpreender-me… com 96 anos e doente! E consegue fazê-lo com alguma classe…
Ainda no hospital, pediu ao meu irmão para lhe levar um jornal. Quando lhe perguntei se o tinha lido, disse-me que tinha feito uma leitura à vol d’oiseau
Perante o meu ar ignorante, explicou-me que era uma expressão (idiomática) francesa que queria dizer “olhadela rápida”, “de relance”, “vista de olhos” (o mesmo que ler na diagonal).
Fiquei atarantada, a sério… Achei espantoso o facto de aquilo lhe ter saído sem qualquer esforço no meio do discurso, para além de continuar a contribuir para os meus conhecimentos.
Já em casa, depois de lhe ter dado uma explicação, sobre qualquer coisa que já nem recordo, perguntei-lhe se tinha percebido (deveria ter dito “ouvido”, porque ele é surdo). Respondeu-me, como se eu o estivesse a tomar por tonto: “Ouvi o que tu disseste e, como o ouvido médio está ligado ao cérebro, percebi muito bem…”
Fiquei perplexa!
Não que a dedução tenha algo de excepcional ou transcendente, mas porque foi feita com uma grande clareza de raciocínio…

Quarenta e cinco anos...

... de humor delicioso e mordaz

sábado, 26 de setembro de 2009

Message in a bottle (22)

Excertos de “Votar para ter o direito a refilar”
(por Isabel Stilwell)

Olho para os cartazes e já não suporto aquelas carinhas. Não é nada de pessoal contra ninguém, mas deixam-me a sensação de que há meses e meses e meses que estão ali a olhar para mim, com o seu melhor sorriso estampado no rosto e um slogan insuportavelmente previsível.

Perante asfixias democráticas e Watergates dos Pequeninos, vergasto-me por ter alimentado a ilusão de que os nossos políticos aprenderiam alguma coisa com o Esmiuçar os Sufrágios. E suspiro pelo facto de o verdadeiro humor, com a inteligência e o bom senso que lhe é subjacente, não ter concorrido às eleições, porque garanto-vos que era ele que levava o meu voto.

Reconheço que as pessoas estão mobilizadas e gosto disso. As audiências dos debates institucionais provaram que estão interessadas em conhecer as ideias dos diferentes partidos, que procuram perceber quem “está mais perto de si” e será mais capaz de o servir (porque a política é um serviço ao eleitor, e não o contrário, embora se alguns dos candidatos tivessem consciência disso, demitiam-se já).

Quando não votamos entregamos a outros o nosso direito a escolher, e depois, e esta é a parte que mais toca, perdemos o direito a refilar. E esse é, decididamente, um direito de que nenhum bom português está disposto a abdicar.

Em reflexão eleitoral


sábado, 19 de setembro de 2009

“Meu querido mês de Agosto”…(4) (uma das foleirices que há em mim)

Ainda durante o mês de Agosto fui até ao Baleal.
Tive a sensação que estava a chegar ao Baleal pela primeira vez, como se nunca lá tivesse estado...
Não ia lá há tantos anos que nem sei o que pode ter mudado durante, pelo menos, duas décadas, mas não tenho dúvidas que terá mudado, pois tudo muda na sua posição relativa… Decididamente está bem diferente daquilo que eu terei conhecido na minha infância, isto é, aqui há um par de anos atrás, isto é, talvez ontem ou no mês passado…

A “ilha” do Baleal está ligada ao “continente” por uma faixa de areia muito fina a que damos o nome de tômbolo (para que se saiba, Peniche também é um tômbolo). Esta língua de areia separa duas praias. A praia do lado norte que, por ter águas mais agitadas, me pareceu a eleita dos surfistas (bandeira vermelha) e a praia do lado sul, um extenso areal que se espraia até Peniche, com águas um pouco mais tranquilas (bandeira amarela).
Parece que há muitos anos, quem frequentava o Baleal tinha que esperar que a maré baixasse para poder atravessar a língua de areia porque na maré-cheia, as águas das duas praias juntavam-se e a travessia podia tornar-se perigosa. Hoje em dia, isso ainda pode acontecer periodicamente.

A temperatura da água surpreendeu-me… Pensei encontrar uma água de fazer doer os ossos mas, contrariamente ao esperado, estava razoavelmente fresca…
Imaginei que uns dias no Baleal seriam balsâmicos tanto para o corpo como para a alma…
Quando cheguei estava uma manhã mais ou menos ensolarada, o que é raro acontecer, mas a falta de Sol será sempre compensada com o agradável e forte cheiro a maresia.

A caminhada, despreocupada, que fizemos até à “ilha”, revigorou-me e inspirou-me…
Há um lado da “ilha”, com vista para as Berlengas, que encara o oceano majestoso e bravio. Apeteceu-me ficar ali a contemplar aquele mar, sem pressa, como se nada mais tivesse para fazer a não ser contemplá-lo em toda a sua indomesticável beleza…

Se eu habitasse esta “ilha”, era precisamente deste lado que eu gostaria de viver, com um olhar privilegiado para aquela linda vastidão de água azul… mas sentir-me-ia feliz numa daquelas casinhas com vista para o outro lado da “ilha”. Vi algumas com pequenas varandas viradas para o mar que eram perfeitas… Cheguei mesmo a imaginar-me sentada numa delas, a ler e a escrever. Não consigo deixar de sentir inveja dos proprietários destas casas à beira-mar e sobre o mar… queria adormecer embalada pelo canto poético das ondas e pela essência eterna da maresia…
Ficámos fascinados pelas portadas invulgares de umas janelas. Uma autêntica delícia, uma verdadeira preciosidade… Enquanto falávamos com a dona da casa, tirei uma fotografia para copiar a ideia para quando a minha fantasia, de ter uma casa virada para o mar, se tornar uma realidade… a vida dá tantas voltas, reserva-nos tantas surpresas…

Se à paisagem magnífica e singular, juntar o característico perfume marinho, mesmo nos dias de neblina, indubitavelmente que os dados estão lançados para que as ideias e pensamentos comecem a fluir…

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Este país não é para velhos

Ao contrário do que possa parecer, não vou escrever sobre o filme que conquistou o Óscar de melhor filme, em 2008.

Cheguei da viagem a Barcelona no domingo à noite e soube que o meu pai tinha dado entrada na urgência hospitalar, nessa tarde.
Ontem, fomos para o hospital às 10h:30m, hora que tinham apontado, ao meu irmão, como a melhor para tomar conhecimento da avaliação clínica do doente. Fomos informados de que o meu pai tinha feito novos exames às 9h:30m e que teríamos que esperar até às 11h:30m…
Lamentavelmente, o meu pai saiu da urgência, para internamento no SO, às 18 horas e não houve um único profissional de saúde que nos tenha esclarecido, nem o motivo concreto de tamanha demora, nem do quadro clínico do meu pai…
Foram sete horas e trinta minutos no hospital, foram sete horas e trinta minutos de ansiedade, não, de completa angústia.
Chorei quando o vi. Com soro e algaliado. Um velhinho tão velhinho, tão fragilizado, tão vulnerável, tão carente…
Na urgência, as macas, quase todas com velhinhos, ocupavam cantos, recantos e corredores.
O meu pai, o mais velhinho de todos os velhinhos, aguardou numa maca desconfortável.
O meu pai, o mais velhinho de todos os velhinhos, estava desidratado, tinha sede, a boca sempre seca. Por sorte eu estava lá… Para um idoso é uma sorte ter alguém, sempre por perto, que o acompanhe naquele “depósito” de velhos…
Julgo que se a morte chegar devagarinho, poderá levar um daqueles velhinhos e ninguém dará por isso… e o meu pai, o mais velhinho de todos os velhinhos, lúcido e preocupado por estar a dar trabalho e a incomodar… Chorei ao vê-lo na mais profunda decadência física…
No SO, o cenário não é melhor. As macas continuam a ocupar cantos, recantos e corredores.
Na verdade, o nosso sistema de saúde não dá resposta nem aos doentes nem às famílias dos doentes e a classe médica não ajuda a melhorar a situação. A grande maioria da classe médica é antipática, arrogante, insensível, totalmente desprovida de solidariedade e de uma falta de ética profissional que até dá raiva.
Curiosamente, o segurança tentou animar-me numa das minhas crises de choro…
Curiosamente, os veterinários dos meus gatos são afectuosos e encantadores. Comparar um médico veterinário com um médico é o mesmo que comparar a Bela com o Monstro! Sei que há bons e maus profissionais mas, o que leva alguém a escolher um curso de medicina, por sinal bem complexo, se não for amor pela vida, pela humanidade? Não quero perder tempo a meditar sobre isso...
Hoje, só foi possível ver o meu pai às 19h:15m… Foi transferido do SO para a enfermaria. Felizmente eu estava lá para o acompanhar. Continuamos sem ter informações consistentes sobre o seu estado de saúde. É inadmissível! Eu até podia fazer uma “peixeirada” mas, penso que só iria piorar as coisas.
De que nos serve a esperança média de vida aumentar se não temos qualidade de vida na velhice?
Decididamente, este país não é para velhos…

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09-09-09…

…é para muitos, especialmente para os chineses, o dia mais esperado do ano. Os chineses associam o número 9 a sorte e sucesso, pelo que esperam que este raro momento do calendário marque a diferença no rumo das suas vidas.
O número 9 (gau), está associado a longa duração
Sei que são chinesices mas, a avaliar pelos meus pais, tenho que me render às evidências e dar-lhes alguma razão…
O meu pai nasceu a nove do mês nove, assim como a minha mãe, e fazem hoje, respectivamente, 96 e 89 anos…lúcidos!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Inimigos Públicos 2

O segundo filme apresenta muitas diferenças em relação ao filme anterior...
Previsivelmente, não será um êxito de bilheteira!

Haverá por aí algum candidato a Melvin Purvis?...

Dou óptimas referências!

Experiência não me falta, nem formação académica…
Professora Doutora (por extenso).

O meu Curriculum Vitae e prática vão fazer toda a diferença.
Ponham-me à prova!

Gosto...e não se fala mais nisso! (13)

Magnólias


Dia Mundial da Literacia...

…assinala-se hoje.
Cerca de 75 milhões de crianças em todo o mundo continuam sem acesso ao ensino.
Em Portugal, nove em cada cem portugueses continuam sem saber ler nem escrever.
Até custa admitir que, ainda hoje, um país da União Europeia tenha um milhão de analfabetos e ainda custa mais aceitar quando esse mesmo país é o nosso…

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Livros e Mar: eis o meu elemento! (16)

Comecei a lê-lo hoje, numa curta viagem de comboio, e acabei-o na minha hora de almoço.
Ao contrário do tamanho das letras, o livro não é grande, mas entusiasmou-me logo a partir do primeiro parágrafo.
Disse-me, quem leu, que era um livro intimista e é verdade. Deu-me a conhecer uma nova faceta do autor que, escrevendo na primeira pessoa, se revela emocional, afectivo, nostálgico e amargurado. Neste livro é perceptível a importância de uma pessoa, não quando estamos com ela, mas quando sentimos a sua falta…
Esta viagem sem regresso cativou-me pela forma admirável como está escrita e comoveu-me, não fosse eu uma eterna apaixonada e sonhadora…
Esta viagem sem regresso durou, sensivelmente, seis semanas, mas como dizia Fernando Pessoa, o valor das coisas não está no tempo que duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.


Há viagens sem regresso nem repetição. Éramos donos do que víamos: até onde o olhar alcançava, era tudo nosso. E tínhamos um deserto inteiro para olhar. Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.

domingo, 6 de setembro de 2009

A minha onda (12)

Em contagem decrescente

dias para Barcelona!

Livros e Mar: eis o meu elemento! (15)

Um livro excelente, que desmistifica a Índia lírica que idealizamos. Deixo uma pergunta no ar: Como é que Aravind Adiga, de 35 anos, que viveu parte da sua vida na Austrália e nos Estados Unidos, consegue narrar, com tanto detalhe e intensidade, as desigualdades socioculturais da Índia? Não me canso de classificar este livro como excelente...

"O Tigre Branco" arrebatou por unanimidade o Man Prémio Booker Prize de 2008, um dos mais prestigiados galardões literários a nível mundial. Ainda antes da sua nomeação para o prémio, era já apontado como um dos melhores romances do ano e Aravind Adiga como uma grande revelação e um extraordinário romancista. Romance de estreia, entrou de imediato nas preferências dos críticos, que o classificaram como "uma estreia brilhante e extraordinária". O livro revela uma Índia ainda muito pouco explorada pela ficção, a Índia negra, violenta e exuberante das desigualdades socioculturais. Toda a obra é uma longa carta dirigida ao primeiro-ministro chinês, escrita ao longo de sete noites. O autor da carta apresenta-se como o tigre branco do título, e auto-denomina-se um "empreendedor social". Descrevendo a sua notável ascensão de pobre aldeão a empresário e empreendedor social, o autor da carta, Balram, acaba por fazer uma denúncia mordaz das injustiças e peculiaridades da sociedade indiana. Fica assim feito o retrato de uma sociedade brutal, impiedosa, em que as injustiças se perpetuam geração após geração, como uma ladainha que se entoa incessantemente ao ritmo de uma roda de orações. São muito poucos os animais que conseguem abrir um buraco na vedação e escapar ao destino do cárcere eterno. O Tigre Branco é um deles.


sábado, 5 de setembro de 2009

Memórias e Afectos (35)

Quando era menina, gostava muito de comprar estampas semelhantes a estas. Algumas eram mais caras porque tinham purpurina prateada... eram tão bonitas!
Colocava-as, cuidadosamente, dentro do livro de leitura. As minhas colegas também tinham as delas e depois fazíamos trocas, consoante o gosto pessoal de cada uma...

Algumas nunca chegavam a ser trocadas porque eram lindas e considerava-as preciosas...

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

“Meu querido mês de Agosto”…(3) (uma das foleirices que há em mim)

Há pontos que visitamos impreterivelmente nas férias de Verão, como, por exemplo, a feira do artesanato (ou atrasanato…) da Manta Rota, expoente máximo dos tesourinhos deprimentes ou a bela da barraca do cigano, onde compramos calções de praia…
No entanto, existem dois sítios que são assim como uma espécie de ritual, direi mesmo que são locais de culto…
O que encontro mais semelhante, a esta nossa romaria anual, é a peregrinação realizada à cidade santa de Meca, obrigatória pelo menos uma vez na vida dos muçulmanos…
Não falha, todos os anos vamos a Ayamonte e sempre com a mesma finalidade, ir ao “Abreu”… uma loja de produtos de higiene pessoal, entre outras coisas mais ou menos dentro do mesmo género. É deprimente? É, mas eu gosto!...

No “Abreu”, compramos, essencialmente, gel de banho… ao preço da chuva! Grandes frascos de gel que em Portugal não conseguiríamos comprar por menos de 4 euros, compram-se por 1,80 euros…e a relação preço, qualidade, não poderia ser melhor! Além disso, tem uma enorme diversidade de marcas. Habitualmente, trago meia dúzia, mais coisa menos coisa, mas houve um ano que trouxe, nada mais, nada menos que… 15 embalagens de gel! Um exagero… Parecia candonga mas era mesmo para uso próprio e não imaginam a quantidade de portugueses que lá vão, comprar o mesmo que eu…
Isto dava para um estudo de mercado (se calhar, negro…).
Outro dos lugares, alvo da nossa peregrinação anual, é a “Casa Joaquín”, em Pozo del Camino (a caminho da Isla Cristina).

O que nos leva a este restaurante, tão escondido que é difícil, para quem não conhece, dar com ele? A comida celestial, sendo a que me gusta más, papas arrugadas com mojo picon… (batatas cozidas com pele e molho picante). A mí me gusta, a mí me encanta… y por supuesto quiero siempre muchas… E depois temos também el queso manchego, el jámon… Qué tal? Vale! Vale!

Disse que é bastante difícil dar com a “Casa Joaquín”. Felizmente, é verdade! E é bom que assim continue, pois já existem portugueses que cheguem para encher o restaurante, durante todo o Verão… e as salas são grandes!
Se eu podia viver o “meu querido mês de Agosto” sem “Abreu” e sem “Joaquín”?
Poder, podia, mas não era a mesma coisa…

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

“Meu querido mês de Agosto”…(2) (uma das foleirices que há em mim)

Não sei se a crise terá, mais uma vez, culpas no cartório, mas pareceu-me que havia menos índios na Manta Rota do que no ano passado. Talvez tenham, apenas, optado por outro destino de férias, como Espanha, Brasil, Cabo Verde, terra natal…
Se não tivesse oportunidade de ir para o Algarve sem pagar alojamento, julgo que levaria à letra a máxima do Vá de férias cá dentro e passava as férias em casa… Para dar mais veracidade à coisa, ou seja, para ter a sensação de estar mesmo de férias, bastavam umas pequenas alterações à rotina, sendo a rotatividade de quartos a primeira a implementar para nos dar a ilusão de acordarmos num novo quarto de hotel, todos os dias… Aqueles CD’s de música relaxante, do estilo ondas a espraiarem-se no areal, também seriam uma decisão inteligente se fossem acompanhados por banhos de imersão, em biquíni ou fato de banho…
Não vou alongar-me mais nestes desvarios mas que eu era capaz de continuar para aqui a delirar, lá isso era…
Pois as semaninhas passadas na Manta Rota foram do melhor. Bom tempo e uma água de fazer inveja ao Mediterrâneo, transcendendo-o mesmo, quase de certeza, no que diz respeito à ondulação… Sei que há muitos adeptos de mar flat mas, para mim, ondas e temperatura da água a 24 graus são condições sine qua non para uns banhos de praia perfeitos, não esquecendo a maré cheia que será a “cerejinha no topo do bolo”!
No ano passado, fomos passar o dia à Ilha da Culatra. Esse dia foi referido, num post, a
28 de Agosto de 2008.
Geograficamente a Culatra e o Farol (Farol de Santa Maria, o farol mais meridional de Portugal) formam uma única ilha mas as praias, propriamente ditas, distam entre si 15 minutos de barco…
Estivemos no Farol há dois anos e o dia revelou-se como o melhor dia de praia dessas férias. Na nossa opinião, estas ilhas, na Ria Formosa, eram um autêntico éden para quem gosta de passar um dia na praia. Eram…
Acontece que, o facto de terem sido citadas em algumas revistas, fez com que estes paraísos fossem tomados de assalto e as condições de veraneio não acompanharam este aumento súbito de maralha…

Culatra (continuem a andar, é sempre em frente...) e Farol

Este ano voltámos ao Farol e, com excepção do Z.C., achamos que já não compensa…
A praia do Farol tem 2 apoios de praia, ao contrário da Culatra que não tem nenhum. No entanto, nenhum desses apoios têm por perto uma casa de banho… Quem tiver cólicas, e isso aconteceu com um de nós, tem que se deslocar até ao restaurante que existe junto ao casario, na ilha…
Imaginem um parolo, sem chinelos, (também não lembra ao diabo, caraças…) a correr na areia escaldante até às passadeiras de cimento, igualmente escaldantes, para encontrar alívio intestinal… Uma imagem semelhante a um lagarto a correr, aos pulinhos, no deserto…
Sabíamos que os dois últimos barcos, de regresso a Olhão, eram às 18.30 e às 20.00 horas. Optámos pelo penúltimo e qual não foi o nosso espanto ao ver, chegando ao cais, uma fila enorme de pessoas. Percebemos, depois de alguma espera, que uma parte dessas pessoas não tinha conseguido ir no antepenúltimo barco…o que nos levou a pensar que não iríamos no barco das 18.30 que estava a chegar ao cais, naquele momento…
E pensámos bem, pois estas alminhas ficaram, como tantos outros, na fila de espera para o último barco.
Com o passar do tempo, começámos a abancar e a tirar, das mochilas e sacos, os restos do farnel que tínhamos levado para a praia…Nós e o resto do povinho, porque quando dá a fome a um português, dá logo a mais dois ou três.
Aproveitámos o imprevisto para conversar, rir, ler, jogar às cartas e até tirar umas fotografias, para mais tarde recordar esta peripécia. Afinal de contas, férias são férias, pressa e horários são palavras que não fazem parte do vocabulário estival e, por alguma razão se chama a esta estação do ano, a silly season
Conseguimos entrar no barco das 20.00 horas. Ainda ficou gente no cais!!...
O Sol, atento e tentando minorar aquele pequeno contratempo, desaparecia no horizonte, presenteando-nos com um espectáculo único na Ria Formosa…

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Neste dia

Há 70 anos, a Alemanha invadiu a Polónia, sem declaração de guerra, usando uma estratégia militar revolucionária. A manobra ficou conhecida por Blitzkrieg (Guerra Relâmpago). O grande trunfo da campanha militar alemã foi o blindado Pzkpfw ou Panzer, palavra alemã para "armadura".

Dois dias depois a Inglaterra e a França declararam guerra à Alemanha, fazendo eclodir a Segunda Guerra Mundial.
Esta guerra envolveu países de todos os continentes e transformou o mundo...


Em 1972, Bobby Fischer vence Boris Spassky no Campeonato Mundial de Xadrez.
Fischer, jogando com as brancas, era adepto da Abertura do Peão de Rei, a qual defendia com a seguinte citação Best by test.


Eu tinha 15 anos e vibrei com este campeonato. Segui-o diariamente...

A verdadeira mãe...

galinha...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Reservado à Indignação (13)

Quando cheguei das minhas férias, no sotavento algarvio, fui “obrigada” a deslocar-me ao posto de saúde da minha área de residência. O impacto da chegada foi o suficiente para me pôr doente, coisa de pouca gravidade mas, o stress pós férias traz sempre problemas e sequelas…
Fui a uma daquelas consultas de urgência das 18 às 20 horas. Pomposamente, chamam-lhes Atendimento Complementar. Como cheguei às 17.45 já não havia senhas para esse dia. Fiquei a saber que as senhas eram distribuídas às 17.30 pelo segurança que se encontra à porta do centro e essa distribuição era feita pela ordem de chegada dos utentes. Claro está que muito antes das 17 horas e 30 minutos já está pessoal à espera de vez.
Tive mais sorte no segundo dia. Cheguei às 16.45 e já tinha sete pessoas à minha frente…
Sei que o nosso sistema de saúde não funciona mas, a razão da minha indignação, desta vez, não se prende com o sistema. E digo desta vez porque é perfeitamente natural que um destes dias me indigne com o sistema propriamente dito (com tanta gente contra o sistema não sei como este ainda não se suicidou…).
Curiosamente, apesar de ser o oitavo utente, fui o 4º doente a ser atendido… Deus é grande e resolveu dar-me uma benesse, já que não tenho sorte nas filas do supermercado…
Como os doentes são divididos por vários gabinetes, quis a fortuna que eu fosse calhar no gabinete do médico que chegou mais cedo…
So far so good mas basta um grão de areia na engrenagem para tramar tudo…
Ouvi chamar o meu nome e entrei. A médica que me atendeu deveria rondar os cinquenta anos e não vou revelar o nome apenas para não envergonhar a classe médica. Mandou-me sentar e mascando pastilha elástica, repito, mascando pastilha elástica de boca aberta, perguntou-me de que mal padecia.
Apeteceu-me responder-lhe, com uns arrotos pelo meio, que sofria de flatulências…embora não fosse essa a minha maleita…
Depois de lhe ter dado uma brevíssima explicação, ouvi o “veredicto” e, entre algumas mastigadelas, o modo de administrar os medicamentos que deveria tomar. Mascando, despediu-se dizendo as m’lhoras
Só faltou fazer um daqueles enormes balões que rebentam com um estalinho agudo…
Achei aquele comportamento de uma enorme falta de educação e uma desconsideração para com os doentes.
Espero, sinceramente, que o doente atendido depois de mim lhe tenha tossido para cima e feito queixa na Autoridade da Concorrência… porque a senhora estava, inequivocamente, a concorrer com um bovino… isto, para não lhe chamar vaca, porque eu sou uma lady

Memórias e Afectos (34)

Praias – 3ª parte: Juventude (Nova Temporada) /Adulta (mas pouco…)

Armação de Pêra!
Como diria o Malato, fui muito feliz em Armação de Pêra.
O meu primeiro contacto com esta praia algarvia foi no início da década de 70, quando namorava com o Q. Os pais dele foram passar o mês de Agosto ao Algarve, mais propriamente a Alcantarilha (a três quilómetros de Armação) e os meus pais resolveram ir até Armação de Pêra. O Q. e eu conseguimos, sem esforço, passar esse mês de férias sempre juntos. Os pais, de ambos os lados, acabaram por se conhecer e simpatizar uns com os outros, o que veio a ser muito útil, pois enquanto eles se divertiam juntos, nós aproveitávamos para namorar… Gostámos tanto que este namoro durou três anos, acabou, e ainda voltámos a namorar outra vez… Depois cada um seguiu o seu caminho.
Nesse tempo ainda existia casino em Armação de Pêra (mais tarde viria a ser ocupado por retornados das colónias) e dei lá vários passinhos de dança. Numa dessas noites, os nossos pais estavam presentes e ainda hoje recordo, com um sorriso, o olhar furioso do meu pai ao ver-nos dançar agarradinhos na pista de dança… Eu sabia que depois de sair dali teria “sermão e missa cantada” mas sentia-me tão feliz e enamorada que não deixaria que nada nem ninguém estragassem aquele momento único e mágico... O Q. foi, sem margem para dúvidas, o namorado que me deixou as melhores recordações. Esteja ele onde estiver, espero que seja muito feliz…tão feliz como eu fui nessa época!

Voltei a Armação de Pêra nos anos seguintes, com pais, tios, primos, às vezes irmão, cunhada e sobrinha. Alugávamos uma casa e aí passávamos um mês de férias. Continuava a namorar o Q. Foi o único período da minha vida em que escrevi cartas de amor, talvez ridículas… mas não seriam cartas de amor se não fossem ridículas…
Nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, esta praia continuou a ser a nossa praia de eleição e lembro-me bem de algumas frases que apareciam escritas nas paredes, pelos anarcas. A melhor, para mim, foi esta: Fascistas veraneantes! Armação conhece-vos e não vos quer cá! Rua!
Naturalmente nunca ligámos a estas “ameaças” e continuámos a fazer as férias de Verão nesta praia que tão bem conhecíamos, chegando mesmo a fazer algumas amizades. Cabe aqui dizer que Armação de Pêra era uma praia com bastante afluência mas ainda muito pacata, comparando, certamente, com o que será actualmente. O hotel Garbe e o hotel Levante, este último já na saída para Porches, eram, na altura, os grandes hotéis que serviam esta praia.

Casei no começo dos anos 80 e tive a minha primeira filha nos finais desta década. Armação de Pêra não deixou de ser a praia da nossa preferência. Só depois do nascimento da minha segunda filha deixámos de ir passar férias a Armação. A construção civil desgovernada fez desta vila um local demasiado tumultuoso e descaracterizado para o meu gosto, o minigolfe, onde passei bons momentos de lazer, foi deixado ao abandono. As casinhas tradicionais foram dando lugar à ganância do betão e as semelhanças intragáveis com a zona de Albufeira acentuaram-se.
Armação de Pêra deixou, assim, de fazer parte do meu destino de férias…
Um dia hei-de voltar, com o areal deserto e só meu…
Um dia hei-de voltar e os meus pezinhos, na areia, deixarão, novamente, pegadas, pegadas que farão parte das recordações daquela praia…

Rentrée

Eu não me importo de vir trabalhar...

...mas ter que esperar 8 horas para voltar para casa é demais…


domingo, 30 de agosto de 2009

J.D. vs J.D.

Depp encarna bem Dillinger... e a caracterização pareceu-me perfeita.
John Dillinger (Johnny Depp) é um famoso gangster.
Melvin Purvis (Christian Bale), como agente do FBI, utiliza alguns métodos pouco louváveis...
Dillinger foi morto numa emboscada. Anna Sage estava com problemas de imigração e fez um acordo com Purvis e o FBI para o apanharem. Em troca não seria deportada para a Roménia.
Não fiquei a saber no filme mas investiguei e, mesmo tendo colaborado com o FBI, Sage foi deportada... Bem feito!! O "rapaz" só assaltava bancos, nunca deixou ficar mal nenhum dos seus amigos... Além disso, talvez porque os americanos culpavam os bancos pela grande recessão económica mundial (Grande Depressão), Dillinger era visto, por alguns, como um herói nacional...

Se quiserem saber mais, vejam aqui.
Depois de ver o filme...

fiquei com vontade de ler o livro de Bryan Burrough Inimigos Públicos sobre a Grande Onda de Crimes e o nascimento do FBI, 1933-34).

sábado, 29 de agosto de 2009

Final de férias "eléctrico"...

Bom... eu já não estou de férias, estou, como todas as pessoas que não estão de férias, de fim-de-semana...
Mas que o dia de hoje foi eléctrico, lá isso foi... Estão a pensar que foi um dia agitado e vertiginoso? Desenganem-se...
Para falar com franqueza, foi mesmo um dia eléctrico...ou melhor, um passeio eléctrico...
Ora vejam!

Quarenta e cinco minutos de prazer, viajando no eléctrico vermelho (antigamente havia quem lhe chamasse moscovita...) secular que liga Sintra à Praia das Maçãs... Foi delicioso! Passear, naquela carruagem aberta, foi uma "aventura" refrescante por dentro da vegetação, num percurso de treze quilómetros.
Chegar à Praia das Maças podia fazer-se de olhos vendados. O cheiro intenso a maresia e a brisa fresca que se faz sentir dispensam olhares... Ah...o cheiro a maresia é uma coisa que a maioria da costa algarvia não tem.
O cheiro a maresia é tão intenso que quase consigo saboreá-lo... Divinal!

Eram muitas as pessoas, tanto na ida como no regresso a Sintra.
Quase me senti a fazer uma viagem no tempo...

Felicitando...

Há 21 anos, o Chiado deixou de ser o mesmo.
Também há 21 anos eu deixei de ser a mesma.
Nasceste e eu passei a ter o privilégio de ser tua mãe.
Obrigada A. por seres uma filha maravilhosa.
Goza a vida, não te esqueças que os anos passam e os dias voam…

Parabéns!

Também a “avó” O. faz hoje anos, 92 anos…
Liguei-lhe. Não estava à espera que ela estivesse com tantos lapsos de memória…
Não quero falar mais no assunto. Fiquei emocionada…
Parabéns à “avó” por adopção…

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Interrupção voluntária das férias...

...para relembrar o dia em que Lisboa parou e chorou.
Naquela manhã, as rádios anunciavam Lisboa está a arder.

Depois das chamas restaram os escombros e um cenário desolador...
Actualmente, o Chiado, que Siza Vieira reconstruiu preservando algumas fachadas originais, é um importante centro de comércio da cidade de Lisboa.

No entanto, na madrugada do dia 25 de Agosto de 1988, o Chiado nunca mais voltou a ser igual...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Reservado à Indignação (12)



Observem com atenção a data desta factura...

Faz precisamente 16 anos que jantámos nesta cervejaria, na Praia das Maças.

A moeda em circulação era ainda o escudo...
Observem bem o preço...

Quando veio a factura, desatámos a rir... não acreditávamos que isto nos estava a acontecer... mas estava, foi real...


Éramos oito...
Façam as contas e vejam o valor per capita!!!
Uma verdadeira fortuna!!!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Livros e Mar: eis o meu elemento! (14)


- Albus Severus -disse Harry em voz baixa - tens o nome de dois directores de Hogwarts. Um deles era dos Slytherin e foi provavelmente o homem mais corajoso que alguma vez conheci.



- Vai correr tudo bem - murmurou Ginny.
- Eu sei que vai.
Há dezanove anos que a cicatriz não o incomodava.
Estava tudo bem.



Oh... acabei de ler o livro.
Oh... acabou a saga. Snif, snif...




Porque há factos...

... que não podem nem devem ser esquecidos!



terça-feira, 4 de agosto de 2009

Memórias e Afectos (33)

Não podia estar mais feliz!... O meu coração transborda de felicidade!
Rejuvenesci! Voltei à infância!
Acabei de falar ao telefone com... o senhor Faria!!!
A mesma voz, a mesma simpatia, a mesma rectidão e a mesma gentileza...
Mentalmente e com facilidade, imaginei-o a sorrir, e pela satisfação que lhe senti na voz, não tenho dúvidas que os olhos também riam...
Quando o ouvi, não consegui evitar que os meus olhos ficassem marejados de lágrimas de alegria...
Foi um prazer imenso voltar atrás mais de quarenta anos... e ver-me, novamente criança, a chegar às Caldas para passar as férias de Verão, e a dizer olá ao senhor Faria, à porta da Farmácia Rosa...
Como é bom recordar...
Até breve!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Memórias e Afectos (32)

Praias – 2ª Parte: Juventude

Na minha mocidade, ou seja, já num outro patamar da minha vida, mudei de praia, embora não tenha sido uma opção minha. Tratou-se, apenas, de uma casualidade.
Em meados da década de 70 era frequentadora diária de cafés, onde ia dar “dois dedos de conversa” com amigos e foi por essa altura que nos cruzámos e fizemos amizade com outro grupo de jovens. Alguns deles costumavam ir acampar para o Algarve, nas férias de Verão, e foi de mochila às costas que eu e a T. nos juntámos a eles, rumo a Lagos.
Como o comboio na ponte era ainda uma quimera, tínhamos que ir de barco para o Barreiro e aí apanhar o comboio. Partíamos, por volta da meia-noite, num comboio que parava em todas as estações e apeadeiros e só chegávamos a Lagos às sete da manhã…Agora, que penso nisso, parece-me quase impossível suportar uma viagem de tantas horas para chegar ao Algarve, mas éramos jovens e não havia nada que nos pudesse chatear, muito menos uma viagem de comboio que durava a noite toda… Que mais podíamos desejar a não ser partir à aventura sem ter os pais por perto?
Julgo que foi na primeira viagem que eu descobri a liberdade…mas nunca deixei que essa liberdade se confundisse com libertinagem.
Mais tarde, os elementos do grupo mudaram mas a rotina permaneceu e todos os anos, no início de Agosto, lá íamos nós, de mochila às costas, a caminho de Lagos.
E todos os anos, enquanto, na escuridão da noite, o comboio atravessava o Alentejo, nós gozávamos a nossa emancipação conversando, rindo e jogando às cartas, até sermos vencidos pelo sono e acordarmos em Lagos, encostados uns aos outros, numa cumplicidade silenciosa e sadia…
Depois de instalados no parque de campismo “Esperança de Lagos”, propriedade, penso eu, do clube de futebol local, era altura de começar a gozar a praia e a trabalhar para o bronze (convém dizer que, nos anos setenta, não se ouvia falar muito de precauções com a pele nem da perigosidade dos raios solares, nem da camada do ozono…).


Praia do Pinhão… A praia do Pinhão surge nas minhas memórias. Uma pequena praia, abraçada por rochas, que consegue acolher uma dose generosa de lembranças.
Foi na praia do Pinhão que a T. se escondeu, quando viu aparecer o barco do M…
Foi na praia do Pinhão que procurámos “abrigo” quando fugimos de Monte Gordo, mais propriamente, do V., com quem eu namorava na altura, e dos seus amigos idiotas…
Foi na praia do Pinhão que os nossos corações bateram com mais intensidade.
Foi na praia do Pinhão que curtimos algumas tristezas e vivemos muitas alegrias.


Nunca mais voltei à praia do Pinhão, mas guardo, numa daquelas gavetinhas que temos no cérebro, todos os momentos inesquecíveis, e num cantinho do coração guardo os momentos mágicos que lá passei…
Tenho saudades da praia do Pinhão, saudades da minha juventude, da vida descontraída e divertida. Saudades do tempo em que as nossas preocupações eram, sobretudo, as paixões, os amores de Verão, as trocas de olhares, os comentários, os risinhos abafados, as promessas de amor e as confidências…
Nessa altura, acreditava na paz, na justiça, na felicidade e no amor eterno…
Presentemente, porque sou uma optimista incurável, continuo a acreditar…

Message in a bottle (21)

Praguejar afasta a dor e dá saúde
(por Isabel Stilwell)

Guardar o ressentimento e a raiva pode ser muito agradável para quem tem a sorte de viver por perto de uma pessoa bem-educada, mas provoca úlceras e enfartes, e explica o número astronómico de antidepressivos e ansiolíticos que Portugal continua a consumir. Solução: seguir os conselhos de um estudo publicado na revista Neuroreport que garante que quando praguejamos suportamos melhor a dor, porque activamos as nossas tácticas de defesa para fazer face ao inimigo. Nesse estudo falam da dor física, mas tenho a certeza de que se aplica também à psicológica.

Praguejar é o melhor remédio
(por Pezinhos na Areia)

Subscrevo na íntegra o texto supracitado porque tenho alguma experiência na Arte de Bem Praguejar a Toda a Vela (quando vou à bolina nada me faz parar…) e, até à data, não houve nenhum laboratório farmacêutico que lançasse um medicamento tão eficaz como esta mezinha caseira… Praguejar é mesmo um remédio santo!

Blogo, logo existo!




Faz hoje um ano, aceitei o desafio das minhas filhas.

Faz hoje um ano, coloquei 3 “post”.
Hoje tenho 313, 314…

Considerando que alguns “post”, para não dizer muitos, valem por 3 ou 4, atrevo-me a escrever, sem um pingo de modéstia, que tenho “trabalhado” muito bem…

Faz hoje um ano, passei a ser “blogodependente”…

Obrigada pelo apoio e por acreditarem em mim.

domingo, 2 de agosto de 2009

Memórias e Afectos (31)

Praias – 1ª Parte: Infância

Li, aqui há uns dias, numa revista, que as praias têm a ver com fases da nossa vida e quando elas terminam parece que esses sítios deixam de fazer sentido.
Não estou inteiramente de acordo. Admito que as praias têm a ver com fases da nossa vida mas, pessoalmente, não aceito a ideia que elas deixem de fazer sentido, apenas porque há fases da minha existência que vão ficando para trás.
Guardo boas recordações das praias por onde tenho passado nas várias etapas da minha vida, Foz do Arelho, Pinhão, Armação de Pêra e Manta Rota mas, sem hesitação, eu diria que, até agora, a Foz do Arelho não se limita a ser uma praia, é a Praia!
É a Praia porque tem uma enorme carga afectiva, porque tenho dela memórias valiosíssimas e únicas, porque lá me sentia parada no tempo, porque é a praia da minha infância…

Fotos “gentilmente roubadas” ao Blog “Águas Mornas”

Era nas Caldas da Rainha que passávamos o Verão, durante a mítica década de 60 e era, portanto, para a Foz do Arelho que íamos a banhos. Saíamos de manhã e geralmente vínhamos almoçar às Caldas, querendo isto dizer que, grande parte dos dias apanhávamos banhos de neblina em vez de banhos de sol mas a verdade é que eu regressava de férias super bronzeada…
Recordo, como se fosse ontem, a estrada da Foz, ladeada de árvores. A minha tia M. guiava bem e quando se enervava pisava muito o acelerador. Lembro-me do meu pai, não querendo ficar malvisto, acelerar atrás dela… Quase não havia carros naquela estrada.
Recordo, como se fosse ontem, a barraca de tecido branco que os meus pais alugavam, assim como os meus tios, assim como a tia J. e o tio Q., que eram só tios dos meus primos. Enfim, cada um tinha a sua barraca mas eram todas seguidas para estarmos perto uns dos outros. Inicialmente íamos para a lagoa e só mais tarde começámos a ir para a aberta.
Recordo, como se fosse ontem, a minha permanência dentro de água até os dedos ficarem engelhados e os lábios roxos (até cheguei a comer pastéis de nata dentro de água…). Os adultos diziam que a água estava muito fria mas para os miúdos estava sempre óptima. Hoje em dia sou eu que estou na pele dos adultos de outrora…
Recordo, como se fosse ontem, os vendedores com as caixas de metal que tinham uns tabuleiros que eles puxavam para que pudéssemos escolher os bolos e os vendedores de batatas fritas em pacotes transparentes e sem identificação do fabricante.
Recordo, como se fosse ontem, quando a minha mãe, sem saber nadar, ficou sem pé e gesticulou pedindo ajuda. Eu e o J. à beira-mar não percebemos que a minha mãe estava numa grande aflição. A sorte da minha mãe e a minha, claro, foi ter tido sangue frio suficiente para começar a dar aos braços até ficar novamente com pé.
Recordo, como se fosse ontem, o jogo do prego, espetando-o de formas diferentes na areia seca, apesar de não me conseguir recordar exactamente das várias maneiras de o atirar.
Recordo, como se fosse ontem, a minha grande alegria quando aprendi a nadar de costas e da sensação deliciosa que era estar em cima do colchão de praia, vermelho, balanceando na água.
Tudo isto são memórias da minha infância que eu recordo como se fosse ontem...

sábado, 1 de agosto de 2009

Primeiro de Agosto

Hoje acordei com uma daquelas manhãs cinzentonas que eu detesto e como sempre ouvi dizer, primeiro de Agosto, primeiro de Inverno... comecei logo a praguejar com tempo, pois as minhas férias estão a aproximar-se.
Mas depressa me passou o mau humor. Bastou-me pensar que, mais vale um mau dia de férias que um bom dia de trabalho...
Essa é que é essa!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Alentejanices e gulodices...

Seguidora assídua do “Águas Mornas”, deparei, aqui há tempos, com um “post” denominado Roteiro Gastronómico, com uma foto do restaurante “O Poço”, em Brotas, propriedade do nosso conhecido Vinagre. Fiquei surpresa! Lido o texto, achei curioso o facto do senhor Vinagre e o Z.V. terem sido companheiros de tropa. O mundo é mesmo pequeno…
Depois disto fiquei com vontade de voltar a Brotas, mais propriamente, ao melhor restaurante do Alentejo para me banquetear com as suas esplêndidas iguarias…desde os ovos mexidos com espargos selvagens, passando pelas migas de espargos e pelo chispe no forno, até aos doces.
Ai aquela sericaia!... E os queijos e os vinhos e tudo e tudo…
Vale a pena fazer tantos quilómetros só para meter a alcofa nas orelhas!...
E a Torre das Águias? Será que já foi recuperada?




















A Torre das Águias, situada na antiga Vila das Águias, freguesia de Brotas, foi erguida no século XVI, no reinado de D. Manuel I. A torre era utilizada para repouso dos fidalgos nas caçadas, que eram frequentes na região naquela época.
Embora desde 1910 esteja classificada como monumento nacional, a verdade é que esta imponente torre estava completamente degradada e continua a ser propriedade privada.
E os bons momentos passados na paradisíaca Barragem de Odivelas e no parque de campismo Markádia?

Este é um local quase obrigatório para os amantes da natureza e para quem aprecia a tranquilidade. Ideal para ler e escrever, alternando com umas braçadas nas águas calmas e calientes da albufeira e com umas caminhadas. Parece que agora até já tem praia fluvial.

Recordo a primeira vez que ouvi falar na Barragem de Odivelas. Barragem de Odivelas? Odivelas? Julguei que estavam a gracejar comigo…
Sim, Odivelas no Alentejo! Santa ignorância a minha…