sábado, 7 de abril de 2012

Message in a bottle (67)

Paris-Telheiras (por João Quadros in Negócios Online)

"Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses."

Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico.
Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti… Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc.
Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras… fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar.
Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl.
Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Project Glass

Google mostra em vídeo um dia com óculos de realidade aumentada.
(Exame Informática)

O projeto tinha sido revelado em fevereiro, mas só agora a Google divulgou um vídeo onde mostra um dia rotineiro de um utilizador dos novos óculos com realidade aumentada. Pelo vídeo, conseguimos perceber que o utilizador vai poder controlar música, receber direções de orientação, tirar fotografias, dar comandos de voz e fazer videoconferências.

O projeto Google Glass foi revelado em fevereiro, pelo New York Times, mas a Google só agora divulgou este vídeo. O projeto está a ser desenvolvido pela divisão Google X. Ainda não se sabe quando é que os óculos poderão chegar ao mercado.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Leitura obrigatória

Em “O Protocolo de Budapeste”, de Adam Lebor, o autor anunciou que se trata de uma obra de ficção, mas acrescentou que se baseia em documentos reais da “intelligence” americana de 1944. “My book’s hero is, of course, a foreign correspondent – what else did you expect?! He discovers that the European Union super-state is a front for a sinister conspiracy hatched in the last days of the Second World War. The Budapest Protocol is fiction, but was inspired by a genuine 1944 US military intelligence report on the Nazi industrialists post-war plans, known as the Red House Report”.

Na edição portuguesa, em 2011, o livro mereceu uma crítica de Filipe Luís na Visão. […] Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redactor do projeto de Constituição europeia. É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.[…]

PB

Uma história de conspiração, sinistra, baseada em documentos de 1944 da “intelligence” dos Estados Unidos que revelam como os líderes nazis planearam um Quarto Reich - não um império militar, mas um económico. Ocupação nazi de Budapeste, Inverno 1944. Os Russos rasgam as linhas alemãs. Miklos Farkas liberta-se do gueto judaico para encontrar comida na sede dos nazis. É-lhe entregue uma cópia roubada do Protocolo Budapeste, detalhando os planos nazis do pós-guerra. Miklos sabe que deve ficar escondido para sempre, se quiser sobreviver.
O livro apresenta Budapeste nos dias actuais. Enquanto a União Europeia lança a campanha de eleição do primeiro Presidente da Europa, Miklos Farkas é brutalmente assassinado. O seu neto jornalista, Alex, põe de lado o seu sofrimento para ir no encalço dos assassinos. Desemaranha-se uma conspiração resfriadora, arraigada nos dias da queda do Reich, aquele que assegurará o domínio económico nazi da Europa - e um plano de um novo Holocausto Cigano.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Gritar em silêncio…

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Fresquinhos…

Acabadinhos de entrar nas “Outras Marés”.

  • Contribuam para a voz da sociedade civil.
  • Percam horas a ver o melhor do marketing de guerrilha.
  • Vagueiem na alma destas ruas e deleitem-se com as suas histórias.
  • Descubram o que está dentro, à volta, antes e depois dos livros…

quinta-feira, 29 de março de 2012

Patronato alemão…

… quer acabar com pausas para fumar.
Mas os patrões alemães não são os primeiros a pensar nesta hipótese. Em Outubro do ano passado, a região belga da Valónia decidiu aplicar restrições às pausas para fumar a todos os seus 10.000 funcionários. Desde então, cada vez que alguém sai para fumar, a ausência é registada e esse tempo descontado no salário.
Este princípio, mais dia menos dia, vai cá chegar…

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Lá virá o tempo em que nas prisões portuguesas (e não só…) só vão estar os criminosos fumadores e, quiçá, pessoal que faz downloads para consumo próprio…

terça-feira, 27 de março de 2012

Let's look at the trailer (25)

Escolham…entre a versão cinematográfica sueca de Niels Arden Oplev com Noomi Rapace no papel de Lisbeth Salander e o remake hollywoodesco de David Fincher com Rooney Mara a substituir Noomi.
Gostei muito do remake. Confesso que ainda não vi a versão sueca, mas quem viu gostou mais da versão de Fincher, embora a escolhida, na personagem de Lisbeth, tenha sido Noomi Rapace…
Depois de ler o livro fiquei com a ideia de que há algo de podre no Reino da Suécia…

domingo, 25 de março de 2012

Livros e Mar: eis o meu elemento! (57)

Stieg Larsson (1954-2004). Morreu subitamente, pouco tempo depois de entregar à sua editora sueca os três volumes da trilogia Millennium. Tragicamente, não viveu para assistir ao fenómeno mundial em que a sua obra se transformou. Uma grande perda para a literatura mundial…

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O jornalista de economia Mikael Blomkvist precisa de uma pausa. Acabou de ser julgado por difamação ao financeiro Hans-Erik Wennerstrom e condenado a três meses de prisão. Decide afastar-se temporariamente das suas funções na revista Millennium. Na mesma altura, é encarregado de uma missão invulgar. Henrik Vanger, em tempos um dos mais importantes industriais da Suécia, quer que Mikael Blomkvist escreva a história da família Vanger. Mas é óbvio que a história da família é apenas uma capa para a verdadeira missão de Blomkvist: descobrir o que aconteceu à sobrinha-neta de Vanger, que desapareceu sem deixar rasto há quase quarenta anos. Algo que Henrik Vanger nunca pôde esquecer. Blomkvist aceita a missão com relutância e recorre à ajuda da jovem Lisbeth Salander. Uma rapariga complicada, com tatuagens e piercings, mas também uma hacker de excepção. Juntos, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander mergulham no passado profundo da família Vanger e encontram uma história mais sombria e sangrenta do que jamais poderiam imaginar.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Livros e Mar: eis o meu elemento! (56)

Recomendadíssimo!

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1914: a Alemanha prepara-se para a guerra e os aliados constroem as suas defesas. Ambos os lados precisam da Rússia, que se debate com problemas internos graves e vive na iminência de uma Revolução. Em Inglaterra, o duque de Walden e Winston Churchill planeiam, em total segredo, uma aliança com a Rússia. Contudo, um homem disposto a tudo e sem nada a perder infiltra-se no país com a intenção de travar a todo o custo o acordo entre russos e britânicos. Conseguirá o Homem de Sampetersburgo deixar o país a seus pés e inverter o curso da História?

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ser poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca)

Conhecidos, muitos; amigos, poucos

2000 amigos no Facebook

Meu pai costuma dizer: quando morreres, se tiveres cinco amigos verdadeiros, então tiveste uma vida notável (Lee Lacocca)

Experimenta, um dia, os teus amigos: fere-os, nos seus interesses e ambições, ou não lhes afagues a vaidade, e verás quantos te ficam!
(José Castália, o meu avô paterno…)

terça-feira, 20 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

Dad Poem

(atribuído a Hilda Bigelow)

I had a father who talked with me
Allowed me the right to disagree,
To question and always answered me
As well as he could and truthfully.
He talked of adventures; horrors of war;
Of life, its meaning; what love was for;
How each would always need to strive
To improve the world to keep it alive.
Stressed the duty we owe one another
To be aware each man is a brother.
Words for laughter he also spoke
A silly song or a happy joke.
Time runs along, some say I'm wise
That I look at life with seeing eyes.
My heart is happy, my mind is free,
I had a father who talked with me.

domingo, 18 de março de 2012

Jeremy Irons em Lisboa!…

…durante sete semanas, nas filmagens do filme

Lisbon

sábado, 17 de março de 2012

Cat Atelier

Julie Song nasceu em Nova Iorque, tem 33 anos, é designer e no tempo livre desenha e faz roupa para gatos. Ela própria tem um gato e usa-o como modelo. Chapéus, laços, gravatas, etc. Há de tudo um pouco, para todas as ocasiões. Não são peças baratas, mas a exclusividade é cara. Julie admite, numa entrevista ao jornal britânico «Daily Mail», que se diverte com o seu tempo livre e não se importa que as pessoas brinquem com as roupas que desenha e costura. Ela própria também brinca. Mas a brincar a brincar, vai ganhando algum dinheiro com isso. Espreitem aqui.

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quinta-feira, 15 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Problema resolvido!

IRS

Message in a bottle (66)

Odeia o seu patrão? Lamente-se online (Isabel Stilwell - editorial Destak)

Dizem os especialistas na mente humana que os verdadeiros psicopatas não são os que sonham em matar o pai, o chefe, ou o colega de secretária, mas aqueles que não brincam com os pensamentos, nem fazem uso do humor, mas acumulam dentro de si uma raiva recalcada que um dia explode da pior maneira. Foi por acreditarem nesta teoria, que dois australianos acabam de lançar um muro de lamentações para quem odeia o patrão, ou qualquer outra personagem do escritório ou da repartição.
Os criadores do Ihatemyboss.com.au, dizem que o seu site se destina aqueles que detestam:
a) o patrão
b) o colega
c) o cliente
d) alguém ligado ao trabalho
e)TODOS OS ANTERIORES
As regras de utilização são simples: insultar com graça e com o máximo de criatividade possível, sem utilizar o nome verdadeiro do alvo dos ataques, sem empregar palavrões, comentários rascas ou considerações pessoais.
O objectivo número dois é dar a oportunidade a quem se queixa de perceber que há mil pessoas que sofrem a mesmíssima tortura. Mais ainda, de se reverem nos comentários dos outros, entendendo que provavelmente não são os anjinhos que se gostam de imaginar, afinal há por lá muita gente a queixar-se de pessoas iguais a elas.
A terceira funcionalidade é servir como bolsa de emprego, modalidade que o site indica que está para começar em breve. “Se não gosta do seu chefe, entregue-o aqui e leve outro para casa”, reza o slogan. Seguem-se conselhos de carreira, nomeadamente de como se apresentar a uma entrevista, fazer um CV e por ai adiante. Lamentar-se do patrão passado não é boa ideia.
A última utilidade, digo eu, é mostrar como há saídas criativas para situações profissionais impossíveis, porque ambos os criadores afirmam que chegaram à ideia porque... odiavam os patrões.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Message in a bottle (65)

Andam a brincar às touradas com o nosso dinheiro (Tiago Mesquita no Expresso)

O que se passa neste país falido, de pessoas falidas, de empresas falidas, com um Estado falido e com Câmaras Municipais falidas relativamente ao apoio que se dá ao massacre de touros (peço perdão - dizem os aficionados que é uma nobre arte - digo eu "vão dar sangue" e não o tirem a quem não se pode defender) para regozijo e benefício de meia dúzia é uma pouca-vergonha. E não me venham com a história da tradição, do retorno, da treta que dá emprego a muita gente porque estamos a falar de valores pornográficos numa época de vacas magras. Querem ver, ou melhor, ler?
Estremoz vai gastar 2,5 milhões de euros para remodelar a praça de touros, 80% deste dinheiro provem de fundos europeus do programa FEDER. Repito: DOIS VIRGULA CINCO MILHÕES! Pergunta: não existirão necessidades prementes, sociais quiçá! em Estremoz para além desta empreitada? E a existirem não deveriam ter, no mínimo, igual consideração?
A C.M da Azambuja gasta 600 mil euros para renovar praça de touros. A C.M. de Vila Franca de Xira só em 2011 gastou em tauromaquia a quantia de 4.447.271 euros! Imagino o que não terá sido gasto ao longo de vários anos. Será possível que ninguém fale disto? Ninguém questiona a utilização de verbas de valor astronómico? Andamos nós a tapar os buracos financeiros da Câmaras que devem dinheiro a tudo o que é fornecedor levando milhares de empresas à falência e milhares de pessoas ao desemprego, para estes senhores andarem a gastar no pagode?
A C.M de Santarém ao longo de vários anos tem gasto milhares de euros na compra de bilhetes para touradas, 150 mil euros só em 2009. O mesmo aconteceu em 2010 e 2011. Também em 2009 a mesma Câmara gastou nove mil euros na compra de 200 exemplares do livro "João Patinhas - Um forcado". Tudo feito através de ajustes diretos. Nove mil euros em João Patinhas? Chamem o Tio Patinhas para gerir estas Câmaras por amor de Deus.
Outro exemplo asqueroso: entre 2004 e 2010 o Governo Regional do Açores, o Município de Angra do Heroísmo e a empresa municipal "Culturanga" gastaram mais de 2.600.000,00 euros em apoios à tauromaquia.
Já em 2012 a Direção Regional do Turismo subsidiou o II Fórum Mundial Taurino com 75.000,00 euros. Sim - 2012 - o annus horribilis da nossa economia, com milhares de pessoas a passarem dificuldades extremas, desempregadas, a perderem a casa, os bens e a esperança, atoladas em dívidas num desespero asfixiante. Mas para as touradas não pode faltar, não. Nunca.
Mas o escândalo continua a nível europeu com os contribuintes de todos os estados membros a pagarem subsídios aos ganadeiros de touros de lide. São milhões todos os anos e sempre os mesmos a receber. Famílias inteiras de ganadeiros e toureiros recebem subsídios entre os quais se encontram os Telles, os Núncios, por exemplo, ganadeiros como os Palhas, Infante da Câmara, Murteira Grave, etc. Neste último caso - Murteira Grave - recebe como ganadeiro e também recebe como uma empresa denominada Grave Empresa Unipessoal, Lda.
Estes dados, embora disponíveis em diversos websites governamentais, camarários e europeus são do total desconhecimento do comum dos mortais, ou da larga maioria. Sou anti-touradas. Abomino-as. Causa-me repúdio saber que em 2012 ainda habita neste planeta alguém capaz de aplaudir de pé o sofrimento de um animal. Mas isto que acabei de relatar não tem nada a ver com touradas. Isto é uma tourada.

Nota informativa:
A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira contestou o teor deste artigo: “vimos, na defesa do bom nome do Município de Vila Franca de Xira e ao abrigo dos artigos 24.º e 25.º da Lei de Imprensa (relativos ao Direito de Resposta), esclarecer que não nos encontramos falidos. O chorrilho de disparates como os que são escritos, para além da falta de respeito pelos outros, revela uma falta de conhecimento.
Para que a verdade, no que diz respeito ao Município de Vila Franca de Xira seja reposta informamos que, conforme está na Conta de Gerência, a verba despendida em 2011 no reforço da tradição tauromáquica foi de €140.035,60 (onde se inclui Semana da Cultura Tauromáquica; Protocolo com Casa dos Forcados de Vila F. Xira; Protocolo com Associação Escola de Toureio José Falcão; Protocolo com empresa "Tauroleve"; Esperas do Colete Encarnado e Esperas da Feira de Outubro).”

Nota opinativa:
Seja muito ou pouco, foi mal gasto… Também eu sou anti-touradas, abomino-as, não passam de espectáculos bárbaros… 

domingo, 11 de março de 2012

Esta foto não tem preço!

Até no Reino Animal os machos perdem a calma diante da eloquência feminina...

Pardais

sábado, 10 de março de 2012

Tomara que chova…

… senão estamos tramados!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Livros e Mar: eis o meu elemento! (55)

Carlos Ruiz Zafón escreveu o seu primeiro romance “O Príncipe da Neblina” em 1993, mas só foi editado em Portugal em 2011. Esta obra faz parte da Trilogia da Neblina, faltando editar, na nossa língua, “El Palacio de la Medianoche” de 1994 e “Las Luces de Septiembre” de 1995, todos eles dirigidos a um público jovem.
“O Príncipe da Neblina” é nitidamente um livro juvenil, um pouco aquém da maturidade literária dos seus outros romances, mas tem uma história bem construída e não deixa de ter a assinatura de Zafón. As descrições quase poéticas, o dramatismo sinistro, a apreensão, o desenrolar misterioso da narrativa, tudo está presente, assim como o talento para nos paralisar nos momentos de suspense, dando por nós a suspirar de alívio por não estarmos na pele das personagens.
É uma aventura onde não falta um barco naufragado, um farol, rochedos do demónio, tempestades, uma casa isolada na praia, palhaços inquietantes, magia e acontecimentos estranhos que me fizeram regressar à infância e à adolescência, aos tempos em que vivia e vibrava com as movimentadas aventuras e mistérios dos livros de Enid Blyton e de John Pudney…

Zafon

Um diabólico príncipe que tem a capacidade de conceder e realizar qualquer desejo... a um preço muito elevado.
O novo lar dos Carver, numa remota aldeia da costa sul inglesa, está rodeado de mistério. Respira-se e sente-se a presença do espírito de Jacob, o filho dos antigos donos, que morreu afogado.
As estranhas circunstâncias dessa morte só se começam a perceber à medida que o jovem Max, a irmã Alicia e o amigo Roland vão descobrindo factos muito perturbadores sobre uma misteriosa personagem de seu nome…o Príncipe da Neblina.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

Faço minhas as palavras de Helena Sacadura Cabral: “Confesso que não aprecio ter um dia dedicado ao meu género. Mas não deixo de compreender o que devo a todas aquelas que nele estão simbolizadas.”

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quarta-feira, 7 de março de 2012

Notável…

… demolidor, angustiante, desgastante, brutal, brilhante, são adjectivos que, na minha insignificante opinião, qualificam o primeiro filme de Steve McQueen (não confundir com o já falecido actor americano), “Fome” (“Hunger”) de 2008. Não é um filme de horror nem tão-pouco um horror de filme, é um filme de resistência e coragem.
Depois de ver “Em Nome do Pai” (“In The Name of the Father”), um dos meus filmes de culto, e “Michael Collins”, que abordam a luta pela independência da Irlanda do Norte e a organização clandestina e nacionalista irlandesa (IRA), a R. aconselhou-me a ver “Hunger” e ainda bem que o fez porque o filme é indiscutivelmente excepcional.
Estamos em 1981. Inicialmente, acompanhamos o dia-a-dia de um guarda do estabelecimento prisional de Maze em Belfast, onde dá entrada um novo prisioneiro que é colocado numa cela imunda e nua onde se encontra outro recluso, um dos muitos prisioneiros do IRA, que se entrega audaciosamente ao Blanket and No Wash Protest (trancados nas celas, sem qualquer tipo de tarefa/entretenimento, recusavam vestir o uniforme da prisão, usavam apenas cobertores e recusavam lavar-se) que tinha sido iniciado em 1976.
Este é um daqueles filmes que nos desperta os sentidos. O cheiro dos dejectos é repugnante, as cenas da brutalidade prisional são dolorosas, sofremos na pele e na carne os espancamentos e as violações quando são revistados, escutamos o ressoar dos bastões, da polícia de intervenção, nos escudos, perturbamo-nos com o próprio silêncio…
O tema central do filme é a greve de fome iniciada pelos reclusos e liderada por Bobby Sands (Michael Fassbender), um activista do IRA, com o propósito de levar a primeira-ministra Margaret Thatcher a atribuir-lhes o estatuto de prisioneiros políticos, que lhes tinha sido negado. A cena mais intensa do filme, parco em diálogos, tem uma duração de cerca de vinte minutos e baseia-se num diálogo magnífico, uma esgrima polida e calorosa de raciocínios entre Sands, defendendo que a greve de fome é o seu último recurso, e o padre Moran, que contesta, argumentando que a mesma é um meio de pôr termo à vida. Na última parte do filme assistimos, com um realismo chocante, à degradação física de Bobby Sands até à sua morte, depois de 66 dias de greve de fome, mas sempre com uma convicção clara e inflexível.
Michael Fassbender num desempenho fora de série e brutal.

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Lutar por um objectivo, levar essa luta até às últimas consequências e sofrer para sustentar as suas opiniões é de uma bravura notável e de uma força moral que têm toda a minha admiração e reconhecimento.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Let's look at the trailer (24)

Baseado na peça de Yasmina Reza, “God of Carnage”, a história passa-se inteiramente numa casa e gira em torno de dois conjuntos de pais que se reúnem para discutir, de maneira civilizada, uma disputa entre os seus filhos. No entanto, o tempo vai passando e eles tornam-se cada vez mais infantis e irritantes, e o resultado é hilariantemente absurdo e caótico.
O elenco, composto por Christoph Waltz, Kate Winslet, Jodie Foster e John Reilly, é surpreendente. Dois pares fabulosos. Kate Winslet tem um dos maiores momentos WTF do filme!

sábado, 3 de março de 2012

Salvar o que restou do Monumental…

As estátuas que adornaram durante anos as esquinas do Cine-Teatro Monumental descansam há muito tempo no jardim da Praça de Londres. Lamentavelmente começam a degradar-se e se nada for feito receio que levem o mesmo triste caminho do edifício e fiquem apenas as recordações…

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Por uma vez estamos de acordo!

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Os grandes contadores de histórias

(por João Lopes, crítico, in DN)

Eis um filme que entrou e saiu dos Óscares sem que ninguém desse por ele. Era um dos nomeados para melhor do ano, mas o certo é que Extremamente Alto, Incrivelmente Perto não passou de uma presença discreta, apenas contrariada pelo facto de Christopher Plummer, ao receber a estatueta de Melhor Actor Secundário, ter saudado um dos seus intérpretes, Max Von Sydow (nomeado na mesma categoria). A provar que o imaginário televisivo desvaloriza os grandes actores, nem sequer ajudou o facto de Tom Hanks e Sandra Bullock constarem da ficha artística. Digamos, para simplificar, que Extremamente Alto, Incrivelmente Perto representa uma evolução admirável no imaginário cinematográfico do 11 de Setembro. A História do jovem Oskar (brilhantíssimo Thomas Horn) não se esgota no facto de ser órfão de um pai (Hanks) falecido no World Trade Center: ele não é o símbolo de um passado traumático, mas sim um pequeno ser, à deriva, condenado a inventar o seu futuro. A realização de Stephen Daldry, recusando qualquer linearidade, factual ou psicológica, coloca Oskar como pivô de uma questão visceral: de que sentido precisamos, não apenas para viver, mas sobretudo para continuar a viver? E tanto mais quanto, como lhe diz a mãe (espantosa Sandra Bullock, actriz regularmente subvalorizada), temos de aprender a lidar com coisas que… não fazem sentido.
A adaptação do livro de Jonathan Safran Foer é, por certo, um dos mais prodigiosos argumentos que se escreveram, nos últimos anos, no cinema americano. Assina-o Eric Roth, nome ligado a Forrest Gump (1994), Munique (2005) ou O Estranho Caso de Benjamin Button (2008). Afinal, a avalancha dos “efeitos especiais” não fez desaparecer os grandes contadores de histórias.

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

“Mudos” operandi

de Georges Méliès


Morte…

… de uma livraria histórica! Sinais (tristes) dos tempos…

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

WTH?

Será que não me ouviram? Será possível que os membros da Academy of Motion Picture Arts and Sciences não me tenham lido? Imperdoável!... Eu disse que o filme “O Artista” era singular e louvável, não disse que deveria ganhar os principais Óscares! Não compreendo, assim como não me entra na tola o porquê desta histeria à volta do filme, destes milhões de pessoas que afirmam a pés juntos que é excepcional, desta carneirada que não se atreve a contradizer os crânios cinematográficos porque não quer sentir-se estúpida! Carneirada, nada mais! E tudo o que mete carneirada me encanita!... Ninguém tem coragem para dizer aos membros da Academia que são uns imbecis? Ninguém lhes corta o fornecimento de estupefacientes e bebidas alcoólicas? A Academia precisa ser arejada, os membros são, na sua maioria, velhos (moucos, razão pela qual não me ouviram…) saudosos com a mente habitada por aranhas e suas teias (daí a escolha do cinema mudo…). Um estudo realizado pelo Los Angeles Times confirma que o júri dos Óscares, essas misteriosas figuras a quem os vencedores agradeceram vezes sem conta, tal como os críticos, são pessoas diferentes e não são representativas da maior parte das pessoas que vão ao cinema nos Estados Unidos (poderemos estender ao resto do mundo…). A realidade é que, geralmente, os gostos deles não estão em sintonia com os gostos das audiências. Refresquem-se! A Academia precisa de uma lufada, mais, de várias rajadas de ar fresco para afastar o cheiro a mofo…
“O Artista” laureado com 5 óscares?! What the hell? Mais uma vez, os jurados (leia-se “deuses”) devem estar loucos! Pronto, ok, a demência não se apresenta em estado avançado porque o “documentário” da National Geographic, “A Árvore da Vida”, saiu da cerimónia de mãos a abanar! Vá lá, vá lá… um rasgo de perspicácia! Estou a elogiá-los e na volta o que julgo ser competência deve-se apenas ao facto de terem adormecido, encontrarem-se pedrados ou alcoolizados. Às vezes consigo não ter apenas a mania que sou má, consigo ser mesmo má. Como diz o(a) outro(a), oh God, make me good, but not yet! Excepto “Jogada de Risco” (Moneyball), vi todos as películas candidatas a melhor filme e, na minha óptica, “O Artista” levaria o ouro para Banda Sonora Original e ponto final. Se pudesse atribuir o Óscar de Melhor Filme seria a um dos derrotados da cerimónia, “Extremely Loud & Incredibly Close” e o de Melhor Actor iria para Thomas Horn, o rapazinho que faz um papel estrondoso (capaz de meter num chinelo alguns veteranos) no mesmo filme. Outro dos vencidos, o épico “Cavalo de Guerra” também tem a minha aclamação e entra para o terceiro lugar da minha lista de eleitos. Hugo ocupa o segundo lugar das minhas preferências e o galardão de Melhor Realizador iria, sem qualquer hesitação, para Martin Scorsese.
And the academy members are

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dupla homenagem…

… ao cinema!
“O Artista”, filme mudo do cineasta francês Michel Hazanavicius, recria a magia do cinema mudo nas primeiras décadas de Hollywood e salienta o momento de transição do cinema mudo para o sonoro.
Para mim era impensável ver, nos dias de hoje, um filme mudo e a preto e branco, estava completamente fora de questão, não queria… mas a curiosidade falou mais alto e não me arrependi. A personagem de George Valentin assenta que nem uma luva a Jean Dujardin (que vi pela primeira vez) e Bérénice Bejo (que recordo de “Coração de Cavaleiro”) interpreta uma Peppy Miller deliciosa. A banda sonora, de Ludovic Bource, é fenomenal… Embora o considere singular e louvável, não é o meu filme de eleição.

O_Artista

“Hugo” ou “A Invenção de Hugo Cabret” é a primeira incursão do realizador Martin Scorsese pelo mundo encantado do 3D e homenageia o cinema francês na figura do cineasta Georges Méliès, pioneiro no cinema fantástico e, considerado por muitos, o pai dos efeitos especiais.
No papel de Hugo, o admirável adolescente, Asa Butterfield, que já tinha tido o prazer de ver em “O Rapaz do Pijama às Riscas”. Ben Kingsley dá vida a George Méliès numa interpretação perfeita, como sempre…
Este é um filme encantador, assombroso e prodigioso que eu veria novamente com agrado. Once upon a time, I met a boy named Hugo Cabret

Hugo

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Bravo! Bravo!

Meryl Streep avassaladora em “A Dama de Ferro”

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Glenn Close esplêndida em “Albert Nobbs”

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Do meu ponto de vista, “Albert Nobbs”
salva-se pelos excelentes desempenhos…
Glenn merece a estatueta dourada,
mas o mais provável é ela ir para Meryl...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Perturbante

No filme “Um Método Perigoso” (A Dangerous Method), baseado em factos verídicos, David Cronenberg aborda o estudo da mente, os fenómenos psíquicos e o nascimento da psicanálise, temas que são um tanto obscuros para mim porque não os domino, sou completamente ignorante.
Os primeiros minutos do filme são de agonia porque vimos Keira Knightley, no papel da russa Sabina Spielrein, inicialmente histérica e depois totalmente desequilibrada e perturbada. Não tenho conhecimentos que me permitam escrever sobre as doenças mentais ou sobre o distúrbio psíquico de Sabina. A cena inicial é intensa, desconfortável, chocante, mas, como não tenho noção dos sintomas da doença (histeria esquizofrénica?) não consegui perceber se estava a assistir a um excelente desempenho de Keira ou se ela, com todos aqueles esgares, estava a pecar por excesso e me presenteou com uma performance pouco credível. Quero acreditar na versão da brilhante interpretação e na perturbante Sabina.

Keira_Knightley
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Carl Jung, fascinado pela psicanálise mas com visões diferentes de Freud, conseguiu curar Sabina Spielrein e pelo que entendi terá sido através da teoria, ainda experimental, dos complexos (psicologia analítica). Recorrendo a uma lista de palavras-estímulo, analisava o tempo de resposta a cada palavra, determinando assim a existência de complexos que influenciavam o comportamento do paciente. Sabina, curada (?), começa a estudar psicanálise e, na sequência da aprendizagem, envolve-se sexualmente com Carl Jung, numa relação sadomasoquista. Jung conhece Sigmund Freud e começam a trabalhar juntos, trocando correspondência sobre as perversões sexuais de Sabina Spielrein, embora não partilhem as mesmas ideias. Enquanto Freud defende que os conflitos psicológicos têm como causa directa os traumas sexuais, Carl Jung interpretava os distúrbios mentais e emocionais como uma tentativa do individuo procurar a perfeição pessoal e espiritual. Por força das circunstâncias, estes dois gigantes e precursores da psicanálise e da psicologia analítica acabaram por se separar.

Metodo Perigoso
Viggo Mortensen e Michael Fassbender (agora está na berra…) perfeitos nos papéis de Freud e Jung. Apesar de não sentir qualquer afinidade com estes temas, nem partilhar a paixão pela psicanálise, posso dizer conscientemente que “Um Método Perigoso” é seguramente um bom filme.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Água aos elefantes…

Parlamento não troca garrafas por água da torneira. Mas porque carga d’água é que estes paquidermes, estas bestas parlamentares (para lamentar…) que nos dão água pela barba, não compram a sua garrafinha? Eu dava aguinha a estes presunçosos, dava, mas era aguarrás!…E punha-os a viver em águas-furtadas!
Esta polémica carnavalesca (só faltaram os balões de água…) com a água da torneira versus água engarrafada deve trazer água no bico, talvez uma manobra de diversão enquanto nos lixam e sacodem a água do capote…
Já os imagino a cantar “Cachaça não é água” versão assembleia:
Pode-me faltar vergonha
Que isso até acho piada
Só não quero que me falte
A água engarrafada…
 
Diz um ditado italiano que “os dinheiros públicos são como a água benta, todos lhe põem a mão”.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Frontal, irreverente, ousada e erudita

Maria Filomena Mónica, socióloga e historiadora, deixou-me maravilhada na entrevista que deu, hoje, a António José Teixeira, director da SIC Notícias. O meu tributo e o meu grande aplauso para esta mulher fora-de-série!
Não deixem de ver
aqui. E aproveitem para ver cinco minutos do seu perfil íntimo aqui. Julgo que não vão arrepender-se…
Fiquei com uma enorme vontade de comprar todos os seus livros…

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sonhar um sonho…

O homem que vai dar a volta ao mundo a desenhar (por Rui Tavares Guedes in Visão)

Aos 32 anos, Luís Simões está pronto para a grande aventura da sua vida: durante cinco anos vai percorrer os cinco continentes. A desenhar tudo o que vê à sua volta.

Sempre que a tinta preta entra no papel branco, os traços saem precisos e geométricos. E risco após risco, a imagem começa a nascer na folha do caderno. De forma sincopada, ao ritmo do olhar, encaixando as dimensões da paisagem num espaço delimitado, de proporções equilibradas, linhas de profundidade corretas e captando uma espécie de alma que escapa aos outros transeuntes. Depois, concluída a estrutura, junta-lhe aguarelas de cores suaves, irrepetíveis na natureza, mas harmoniosas no resultado final.
É nestes momentos, sentado no chão ou encostado a uma qualquer esquina de um qualquer beco de uma qualquer cidade, que Luís Simões se sente realizado. E com uma imensa vontade de não parar, de conhecer outros lugares, de aprender novas técnicas de desenho, de partilhar as suas visões e... mudar de vida. O seu sonho - a que chamou World Sketching Tour - está prestes a concretizar-se: dentro de algumas semanas, ele vai partir, de bagagem repleta de cadernos, lápis e tintas. Com um objetivo bem definido, mas um plano que irá construindo aos poucos: "A ideia é passar um ano em cada continente, portanto, dentro de cinco anos posso regressar... ou talvez não."
Para poder partir com esse objetivo, Luís Simões despediu-se do seu emprego confortável como motion designer na SIC, onde estava há quatro anos, e começou a contactar os muitos outros urban scketchers que existem pelo mundo, e que conhecia através da "troca de desenhos" na internet. O plano é simples: um pouco por todo o lado, vai ficando alojado nas casas de outros desenhadores como ele, tentando perceber a identidade de cada local e, ao mesmo tempo, aprender novas técnicas. "Este projeto define-se em quatro palavras: viajar, conhecer, aprender e desenhar", diz, com uma convicção a toda a prova.
Percebe-se que há nele uma ânsia por partir e poder descobrir outras culturas, povos e estilos de vida. Sem receios de espécie alguma e apenas animado pelos desafios que pode encontrar: "Só o facto de saber que vou estar com pessoas que desenham melhor do que eu, que me podem mostrar outros caminhos e técnicas, é algo que me deixa completamente realizado".
No fundo, tudo se resume a uma frase simples, que ele não se cansa de repetir: "A vida é boa demais para ficarmos sempre no mesmo sítio."

Eu acrescentaria que a vida é como um piquenique e a maioria de nós deixa o melhor para as formigas…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Livros e Mar: eis o meu elemento! (54)

Nunca tinha lido Eduardo Mendoza. Ao ler a sinopse do seu último livro “Rixa de Gatos”, uma história cuja acção decorre nos dias que antecederam a Guerra Civil Espanhola, senti enorme vontade de ler o romance, sobretudo porque o tema abordado na narrativa me desperta interesse e também porque tenho conhecimentos pouco profundos sobre este período turbulento em 1936.
O inglês Anthony Whitelands, especialista em pintura do Século de Ouro Espanhol, preferencialmente por Velázquez, chega a Madrid para certificar a autoria de um quadro escondido nas caves de um simpatizante falangista e acaba por se ver envolvido em intrigas, conspirações e espionagem. Com a guerra iminente, entre aristocratas, republicanos, falangistas e saudosistas da ditadura de Primo de Rivera, espiões e generais, Whitelands, completamente perdido, vive uma semana conturbada.
“Rixa de Gatos” é um título vulgar e paradoxalmente peculiar porque não se trata de uma rixa de gatos no verdadeiro sentido, mas de acontecimentos que antecederam um conflito que teve sequelas terríveis e “gatos” porque outrora os madrilenos eram assim alcunhados…

No próximo dia 23 de fevereiro, regressa às livrarias “A Cidade dos Prodígios”, o romance que, publicado pela primeira vez em Portugal no fim dos anos 1980, tornou famoso o escritor catalão Eduardo Mendoza. Um excelente móbil para ir à Bertrand…

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Um perito de arte inglês, Anthony Whitelands, chega de comboio à Madrid fervilhante de 1936. A sua tarefa é autenticar um quadro desconhecido, que pertence a um amigo de José Antonio Primo de Rivera, fundador da Falange, quadro cujo valor pode ser fundamental para apoiar uma mudança política em Espanha. Turbulentos amores, retratos fiéis dos meios sociais da época e a atmosfera tensa de aventura e de conspiração que antecede a guerra civil que se aproxima marcam este notável novo romance de Eduardo Mendoza, onde o humor e a ironia se cruzam com a gravidade da tragédia.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Descubra o milionário…

… que há em si! Corte nos wants e mantenha os needs

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Let's look at the trailer (23)



Estava curiosa para ver o filme “As Serviçais”. A expectativa era grande. A minha apreciação seria muito positiva e diria que o filme era magnífico e irrepreensível, caso não tivesse lido a obra, mas como li, o meu julgamento não é tão favorável.
Sei que é candidato aos Óscares na categoria de Melhor Filme e sei que Octavia Spencer (que desempenha o papel de Minny Jackson) ganhou o prémio de Melhor Actriz Secundária nos BAFTA 2012. Sei que arrisco um linchamento, mas, pedindo desculpa aos entendidos e a todos aqueles que consideram o filme excelente, começo por dizer que lhe falta intensidade dramática, falta-lhe a atmosfera inquietante, o ambiente tenso, a intimidação, a ansiedade, a apreensão do perigo no ar que se respira. Depois temos a duração do filme. Parece-me que 146 minutos de filme são exagerados tendo em conta que o tratamento das questões raciais e morais é abordado de uma forma um pouco leve.
Não querendo pôr em causa as extraordinárias interpretações, em particular a de Octavia Spencer, o “meu prémio BAFTA”, a “minha estatueta”, iria para Bryce Dallas Howard (“A Vila”, de 2004, e, mais recentemente, “50/50”, de 2011, onde contracena com o encantador Joseph Gordon-Levitt) que dá vida à intransigente e racista Hilly Holbrook, a expressiva líder das mulheres mesquinhas e fúteis…
O filme é, sem dúvida, muito bom, mas há uma intensidade e uma riqueza de detalhes que só é possível vivenciar e apreciar através da leitura da obra.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Carta de saudades…

A professora pediu aos alunos, numa aula de Português, para pensarem numa pessoa que eles admirassem e respeitassem e escrevessem uma carta a essa pessoa. A minha filha escolheu o avô, meu pai. A professora sensibilizou-se com a carta que tinha como destinatário o avô. A mim, não só me comoveu como me fez chorar…
Presenteio o meu avô paterno, no dia do seu aniversário natalício, 12 de Fevereiro, com o mar de palavras da minha filha, para que ele possa, esteja onde estiver, sentir orgulho pelo extraordinário e inesquecível ser humano que era o filho…

Querido avô

Pediram-me para pensar em alguém por quem sentisse uma grande admiração, uma pessoa que me fascinasse. Pensei, voltei a pensar e só te encontrei a ti. Não havia mais ninguém e não sabia bem o porquê, mas talvez fossem as saudades, não sei…
O passo seguinte era escrever uma carta a esse “alguém”, o que me levou a pensar, por instantes, que seria uma tarefa complicada, por já não estares aqui, por achar que já não estavas no meu mundo… mas enganei-me e agora aqui estou a escrever-te, a recordar-me de ti e de todos os momentos que passámos os dois. Recordo ainda tudo aquilo que contigo aprendi. Cresci a ver-te agir como uma pessoa sensata, dando valor às coisas realmente importantes da vida, deixando para trás tudo o que era desnecessário para se ser, dentro do possível, uma pessoa feliz. Ensinaste-me a lutar pelos meus objectivos, a dar sempre o meu máximo para atingir algo que quero, a não me deixar ficar a ver a vida passar-me à frente e eu sem nada fazer, a nunca desistir dos meus sonhos. Algo que espero cumprir, prometo!
Eras uma pessoa fantástica, fizeste-me crescer enquanto ser humano, tornaste-me alguém melhor e mais forte e, por isso, devo-te um obrigada. É tudo isto que me faz orgulhosa de ti e sentir saudade…saudade de ti, saudade do que eras, saudade do que sempre serás para mim.
Quero que saibas que foste uma das melhores pessoas que já conheci, que foste e serás sempre o melhor avô do mundo.Nunca te esquecerei, continuo a ter orgulho em ti, orgulho de ter crescido com uma pessoa tão especial como tu a meu lado.

Um forte abraço,

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Parabéns JMC

In a cold world you need your friends to keep you warm…

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Um grande filme de 1983. Dele saíram excelentes actores, sendo o meu preferido o William Hurt. E o teu?…

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Livros e Mar: eis o meu elemento! (53)

Kathryn Stockett, no seu romance de estreia As Serviçais (The Help), presenteia-nos com o seu enorme talento e irei aguardar, impaciente, a próxima obra, talvez outro bestseller
A acção decorre em Jackson, capital do estado do Mississípi, e retrata a sociedade sulista e os conflitos raciais a partir do início dos anos 60.
Três mulheres singulares. Três mulheres reprimidas, mas determinadas. Três mulheres, uma branca, a jornalista Skeeter, e duas criadas negras, Aibileen e Minny, vão alternando a narrativa. Três vozes, a mesma luta, o mesmo grito de revolta, um segredo em comum.
Uma história comovente sobre os pequenos triunfos da humanidade. Um romance profundo, cheio de força dramática, passado num período conturbado em que a luta dos negros pela igualdade de direitos se começava a exteriorizar através de manifestações, enquanto os brancos impunham as regras raciais e sociais.
Este romance foi escrito como homenagem a Demetrie, a empregada negra que foi o porto seguro da escritora numa infância fracturada pelas separações e ausências dos pais.
Aos que já viram recusadas as suas obras por uma qualquer editora, fica uma palavra de esperança. Este livro foi rejeitado por dezenas de agentes literários que, presentemente, poderão estar arrependidos…

as serviçais

Skeeter tem vinte e dois anos e acabou de regressar da universidade a Jackson, Mississippi. Mas estamos em 1962, e a sua mãe só irá descansar quando a filha tiver uma aliança no dedo.
Aibileen é uma criada negra, uma mulher sábia que viu crescer dezassete crianças. Quando o seu próprio filho morre num acidente, algo se quebra dentro dela.
Minny, a melhor amiga de Aibileen, é provavelmente a mulher com a língua mais afiada do Mississippi. Cozinha divinamente, mas tem sérias dificuldades em manter o emprego… até ao momento em que encontra uma senhora nova na cidade.
Estas três personagens extraordinárias irão cruzar-se e iniciar um projecto que mudará a sua cidade e as vidas de todas as mulheres, criadas e senhoras, que habitam Jackson. São as suas vozes que nos contam esta história inesquecível cheia de humor, esperança e tristeza.
Uma história que conquistou a América e está a conquistar o mundo.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Message in a bottle (64)

Piegas, talvez, mas iletrados certamente (por Isabel Stilwell no Destak)

Fui ouvir o discurso que Pedro Passos Coelhos fez na escola que visitou. Ouvir o original, em lugar de acreditar nas mil semi- transcrições que apareceram por todo o lado. Já andamos todos neste mundo há muitos anos para nos fiarmos em discursos parlamentares indignados, ou declarações de políticos que parecem virgens ofendidas, citando afirmações fora do contexto porque percebem que o “soundbite” funciona. Da esquerda, à direita, bem entendido, todos os fazem. Somem-se-lhe depois alguns comentadores, bloguistas e redes sociais e o Carnaval está instalado. Faço-o por uma questão de ética: para me indignar quando acho que há razões de indignação, e para não seguir a carneirada de forma acéfala, se se trata de um aproveitamento.
Por isso, quando todas as conversas passaram a conter a palavra “piegas” fui ouvir as palavras do próprio na TSF. Dias depois, rios de tinta corridos, intervenções na Assembleia da República e manchetes de jornais publicadas, fiquei de boca aberta, pela desonestidade intelectual, na pior das hipóteses, e na melhor, pelo grau de analfabetismo funcional, que permite que se tenha “treslido/resouvido” desta maneira.
O senhor falava numa escola. E disse, a propósito do ensino: “Devemos persistir, ser exigentes, e não sermos piegas, nem ter pena dos alunos, coitadinhos, que sofrem tanto para aprender. Nunca conheci um aluno que anos mais tarde, louvasse os professores que facilitavam ou não tivessem cumprido devidamente”. Ora, no contexto da relação pais e filhos, nós os pais somos piegas, sem dúvida nenhuma. Dói-nos a alma pensar que têm de acordar tão cedo, fazer tantos TPC, ir a tantas aulas e reagimos contra os professores sempre que os castigam. Levamo-los à escola, financiamos os seus caprichos, e regra geral somos muito pouco exigentes. Se os pais dos que afirmam que chamou piegas aos portugueses o tivessem sido menos, quem sabe se a esta hora não saberiam ler.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O ilustre anónimo

Em “Anónimo”, o realizador alemão Roland Emmerich apresenta-nos um argumento que seria, a meu ver, trágico caso os factos fossem comprovados e deixassem de ser suposições. Duvidar do génio de William Shakespeare e pôr em causa toda a sua obra é o tema central do filme e durante 130 minutos assistimos ao descrédito do “impostor” mais lido de sempre.

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Teoricamente, Shakespeare não teria escrito uma única palavra e assinava e levava à cena obras da autoria de um nobre, Edward de Vere, 17º Conde de Oxford, que seria não só filho ilegítimo da Rainha Elizabeth I (segundo a teoria a “Rainha Virgem” não era virgem…) como teria tido, vinte anos depois, uma relação incestuosa com ela que resultou num filho, o Conde de Southampton…
Esta teoria da conspiração explicaria o encobrimento do nome do criador da maior obra literária da língua inglesa porque poderia ser o futuro Rei de Inglaterra? O cineasta defende esta teoria, também sustentada por intelectuais e estudiosos como Sigmund Freud, Orson Welles, Charles Dickens e Mark Twain, lembrando que não foi mencionado qualquer livro no testamento de William Shakespeare e que não existe qualquer carta ou texto escrito com a própria letra. Duvidam que um homem humilde e sem instrução universitária pudesse escrever tais obras-primas literárias? Perverso e preconceituoso…
Edward de Vere é interpretado pelo actor Rhys Ifans, o desajeitado e louco Spike que partilha a casa com Hugh Grant na comédia romântica Notting Hill. Ifans quase irreconhecível ao lado da magnânima Vanessa Redgrave no papel da Rainha Elizabeth I.
Intrigas e conspirações num admirável filme de época.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Low-profile

“Os Descendentes” não é uma obra-prima, não é excelente, não é mau, vê-se uma vez e está visto. Um drama intimista, familiar, com George Clooney a interpretar o papel de um advogado e pai ausente, Matt King, que se confronta com o estado de coma da mulher, enquanto lida com situações difíceis ao tentar criar uma relação mais profunda com as filhas.

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Nesta película discreta, realço a intensa e rebelde interpretação de Shailene Woodley, na personagem de Alexandra King, filha mais velha de Matt, que nos brinda com os melhores momentos do drama da família. Já Clooney tem apenas uma cena que merece o meu aplauso e me convence. Do meu ponto de vista, certamente distinto do dos brilhantes cinéfilos, Clonney é pouco versátil e muito superficial, não conseguindo transmitir as emoções que o papel exige. Considero que ele é competente no âmbito das comédias light e em papéis sedutores, mas não tem savoir-faire para o drama. Ainda não vi as interpretações dos outros nomeados ao Óscar de melhor actor, mas, definitivamente, não vejo razões para ele arrebatar o tão desejado prémio. Se fosse possível aconselhava-o a tirar partido do charme ficando-se pela publicidade da Nespresso… What else?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Let's look at the trailer (22)

Recordando e homenageando o cineasta francês

domingo, 5 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Message in a bottle (63)

O futebol faz-me pagar mais impostos (por Isabel Stilwell no Destak)

Basta ler as letras gordas dos jornais desportivos e ouvir a conversa de alguns especialistas, para estar a par de que o Sporting está em falência técnica, o Benfica pode ir pelo mesmo caminho e suponho que todos os outros “grandes” clubes têm a coluna do Deve bem mais longa e pesada do que a do Haver. Porque na do Deve estão milhões de euros, e são mesmo milhões, que há anos não pagam ao Estado, já nem quero saber dos outros credores. Não pagar ao Estado significa basicamente que não nos pagam a nós, deixando pensões, reformas, subsídios e apoios à míngua de financiamento, e sendo que o dinheiro do jogo financia misericórdias e assistências sociais, são mais uma vez os mais pobres aqueles a quem o comportamento “caloteiro” dos grandes clubes afecta numa primeira linha.
Sinceramente não sei o suficiente da contabilidade do futebol para entender de onde vem o buraco financeiro, muito anterior à actual crise, e não quero entrar na conversa primária do “ah, e tal, se não pagassem tanto aos jogadores”, porque entendo que há uma lógica de negócio que passa por aquelas transacções, acreditando que dentro da lei da oferta e da procura que rege aquele mercado, como todos os outros, cada um ganha o que vale (pelo menos é o que diz o Dr. Catroga, em declaração feita a propósito do seu vencimento na EDP), mas o que me pergunto é porque é que o Estado é tão condescendente quando são estes os maus pagadores.
É verdade que o futebol é o divertimento das massas, e que quando não há pão, dá-se circo ao povo, mas se esses adeptos perceberem que em cada bilhete que compram pagam o seu custo fácil, mais todos os aumentos de impostos que a situação dos seus clubes impõe ao País, talvez percebam que o futebol lhes está a sair caro de mais. Se não entenderem, então que se aplique o princípio do pagador-utilizador, e todos os adeptos paguem pelo menos os meus impostos.