terça-feira, 31 de agosto de 2010

A Lua pode esperar...

O português que há um mês iniciou no norte do Canadá uma viagem de bicicleta de 35 mil quilómetros de pólo a pólo pelo continente americano.

Nascer é um privilégio de quase todos; viver é uma aventura para poucos
Força Idílio, os colegas estão contigo!

Sigam as aventuras no Bacalhau de Bicicleta com Todos, disponível nas "Outras Marés".

Se tentarem destruir-te por inveja, calúnia,
má-língua, diz que diz, voa mais alto.
Se te criticarem, voa mais alto!
Se cometerem injustiças, voa mais alto!
Lembra-te sempre que esses não resistem
às grandes alturas…

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Perdigão perdeu a pena...(2)

... Não há mal que lhe não venha.

Quando arranjo solução para uma das mazelas da idade, zás!... Aparece outra! Quando não aparece, invento! E nem preciso de consultar o catálogo, basta esmerar-me um bocadinho e consigo, sem esforço, engendrar uma nova macacoa…
Desta vez, mandei-me das escadas do sótão! Desci os últimos cinco degraus de uma só vez. Ia-me matando, escalavrei as costas e um braço, mas ficou-me a doer tudo, até a cabeça (dos dedos…). Foi, de facto, uma sorte não ter batido com a cachimónia porque a probabilidade de ficar com o hemisfério esquerdo do lado direito e vice-versa era grande…e o miolo ficava todo baralhado…
A culpa é desta maldita mania que sei andar de havaianas. Eu sei andar de chinelos de enfiar no dedo, quem sabe andar de havaianas são as brasileiras…
Sempre achei que tinha queda para qualquer coisa… mas acabei, apenas, por cair na realidade…
Se a tendência para “perder a pena” continuar, a minha mesa-de-cabeceira vai assemelhar-se, muito rapidamente, às dos velhinhos… Lágrima artificial, pomadas e óculos já lá cantam...
Para o quadro ser completo só me faltava uma dentadura dentro do copo…

Não depende da posição....

Fazê-lo parado fortalece a coluna,
de barriga para baixo estimula a circulação do sangue,
de barriga para cima é mais agradável,
fazê-lo sozinho é enriquecedor, mas egoísta,
em grupo pode ser divertido,
no w.c. é muito digestivo,
no automóvel pode ser perigoso.
Fazê-lo com frequência
desenvolve a imaginação,
a dois, enriquece o conhecimento,
de joelhos, torna-se doloroso.
Enfim, sobre a mesa ou sobre ao secretária,
antes de comer ou à sobremesa,
sobre a cama ou numa rede,
despidos ou vestidos,
na relva ou sobre o tapete,
com música ou em silêncio,
entre lençóis ou no roupeiro:
Fazê-lo é sempre um acto de amor e de enriquecimento.
Não importa a idade, nem a raça, nem o credo,
nem o sexo, nem a posição económica…
o que importa é que…

Ler é um prazer!...

domingo, 29 de agosto de 2010

She keeps on growing

Slipping through my fingers all the time

No 22º aniversário da minha filha A

sábado, 28 de agosto de 2010

Livros e Mar: eis o meu elemento! (30)

Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.

O primeiro livro que li de Haruki Murakami e redundou num verdadeiro fracasso porque não é de leitura fácil e a ocasião escolhida não terá sido a melhor. Neste romance existem dois universos paralelos que se cruzam numa sucessão de acontecimentos bizarros e de uma forma original e inacreditável. Julgo que me perdi um pouco no meio de tanta subjectividade e profundidade, pois o protagonista procura descobrir-se a si próprio, numa busca constante da sua essência. Muitas questões sem resposta que nos deixam na dúvida e nos levam a pensar se o destino e as escolhas que fazemos terão ou não influência nas nossas vidas. Apesar do insucesso, voltarei a ler Murakami.

Vossa Excelência chamou…? (1)

"Vossa Excelência Chamou", Livros Horizonte, Lisboa, 2.ª ed. 2008
Autor e Ilustrações: Júlio Borja

Tudo o que possa ter interesse saber-se sobre aquisição, manutenção, reparação, calibragem, upgrade e tuning de gatos domésticos.

[…] A questão é de fácil assimilação por qualquer português que no merecido usufruto das suas horas de lazer empastelado frente ao aparelho de televisão tenha já tido, ao longo dos anos, a oportunidade de assistir àqueles filmes de época da BBC em que há sempre uma cena na qual um mordomo cinzentão, com ar pedantolas, responde ao aristocrático tocar de sininho de uma dama de altíssima sociedade […] entrando no salão de visitas da mansão em passo marcial de pinguim emproado, pálpebras a meia-haste e a pergunta sacramental a pairar retoricamente no silêncio da sala, mesmo por baixo do nariz empinado:

“Vossa Excelência chamou…?”

Tá a ver o filme?

Pois, do ponto de vista dos gatos, passa-se exactamente a mesma coisa. Para os gatos, os humanos e os donos em particular são mordomos cinzentões e semi-descartáveis ao seu serviço, dos quais esperam que tomem permanentemente a liberdade de pensar em todas as suas necessidades e caprichos sem que seja sequer necessário chamar-lhes a atenção, até porque eles, gatos, não conseguem fazer tocar sininhos, por mais que se esforcem. […]
[…] Se, posto o que acaba de ser enunciado, ainda sobra ao leitor vontade para se dedicar de alma e coração ao mundo dos gatos, seja bem-vindo, mas não se esqueça em momento algum da regra fundamental do jogo: aí em casa, o meu amigo não passará nunca de um mero mordomo, com tantas hipóteses de ultrapassar o seu bichano na hierarquia social do agregado familiar como um servo da gleba tinha hipóteses, na Idade Média, de aspirar a comprar a pronto um castelo de 24 assoalhadas em condomínio fechado, na Baixa de Lisboa, com canhões em bronze, ponte levadiça com comando à distância, e vista para a Trafaria.[…]

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Os felinos da minha vida...



Um sorriso de princesa feliz
e um salto de bailarina
cruzaram-se à noite ao luar
e criaram a graça felina.

Depois,
Começou uma miadeira do caraças
na vizinhança,
com a gaita dos cios,
e agora só deixando o Pitbull à solta no quintal
é que se consegue dormir.

(Júlio Borja)




Falcatrua científica

A revista americana New Scientist avaliou, em 11 categorias, as qualidades dos eternos rivais canídeos e felinos domésticos e chegou a uma conclusão: os cães são melhores que os gatos.
A revista diz que usar a ciência para resolver essa eterna disputa é uma tarefa difícil, mas refere que os cientistas olharam para as espécies como um todo, e não individualmente para cada animal de estimação, como fazem os donos. Para chegar à conclusão de que os cães são melhores, a New Scientist usou estudos semelhantes sobre as duas espécies em 11 categorias e a pontuação foi muito próxima: 6 a 5 para os cães.
Segundo a revista, os gatos vencem nas categorias cérebro (têm 300 milhões de neurónios, contra 160 milhões), popularidade (há mais gatos do que cães no mundo), vocalização (os gatos podem miar de uma forma que desperta a necessidade de prestação de cuidados humanos), super sentidos (os gatos sentem cheiros, ouvem e vêm melhor que os cães), e meio ambiente (os cães prejudicam mais as outras espécies e consomem mais comida).
Por outro lado, os cães ganham no que se refere à história compartilhada (foram domesticados muito antes dos gatos), laços afectivos (os cães são mais companheiros e os gatos, mais independentes), compreensão (os cães entendem mais palavras), resolução de problemas (os cães destacam-se, por exemplo, actuando como guias de invisuais), maleabilidade (são mais fáceis de treinar) e utilidade (os cães podem caçar, cuidar de rebanhos, fazer segurança, farejar drogas e bombas e guiar pessoas com deficiência).
Assim, o prémio para melhor animal de estimação foi para... o cão!

À partida, afigura-se-me que há aqui uma fraude no que diz respeito às categorias. A categoria que dá pelo nome de “resolução de problemas” parece ter sido metida à pressão, tipo bucha para tapar buracos, visto que o exemplo apresentado é já contemplado na categoria “utilidade”. Por outro lado, também os felinos têm atributos nessa matéria pois libertam-nos da nossa energia negativa… Simplificando, parece-me que estariam empatados.
Vejamos, agora, cada categoria canina per se. História compartilhada (foram domesticados muito antes dos gatos): em que é que isto abona a classe? Em nada! Só confirma que os cães se deixam “comprar” muito facilmente, não dão luta. Laços afectivos (os cães são mais companheiros e os gatos, mais independentes): não tenho argumentos para contrariar esta afirmação, mas (pensavam que eu ia deixar passar esta?...) como dona de gatos e não sendo cientista, posso olhar para as espécies individualmente e não como um todo. Então, os meus gatos são super meigos, super afeiçoados e apaixonados por mim…Ok, os 300 milhões de neurónios servem para alguma coisa, mais que não seja para perceberem que sou eu que os sustento, né? Compreensão (os cães entendem mais palavras): plenamente de acordo. Bobi, busca, busca, senta, quieto, anda, deita…Vocabulário básico. Coitados, uns paus mandados!... Resolução de problemas (os cães destacam-se, por exemplo, actuando como guias de invisuais): outra vez a falar no assunto? Para mim esta não conta. Isto é uma vigarice, os resultados são enganadores. Maleabilidade (são mais fáceis de treinar): mais uma vez se prova que aos canídeos basta um elogio para se deixarem ir na conversa dos donos, não se dão ao respeito, falta-lhes a nobreza e a respeitabilidade dos gatos. Utilidade (os cães podem caçar, cuidar de rebanhos, fazer segurança, farejar drogas e bombas e guiar pessoas com deficiência): numa palavra, TRA-BA-LHO! Felizes os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!... Já no que ao gato diz respeito, passou de um estatuto decorativo a símbolo religioso. Daí para cá, exceptuando uns séculos em que as coisas correram mal, sabiamente vai bajulando o dono, conquistando regalias e passando a santa vidinha preguiçando…Os 300 milhões de neurónios só lhe deram vantagens…
Concluindo e resumindo, talvez a minha atracção pelos felinos se deva ao facto de me sentir mais semelhante aos canídeos (particularmente no número de neurónios, laços afectivos e utilidade...) e, como todos sabemos, pólos opostos atraem-se.
Donos dos cães contradigam-me!... Há quatro anos também eu defendia os canídeos com unhas e dentes, mas isso foi antes de os felinos entrarem na minha vida…

Nota de rodapé: também os felinos são grandes caçadores. À falta de melhor, os meus gatos caçam moscas, mosquitos, melgas, aranhiços e formigas...

Coisas do arco-da-velha... (6)

O gatuno responsável pelo roubo de mais de dez peças de roupa por dia numa cidade do sul de Inglaterra foi finalmente desmascarado. Tem só 13 anos, chama-se Óscar e é um gato...
Durante meses a polícia inglesa seguiu as pistas para encontrar o ladrão que roubava dos estendais e jardins meias, luvas e até roupa interior.
Segundo os donos, o gato agia como se fosse cleptomaníaco mas com uma natureza generosa: trazia roupas para casa na tentativa de os agradar.
Foram os próprios proprietários que, perante o aumento do número de roubos, tiveram de alertar a polícia para eventuais peças de roupa interior femininas desaparecidas.

O casal tinha ido buscar o gato a um gatil de Southampton na altura do Natal e agora pretende adoptá-lo a tempo integral. “Não podemos devolvê-lo depois de ele se ter esforçado por nos trazer todos aqueles presentes. Ele tem uma personalidade encantadora e é um gato muito carinhoso.”
Uma vez que o gato continua a roubar, o casal só precisa de encontrar uma maneira de controlar os seus instintos criminosos.

Coisas do arco-da-velha... (5)

Nova elite de fãs do iPad: os gatos

Quer se goste ou não, é inegável que o iPad é um aparelho cheio de funcionalidades. Mesmo algumas que se desconheciam, até então. Se pensava que o ecrã táctil só podia ser usado por humanos, desengane-se. Circulam pela Net vídeos que provam o contrário. Na verdade, os próprios gatos sabem usá-lo tão bem como nós. E se em muitas coisas o Homem já é ultrapassado pela máquina, resta agora temer pelo domínio felino.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Rio Adentro

......…………………… tão belo e prateado
como o Guadiana, o meu rio encantado
de mansas águas, suspirando amor!

(Lutegarda Guimarães de Caires)


Reflexos


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Outras Marés

Mais uma entrada nas Outras Marés, que é como quem diz, nos blogues que eu gosto. Desta vez, o mundo encantado das miniaturas. Deliciem-se com esta pérola, esta graciosidade, esta preciosidade, este filet mignon...
Miniatures Forever, tiro-lhe o meu chapéu!... Vejam se não tenho razão!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Concorrência

Se, presentemente, já tivesse a tal concessão de praia, este seria o meu rival inimigo e grande amigo.

Parece-vos contraditório? De facto, à primeira vista, este meu discurso encerra uma oposição. Como é que um inimigo rival pode ser um grande amigo? Parece-vos um paradoxo? Na verdade, à primeira vista, um paradoxo é uma contradição. No entanto, nem eu faço raciocínios paradoxais nem o meu rival inimigo e grande amigo é o Camões, embora se chame Luís. O Luís Vaz é que empregou uns paradoxos célebres quando escreveu que
amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente…
Quando eu digo que, se, presentemente, já tivesse a tal concessão de praia (e isto é um “suponhamos”, como diriam o Zezé e o Toni) e que este Luís seria o meu rival inimigo e grande amigo, é uma afirmação que parece contraditória, mas na realidade expressa uma verdade possível…
Passo a explicar. Se ele tem um café (junto à praia) e eu tenho (é um “suponhamos”…) um bar na praia, é natural que haja uma disputa, pois ambos temos um serviço idêntico e queremos angariar o maior número de clientes possível. A isto chama-se concorrência e ele seria o meu rival inimigo. Estão a seguir-me? Mas, acontece que este algarvio Luís, que não é Vaz, até agradece que lá “nã vaz”...
Atão, tenham lá calma, qu'ê cá tenho muito qu’ fazer… se vierem por volta das 11 horas, há muito movimento para as bicas e nã posso fazer torradas… Uns querem a bica escaldada, outros querem abatanado, agora é a moda da bica com uma pedra de gelo… (Ó ZC, ri-te à vontade!)
Este senhor Luís, que não é Vaz, era autoridade da concorrência competente para mandar a malta lisboeta para o meu bar, comer as tostas e beber as “mines”… Nã vaz mais longe, fica logo aí…
Topam, agora, porque lhe chamo grande amigo?
Verdade seja dita que este senhor Luís é uma figura castiça, um autêntico símbolo da Praia da Lota, bastante cáustico e sempre pronto para espetar a sua farpa no presidente da Câmara e as outras bandarilhas no Governo. Embora só tenha 2 andamentos, muito lento e parado, tem, no entanto, ideias geniais para aumentar os lucros, como, por exemplo, levar mais 10 cêntimos pelo ar condicionado ou por ler, sentado numa das mesas…
Estou convencida que este marafado até era capaz de vender arêia na praia…

Gin e Jolas

Gin & Jolas... o nome da minha futura concessão de praia, quando atingir a idade da reforma…

Cabelos louros (quando vamos para velhas viramos louras para não se notarem tanto os brancos…), rugas q.b. (vou aceitá-las, não sou mulher de botox nem lipos), unhas pintadas, calções, camisolinha de alças e chinelos.
Imaginem-me…
Esqueçam! Demasiado deprimente só de imaginar…

Nota: Não faço parte dos AA (Alcoólicos Anónimos) nem dos BC (Bêbados Conhecidos). Só bebo nas férias, durante o resto do ano sou abstémia.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Espero por ti...

… nos meus sonhos…
Já lá vão oito meses! Partiste há tantos dias! Peço, todas as noites, para que faças parte do meu sono. Peço, todas as noites, para sonhar contigo. Peço, mas continuo sem um único sinal teu…
As manhãs passam vertiginosas. Acordo. O desânimo invade-me o espírito. A manhã de hoje não foi diferente das outras. Acordei, mais uma vez, sem ter tido a tua visita. Porquê Pai?...
Espero por ti todas as noites.
Preciso tanto de te ver. Preciso tanto de te falar. Mesmo que seja em sonhos…
Continuo, noite após noite, a aguardar a tua imagem doce. Continuo, noite após noite, a suplicar a tua visita para podermos conversar. Deixa-me abraçar-te uma última vez, mesmo que seja num sonho…
Espero por ti todas as noites.
Espero por ti nos meus sonhos…

domingo, 22 de agosto de 2010

Qual é a vossa praia?


Em algum lugar do Algarve...

sábado, 21 de agosto de 2010

Gosto...e não se fala mais nisso! (18)

Gosto que me elogiem, que me louvem, que me aplaudam, que me honrem. Hoje, sinto-me lisonjeada por as Flores Trágicas, pelas mãos da Papoila, me terem em tão alta consideração. Obrigada Papoila por me fazer constar na lista dos outros clássicos da literatura. Abraços para todas. Tia Poejo

Post por encomenda

Para quem já estava "farto" de ver a bela da bolinha da Nívea, postada no passado dia 8 de Agosto, aqui vai um arzinho da minha graça...
Antes de entrar de férias fui ao médico. Queixei-me, entre outras coisas, de um cansaço geral, tanto físico como mental. Faço parte daquela percentagem da população que pratica a automedicação e só vai ao médico quando o rei faz anos, ou seja, uma vez por ano...

Verdade seja dita que faço todos os anos a consulta ginecológica. Por conseguinte, faço todos os anos as ecografias e a mamografia de rotina.
Curiosamente, este ano resolvi fazer um check-up e, tendo em conta que a partir dos cinquenta anos o prazo de validade vai sendo cada vez mais curto, os resultados podem considerar-se satisfatórios... A idade do condor (com dor aqui, com dor ali...) ataca cada vez mais cedo e julgo mesmo que já nem escolhe idades...
Pois é... antes de entrar de férias fui ao médico. Queixei-me do tal cansaço geral e o médico com um ar super interessado (ironia minha...) receitou-me Sargenor, um complexo vitamínico que ajuda à produção de energia celular. Plenamente consciente de que deveria seguir o conselho médico, mas descrente quanto ao efeito, porque me pareceu uma panaceia ao bom estilo do Melhoral que não faz bem nem faz mal, não aviei a receita.
Parti para férias convicta de que iria melhorar sem ingerir nada a não ser Gin Tónico e "jolas"...
O cansaço agravou-se ao fim de quatro dias de férias. Pudera!... O ar da praia cansa, nadar cansa, andar a pé cansa, comer e beber é cansativo. Até o simples acto de não fazer nada e depois descansar me deixou de rastos...
A solução foi encontrada na farmácia e, tal como reza a letra dos Xutos e Pontapés, "à minha maneira", automediquei-me com Vita Sport, um complexo vitamínico com Ginseng e Ginkgo Biloba.
Nunca tomei Sargenor mas o nome é pouco sugestivo, faz-me lembrar seniores, idosos, sei lá...qualquer coisa ligada à 3ª idade. Já Vita Sport é um nome que sugere vitalidade, entusiasmo, energia e capacidade de trabalho... Se o Ginkgo Biloba é uma espécie que sobreviveu à radiação em Hiroshima na 2ª Guerra, vai ajudar-me, certamente, a sobreviver no emprego e ninguém conseguirá dar-me cabo da molécula (*).
Será que o conteúdo das ampolas de Sargenor não poderia ser substituído por gin tónico?...
O meu cartão farmácia ia ter resmas de pontos porque o gin tónico dá-me asas...

(*) Esta é uma frase que tenho repetido a mim própria, mas ainda não consegui interiorizá-la. Continuo com dúvidas em relação à capacidade de resistência do Ginkgo Biloba...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Neste dia...


...não quero deixar de homenagear uma pessoa especial e que tem um lugar privativo nas minhas recordações de infância, o Senhor Faria, farmacêutico, em tempos idos, na Farmácia Rosa em Caldas da Rainha.


Se a memória não me atraiçoa, o Senhor Faria faz anos hoje...

O ano passado dei-lhe os parabéns pelo telefone, mas como estou de férias e não tenho o seu contacto, deixo-lhe aqui um abraço e com muita estima e consideração desejo-lhe muita saúde e felicidades.


O Senhor Faria faz hoje 86 primaveras!...
Faço votos para que este dia seja repleto de alegria, boa disposição, lucidez e, principalmente, de uma grande vontade de viver!...
Dizia-me ele, há um ano, que morrer é uma injustiça...
Na verdade, pessoas como o Senhor Faria nunca morrem porque fazem sempre parte das nossas memórias e afectos...


Uma pequena lembrança encontrada no site da Farmácia Rosa e gentilmente roubada por mim...

domingo, 8 de agosto de 2010

Memórias e Afectos (63)

Quem é que não se recorda da bolinha da Nívea?
Presente em quase todas as praias!...

Vivências passadas

A minha primeira experiência como campista remonta ao início dos anos 70. A minha amiga B. costumava ir para o parque de campismo da Foz do Arelho e convidou-me. Estive lá três dias... A experiência não podia ter corrido pior, adoeci e só pensava na minha alegre casinha e na minha doce caminha... Para esquecer!... Tive muita pena de deixar a B. e a família, mas, naquela altura, achei que não tinha espírito para campista...


Ainda na década de 70, o parque de campismo da Trindade, situado junto ao campo de futebol do Esperança de Lagos, foi eleito para as nossas férias de Verão e aí passávamos o mês de Agosto. Um luxo!... As nossas férias, claro... O parque era mais um lixo... mas nós adorávamos...


Um mês de férias!... Sem pais e sem telemóvel!... Nestes tempos longínquos não trabalhávamos... Dava-me ao luxo de só trabalhar para o bronze!..

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Memórias e Afectos (62)

Consegui encontrar duas fotos que deveriam ter sido inseridas na rubrica Memórias e Afectos, número 60, sobre as minhas férias em Mafra. Ambas no CMEFED, presentemente CMEFD.

Zorba, O Cão! Era lindo...

Se eu pusesse lado a lado fotos nossas actuais, poderíamos tentar descobrir as diferenças... Ui, ui!

Dona de mim

As minhas filhas foram para o Algarve no dia 29 de Julho.
E o que é que eu deveria fazer? Preguiçar, ler e dormir…
E o que é que eu fiz? Dei em gata borralheira.
Com algumas nuances, claro. Sem madrasta. Sem irmãs. Sem fada madrinha. Sem príncipe.
Sem stress. Sem parar. Sem rei nem roque. Sem fins lucrativos…
Um contra-senso sem razão de ser. Uma autêntica heresia, sem sombra de dúvida.
As minhas filhas foram para o Algarve no dia 29 de Julho.
E o que é que eu deveria fazer? Preguiçar, ler e dormir…
E o que é que eu fiz? Armei-me em Cinderella Man e travei autênticos combates com vários pesos pesados no ringue cá de casa. As cenas de pugilato tiveram lugar em várias divisões da casa e tenho que admitir que fiquei KO em todas. Que cena! O pior combate foi travado com o roupeiro que está na idade do armário…Deu-me luta…
As minhas filhas foram para o Algarve no dia 29 de Julho.
E o que é que eu deveria fazer? Preguiçar, ler e dormir…
E o que é que eu fiz? Disparates! Está visto que não me podem deixar sozinha…

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Flores trágicas

Não foram apenas as minhas filhas que influenciaram o nascimento deste blogue, embora tenham sido causa sine qua non. Na minha iniciação na arte de blogar, também as Flores Trágicas foram uma mais-valia decisiva. Assim, merecem a minha sincera homenagem.
Seis dias antes do “parto” do Balada, e depois de ter lido uma quantidade significativa de “post” das Flores Trágicas, enviei-lhes um e-mail que rezava assim:

Depois da leitura de uma boa parte dos vossos escritos sinto-me uma inculta "tragicamente" imbecil (e eu que pensava que tinha alguma cultura geral…).
Por muito que me custe, confesso que não conheço Grinderman, Thom Yorke, Christian Volckman, Bill Viola, Azazel Jacobs, Grant Gee, Wolfgang Tillmans, Bruce Nauman, Mari Boine, o tio Nick, Joanna Newsom, o Dr. Pedro (o dentista da papoila...), o Sr. Afonso (da Charcutaria Central...). Para não falar das exposições e peças de teatro que me passam ao lado...
Parafraseando uma personagem de Quino...dói-me o orgulho!...
No entanto, conheço o Leonard Cohen (é um rapaz do meu tempo...), o Quentin Tarantino, a Vanessa (a que é casada com o rapaz giro...), a osteopatia, os emplastros, o Coppola e a Sofia, o Sergio Leone, o Italo Calvino, o Clive Owen, o Quique Flores (este conta?!...), o Gary Oldman, a Cate Blanchett, o Stanley Kubrick e Shining (embora disfarçados nos espelhos e duplicações), Ingmar Bergman, jacarandás (são lindos!), Mr. Darcy, Dafoe (sim, sim, o feioso...mas tem qualquer coisa, sei lá!...), Day-Lewis com e sem bigodaça, o Dancing Queen (curiosamente uma das "minhas músicas"...), a Maluquinha de Arroios (desliza papá...), Al Pacino (também preferiria dançar com o Al do que beijar o Andy, se o Andy é quem eu estou a pensar, claro!...), Charles Ryder (adorei...), a versão black do Google, o avô admirável, a coquette da avó O. e a avó F, embora não esteja tão perto dela como tu porque nunca vi nem li o Valley of Dolls...
Os Auxiliares de Crescimento são um tesourinho e eu, saudosista q.b., achei a ideia deliciosa. Conheço todos!... o ZX Spectrum, a fada Sininho, os Legos, o Colégio das 4 Torres, o pula-pula do Morcego Vermelho, o Mancha Negra, o Horácio e a Clarabela (eu sei que não falas destes mas apeteceu-me...), a série Holocausto, a Anita, o Vasco Granja, James Cagnay, Bette Davis, Harold Lloyd, o Carrossel Mágico com o Franjinhas, o Ambrósio e o Saltitão (tornicotim...tornicotão...).
Invejei a visita ao Grémio Literário, não aprecio Michael Jackson, adoro a canção “necessário, somente o necessário”...e é claro que vou continuar a instruir-me nas vossas “tragédias”...até chegar a altura em que poderei frequentar a Universidade Sénior...
Espero que a papoila continue saltitante, que continue a haver um cheirinho a hortelã, que a doutora tulipa continue a embelezar a Rua das Flores e que a valeriana continue a dar-nos uns chazinhos de impaciência...
Bem Hajam! (como diz o senhor do Astro...).
Um beijinho da tia “Poejo”

Presentemente, posso corrigir dois pontos deste texto. Afinal conhecia o Sr. Afonso da charcutaria Central e encontro-me mais perto da avó F. (já vi o Valley of Dolls...).

A resposta ao meu e-mail não tardou:
Tia, isto merecia um telefonema, mas estou sem crédito e não quero falar aqui no serviço. Muito obrigada por tudo o que escreveste, mais uma coisa tua para eu guardar junto ao coração, como outras que tenho.
Eu também não sei coisas que tu sabes e, pior do que isso, nós não sabemos coisas que a A. sabe! As idades e as gerações são isso, mas temos sempre as zonas de intersecção onde nos encontramos todas e onde partilhamos outras coisas.
Bom, na realidade, estou muito contente e comovida por tu teres tido o trabalho de nos leres e de nos escreveres. No sábado, lá estaremos a partilhar cenas.
Beijinhos da R.

Agradeci-lhe por me recordar que existem zonas de intersecção. Semelhantes ao breve contacto físico entre Isabeau d'Anjou e o Capitão Etienne Navarre no filme Ladyhawke.

Bloguiversário

O Balada faz 2 anos!

Signo Leão, claro!...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Preguicemos...

Os gregos da época áurea nutriam desprezo pelo trabalho. Só os escravos podiam trabalhar, o homem livre conhecia exclusivamente os exercícios corporais e os jogos da inteligência.

Deus deu aos seus adoradores o supremo exemplo da preguiça ideal. Após seis dias de trabalho, entregou-se ao repouso eterno...

O trabalho só se tornará um condimento de prazer da preguiça, um exercício benéfico para o organismo humano, uma paixão útil ao organismo social, quando for sabiamente regulamentado e limitado a um máximo de três horas diárias.

sábado, 31 de julho de 2010

Requiescat in pace

Se pudesse matava o bicho a rir...

Portugal ficou mais pobre.
Obrigada pelos momentos delirantes!...

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Livros e Mar: eis o meu elemento! (29)

O título pode parecer um pouco estranho. Foi retirado de um poema do autor, onde diz que queremos ser portugueses nem que seja por casmurrice.
Foi o primeiro romance que li de valter hugo mãe. É uma homenagem ao seu pai falecido há dez anos. Tinha 59 anos e nunca chegou a viver a terceira idade.
Através da personagem central, um senhor viúvo de 84 anos que foi metido no lar Feliz Idade, hugo mãe fala da velhice, da solidão, da decadência e da morte, de uma forma exemplar. De como os idosos definham, vivem contra o corpo em falência e acabam por desistir de viver. Mas, fala também da amizade e das várias formas de amar.
Apesar de ter tido, inicialmente, alguma dificuldade em lidar com a falta de maiúsculas do início das frases (o autor diz que sempre gostou da limpeza das minúsculas), a leitura revelou-se dramática e emocionante. Amei este livro, sublinhei-o, saboreei-o e sensibilizei-me com as frases mais comoventes. Tocou-me principalmente porque o meu pai faleceu num lar. Ler este romance foi como que uma expiação…

…pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias.
a elisa ainda estaria no lar a reconfortar-se pela decisão difícil de deixar ali o pai, e eu sabia que voltaria para se despedir, com um beijo em tudo traidor, e seguiria com a sua vida chorando na viagem de regresso a casa.
…aos meus pés os dois sacos de roupa e uma enfermeira dizendo coisas simples, convencida de que a idade mental de um idoso é, de facto, igual à de uma criança. o choque de se ser assim tratado é tremendo e, numa primeira fase, fica-se sem reacção.
…o lar da feliz idade, assim se chama o matadouro para onde fui metido.

…os quartos da ala esquerda deitam sobre o cemitério mas são ocupados pelos utentes que, infelizmente, já não se podem levantar.
…e tive a certeza de que, mais tarde, quando o corpo me traísse por completo, haveria de estar acamado e mudado para um daqueles quartos com vista para o cemitério, que era o caminho.

…estar para ali metido, naqueles primeiros tempos, era literalmente como se me quisessem matar e não tivessem coragem para optar por um método mais rápido.
…punham-me aqui e deixavam que me finasse segundo a segundo longe dos seus olhos. e eu nem entendia como não haveria de parar o coração só à força daquela tristeza.

…envelhecer é tornarmo-nos vulneráveis e nada valentes, pelo que enlouquecemos um bocado e somos só como feras muito grandes sem ossos, metidas dentro de sacos de pele imprestáveis que já não servem para nos impor verticalidade nem nas mais pequenas batalhas.
…um problema com o ser-se velho é o de julgarem que ainda devemos aprender coisas quando, na verdade, estamos a desaprendê-las, e faz todo o sentido que assim seja para que nos afundemos inconscientemente na iminência do desaparecimento.

…e quando eu fico bloqueado não é por estar imaturo e esperar vir a ser melhor, é por estar maduro de mais e ir como que apodrecendo, igual aos frutos. nós sabemos que erramos e sabemos que, na distracção cada vez maior, na perda de reflexos e de agilidade mental, fazemos coisas sem saber e não as fazemos por estupidez. fazemos por descoordenação entre o que está certo e o que nos parece certo e até sabemos que isso de certo ou errado é muito relativo. é tudo mais forte do que nós.

…este já não se ocupa com nada, está descerebrado. eu achava que não. havia uma água nos seus olhos, uma água permanente que os punha como a lacrimejar. e ele movia-os na direcção de quem entrasse. não movia a cabeça, não bulia um só dedo, que todo o corpo estava desligado, mas mexia os olhos acompanhando-nos e fixando também o nosso próprio olhar. estava encurralado ali dentro, sem movimento nem voz, a descontar o tempo da pior maneira, lentamente.

…o nosso inimigo é o corpo. porque o corpo é que nos ataca. estamos finalmente perante o mais terrível dos animais, o nosso próprio bicho, o bicho que somos. que decide que é chegado o momento de começar a desligar-nos os sentidos e decide como e quando devemos padecer de que tipo de dor ou loucura.
…ser-se velho é viver contra o corpo. o estupor do bicho que nós somos e que já não nos suporta mais. a violência na terceira idade.

…a morte vem mesmo de todos os lados e leva-nos tudo, mesmo aquilo a que nos agarramos para lhe fugir. se o tempo não é linear, a morte não é unidireccional, acomete-nos como um círculo fechado.
…a morte era, afinal, a mais organizada das instituições. cheia de afazeres e detalhes, mas muito competente e certeira.

…os peixes têm uma memória de segundos, três segundos. é por isso que não ficam loucos dentro daqueles aquários sem espaço, porque a cada três segundos estão como num lugar que nunca viram e podem explorar. devíamos ser assim, a cada três segundos ficávamos impressionados com a mais pequena manifestação de vida, porque a mais ridícula coisa na primeira imagem seria uma explosão fulgurante da percepção de estar vivo. a cada três segundos experimentávamos a poderosa sensação de vivermos, sem importância para mais nada, apenas o assombro dessa constatação.

…iam levar-me para a ala esquerda e eu não podia mais defender-me. não me levantava, permanecia estendido com as pernas numa espécie de formigueiro e a boca aberta à súplica do ar.
…o meu cérebro estava a afundar-se, estava a aluir corpo abaixo, já depois do coração, lentamente, a desregular o sítio de cada coisa. o meu cérebro levava-se de mim, anulando progressivamente cada memória, cada desejo. estava no ponto peixe. o glorioso ponto peixe a partir do qual o destino nos começa a ser irrelevante.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Avós

A avó sorriu e foi ver-se ao espelho:
-Sou feia como uma galinha sem penas.
-Não digas isso, mulher! Tu és bonita como o sol, com os teus olhos tristes como as estrelas da noite, as tuas pestanas curtas como erva recém cortada, a tua pele enrugada como as nozes de uma tarte, os teus lábios secos como areia do deserto, o teu cabelo branco como uma nuvem de Verão e as tuas pernas magrinhas como uma andorinha.
A avó apanhou uma margarida, prendeu-a no casaco do avô e aconchegou-se no seu peito. Depois, olhou para o céu, olhou o avô bem nos olhos e disse:
- És tão bonito como a lua!


sexta-feira, 23 de julho de 2010

Papa, are you near me?

Papa, can you hear me?
Papa, can you see me?
Papa, can you find me in the night?

Papa, are you near me?
Papa, can you hear me?
Papa, can you help me not be frightened?

Looking at the skies I seem to see
A million eyes which ones are yours?

Papa, how I love you
Papa, how I need you
Papa, how I miss you
Kissing me goodnight...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

terça-feira, 20 de julho de 2010

Queridos, mudei a casa...

Tirei uma semana de férias. Férias!? Tirei uma semana para trabalhar em casa…
Móveis novos, obras, limpezas, arrumações, lavagem de roupas, idas ao lixo e ao ecoponto. Nos intervalos, fazer comer! Tachos, panelas e pratos! Odeio! Já tive oportunidade de dizer que detesto cozinhar, aliás, a casa ideal não teria cozinha…apenas um espacinho para um frigorífico e um micro-ondas. Talvez um fogão camping gaz
Tirei uma semana de férias. Obrigatoriamente, claro, porque não posso tirar uma semana de licença sem vencimento ou uma semana de baixa de assistência à casa…
Tirei uma semana de férias. Férias!? Férias é não ter horários, levantar tarde, tomar o pequeno-almoço sentada, levar um livro para a praia, mergulhar, sentir os pezinhos na areia. Férias é ir à esplanada, olhar o horizonte sem pensar em nada, esquecer o telemóvel, almoçar e jantar fora de horas, comer sardinhas com pimentos num apoio de praia daqueles abarracados, andar de calções e havaianas, passear, beber um gin tónico ao fim da tarde, rir e conversar com os amigos. Férias é deixar os neurónios em casa… Pronto, está bem, convém levar pelo menos um porque pode fazer falta…
Tirei uma semana de férias. Férias!? Nem acredito que estou a esbanjar dias valiosíssimos de lazer para trabalhar em casa. É estúpido, absurdo e deixa-me com uma vontade enorme de zurrar, mas não tenho alternativa.
Férias… é não ter horários! Férias é levantar tarde!
O pedreiro, que deveria ter vindo de manhã cedo, chegou ao meio-dia... Nada mau, melhor do que não ter vindo! A montagem da marquise às 9 horas de segunda-feira, o electricista aparece às 9 e meia da manhã de terça-feira, o canalizador só pode vir no domingo de manhã, os móveis a partir das 16.30 de sexta-feira. O funcionário dos serviços municipalizados da água chegará entre as 15.30 e as 22.00!!!... Como? Entre as 15.30 e as 22.00! Ah, pensei que não tinha ouvido bem… Deram-me o contacto do Sr. Silva. Se precisar de sair, posso sempre ligar-lhe a saber se ele está a gostar do jantar!...
Tirei uma semana de férias. Mergulho de cabeça nas arrumações, sinto os pezinhos no pó, passeio entre o lixo e o ecoponto, olho o horizonte à espera de ver a camioneta dos móveis e sento-me, completamente exausta, na sala, sem gin tónico e sem vontade de ler. Reparo que estou de calções e havaianas mas suspeito que todos os neurónios partiram de férias sem mim. Não os censuro, já não me podiam aturar…
Tirei uma semana de férias. Resta-me a consolação de pensar (o neurónio que costumo levar de férias ficou com remorsos e voltou…) que mais vale um mau dia de férias do que um bom dia de trabalho…

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A minha onda (19)

Directamente dos anos 70, um "cheirinho" de Camel
para o meu amigo Z.C. no dia do seu aniversário...


domingo, 18 de julho de 2010

Memórias e Afectos (61)

Passou nos anos 80.
A melhor série policial de sempre...

Não desistas dos teus sonhos...

De uma tia-avó para uma prima-tia



sábado, 17 de julho de 2010

Promover o diálogo

A leitura de um bom livro é um diálogo incessante: o livro fala e a alma responde.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Message in a bottle (33)

Não resisto a postar mais um texto do blogue "100 Reféns" (Tiago Mesquita, jornal Expresso)
Deliciosamente sarcástico...

Faça praia no Estoril e leve um tiro na rótula como recordação.

Vá para fora cá dentro. Faça férias em Portugal. Vá para a praia de fato-de-banho no seu automóvel e saia de lá nu numa ambulância. Com direito a visita guiada ao novo hospital de Cascais. Espectacular.
Não sei por que razão a GNR continua a enviar tropas especiais para os palcos de Guerra do outro lado do mundo se pode enviá-las para a Praia do Tamariz ali no Estoril. Fica mais perto, gasta-se menos e a probabilidade de terem que intervir é muito maior. O ambiente é igualmente hostil. Não fica nada atrás de uma Cisjordânia, Iraque ou Afeganistão. Nos intervalos os agentes podem jogar uma máquina no Casino, dar um mergulho ou uma voltinha de gaivota. Ou ainda passear numa daquelas bananas puxadas pelo barco do banheiro.
Quando eu era miúdo brincava-se com baldes, pás e ancinhos. Jogava-se ao prego. Mas as brincadeiras de praia mudaram. Agora brinca-se com facas, revolveres 9mm, dão-se tiros nas pernas das pessoas e facadas no bucho. Portanto, é muito mais agradável. Antigamente havia lutas de areia na praia. Hoje em dia há lutas de gangs.
O banheiro era na altura a pessoa encarregue de fazer a segurança na praia. Agora é a brigada de intervenção da PSP. E desconfio que haja alguns membros dos GOE, atiradores especiais e agentes à paisana a patrulharem as praias. Vi no outro dia um senhor pendurado num colchão de água com cara de quem me partia o pescoço com um puxão de orelhas.
Hoje em dia o Instituto de Socorros a Náufragos aconselha as pessoas a usarem sempre protector, estarem abrigadas às horas de maior exposição solar e sobretudo a não esquecerem de levar para a praia o colete à prova de balas e um par de matracas. E sempre que possível, alugar um toldo ou palhota com vidros à prova de bala, pelo menos nas praias da Linha Cascais/Estoril. O vendedor de bolas de Berlim da praia do Tamariz já anda com um destes coletes vestido e sempe armado. Isto porque houve uma situação com um grupo de jovens que queriam à força uma bola com farofa. O senhor só tinha com creme ou sem creme. Espetaram-lhe um Corneto de chocolate no abdómen e arrancaram-lhe uma orelha à dentada.
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tem pedido aos portugueses para fazerem férias em Portugal. Um incentivo à Economia. E eu estou de acordo com ele. Acho até que ele devia passar quinze dias na praia do Tamariz. Vinha de comboio desde Belém. Fazia a linha toda. Mas sem seguranças. Falava com o povo. Apreciava as vistas. E com um bocado de sorte quando chegasse ali a Algés já ia só em cuecas e sem a Maria.
Sabe sempre bem ir comprar um gelado ao café e levar dois tiros numa rótula. Faz sentido. Come-se o gelado e fica-se com uma "perna de pau". Até já há quem diga "olhe, queria um perna de pau mas só meia perna porque ainda tenho uma bala do ano passado alojada no tornozelo". Um jovem pediu um Magnum e levou logo com uma rajada de G3 no tórax. E há quem tenha ficado com as ruflles de presunto espalhadas na calçada porque levou com uma bala perdida em cheio no pacote".
E depois uma pessoa vai-se queixar às autoridades: "Senhor agente a minha filha estava ali a fazer um castelo de areia e fizeram-lhe mal". "Ó meu amigo aqui ninguém faz mal a ninguém. Isto é tudo gente boa." "Ó senhor agente mas a pequena levou sete `catanadas´ nas costas e está toda rasgadinha". "Sete? Muito bem. Isso realmente deve ter incomodado a miúda. Deixe-nos só acabar os caracóis e as imperiais e já vamos tomar conta da ocorrência".

terça-feira, 13 de julho de 2010

Message in a bottle (32)

Tudo a trabalhar até aos 100 anos: vamos pôr os idosos a dar o litro
(por Tiago Mesquita, Jornal Expresso)

Bruxelas quer mudar a idade de reforma para os 70 anos. Mas deviam ir mais longe. Até aos 100 pelo menos. Pôr a malta reformada e pensionista a fazer alguma coisinha útil.
Passam todo o dia sem fazer nenhum. Coçam-se. Os idosos e não a malta de Bruxelas entenda-se. Estes últimos fartam-se de trabalhar. Uns mouros. Já os primeiros ou estão sentados ou estão deitados. A fazer lembrar o menino Jesus nas palhinhas deitado que Herman José tão bem retratou. Vêem a Fátima Lopes e o Preço certo em euros. Riem quando o alpinista sobe e se "esbardalha" montanha abaixo ou quando o "Gordo" manda um piropo à Lenka da montra de prémios. Está a tarde ganha. Venha a sopinha de nabiças que o Malato é já a seguir.
Os senhores da Europa precisam de todos a trabalhar. Como se sabe a taxa de desemprego jovem é praticamente zero na zona Euro (desculpem mas tive de parar para me rir). Porque é que alguns apenas por terem umas rugas a mais e não se conseguirem deslocar podem ficar alapados ao sofá ortopédico? Toca a mudar a rota do GPS no andarilho. Em vez de irem para o parque jogar à bisca lambida e falar do preço dos medicamentos que tal ajudar a Economia europeia que bem precisa?
"Ah e tal mas eu passei toda a minha vida a cavar batatas, estou cansado". E então? Ninguém mais especializado do que o senhor, um jovem de 87 anos para ir empacotá-las para uma fábrica. "E eu passei 65 anos a costurar, tenho as minhas mãos todas desgraçadinhas". Então e quem melhor do que a senhora para ir trabalhar para uma fábrica de calçado, a coser botas com uma máquina Industrial? Tem as aptidões. "Mas eu já não me consigo mexer, estou entrevadinha". Não faz mal, não é preciso, aquilo mexe-se sozinho. Tem uns botõezinhos e tudo. Ponha os olhos no Senhor Manoel de Oliveira. Aos 150 anos de idade ainda vais estar a filmar o `Aniki bóbó 3´ - O bóbó final.
Portugal é um país envelhecido. A taxa de natalidade tem diminuído drasticamente. Junta-se a crise, falta de poder de compra e o desemprego a rondar os 11%. E este génios da Europa o que pretendem fazer? Uma política que vise criar soluções de emprego? Verdadeiros incentivos aos jovens? Não. Pôr as pessoas a trabalhar até caírem para o lado. Elimina-se a fase em que só dão despesas de saúde. Da fábrica, empresa, ou serviço público directamente para o cemitério. Os pensionistas e reformados passam a ser trabalhadores. As pensões e reformas deixam de ser um peso e passam a designar-se vencimento. Isto sim é combater o desemprego. Quanto aos jovens desempregados eles que tenham calminha que ainda vão ter muitas décadas para trabalhar. Se começarem aos 50 a estagiar ainda têm 50 pela frente para contribuir.
Porque não transformar os lares de idosos em empresas cotadas na bolsa? Ficávamos com a PT para os "boys" e os Centros geriátricos para os "oldies". Vale tudo nesta Santa Europa. Se isto continuar assim ainda vamos ter o coveiro a enterrar-se a ele próprio.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

domingo, 11 de julho de 2010

Fiesta em Espanha

Os espanhóis são convencidos? São, mas parece que têm razões para isso!...
Agora, não vai faltar quem diga mal da vitória espanhola, mas isso não passará de dor de cotovelo. Portugal não chegou à final, é pena, mas julgo que a nós também não nos faltou presunção, embora fiquemos sempre por aí… Talvez em 2014, se os nossos jogadores lutarem mais pela camisola e não ficarem só pela vaidade…
Os portugueses deviam esquecer as rivalidades do passado. O tempo dos Filipes e da padeira de Aljubarrota já lá vai. A maioria dos espanhóis não gosta dos portugueses? Talvez, embora eu não tenha razões de queixa… A maioria dos espanhóis detesta os portugueses? Talvez, mas não devia detestar porque os portugueses acham que a exclusividade do ódio deveria ser só nossa. A grande maioria do povo português não gosta mesmo dos espanhóis, só se for do molho para os carapaus…
O que custa a "engolir" é a vitória espanhola. Se ainda fosse a selecção do Butão ou do Sri Lanka ainda vá... Até se fosse a Inglaterra a ser campeã do mundo, os amargos de boca não existiriam. No entanto, os ingleses de outras eras também tentaram pôr-nos a pata em cima... mas isso não interessa nada! Os ingleses nem são espanhóis!...
Pode ser que com a vitória no Mundial, os espanhóis se animem, dêem a volta por cima e a gente ainda possa beneficiar com isso.
Não sei se deveria postar este pequenino texto. Tenho algum receio que os anti-espanhóis, afogados na azia da nossa derrota e na vitória de Espanha, me queiram expulsar do país ou lançar-me uma macumba!
Não será melhor ir à bruxa? Ou ao polvo alemão…

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Génio da Garrafa

Não nascem bebés na família há 14 anos…
Agora, há 2 a caminho! O bebé da minha sobrinha R. e o bebé do meu primo G.
Há que comemorar! Há que festejar!
Como eu adoro gin, façamos um brinde aos futuros papás e mamãs, desejando-lhes as maiores felicidades. Tchim, tchim! À vossa! No entanto, a ocasião merece o melhor gin do mundo… O Gin!

O Gin Hendrick’s é produzido artesanalmente em minúsculas quantidades de 450 litros de cada vez, numa destilaria pequena do Ayrshire, na Escócia.
Existem quatro alambiques Carter-Head em todo o Mundo. O que produz o Hendrick’s foi construído no século XIX em Londres, tendo sido depois restaurado à sua condição original por técnicos especialistas em cobre. Em vez de ferver cruelmente os seus ingredientes, o Carter-Head "banha" os mesmos em vapores. Controlando o processo através das janelas redondas, os técnicos forçam o processo de aquecimento a ser o mais lento possível. Este processo faz uma enorme diferença nos sabores. Quanto mais calma a destilação, mais suave e mais meticulosa a infusão. Isto é especialmente crítico quando se lida com o peculiar arranjo botânico que faz do Gin Hendrick's um gin tão extraordinário. Contém, para além dos tradicionais ingredientes (zimbro, coentro e sumo de limão), infusão de pepino e pétalas de rosa.

A garrafa de Hendrick’s tem um formato semelhante a um frasco de uma antiga farmácia. Porquê? Porque esses frascos tinham como propósito proteger os delicados poderes de cura que os líquidos continham. Se fez sentido nesses tempos, consequentemente, também faz sentido nos dias de hoje que tão espirituosa, deliciosa, aromática e ímpar bebida como o Gin Hendrick’s seja mantida da mesma forma.
Experimente-o on the rocks ou tónico, juntando-lhe uma rodela de pepino ou pétalas de rosa. O resultado é maravilhosamente refrescante, com um aroma excepcional…

Message in a bottle (31)

Não vai ser fácil (in DN magazine)

As medidas de austeridade vão cair-nos em cima com uma dureza da qual ainda não tomámos bem consciência. Mas talvez tenham algum efeito benéfico na educação dos nossos filhos.
Talvez estas gerações que vão ser afectadas pela tempestade depois da grande bonança percebam finalmente que o dinheiro não vem do multibanco, que as férias não são sempre no Brasil ou nas Caraíbas, que «ir à neve» não é uma obrigação, que no mundo não é tudo descartável (o telemóvel avaria-se, compra-se um de última geração; a PS2 deita-se fora porque os novos jogos são para a PS3), que vestir “marcas” não é fundamental para a afirmação da imagem, que os livros e os mp3 não fazem parte do pacote “cama, mesa e roupa lavada”, que dar carta e carro aos 18 anos não é uma obrigação parental.
Vão percebê-lo da pior maneira possível, claro. Porque nós, pais, que permitimos que crescessem a pensar que podiam ter tudo, que acabámos sempre por lhes dar o que pediam, fosse porque não queríamos que se sentissem excluídos, ou porque precisávamos que estivessem entretidos enquanto trabalhamos dez horas por dia e gastamos quatro no trânsito, ou simplesmente porque a abundância era grande e o preço acessível, vamos ter de os confrontar com a dura realidade: não há.
Não vai ser fácil.
Mas vai ser-lhes útil.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Dupla delícia

O mais belo triunfo do escritor é fazer pensar os que podem pensar

Charles Wysocki's Cat Painting

Lembrou-me a Florbela, Livraria 107, Caldas da Rainha

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Memórias e Afectos (60)

Em meados da década de 60, assim como nos primeiros anos da década seguinte, passava, quase sempre, algumas semanas das minhas férias grandes em Mafra.

Os meus pais nunca alugaram casa nem nunca fomos para uma pensão, residencial, afins e similares. Eu passava férias no quartel! Juro que estou a dizer a verdade! Primeiro, na E.P.I (Escola Prática de Infantaria) e já no início dos anos 70, no Centro Militar de Educação Física, Equitação e Desportos, hoje, CMEFD.
Enquanto a grande maioria dos mancebos, que chegava à Escola Prática de Infantaria, sabia que era certa a mobilização para qualquer uma das frentes da guerra colonial, eu chegava à E.P.I. para gozar dias de férias… Enquanto eles cumpriam normas e imposições, no rígido convento quartel, eu fazia do quartel um recreio sem regras, tendo como única obrigação estar em casa à hora das refeições…
Naquela época, não tinha noção de que a Escola era um espaço concentracionário de formação e instrução militar, nem fazia ideia de que as tropas que embarcavam para lutar nas colónias eram, na sua maioria, forçadas a fazê-lo. Na minha ideia naïf, o serviço militar obrigatório não implicava forçosamente lutar em África e quem para lá ia era de livre e espontânea vontade… Santa ignorância!...
Deixo aqui um apelo aos meus primos F., ZZ e J., para que me censurem (sem lápis azul…) se faltar, inadvertidamente ou por desconhecimento, à veracidade de alguns factos.
À data, o comandante da instituição era o Coronel Ribeiro de Faria, substituído mais tarde pelo Coronel Hilário da Gama. O meu tio C.H., militar de carreira, tinha direito a residência no quartel e a um impedido, um soldado que estava ao seu serviço particular e pelo que me lembro também cozinhava.
Não me consigo recordar se o meu tio estava sempre presente, durante as minhas permanências veraneantes, apesar de saber que nos finais dos anos sessenta, esteve seguramente na Guiné.
Recordo-me de três casas. Entrando na porta de armas, tornava-se sempre difícil chegar a qualquer uma das residências, pois os enormes corredores e escadarias eram perfeitamente labirínticos… Só ao fim de várias tentativas e erros, conseguia fixar, finalmente, o caminho. Uma das casas tinha mesmo um corredor medonho, com portas de um lado e do outro, que me assustava um bocado e, influenciada, talvez, pelos livros de aventuras que lia na época, cheguei a ter “visões” e a fazer “grandes filmes”… De uma das outras moradas, menos assustadora, tenho algumas lembranças engraçadas, como ficar atónita ao ver os meus primos a limpar a boca aos enormes cortinados que pendiam das não menos enormes janelas, ou ter que me empoleirar, à noite, para chegar à colecção de revistas de BD, mais propriamente, Pato Donald, Mickey, Pateta, Tio Patinhas e Zé Carioca, publicadas pela Editora Abril. Actualmente, ainda me interrogo porque razão os meus primos guardavam essas revistas num armário de tão difícil acesso. Seria propositadamente para eu não chegar lá?... Quero acreditar que não!... Foi, ainda, nesta casa que vi o meu tio C.H. dar uma estalada à F. pela sua irreverência. Isto passou-se ao almoço, eu fiquei muda de medo e ela não apareceu em casa até ao jantar.
Entre sessenta e nove e setenta e um, o meu tio foi comandante no Centro Militar e a residência tinha, a meu ver, uma localização perfeita.

Situada dentro da Tapada, pertíssimo do picadeiro e a poucos minutos da piscina… Foi neste picadeiro que houve uma prova de saltos de obstáculos e recordo o nome Pimenta de Castro. Será possível?...
Não tenho uma ideia precisa do interior da casa, mas sei que as revistas de BD estavam acessíveis e o Zorba, o pastor alemão da família, tinha uma pequena divisão só para ele. O meu primo J., mais velho que eu dois anos, não era grande companhia. Julgo que nessa altura me via como uma miúda tonta e a gente desta laia não dava confiança nenhuma… O ZZ já pouco parava em casa e quando eu, entusiasmada, contava as minhas visitas aos cavalos, ele gozava-me chamando-lhes pilecas…
O Zorba foi um grande “cãopanheiro” nos meus passeios pela Tapada e “praticava hipismo”, saltando obstáculos no picadeiro. Adorava pôr-nos coisas aos pés e aguardava, pacientemente, que as atirássemos para as ir buscar… A cena repetia-se até à exaustão, a nossa, claro! O meu pai, sempre defensor da classe canina, dizia que eu estupidificava o animal. Agora dou-lhe razão! Mas o Zorba não era um cão qualquer, era O Cão!... Ficará para sempre nas nossas recordações…
A sala dos oficiais, no Centro Militar, ficava num edifício térreo. Foi aqui que passámos muitas tardes a jogar Poker de dados e me tornei uma expert. Foi também aqui que montei o posto de vigia ao meu tio, enquanto a minha prima, que já guiava, fumava às escondidas…
Nessa altura, ela tinha um Hillman Imp vermelho e levava-me a dar umas voltinhas, que não passavam de escapadelas amorosas, servindo-se de mim como pau-de-cabeleira, mas isso não me afectava nada. Curiosamente, foi num desses “passeios mistério” que conheci o F., um bacano que é marido dela…
Aposto que já nenhum de vós se recorda destes episódios burlescos, mas por razões que desconheço, ficaram numa das minhas “gavetinhas” de memórias…

Com a minha tia M. passeava de carro até à Ericeira ou até à modista, que morava em Paz, uma pequeníssima povoação à saída de Mafra e a caminho da Ericeira.
A minha tia M., que eu sempre adorei, era uma mulher vistosa e aparentemente uma mulher de armas, mas quem a conhecesse bem, saberia que era uma mulher sensível, romântica e sonhadora, incapaz de levantar a voz mesmo em momentos mais coléricos, enfim, um doce… Sempre gostei da sua companhia porque éramos ambas boas ouvintes. Anos mais tarde, tomei consciência de que tinha mais parecenças anímicas com ela do que com a minha mãe, eterna terra a terra, pouco dada a idealismos e muito pouco poética…No entanto, não quero deixar de frisar que adoro a minha mãe, e as suas particularidades ainda me fazem rir (e a ela também…).
O meu pai detestava passar férias em Mafra porque era demasiado perto de casa e por causa do tempo sempre instável. Dizia ele, na brincadeira, que saindo de casa pela porta da frente era Inverno, saindo pela porta das traseiras, era Verão…
Nesses saudosos anos, o tempo nunca me impediu de fazer o que me dava na real gana. O tempo passava tranquilo e doce na paisagem de sonho da minha vida, como as águas calmas de um rio a caminho da foz…
Nesses saudosos anos, a idade era outra… Outros tempos…

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Hoje, há sacanas à sombra!

... aliás, assa canas à sombra!...
O calor excessivo põe-me assim, completamente de rastos...

Empresa na Hora


Assim vai o mundo...

Como diria o meu pai, já velhinho, mas sábio...
"Se não dá dinheiro, não interessa nada..."

sábado, 3 de julho de 2010

Imagens e Sabores

Adicionei, à lista das Outras Marés, três blogues "deliciosos"...
As receitas são acompanhadas por fotografias excelentes. As autoras juntam a arte de cozinhar com a arte fotográfica e o resultado final é mesmo de fazer crecer água na boca...
Deixo aqui uma pequena amostra do que podem encontrar por lá.

É costume dizer-se que "os olhos também comem" e garanto que os meus comeram aquelas iguarias todas... Felizmente que não engordamos com a visão celestial destas gulodices...