terça-feira, 18 de outubro de 2011

Message in a bottle (58)

A lógica do sistema (por J.L. Pio Abreu in Destak)

O sistema financeiro que nos governa tem uma lógica implacável: a selecção dos fortes, que mais fortes ficarão, e a aniquilação dos fracos. O truque está nos juros que substituíram os dividendos da riqueza produzida. Os mais ricos (pessoas, famílias, empresas, Estados) podem pedir emprestado com juros baixos, frequentemente para emprestar com juros elevados. É tudo ganho. E a quem vão eles emprestar? – Aos mais fracos, que são esmagados pelos juros até à sua aniquilação. Sugado o pouco dinheiro que tinham, serão depois desapossados dos seus bens.
Este sistema foi imaginado por Milton Friedman e seus colegas de Chicago, e implementado por Ronald Reagan e Margaret Thatcher. O ideólogo de serviço era Friederich von Hayek, um filósofo-economista com formação biológica e psicológica que se baseou num apressado modelo darwiniano da evolução espontânea através da selecção natural competitiva. Por outras palavras, o seu modelo era a selva. Cego para a Declaração Universal dos Direitos Humanos e para a Justiça Social, von Hayek argumentava que a natureza também não era justa.
Mas ninguém pensou que a actividade predatória, comandada pelos CDSs (Credit Default Swap) e pelas agências de rating, atingisse as proporções actuais. A desconfiança e o salve-se quem puder acabaram por paralisar a Europa, onde apenas se pergunta quem será a próxima vítima. E já todos perceberam que têm de inverter a lógica do sistema. Afinal, na selva, nem os elefantes estão seguros.

sábado, 15 de outubro de 2011

Faz sentido...

Pensamos que repetimos correctamente os ditos populares, mas alguns não faziam sentido nenhum até ler estas dicas que me chegaram por e-mail.

Hoje é domingo pé de cachimbo... e ficávamos imaginando como seria um pé de cachimbo, quando o correcto é: HOJE É DOMINGO PEDE CACHIMBO... porque o domingo é um dia especial para relaxar e fumar um cachimbo ao invés do tradicional cigarro (para aqueles que fumam, naturalmente...).
Parece que tem bicho carpinteiro… uma grande dúvida na infância, um bicho pode ser carpinteiro? O correcto é: PARECE QUE TEM BICHO NO CORPO INTEIRO. Aqui está a resposta ao dilema de infância…
Cor de burro quando foge… Mas o burro muda de cor quando foge? O correcto é: CORRO DE BURRO QUANDO FOGE… Posso não entender, mas tem mais piada na forma errada…
Quem tem boca vai a Roma. Pensava eu que quem sabia comunicar ia a qualquer lugar! Mas o correcto é: QUEM TEM BOCA VAIA ROMA! (isso mesmo, do verbo vaiar).
Cuspido e escarrado. Dizemos isto quando achamos alguém muito parecido com outra pessoa. O correcto é: ESCULPIDO EM CARRARA (Carrara é um tipo de mármore…).
Mais um famoso... Quem não tem cão, caça com gato. Este também entendia, mas de forma errada. Se não tem cão para ajudar na caça, o gato ajuda! Tudo bem, o gato só faz o que quer, mas até podia estar de bom humor! O correcto é: QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COMO GATO, ou seja, sozinho!...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Momentos de incerteza...

Não chegavam já os inúmeros problemas monetários e sociais que nos esperam e nos deixam a falar sozinhos na rua da amargura, ainda tinha que aparecer mais um revés! Lá diz o ditado nem só de pão vive o homem e como tal também há que alimentar o espírito, e o meu gosta de coisas bem suculentas…
Estou num desassossego porque a sexta temporada de Dexter, que arrancou nos States a 2 deste mês, poderá ser a última! Nem estou em mim…se eu já andava macambúzia (mais uma palavra engraçada), enquanto não houver “fumo branco” para mais duas temporadas, vou andar taralhouca (outra palavra gira…).
Michael C. Hall pede 17 milhões de euros para renovar o contrato e a Showtime só quer dar 14 milhões… A audiência do primeiro episódio da sexta temporada foi, somente, a melhor estreia da história desta estação de televisão dos últimos 14 anos. Vamos ter esperança! Até lá, são momentos de incerteza...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Como sempre...

... José Gomes Ferreira notável!...



Em relação à situação a que chegámos até agora eu continuo à espera que os responsáveis, como aconteceu em outros países, sejam chamados a dizer-nos porque é que fizeram negócios do estado absolutamente ruinosos!
E o Sr. Procurador da República, que foi avisado por Juízes ou ex-Juízes do tribunal de contas, que tem os relatórios todos, de que é que está à espera para investigar a sério o que é que foi feito?
Que se chamem pessoas que continuam no Parlamento a justificar o injustificável e que respondam não só em termos políticos mas em termos judiciais, respondam ao país, que foi muito grave o que fizeram. E aqui há governantes, ministros, secretários de estado e outros que já deviam de estar a responder por isto...

Pensamento (estúpido) do (meu) dia - 1

Como durmo sempre a sono solto, o verdadeiro sono dos justos, caso volte a necessitar de uma cirurgia, vou sugerir fazê-la, sem anestesia, entre a 1 e as 7 da manhã…

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Eu quero um loft só para mim!...



(imagens cedidas pelas Net e "gentilmente" roubadas por mim...)

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Tábua de salvação...

No último fim-de-semana (8 e 9 de Outubro) fomos ao baptizado da I. em Tábua e ficámos no Hotel Turismo de Tábua. Não foi a primeira vez que ficámos neste hotel, mas há muitos anos que não ficava ali hospedada. Nota-se a passagem dos anos, principalmente nas alcatifas e em alguns móveis, mas a simpatia dos funcionários, o pequeno-almoço buffet variado q.b. e agradável, a localização e o preço acessível, fazem-nos esquecer que o tempo passou por ali. Fiz a reserva através do Booking e atribuo a este site nota positiva.
Curiosamente, na véspera da minha viagem, na rubrica "Ir é o melhor remédio" (que eu já tive ocasião de comentar de modo desfavorável...), o palhaço do Martim Cabral ficou hospedado, nada mais nada menos, na suite real do Convento do Espinheiro, pela modestíssima quantia de mil (1000) euros!...
É evidente que não podemos fazer comparações. Comparar o Convento do Espinheiro com o Hotel de Turismo de Tábua é o mesmo que querer comparar a Bela e o Monstro. Comparar a suite real com o meu quarto triplo é querer comparar a Irina Shayk com a Duquesa de Alba, mas a minha despesa (55 euros!...) está em consonância com o apertar do cinto que nos é imposto e que não nos permite luxos, caprichos ou extravagâncias...
Tábua, a minha tábua de salvação para sair do fastidioso dia-a-dia. Gosto de Tábua! (e também gosto da tábua de queijos). À tábua de passar a ferro já não ligo importância, faço tábua rasa...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Gosto...e não se fala mais nisso! (26)

Livros e Mar: eis o meu elemento! (49)

António Sousa Homem nasceu no Porto em 1921, vive em Moledo e actualmente escreve no Correio da Manhã, aos domingos.
O Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho decidiu incluir as crónicas de António Sousa Homem num dos seus mestrados. Agora, entendo a razão. A sua escrita é brilhante, imaculada, rigorosa, sem falhas. Já ninguém escreve assim, só mesmo um “reaccionário minhoto”…
Apesar de o meu avô paterno, já falecido há muito, ter nascido uns bons anos antes de António Sousa Homem, tinha uma escrita similar, não no conteúdo, mas no talento e na qualidade. Talvez porque o meu avô paterno, nascido em Monção, foi, também, um reaccionário minhoto…
Ao ler “Um Promontório em Moledo” pensei como teria sido curioso conhecer a Tia Benedita, a matriarca dos Homem, o velho Doutor Homem, que lia o Telegraph, o Tio Alberto, o bibliófilo de São Pedro de Arcos e Dona Ester, a primeira mulher da família a ter um carro. Fiquei ainda com vontade de conhecer Maria Luísa, a sobrinha esquerdista, Isabelle, a pequena holandesa, namorada do sobrinho Pedro, Dona Elaine, a governanta do eremitério de Moledo, mas, sobretudo, fiquei com vontade de me sentar no cadeirão da varanda, ao fim da tarde, a ouvir as histórias de vida de António Sousa Homem, deixando-me enfeitiçar pelas suas palavras…

Moledo

«O meu médico de Viana (a quem recorro nas aflições, e que vigia o temperamento das coronárias e do fluxo renal) não o diz, mas sei que a longevidade dos Homem o aflige como um milagre da província. O segredo é só este: espremer a pasta de dentes pelo fundo, não ler demasiados romances, manter os retratos dos antepassados, levantar cedo e evitar ceder à indignação. Depois de fazer oitenta e cinco anos, já lá vão uns tempos, a família trata-me como uma página do álbum de glórias, anterior ao Titanic, destinado ao naufrágio ou ao museu. Faço o que posso, só para não os desiludir.»

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Livros e Mar: eis o meu elemento! (48)

Foi gratificante ler ThrityUmrigar, mais um(a) autor(a) indiano(a) que me deslumbrou. “Bombaim, a um mundo de distância” é um livro magnífico. Depois de ter lido Aravind Adiga e Vikas Swarup, este livro é mais uma visão bastante cruel da estratificação da sociedade indiana e das disparidades entre as classes. Segundo a autora, esta é uma história sobre os ricos e os pobres e os desequilíbrios entre eles.
“Bombaim” conta-nos a história de duas mulheres, a patroa Sera Dubash, de uma casta superior, logo, socialmente culta, privilegiada e rica, e Bhima, a empregada doméstica, que, apesar de trabalhar para Sera há vários anos e ter com ela vínculos de consideração e amizade, é diariamente humilhada e reduzida à sua insignificância (não pode usar os mesmos talheres e utensílios, nem utilizar os assentos da casa), embora este tratamento seja, social e culturalmente, legítimo e aceite no contexto indiano.
Sera mora com a filha Dinaz, que está grávida, e o genro Viraf. Estes vieram morar com ela depois do marido de Sera ter falecido. Bhima vive com a neta, uma rapariga de 17 anos, também ela grávida, num enorme e imundo bairro da lata, e não se conforma com a gravidez indesejada da neta, que vê ameaçada a sua formação universitária, proporcionada por Sera.
Pressionada pela avó, Maya confessa que o pai do futuro filho é um colega da universidade, mas Bhima descobre, depois de ser vexada, que é mentira. Abortar parece ser a solução e é Sera, novamente, que auxilia a empregada e a neta, levando esta a uma clínica de um amigo do genro para fazer o aborto.
É a partir deste acontecimento que a história ganha dinamismo. Enquanto a narrativa avança, Sera e Bhima vão-nos brindando com as suas recordações do passado e o final leva-nos a “testemunhar”, impotentes, uma injustiça amarga… Nas diferenças sociais, culturais e religiosas há sempre o elo mais fraco…

Bombaim

Na Bombaim actual, Thrity Umrigar apresenta-nos duas mulheres separadas pelo rígido sistema de classes indiano. Sera Dubash é uma dona-de-casa de classe média-alta cuja riqueza e opulência escondem a vergonha de um casamento em que sempre sofreu abusos. Bhima vive num imenso bairro de lata, toda a sua vida só conheceu desespero e perda, e trabalha como empregada doméstica para a família Dubash há mais de vinte anos. Estas mulheres pouco deveriam ter em comum, mas os seus percursos apresentam mais pontos de contacto do que à primeira vista se poderia imaginar. Uma reflexão elegante sobre a ligação intrínseca de todos os seres humanos e uma análise subtil da natureza das classes sociais e do poder na Índia.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Relembrar...

... neste Dia Mundial do Animal

Notícias insólitas

(via e-mail, agradeço ao meu amigo JC)

Como seria noticiada hoje a história do Capuchinho Vermelho...

TELEJORNAL - RTP1
"Boa noite. Uma menina chegou a ser devorada por um lobo na noite de ontem... mas a actuação de um caçador evitou uma tragédia".

JORNAL DA NOITE - SIC
"Notícia de última hora. Uma menina foi literalmente engolida por um lobo quando se dirigia para casa da avó. Uma história aterradora mas com um final feliz, a linda criança foi retirada viva da barriga do lobo!"

JORNAL NACIONAL - TVI
"Onde estão as autoridades deste país?! Uma menina ia sozinha para a casa da avó a pé! Não existem transportes públicos naquela zona? Onde está a família desta menina? E a Comissão de Protecção de Menores? Tragicamente esta criança foi devorada viva por um lobo. Em épocas de crise, até os lobos, animais em vias de extinção, resolvem aparecer?! Isto é mais uma consequência da actual governação portuguesa."
Entretanto manifeste a sua opinião e ligue para:
707696901 se acha que a culpa é do lobo
707696902 se acha que a culpa é do capuchinho
707696903 se acha que a culpa é do governo

CORREIO DA MANHÃ
"Governo envolvido no escândalo do Lobo"

JORNAL DE NOTICIAS
"Como chegar à casa da avozinha sem se deixar enganar pelos lobos no caminho"

Revista MARIA
"Dez maneiras de levar um lobo à loucura na cama"

A BOLA
"Lobo será reforço de inverno na Luz"

LUX
"Na cama com o lobo e a avó"

EXPRESSO
Legenda da foto: "Capuchinho, à direita, aperta a mão do seu salvador". Na reportagem, caixa com um zoólogo explicando os hábitos alimentares dos lobos e um imenso infográfico mostrando como Capuchinho foi devorada e depois salva pelo lenhador.

PÚBLICO
"Lobo que devorou Capuchinho Vermelho seria filiado no PS"

O PRIMEIRO DE JANEIRO
"Sangue e tragédia na casa da avozinha"

CARAS
Ensaio fotográfico com Capuchinho na semana seguinte: Na banheira de hidromassagem, Capuchinho fala à CARAS: "Até ser devorada, eu não dava valor à vida. Hoje sou outra pessoa."

MAXMEN
Ensaio fotográfico no mês seguinte:"Veja o que só o lobo viu"

SOL
"Gravações revelam que lobo foi assessor político de grande influência"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Marketing...

Leiam com atenção...

domingo, 2 de outubro de 2011

Dia D (de Dexter...)

A 6ª temporada de Dexter estreia dia 2 de Outubro de 2011!
É hoje, é hoje!...

1º episódio Those Kinds of Things

Home Made (2)

Lasanha de vegetais
(o aspecto pode não ser apelativo, mas estava muito bom...)

sábado, 1 de outubro de 2011

Save the books

A carga da brigada ligeira

A brigada da caixinha, do termo ou da marmita (julgo que em desuso), conforme o recipiente adoptado, é uma nova doutrina que conta com muitos fervorosos seguidores. No artigo da revista Notícias Magazine, de 18 Setembro de 2011, podia ler-se: Gerir o tempo, cuidar da saúde e poupar dinheiro. Três motivos das «brigadas» da caixinha, profissionais que optam por não ir ao restaurante à hora de almoço e comer o que levam de casa no local de trabalho. Hábito de pobre? Já foi tempo. Sinal de inteligência, dizem eles. E os médicos.

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Também já faço parte destes profissionais dedicados e doutrinados que prestam culto à Tupperware. Presentemente, a minha vida é comandada pelo hardware, o software e, claro, o tupperware
Uma brigada é um conjunto de efectivos, um grupo de pessoas. Gosto da palavra, gosto do conceito, vá-se lá saber a razão. É como a palavra beringela, é engraçada… Pertencer a esta brigada dá-me gozo. O mesmo não posso dizer como membro da brigada do reumático. Embora seja uma respeitável filiada, não foi com agrado nem voluntariamente que abracei esta causa.
Satisfaz-me dizer que pertenço, orgulhosamente, à brigada da caixinha, mas faço parte de uma ramificação dos que (de vez em quando) fazem regime, isto é, a brigada ligeira ou brigada light, na louca cavalgada contra a gordura…
Orgulhosamente acompanhada, orgulhosamente nós…