quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Local de referência...

... da "elite pensante"... (Caldas da Rainha)

"Café Central"

"Voltei ao café onde me levavam
quando rapaz. E onde entrei algumas vezes quando
ia às Caldas. Na parede
o unicórnio, o cavalo alado, um terceiro espécime mais pequeno
que certa aura ilumina
bailado em ouro de gentileza
sobre azul que fora turquesa e o restauro tornou azul
ganga
a sala abre sobre
a praça. O trânsito, tal como hoje, circula pela esquerda (coisa
elogiada pelos lábios murmurantes da política) e
o mercado da fruta - raiz de todo o comércio, espécie de relíquia
ninguém impede o rapazio de vender berlindes e
de cantar a sua própria canção. "

Termo de Óbidos de João Miguel Fernandes Jorge. Relógio d'Água. 1.ª Edição

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Let's look at the trailer (15)

Brideshead Revisited
Geoffrey Burgon... this song is glorious!



Guardado para ver na minha semana de férias a seguir ao Natal...

Este, a 5ª temporada de Dexter e muito provavelmente a 2ª temporada de Sons of Anarchy...

De mãe para mãe

Hoje, dia 8 de Dezembro, faço uma homenagem singela à minha mãe, alicerce que ainda continua a ligar-me ao passado. Esta fotografia tem oitenta e nove anos... A minha mãe é linda!...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Gente feliz com gatos (2)

Quando as coisas estão difíceis, o gato lembra-se de manter o equilíbrio

Truman Capote by Listal

Palavras sábias

Temporariamente, mas impreterivelmente à mesma hora, tomo a bica da manhã num pequeno Café que fica mesmo em frente à clínica de fisioterapia onde vou, diariamente, fazer os tratamentos.
O Café é frequentado, essencialmente, por idosos e reformados, todos eles simpáticos e bem dispostos. Quando me vêem chegar, arranjam logo lugar para me sentar e há mesmo uma senhora, na casa dos setenta anos, que tem prazer em me ajudar, segurando nas canadianas e pedindo o meu cafezinho ao senhor António, o proprietário, também ele uma pessoa afável.
Hoje, a senhora, que geralmente fala muito, estava determinada a falar ainda mais e fez questão que me sentasse na sua mesa. Não tive coragem para recusar, apesar de estar com um bocado de pressa. Seria até uma falta de cortesia da minha parte para quem tem sido sempre tão prestável. Habitualmente, gosto de conversar com pessoas que já viveram muito pois têm uma experiência de vida muito enriquecedora e, por vezes, conseguem surpreender-me com as suas intervenções e rasgos de lucidez.
Hoje, a senhora, que geralmente fala muito, contou-me que era viúva e o seu único filho tinha falecido com trinta e dois anos. Sentia-se sozinha e frequentava o café para conversar um bocadinho e para ver gente. Pouco falei e o que lhe disse não passaram de frases feitas... Perguntou-me se era casada e respondi-lhe que era divorciada (o estado civil que consta no bilhete de identidade é DIV, não sei se poderei dizer que pertenço aos DIVertidos...). Por breves instantes e pelo semblante dela, pensei que me ia insultar, mas enganei-me...
Olhou para mim bem nos olhos e, numa tirada, proferiu aquilo que eu já sabia, mas nunca menciono, nem penso muito, "Precisa de ter uma pessoa para partilhar os problemas, as alegrias e confidências. Ainda é muito nova para estar sozinha..."
Sorri-lhe e disse meia dúzia de tolices já ensaiadas para estas ocasiões. Aproveitei o facto de estar em cima da hora do tratamento para "sair de fininho". As palavras dela continuam a ecoar na minha cabeça... No entanto, já dizia Saint- Exupéry que "amor não é olharem um para o outro, mas sim olharem na mesma direcção." Difícil!!!... Só alguém muito especial me faria voltar atrás na minha máxima "cuecas de homem no estendal jamais!" Mas pronto, às vezes os milagres dão-se...

Espero que na quinta-feira a senhora não volte à carga... ou terei que mudar de Café...

domingo, 5 de dezembro de 2010

Gente feliz com gatos (1)

O tempo passado com um gato nunca é desperdiçado

Ingrid Bergman by Listal

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

What did I do before...

Dexter?...

A 4ª temporada de Dexter é arrasadora! Uma sequência frenética de acontecimentos entre o caçador e a caça trocando frequentemente de papéis. Os dois últimos episódios são desgastantes! O último é mesmo demolidor, a cena final completamente chocante!!! Nos últimos dois ou três minutos passamos do suspiro de alívio à ansiedade e à raiva. Quando pensamos que o pior já passou, há uma reviravolta que nos deixa totalmente abatidos. Inacreditável! Eu não queria crer... mas num confronto de gigantes, num verdadeiro choque de titãs, alguém tem que sair vencedor e o afastamento do "Harry's Code" trouxe consequências nefastas… Fiquei mesmo atarantada e pensativa na cena final! Superou todas as minhas expectativas...

Não me admira que Michael C. Hall e John Lithgow tivessem ganho o Golden Globe Award e ainda um Emmy para Lithgow que foi simplesmente sublime! Melhor que Ice Truck Killer, Doakes ou Miguel Prado. Fiquei sem palavras. E agora Dexter? O que vai acontecer ao teu Dark Passenger?

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Louca por compras...

Toda a gente sabe que a maioria das mulheres adora ir às compras. É evidente que não estamos a falar de compras de supermercado, mas sim de roupas… Qual é a mulher que não sonha ir às compras? Qual é a mulher que não sonha ir a Nova Iorque ou a Paris às compras? Eu!!!... Já estive em Paris e não comprei nada! É certo que sonho, ainda, ir um dia a Nova Iorque, mas podem ter a certeza que se a vida me permitir esse devaneio não será para perder tempo a fazer compras nem tão-pouco para ir aos saldos! Bah!... Claro que de vez em quando me apetece fazer uma extravagância e gastar dinheiro comigo e foi o que fiz… Comprei uma… camisola? Não! Comprei umas… calças? Não! Comprei uns… sapatos? Não! Comprei uma… pasta! É de couro, vai servir para transportar o portátil e é diferente das outras, sempre tão estandardizadas que qualquer pessoa percebe o que vai lá dentro…

Além disso, recorda-me a mala que usava às costas nos meus primeiros tempos de escola. (In) felizmente o meu pai achou que me fazia mal à coluna e passei a usar uma pasta de mão. Como tinha que andar nas camionetas da empresa Eduardo Jorge (nacionalizada mais tarde, passando a fazer parte da Rodoviária Nacional), as asas da pasta serviram, muitas vezes, para abrir as janelas que se encontravam perras…

Restauração

Não, não tem nenhuma relação com o sector de actividade relacionado com a exploração de restaurantes, afins e similares.

Alguém disse e eu corroboro e assino por baixo: Nunca fui à caça nem à pesca. Não ligo nenhuma ao fado. Não gosto de touradas. "Pátria" não é um conceito que use muito.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eden Lake

Eden Lake. British Horror Film Festival 2008. Não se trata de um filme para gostar, trata-se apenas de um filme perturbador. Michael Fassbender, aqui num dos papéis principais. Recordam-se da personagem Lieutenant Archibald Hicox, um oficial do exército britânico, em “Sacanas sem Lei”?
Um casal num fim-de-semana romântico é atormentado por um grupo de adolescentes conduzido por um ameaçador e inquietante bully boy que obriga os companheiros a fazer toda uma série de barbaridades. A falta parental no que toca à transmissão de valores morais. Isto conduz à indisciplina, à rebeldia, à inexistência de respeito pelo próximo e a comportamentos aberrantes em sociedade. Os exemplos vêm sempre de cima e não é possível formar cidadãos com princípios morais se a própria família tem uma postura agressiva, delinquente e anti-social. A pressão psicológica levada ao extremo. Neste filme, as brincadeiras estúpidas transformam-se rapidamente numa escalada de violência, mas o verdadeiro terror, aquilo que de facto me assustou e me deixou muito desconfortável foi pensar que isto poderia ser uma situação real na sociedade actual. Adolescentes problemáticos que fazem de Dexter, o meu venerado serial killer, um autêntico escuteiro… Os minutos finais são angustiantes.

Portugueses em 2012

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Coincidências...

Pitágoras terá afirmado que o número 7 é sagrado, perfeito e poderoso. Será de facto um número mágico e cabalístico? Não faço a mais pálida ideia, mas sou uma entusiasta, para não dizer fanática, deste número. Provavelmente, porque nasci num dia 7 e não satisfeita com isso, a minha data de nascimento é uma capicua… Lindo! Por vezes, sinto-me um autêntico “monstro” sagrado, só falta ser perfeita e poderosa…
A verdade é que o número sete tem uma enorme preponderância neste mundo e as curiosidades sobre ele já foram sobejamente faladas, mas não resisto a fazer uma lista (pouco exaustiva…), totalmente anárquica, sobre este número místico e enigmático.
Ora vejamos: 7 são as Maravilhas do Mundo Antigo (e Moderno…), 7 são as Artes, 7 são as notas musicais, 7 são as cores do arco-íris, 7 são os pecados capitais, 7 são as virtudes, 7 são os Sacramentos e 7 as Obras de Misericórdia, 7 as trombetas, os anjos e as taças da ira de Deus no Apocalipse, 7 foram as pragas do Egipto e 7 os Sábios da Grécia, 7 são os dias da semana, 7 são os mares, 7 são os algarismos romanos, 7 são os anões, and so on…
A influência do número sete não fica por aqui. Temos ainda os 7 palmos de terra, as 7 colinas de Lisboa comparadas às 7 colinas de Roma e de Jerusalém, a lagoa das 7 cidades, as 7 saias da mulher nazarena e as 7 vidas dos gatos. E “7 noivas para 7 irmãos”. Porquê 7 e não 5 ou 8?
Surgem ainda expressões interessantes provenientes da imaginação popular. Todos nós já as utilizámos: falar com 7 pedras na mão, fechar a 7 chaves, estar com 7 olhos, estar nas suas 7 quintas, fugir a 7 pés, o homem dos 7 ofícios, tocar 7 instrumentos, um bicho de 7 cabeças ou são 7 cães a um osso.
Até Luís de Camões se serviu do número 7 no seu soneto “Sete anos de pastor Jacob servia…”
Termino com a melhor referência ao número sete. Depois dos seis dias da Criação do Mundo, Deus abençoou o sétimo dia e descansou… Se Deus é omnipotente por que razão não fez o Mundo em dois dias e descansou no terceiro? Simples! Andou a engonhar propositadamente para descansar ao sétimo porque o número 7 é “divinal”!...

Memórias e Afectos (73)

O meu avô paterno dizia que de tudo fazia dinheiro, bastava dar um pontapé numa pedra para ter uma ideia e fazer negócio... Aqui está uma prova disso. Quem diria... representante exclusivo da marca!... E com distribuição ao domicílio!...

Fonte da Reboleira!?... Parece-me bem, e se deu dinheiro... quem sou eu para contestar? Lamentavelmente, no que diz respeito a pontapés nas pedras, não saí ao meu avô clarividente...

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Puzzle

A vida assemelha-se muito a um puzzle, qualquer puzzle. A minha, para não fugir à regra, também. Determinamos um caminho e quando nos parece que tudo está perfeitamente encaixado, começam a faltar-nos peças. Assim como um puzzle deixa de estar completo, a vida fica mutilada, já não é uma cena perfeita porque começamos a perder peças de uma grande multiplicidade de formas e cores que fazem parte de um todo.
Perdi uma peça importante quando tinha dez anos e outras se foram seguindo até que perdi, faz hoje onze meses, uma peça-chave, um Sol que deixou de iluminar a paisagem “puzzle” da minha existência… Perdi o meu pai, a minha peça-chave, num dia chuvoso e triste…

domingo, 21 de novembro de 2010

Inception

Como é que eu posso ter a certeza de que, neste preciso momento, não estou a sonhar?...
Cinematograficamente (se é que esta palavra existe…), nem sempre a minha filha A e eu estamos de acordo. Inception (em português “A Origem”) veio confirmar a minha afirmação anterior. Enquanto a minha filha achou o filme brilhante, eu, que não passo de uma cinéfila de trazer por casa, não amei…

Inception, considerado um grande filme de 2010. Inception, um mundo de sonhos dentro de sonhos, descobrir segredos entrando no subconsciente das pessoas enquanto dormem. Creio que toda a gente adorou o filme e eu sinto-me como uma ovelha negra num rebanho de ovelhas brancas, já para não dizer que me sinto um bocado obtusa… A forma de me penitenciar por esta minha “falta de gosto” e por esta falha que me parece gravosa é admitir, sem contestar, que Christopher Nolan é um grande realizador, com uma imaginação colossal e um prestidigitador da 7ª Arte que só faz obras-primas. Ficamos por aqui, senão vejo-me na obrigação de confessar que as minhas capacidades cognitivas são alarmantes e que tenho um atraso mental grave…
Será que se eu disser que os efeitos visuais e sonoros são irrepreensíveis, o meu atraso mental passa de grave a moderado?... Claro que posso sempre argumentar que não prestei muita atenção ao filme e que estava a pensar no bifinho do Café Império...
Como é que eu posso ter a certeza de que, neste preciso momento, não estou a sonhar?
Se o “post” aqui estiver amanhã, certo?... Rezem por mim, please

Imagens da Warner Bros.

Sábado mágico

Cinema Monumental. Sala 1. Não houve controlo de bilhetes à entrada. Som péssimo... Se não fosse a pressa, merecia uma reclamação...

A adaptação do último livro da saga, "Harry Potter e os Talismãs da Morte", foi dividida em duas partes no cinema. Nesta primeira parte podemos ver Harry, Rony e Hermione tentando encontrar os Horcruxes, objectos onde Voldemort guardou a alma depois de dividida. O objectivo é destruí-los e derrotar o Senhor das Trevas que está cada vez mais poderoso.

Em relação aos filmes anteriores, "Harry Potter e os Talismãs da Morte" é muito mais sombrio e falta-lhe o encanto de Hogwarts , mas as 2 horas e vinte minutos de filme passam a um ritmo alucinante e quando acaba deixa-nos com vontade de ver a segunda parte, mas essa só chegará em 2011. Espero que o final seja grandioso.

Imagens gentilmente cedidas pela NET e gentilmente roubadas por mim...

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Vossa Excelência chamou…? (4)

"Vossa Excelência Chamou", Livros Horizonte, Lisboa, 2.ª ed. 2008
Autor e Ilustrações: Júlio Borja

Tudo o que possa ter interesse saber-se sobre aquisição, manutenção, reparação, calibragem, upgrade e tuning de gatos domésticos.

Como escolher um nome para o gato

[…] Tudo depende do estilo do dono, tendo em conta que o gato nem nunca vai chegar a saber que tem nome, quanto mais dar-se ao trabalho de emitir opinião sobre ele. Além disso, mesmo que um gato invulgarmente perspicaz chegasse algum dia a perceber que tinha nome, continuaria a borrifar-se para ele, uma vez que o mesmo não lhe serviria para nada. […] Claro que continua a haver quem defenda que o gato – sendo um animal inflexivelmente independente e com um feitiozinho de sogra – sabe sempre muito bem quando estão a chamá-lo; não quer é dar confiança ao dono e por isso se faz de desentendido;
[…] do ponto de vista de qualquer gato à face da Terra, quer ele próprio quer todos os outros gatos que existem no mundo, se chamam “Miau”. E daqui não arredam pé, faça chuva ou faça sol. […]
[…] tenha presente que nisto de nomes para gatos há quatro grandes grupos a considerar, tal como – imagine! – em relação a nomes de jogadores de futebol brasileiros. Palavra! Não sabemos ao certo quem copiou quem, mas não pode ser só coincidência o facto de 95% de todos os gatos e 95% de todos os jogadores de futebol brasucas terem nomes que pertencem inapelavelmente a um de quatro – não são três, nem cinco: são exactamente quatro grandes grupos predefinidos a saber:

Jogadores de futebol: Grupo 1 – Diminutivos (Ronaldinho, Juninho, Robinho…); Grupo 2 – Aumentativos (Luisão, Carlão); Grupo 3 – Nomes acabados em “-son” (Edmilson, Anderson, Gerson); Grupo 4 – Nomes de chimpanzé de circo ou dos filmes do Tarzan (Kafu, Dunga, Cajú, Mossoró, Kaká…)

Agora repare:

Gatos:
Grupo 1 – Nomes-tipo para gatos-pedigree, com donos(as) de classe média a alta (sobretudo novos-ricos em início de carreira) que lêem a imprensa cor-de-rosa, enviam fotos do bichano para tudo o que é revista de animais e sonham ter um dia um mordomo pedantolas chamado Jarbas ou Gervásio (mínimo 4 palavras). Exemplos:
- Mimi Anastácia de Pompadour III
- Don Juan del Banderas y Segóvia Olé
- My Elvis Van Rockefeller Jr
- Bibucha Lafayette de Capa e Espada
Este tipo de nome segue, curiosamente a lógica estrutural de base da maioria dos nomes de “tias” da fina-flor do nosso entulho nacional, ou sejam, apelidos brasonados precedidos de ridículos nomes de cão de companhia – no estilo “Bibuxa Sá Pessanha”, “Titó Brito e Mello” ou “Pipinha Santana Cabral”. (Não há pachorra…) […]
[…] Grupo 2 – Nomes para gatos com donos reformados e/ou castiços e/ou imaginativamente desfavorecidos (sempre uma só palavra). Exemplos:
- Tareco (um clássico secular, lusitano até à medula, para gato marialva de uma casa portuguesa, com certeza); Bolinhas; Farrusco; Pom-Pom; Mimi; Félix; Pantufas.
Grupo 3 – Nomes para gatos com donos cool e low profile, no espectro que vai da jovem intelectual urbano-depressiva modernaça ao engatatão de Av. de Roma em fim de carreira, que prefeririam passar férias na Faixa de Gaza ou a lua-de-mel num campo de refugiados no Sudão a terem de ter em casa um bichano chamado Tareco… ou Pom-Pom… ou Mimi Anastácia… Exemplos: Escolápio; Ramsés; Óscar; Zeus; Grischka; Fidel; Ganimedes; Gastão; Barrabás; Galileu.
Grupo 4 – Nomes alternativos para situações pontuais. Todos os humanos que têm gatos em casa guardam carinhosamente um reportório ad hoc de formas de tratamento alternativo para aqueles momentos inesquecíveis de convívio em que a emoção ultrapassa a razão. Nesta linha, eis alguns dos nomes mais populares nos lares portugueses:
- “Ahmeugandafilhodamãequeseutedeitoamão!” (Para gato apanhado a javardar a terra das orquídeas da dona para fora do vaso, depois de lá ter acabado de fazer o chichizinho da praxe).
- “Outravezóquegaitapá…” (Para gato acabado de pisar pela terceira vez na cozinha, durante os preparativos para o jantar).
- “Pchhhhhhhhhhtsaijádaí!!!” (Para gato apanhado a começar a fazer a folha às sardinhas assadas e temperadas em cima do balcão da cozinha, 43 segundos antes do início do almoço).

Ora, tente lá num minuto lembrar-se de um nome de gato ou de jogador de futebol brasileiro seus conhecidos que não caia numa destas quatro categorias. Quase impossível, não é?! Parece bruxedo… [...]

Cimeira da Nato

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Conciso e com siso...

A fuga das galinhas (por Joana Amaral Dias)

Um gestor vale mais do que quem salva vidas e cria (vários tipos) de riqueza como um médico ou um cientista? Qual é o dom especial que possuem para que ganhem muito mais que todos os outros? Não se sabe. Mas essa ignorância não altera os rendimentos. Mesmo que os resultados empresariais derivem de uma extensa cadeia. Mesmo que todas as empresas devam ter um papel social. Pois é. Os nossos trabalhadores são dos mais mal pagos da Europa, mas os gestores são dos mais bem pagos. Um gestor alemão recebe dez vezes mais que o trabalhador com o salário mais baixo na sua empresa. O britânico 14. O português 32. Mas, segundo um estudo da Mckinsey, Portugal tem dos piores gestores. Logo, quando se fala em reduzir direitos e salários, a quem nos devemos referir? Lógico? Não. Dizem que os bons gestores escasseiam e é necessário recompensá-los. Senão, fogem do país. Ok. Então, é simples. Se são assim tão poucos, ide. Não serão significativos na crescente percentagem de fuga dos cérebros que estavam desempregados/explorados. Depois, contratem-se gestores alemães ou ingleses. Por lá, não rareia tanto a qualidade. Estão habituados a discutir não só ordenados mínimos como ordenados máximos. E sempre são mais baratinhos.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Dia Nacional do Mar

Neste dia, o Balada não podia ficar indiferente...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Raça ariana

A hegemonia política e económica da Alemanha.

Desejos e caprichos

Por mais estranho que pareça, quando estava no bloco operatório apetecia-me um bife do Café Império, o melhor bife de Lisboa, muito à frente da Portugália e da Trindade. Depois do almoço no Peter, só me lembro do gin tónico...
Assim que estiver operacional tenho que satisfazer estes dois desejos porque senão arrisco-me a entrar em delírio...

domingo, 14 de novembro de 2010

Livros e Mar: eis o meu elemento! (34)

Gostei particularmente do talento narrativo da autora. Mari Pau Domínguez criou uma história de ficção baseada em factos e lendas, no reinado de Felipe II de Espanha, que também foi rei de Portugal após a morte do Cardeal D. Henrique, sucessor de D. Sebastião. Esta leitura histórica, sobre um dos soberanos mais poderosos da época, centra-se nas infidelidades do rei, entre a morte de Isabel de Valois, sua terceira esposa, e a morte da sua sobrinha Ana de Áustria, sua quarta esposa. Felipe II vivia atormentado por não conseguir resistir a um dos maiores pecados mortais, a luxúria. As alucinações, assim como o castigo de Deus e as imagens do Inferno soavam nos seus pensamentos, dominando-o e não o deixando ter paz de espírito.
No hay casa más misteriosa en Madrid que la llamada Casa de las Siete Chimeneas (hoy, sede del Ministerio de Cultura). A casa das sete chaminés, situada na Plaza del Rey, é um dos poucos exemplos de arquitectura civil do século XVI que permanece de pé em Madrid. Foi projectada e construída entre 1574 e 1577, pelo arquitecto Antonio Sillero para Pedro de Ledesma. Dizem que, na verdade, a casa não teria sido construída para Ledesma, mas para o rei Felipe II. Segundo consta ele teria comprado uma parte das terras do Convento del Carmen, para dar à sua filha como presente de casamento, após a construção da casa. Há outras versões. Uma delas afirma que a casa serviu para manter reclusa uma filha ilegítima do rei Felipe II e outra que uma das amantes do rei viveria aqui e que ele frequentava a casa escondido pelas sombras da noite. Em volta das sete chaminés surgiram inúmeras lendas, existindo uma que afirma que cada chaminé representaria um pecado capital.

Madrid, 1568. A morte de Isabel de Valois leva o rei Felipe II a aceitar desposar a sobrinha, Ana de Áustria, com o objectivo de garantir ao reino um filho varão. Porém, sinceramente abalado pela morte da rainha, Felipe não encontra consolo nos braços da nova esposa mas sim nos da jovem aia das suas filhas, Elena Méndez. Na sua condição de soberano da monarquia mais poderosa do seu tempo, Felipe sabe que qualquer passo em falso pode ter consequências imprevisíveis, mas, dividido entre o desejo e a culpa, toma uma decisão que acabará por se revelar trágica e por mudar para sempre todos os envolvidos…

sábado, 13 de novembro de 2010

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Escapadinha

Depois de ir à Clínica fazer o segundo penso ao joelhito, a minha prima F. desencaminhou-me para um almoço no Peter no porto de recreio de Oeiras.

Na baixa médica diz que eu posso sair de casa entre as 11 e as 15 horas. Tal como na história da Gata Borralheira, também eu deveria entrar em casa ao bater das 15. Foi por pouco que não me transformei em abóbora...
Pedimos uma entrada de queijo da Ilha, azeitonas e cascas de batata assadas com molho de manga e uma salada de Mozzarella fresca, alface, rúcula, manga, kiwi, passas, nozes e ananás. Divinal!...

Tive pena de não me ter deliciado com o melhor gin do Atlântico, famoso em todo o mundo, mas estava quase em jejum e não me pareceu uma boa ideia.
Uma escapadinha muito agradável para quem está fechado em casa há uns dias...

Memórias e Afectos (71)

Este Memórias e Afectos é uma "resposta" à Valeriana. Qual inspector Poirot, qual Miss Marple, qual Tommy and Tuppence, qual Tara King e John Steed, qual Dempsey e Makepeace... A grande série de eleição dos anos 60 tinha o temível Maxweel Smart e a irresistível 99 como protagonistas!... Espionagem ao mais alto nível!...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

A Calçada Portuguesa

A calçada portuguesa, tal como o nome sugere, é típica de Portugal e muito utilizada no calcetamento urbano. As pedras utilizadas são irregulares, de basalto e calcário, podendo ou não formar padrões decorativos, tradicionalmente a preto e branco.

Sem dúvida que a calçada portuguesa é bonita e possui a vantagem de permitir que a água das chuvas se infiltre no solo, mas ficamos por aqui no que diz respeito aos aspectos positivos deste tipo de pavimento. Como não há bela sem senão, a calçadinha portuguesa torna-se numa verdadeira armadilha para os idosos e para quem tem que se deslocar de canadianas, principalmente quando o piso está molhado. Compreendo que a calçada portuguesa é única, nos diferencia dos outros países e é uma tradição antiga, mas, do meu ponto de vista, parece-me que a segurança dos cidadãos deveria ser essencial e sobrepor-se à beleza e aos costumes. Os passeios, devido à falta de conservação, apresentam-se, na sua maioria, desnivelados e esburacados, formando-se imensas poças de água quando chove. As pedras gastam-se com facilidade e muitas delas encontram-se já muito polidas, tornando-se perigosas particularmente quando o piso está molhado. Basta um passo em falso e é queda certa. Basta apoiar mal as canadianas e vump! Estamos estatelados no chão!... Só quem nunca teve que se movimentar de canadianas neste piso, poderá colocar a estética à frente da comodidade e da segurança. Experimentem andar ao pé-coxinho com duas canadianas em piso escorregadio! Até faz chorar as pedras da calçada! Lamentavelmente, escrevo com conhecimentos profundos de causa, pois fui obrigada, há uns anos, a contornar algumas dificuldades em consequência do maravilhoso calcetamento nacional…
Existem vários tipos de pavimento de fácil assentamento e manutenção, resistentes, permeáveis e antiderrapantes, que poderiam substituir harmoniosamente as nossas brancas pedras dos passeios.

Como já devem ter imaginado, não sou uma defensora fervorosa da calçada portuguesa. A mim não me faz falta nenhuma, embora, com alguma benevolência, lhe dê a oportunidade de ser preservada nas zonas mais conhecidas e turísticas.

Nascido para matar...

Contrariamente ao que poderá parecer, não venho dissertar sobre o filme de guerra Full Metal Jacket dirigido por Stanley Kubrick. Venho dar a mão à palmatória e confessar que, embora a minha filha A. venha, já há muito tempo, a tentar convencer-me a ver a série americana Dexter, só agora comecei a fazê-lo e bastaram os cinco primeiros episódios para me viciar...
A todos os seguidores, fanáticos e adoradores da série, peço desculpa pela minha inicial e persistente incredulidade. A partir de agora é sempre a abrir!...

Também não vou alongar-me com explicações sobre quem é o Dexter, os seus relacionamentos, o seu comportamento ou os seus transtornos de personalidade. Faço apenas um apelo: Vejam!... A primeira temporada foi largamente baseada no livro Darkly Dreaming Dexter de Jeff Lindsay, o primeiro de uma série de romances dedicados a Dexter. As temporadas seguintes apresentam uma evolução distinta das obras de Lindsay.
Dexter conta, a partir de agora, com mais uma admiradora compulsiva!...

É para rir?...

sábado, 6 de novembro de 2010

Vir'ó disco e toc'ó mesmo...

... até ao Natal a bater na mesma tecla!...

Não foge à regra dos anúncios de supermercados e hipermercados, irritantes, sem graça e com uma enorme falta de gosto...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Livros e Mar: eis o meu elemento! (33)

“Marina”, já publicado em 1999 em Espanha, demorou muito a chegar a Portugal e não consigo compreender a razão de tal demora, tendo em conta que se publicam imensos livros sensaborões e outros tantos de “famosos” sem talento. Infelizmente, ocorre-me pensar que esses livros têm leitores e as editoras sabem que podem ganhar com isso…
Ao contrário de “A Sombra do Vento” e de “O Jogo do Anjo”, “Marina” tem muito menos páginas, mas para Zafón é a sua obra preferida. “Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, "Marina" é um dos meus favoritos.”
Carlos Ruiz Zafón desenvolve, com uma enorme mestria literária, um autêntico romance de terror e loucura, onde não faltam os cenários sombrios e as personagens sinistras. “Marina” faz lembrar, em alguns momentos, os clássicos “Frankenstein” de Mary Shelley ou “O Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde” de Robert Louis Stevenson.
Mais uma vez, Barcelona! Mais uma vez, uma Barcelona gótica. Mais uma vez, uma Barcelona de enigmas e intrigas. Mais uma vez, uma história de amor trágica. Mais uma vez, Zafón surpreendente!...
“Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.” Na Barcelona de 1980, Óscar Drai sonha acordado, deslumbrado pelos palacetes modernistas próximos do internato onde estuda. Numa das suas escapadelas nocturnas conhece Marina, uma rapariga audaz e misteriosa que irá viver com Óscar a aventura de penetrar num enigma doloroso do passado da cidade e de um segredo de família obscuro. Uma misteriosa personagem do pós-guerra propôs a si mesmo o maior desafio imaginável, mas a sua ambição arrastou-o por veredas sinistras cujas consequências alguém deve pagar ainda hoje.

Awake

Awake, em português “Acordado”, é um pequeno filme baseado num fenómeno médico muito invulgar conhecido cientificamente como “despertar intra-operatório”. Durante uma cirurgia de transplante cardíaco, o paciente, apesar de anestesiado, mantém-se consciente. Paralisado e horrorizado é incapaz de avisar a equipa médica do que se passa. Segundo o filme, dos 21 bilhões de pessoas que recebem anestesia geral por ano, 30 mil podem ter despertar intra-operatório. Claro que este fenómeno é cada vez mais raro, mas só de pensar nessa possibilidade torna-se assustador.
Vi este filme há uns meses e assim que soube que ia ser submetida a uma cirurgia lembrei-me imediatamente do fenómeno, mas nunca me passou pela cabeça poder vir a fazer parte dos azarentos 30 mil que, eventualmente, poderão passar por essa experiência. Se tivesse recebido uma anestesia geral acredito que teria uma perda total da consciência e esta minha certeza baseia-se na teoria das probabilidades. Se não me sai o Euromilhões, então também não seria contemplada com um despertar intra-operatório…

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Foi ontem, foi ontem!...

Convenceram-me! Epidural... Estou sem dores de cabeça. Segui à risca as instruções e sinto-me lindamente!... Já passou! Agora, tenho pela frente a recuperação.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

É hoje, é hoje...

... que eu vou passar fome!... A partir das 9.00 horas deixei de poder comer. Cirurgia só às 18.00 horas!... Ainda não sei se epidural se anestesia geral... Preferia a segunda hipótese. Fico pedrada e mais desmemoriada, mas paciência!... Até amanhã!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mundo incompleto...

“E o mundo não tem metade
porque nunca está inteiro[…].
O mundo nunca está completo:
faltam pessoas que nos morreram.”

(Gonçalo M. Tavares – Uma Viagem à Índia)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

domingo, 31 de outubro de 2010

This is Halloween

O Costa de África

O Costa de África é um filme muito divertido de 1954. O argumento não é inovador nem original e resume-se a uma série de trapalhadas e maquinações com os brilhantes e hilariantes trocadilhos da praxe.
O sobrinho, solteiro e sem dinheiro, recebe um telegrama de um tio colonialista que passará três horas em Lisboa de viagem para Londres. Para justificar as quantias chorudas que o tio lhe envia, consegue que um amigo lhe empreste a moradia e o automóvel, e passe por seu criado, enquanto a noiva do amigo faz de esposa. A mudança de planos do tio, que decide demorar-se vinte dias, transforma tudo…

Todos terão visto o Pátio das Cantigas, Canção de Lisboa, O Leão da Estrela e o Pai Tirano, mas O Costa de África nunca foi muito divulgado. Recordo-me de o ter visto casualmente em meados da década de 80. O tio, interpretado por Vasco Santana, imbuído pelo espírito de superioridade colonialista, tinha umas atitudes e umas chalaças racistas. Sempre que falava com um criado tratava-o por “bijagós” por o considerar um ser insignificante. Esta particularidade do tio foi o bastante para que, no meu local de trabalho, as hierarquias mais baixas ou subordinados se começassem a tratar por bijagós entre si. Esta piada mantém-se até aos dias de hoje!...
Sempre me questionei sobre as razões que levariam a RTP a não transmitir O Costa de África com a mesma frequência dos outros clássicos portugueses. Apesar de ser um retrato da época colonial portuguesa não vejo motivos que justifiquem o seu esquecimento e muito menos que nos privem do prazer de recordar este filme hilariante.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

sábado, 23 de outubro de 2010

O Bingo das Reuniões

Ontem foi dia de reunião. É quase o mesmo que dizer “Hoje há caracóis” porque aquilo é cá um “petisco”… A grande maioria delas não servem para nada e são uma estopada!
Já aqui tive oportunidade de manifestar a minha enorme aversão por reuniões. Para todos os que partilham a minha opinião, chegou um método eficaz para combater esses problemas.

Imprime-se o quadro abaixo antes de começar a reunião, seminário, conferência, etc.
Sempre que ouvirmos a palavra ou expressão contida numa das casas, marcamos a mesma com um (X).
Quando completarmos uma linha, coluna ou diagonal, basta gritar LINHA! Se completarmos o quadro todo, devemos gritar BINGO!

Testemunho de jogadores satisfeitos:
A. – A reunião só tinha começado há 5 minutos quando ganhei!
N. – A minha capacidade para ouvir melhorou imenso desde que comecei a jogar o Bingo das Reuniões;
S. – A atmosfera da última reunião foi muito tensa porque 8 colegas estavam à espera de preencher a 5ª casa;
M. – O director ficou estupefacto ao ouvir oito pessoas gritar BINGO, pela 3ª vez numa hora;
J. – Agora, vou a todas as reuniões, mesmo que não me convoquem.

Já a tabela abaixo permite a composição de 10827 frases. Basta combinar, em sequência, uma frase da primeira coluna, com uma da segunda, da terceira e da quarta.

O resultado sempre será uma frase correcta, mas sem nenhum conteúdo, mas isso não interessa nada. O SUCESSO É GARANTIDO! Experimentem na próxima reunião...

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Memórias e Afectos (70)

Durante a década de 60, recordo-me que a Rádio Televisão Portuguesa apresentava, salvo erro às quartas-feiras, as Noites de Teatro. Não consigo determinar se as transmissões eram em directo, ou gravadas e transmitidas posteriormente, mas tenho uma certeza inabalável, para mim eram noites fascinantes. Existem obras que, sendo documentos históricos, certamente farão parte dos arquivos da RTP, mas também fazem parte das minhas memórias pessoais. As árvores morrem de pé, Vamos contar mentiras, O roubo do colar, Os fidalgos da casa mourisca, A dama das camélias, Aqui há fantasmas… Palmira Bastos, Varela Silva, Raul Solnado, Florbela Queiroz, Manuel Lereno, Elvira Velez, Eunice Muñoz, Josefina Silva, Rui de Carvalho, Barreto Poeira, Cármen Dolores, Fernanda Borsatti, Artur Semedo, Henrique Santana, Paulo Renato, Armando Cortez, Luís Cerqueira, Igrejas Caeiro, Lurdes Norberto, Mário Pereira, Irene Cruz, Rui Furtado…
Serões tão agradáveis... que marcaram para sempre as noites televisivas desse tempo.
E a frase mais célebre do teatro português pertence a uma cena magistral quase no final da peça As árvores morrem de pé. Palmira Bastos, num desempenho notável, batendo vigorosamente com a bengala, diz: "Morta por dentro, mas de pé, de pé, como as árvores".

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Não há retorno...

Já lá vão dez meses! Dez meses de ausência física! Dez meses de saudade! Dez meses sem pai! Quando tento recordar os acontecimentos e instantes felizes em família, a angústia daquele domingo chuvoso e frio aparece para me assombrar e não me deixa reviver os tempos em que eu era criança ou adulta inteiramente feliz. A satisfação que sinto ao recordar o meu pai é, frequentemente, asfixiada pelas memórias do dia 20 de Dezembro…A cruel lembrança daquele dia colou-se à alma e vai perseguir-me até ao fim dos meus dias.
O passado dia 23 de Dezembro foi horrivelmente triste e sombrio. Ao receber a pior notícia da minha vida foi como se de repente me faltasse o chão e começasse a cair em queda livre no abismo. Foi o dia em a Terra parou. No entanto, a memória do dia 20 consegue ser ainda mais dolorosa. Sinto que falhei em alguns momentos. Nesse dia terei falhado em tudo. Não há retorno. Foi nesse dia que perdi o meu pai para sempre…

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Reservado à Indignação (18)

Já tinha ouvido várias opiniões negativas no que diz respeito ao actual funcionamento dos serviços da Multicare (Companhia de Seguros Fidelidade Mundial e da Império Bonança), da qual tenho um plano de saúde.
Há um mês confrontei-me com um problema que me deixou de pé atrás. O exame oftalmológico pedido pelo médico carecia de autorização e vi-me na necessidade de ligar para a Multicare, indicando o número do acto médico. O facto do contacto telefónico ser um daqueles números de valor acrescentado, iniciado pelo prefixo 707, por si só já me parece uma fraude, mas a dificuldade em chegar à fala com um dos assistentes é, no mínimo, enervante. Somos atendidos por uma gravação que, numa voz intencionalmente arrastada, nos dá a escolher entre a “Barca da Glória” e a “Barca do Inferno”… Garanto que a única possibilidade de ir, sem delongas, parar à “Barca da Glória” é querer subscrever um plano de saúde. Aí, sim, vamos ao encontro do paraíso anunciado, mas se os nossos propósitos forem outros temos que esperar de indicador em riste até que a opção por nós pretendida seja revelada. Se pretende subscrever um plano de saúde, por favor, marque 1… Se pretende informações sobre o seu plano de saúde, por favor marque 2… Neste tipo de atendimento público, usualmente, a opção que desejamos encontra-se sempre em último lugar, para grande desespero nosso… Bem-vindo à “Barca do Inferno”… À barca, à barca! Até hoje o malvado exame continua por fazer…
Se dúvidas houvessem, hoje tive a confirmação daquilo que já desconfiava como certo. A incompetência dos serviços da Multicare!...
Fui a uma consulta médica no dia 12 deste mês. A cirurgia ficou agendada para dia 3 de Novembro. Entreguei o relatório e o resto da papelada na recepção da Clínica e foi-me dito que fariam o pedido de autorização por fax para a Multicare. So far so good…
Hoje, dia 19, liguei para a Multicare para saber se a autorização já tinha sido dada. À barca, à barca… Ora entrai, entrai aqui!... Fiquei boquiaberta quando, do outro lado da linha, me disseram que não constava nenhum pedido de autorização no sistema e que provavelmente a Clínica teria enviado os documentos para um número de fax errado. Não fosse o “diabo tecê-las”…anotei o número correcto e contactei a Clínica que me informou ter o comprovativo do envio, feito no próprio dia da consulta, às 19:31 horas e confirmando o fax que a Multicare me tinha dado…Fiquei, novamente, embasbacada! Tornei a ligar para a “Barca do Inferno” e descrevi, mais uma vez, a situação, desta feita com a certeza que a Clínica tinha feito os “trabalhos de casa”. Não sei por que razão fiquei aparvoada quando, do outro lado da linha, insistiram que não constava nenhum pedido de autorização no sistema.
Não é meu hábito perder as estribeiras, mas naquele momento passei-me da marmita e a assistente que me atendia, tendo ou não culpa, levou com a minha irritação em cima. Por onde andaria o fax? A passear por lá durante uma semana!? Ninguém é responsabilizado? A data da cirurgia estava em risco? Chamei-lhes desorganizados e incompetentes! A assistente lamentava-se…
Atempadamente, seguirá uma reclamação à qual juntarei cópia da factura com o valor gasto nestes telefonemas perfeitamente evitáveis se os serviços funcionassem bem.
Neste país já nada me deveria causar espanto, principalmente depois de ter lido as inconvenientes declarações, feitas à agência Lusa, pelo presidente da Associação Sindical de Juízes Portugueses, mas, na minha ingenuidade, ainda vou acreditando que a falta de competência não está generalizada…
À barca, à barca… Ora entrai, entrai aqui!...

sábado, 16 de outubro de 2010

Memórias e Afectos (69)

Ainda a Amadora…
Desta vez para recordar algumas escolas, melhor dizendo três dos quatro Externatos que ali existiam pelos anos 60. Dois para raparigas e um para rapazes. Farei todas as diligências para encontrar o Externato em falta, o antigo Mestre de Avis, localizado na Rua 5 de Outubro, porque tenho fortes laços afectivos que a ele me ligam. Era um Externato só para rapazes. Para além do meu irmão ali ter feito a instrução primária, chegou a pertencer ao meu avô paterno.

Externato de Oliveira Martins (sexo masculino)


Externato Alexandre Herculano (sexo feminino)


Externato Rainha Santa Isabel (sexo feminino)

Frequentei o Externato Rainha Santa Isabel da 1ª até à 4ª classe. As janelas do rés-do-chão do lado esquerdo pertenciam à sala da 1ª classe e à professora D. Maria Clara. Do lado contrário ficava a sala da 4ª classe leccionada pela D. Maria Luísa, professora com "pêlo na venta" que mantinha a disciplina que, agora, tanta falta faz. Também no rés-do-chão, nas traseiras da escola, ficava a sala da 2ª classe dada pela D. Maria Isabel (com quem ainda me cruzo) e a secretaria. A sala da 3ª classe, ministrada pela D. Isabel Simões, mais conhecida por D. Isabelinha, ficava no primeiro andar. Por razões que a própria razão desconhece (será?...) levei reguadas em todas as classes e, uma vez por outra, também levei com o ponteiro... mas garanto que não fiquei minimamente traumatizada nem nunca os meus pais foram à escola tirar satisfações!...
De algumas colegas tenho muitas boas recordações, assim como do recreio, situado nas traseiras do colégio. Lembro-me, como se fosse hoje, de vários jogos e canções de roda: O lencinho que vai na mão, Indo eu, indo eu a caminho de Viseu, Fui ao jardim da Celeste, Olha a Triste Viuvinha, o jogo da cabra cega, o jogo das estátuas, 1, 2, 3 Macaquinho Chinês, o anel, Mamã dá licença?, Bom dia Sr. Reizinho, O Senhor Barqueiro (Que linda falua...), Cinco Cantinhos, jogar à macaca, às escondidas e à apanhada, saltar à corda...
Brincadeiras de outros tempos... que agora me fazem sorrir...

Fotografias do Arquivo Fotográfico de Lisboa

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Message in a bottle (38)

(por Tiago Mesquita - Jornal Expresso)

Era bom que aqui no burgo dos brandos costumes de vez em quando alguém se passasse em directo. Mostrasse sangue na guelra. Sem papas na língua. Como Cat Deeley fez. Veja o vídeo.


Para chegar ao ponto a que Cat Deeley - apresentadora do programa "So you think you can dance" britânico - chegou, gosto de pensar que estaria provavelmente a sentir o mesmo que eu sinto cada vez que vejo alguém do Governo, seja o Primeiro-ministro, o clone, o contabilista ou outro qualquer acólito virem a terreiro falar dos Mercados para tentar justificar a incompetência generalizada com que governam. Aqueles ruídos de fundo, os histéricos de plateia são, ao nível da profunda irritação que provocam, em tudo semelhantes aos discursos manhosos, perversos e chantagistas proferidos ultimamente.
Obviamente que os mercados, sobretudo nesta fase, adoram austeridade. Mas isto acontece na mesma proporção em que o Governo adora ser incompetente. O governo sabe disto e tenta agradar os mercados com... austeridade. Esquecendo-se de um pormenor, o da sua notória incompetência, coisa que os mercados também conhecem e não esquecem. Os mercados não acreditam em incompetentes. E tendem a desconfiar das medidas destes com alguma frequência. Afastam-se.
Algumas pessoas, ao ouvirem este tipo de discurso por parte do Governo, devem pensar: "porque fui votar nos mercados nas últimas legislativas? Eles só nos querem "lixar". Se fosse hoje votava no PS, talvez não estivéssemos tão mal. Eles estão sempre cheios de boas intenções e esperança."
A senhora do vídeo efectivamente passou-se. Mas estou convencido que não será a única com "mimos" deste género atravessados na garganta. Pessoas a quem só falta a oportunidade para poderem abrir a goela e soltar a ira.

Message in a bottle (37)

Ouvir Cavaco Silva é como ler a bula de um antidepressivo
(por Tiago Mesquita – Jornal Expresso)

Os discursos do Presidente produzem efeitos secundários: sonolência, indisposição, perda de memória, variações de humor, indisposição momentânea, náuseas, irritação e enjoos.

A melhor coisa que pode acontecer a um governo incompetente é ter um Presidente da República como o que temos. E este Primeiro-Ministro que nos calhou na "rifa dos tontos" deve estar mortinho por vê-lo reeleito. A acontecer mata dois coelhos de uma só cajadada: evita a "maçada" de ter um Presidente que dê um murro na mesa se preciso for e esfola ainda o coelho Alegre, que por aí anda contente e aos saltos, não tarda triste estará. Não como um cão, como tão bem escreveu "vi a tristeza, em certos momentos, no olhar do cão", mas como um segundo classificado. Agora com menos votos.
Cavaco Silva mantém o estilo "jarrão Vista Alegre" durante a maior crise de que há memória. Aparece, sacode o pó e desaparece. Tudo fica feliz. Chovem elogios à "moderação". Fico sem perceber para que serve ter um Presidente da República se não o vejo fazer nada para impedir o roubo que está a ser feito a este país? Quem é afinal o garante do "nobre povo"? Por que razão não questiona o governo sobre o que se está a passar e o que correu mal?
Vem apelar à "coesão", à "unidade", à "responsabilidade" (utilizou a palavra "responsabilidade" 15 vezes na "aparição" de 5 de Outubro). Ou seja, ao vazio. Um vazio de ideias. Um vazio de questões. Um vazio de soluções. Mas a culpa, como se costuma dizer no futebol, não é de Cavaco, é do "sistema". No fundo está apenas a ter o comportamento que se espera de um Presidente neste país. Um verdadeiro "Monarca da República". Um peso institucional. Um jarrão.
Sem qualquer poder, sem intervenção proactiva ou de fundo, os Presidentes neste país tornam-se numa espécie de "vizinha chata" com que os sucessivos governos (muitos incompetentes) vão aprendendo a lidar. E a evitar. Em Inglaterra o Prime Minister vai à Rainha uma vez por semana, em Portugal vai a Cavaco com a mesma frequência. Ficam provavelmente a olhar para o outro sem falar. A ver qual dos dois se desfaz primeiro a rir ao pensarem no bonito estado a que chegámos. Os efeitos práticos destes "encontros" são nenhum. Ser Presidente é uma espécie de formalismo constitucional. E exercer o cargo uma pasmaceira democrática.
A imprensa adora usar frases do género " O Presidente alertou..."; "O Presidente mostrou-se descontente..."; " O Presidente afirmou que...", "O Presidente acordou com uma comichão no..."Como se os estados de espírito em Belém tivessem algum efeito prático na vida de alguém do país real ou na actuação do governo em particular. Niente. Zero. Enquanto tudo desaba neste país Aníbal permanece estático como a esfinge Egípcia.
Este Presidente, ou qualquer outro que venha a ser eleito, nunca será o chefe "máximo" de coisa nenhuma. Apenas mordomo e cicerone desta velha, encarquilhada e decrépita República. Há que ressuscitá-la do marasmo. Mudar tudo. Equilibrar os poderes. E rápido.

Livros e Mar: eis o meu elemento! (32)

Por experiência, adquirida à custa de alguns erros, devia saber que “o hábito não faz o monge”. Quero com isto dizer que comprar um livro porque tem uma capa apelativa ou “é a minha cara”, raramente dá bom resultado. Quando, a juntar a isto, temos um livro de um autor já premiado, a coisa, cá para o meu lado, tende a agravar-se…
Como os gostos não se discutem, para mim, até mesmo um prémio Nobel nunca foi, não é e nunca será, sinónimo de excelente. No entanto, há grandes escritores, reconhecidos mundialmente, que nunca receberam o tão ambicionado prémio. Polémicas à parte, reconheço que dos muitos autores já nobilitados ou “iluminados” li apenas uma meia dúzia. Embora não me orgulhe disso, não é coisa que me tire o sono, pois, diga-se em abono da (minha) verdade, os poucos que li revelaram-se uma seca…provavelmente porque as mentalidades e os estilos são demasiado complexos para quem, como eu, tem apenas dois neurónios…
Felizmente que há pessoas com gostos diferentes dos meus e com grande espírito de sacrifício (não é o meu caso) que lêem essas grandes estopadas…Há até quem leia sobre Física Quântica e Matemática Financeira nas férias! Só mesmo para crânios! Estava aqui a pensar…não haverá Física Quântica para Totós?...
O que eu já divaguei…

Mais uma vez, comprei um livro pela capa com a agravante de ser de uma escritora premiada pelo Booker Prize em 1987. A coisa não augurava nada de bom, mas embora não o tenha considerado excelente, surpreendeu-me pela positiva.
Em “Álbum de Família”, Penelope Lively leva-nos a conhecer uma grande família aparentemente unida e feliz. Uma esposa dedicada e mãe coruja, um pai distante sempre refugiado no escritório, a au pair escandinava, seis filhos, a sua relação uns com os outros e um mistério familiar que nunca foi revelado. Gradualmente, guia-nos através do passado para tentarmos compreender o presente, desmentindo a imagem de perfeição familiar. Os filhos, já adultos e longe de casa, revivem o passado emocionalmente marcado por traumas de infância, bem como o segredo que, durante anos, ninguém se atreveu a mencionar. Todos eles sabiam a verdade, mas preferiam o silêncio. O segredo, amordaçado dentro de cada um deles, a vida familiar obscura e fingida e as emoções escondidas acabam por ter efeitos nas suas vidas act
uais.

Allersmead é uma enorme e velha casa vitoriana, nos subúrbios. O lugar perfeito para a elegante Sandra, a difícil Gina, o auto destruidor Paul, a sensata Katie, o inteligente Roger e a volúvel Clare crescerem. Mas terá sido? Já adultos, regressam todos a Allersmead, um por um. À mãe, uma dona de casa dedicada, ao pai, um escritor alheado de tudo, e à casa que durante anos foi testemunha silenciosa dos segredos familiares. E de um segredo devastador de que ninguém fala...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Veredicto…

…com direito a recurso e reclamação.

Já ouviu falar em artroscopia?
Zás! Ka-boom!... Naquele momento, uma pequena bomba detonou na minha cabeça!...
É isso que vai ter que fazer! Vou aqui ver na agenda… Dia 3 de Novembro, está bem?
Não, não estava nada bem, mas “para grandes males, grandes remédios.”
Epidural ou anestesia geral, eis a questão! Ó doutor! Adormeça-me porque eu prefiro “viver na ignorância”!...

Estas minhas últimas e sucessivas moléstias são comparáveis às mazelas nas casas velhas. Necessitam de grandes obras de remodelação, mas como os proprietários não têm pilim para obras dessa envergadura, fazem pequenas reparações de manutenção para que a casa não venha abaixo ou ameace ruir. E depois de uma pintura nas fachadas, parecem novas. O pior é que continuam empenadas, com brechas, cheias de humidade e bolor e, pior que isso, vai-se atamancando e nunca voltarão a ter a robustez de origem.
Comigo vai-se passando o mesmo, arranja dali, conserta daqui… Era preferível deitar abaixo e fazer de novo!...
Será que não poderiam “demolir-me” e “construírem-me” de raiz? Isso, sim, seria um grande avanço na medicina!...
Se, num futuro próximo, isso vier a ser exequível, solicito, suplico, esmolo, pedincho que me façam com “acabamentos” de luxo e vista para o mar, tá?...