Obrigada pela belíssima hora e meia de filme...
... pelos diálogos...
... pelas imagens de Barcelona...
... pela fotografia...
... pelo romance e a comédia...
... pela escolha de Bardem e Penélope...
Obrigada também às minhas filhas, por me
proporcionarem uma pausa no frenesim diário,
ao sugerirem que eu fosse sozinha ao cinema...
sábado, 28 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Slumdog Millionaire
Li, aqui há tempos, que andavam a desenvolver uma televisão com cheiro... Verdade! Se calhar agora até já registaram a patente!
Se bem me lembro (e eu nunca me lembro bem...) funcionava através de um dispositivo que emanava cheiros consoante as imagens.
Confesso que não liguei muito à ideia e pensei, apenas para com os meus botões, "o que eles inventam"...
Confesso que nunca mais me lembrei de semelhante "invenção". Até ontem.
Felizmente, neste caso específico, a tal invenção ainda não chegou às salas de cinema mas a verdade é que Slumdog Millionaire emanava "cheiros"...
Slumdog Millionaire deveria ter ganho o oscar de "Melhor Documentário". Foi exactamente assim que vi o filme, como um documentário.
Um documentário extraordinário das favelas indianas, da Índia real, da Índia profunda, da Índia que não consta nos roteiros turísticos...
Um documentário que tinha "cheiros", todos eles repugnantes...
A verdade é que saí da sala de cinema impressionada...
É fácil captar cheiros quando leio um livro. Curiosamente, o último livro que emanava "cheiros" foi Goa ou o Guardião da Aurora mas todos eles aromáticos, perfumados, doces e picantes... uma festa para o olfacto...
Visitar a Índia deve ser uma experiência fascinante mas, a julgar pela experiência vivida por uma colega minha, traumatizante.
A Índia gere em mim sentimentos contraditórios.
É fascinante e inexplicável... Encata-me e deprime-me...
Suspeito, melhor dizendo, "cheira-me" que talvez a Índia tenha esta magia...
Se bem me lembro (e eu nunca me lembro bem...) funcionava através de um dispositivo que emanava cheiros consoante as imagens.
Confesso que não liguei muito à ideia e pensei, apenas para com os meus botões, "o que eles inventam"...
Confesso que nunca mais me lembrei de semelhante "invenção". Até ontem.
Felizmente, neste caso específico, a tal invenção ainda não chegou às salas de cinema mas a verdade é que Slumdog Millionaire emanava "cheiros"...
Slumdog Millionaire deveria ter ganho o oscar de "Melhor Documentário". Foi exactamente assim que vi o filme, como um documentário.
Um documentário extraordinário das favelas indianas, da Índia real, da Índia profunda, da Índia que não consta nos roteiros turísticos...
Um documentário que tinha "cheiros", todos eles repugnantes...
A verdade é que saí da sala de cinema impressionada...
É fácil captar cheiros quando leio um livro. Curiosamente, o último livro que emanava "cheiros" foi Goa ou o Guardião da Aurora mas todos eles aromáticos, perfumados, doces e picantes... uma festa para o olfacto...
Visitar a Índia deve ser uma experiência fascinante mas, a julgar pela experiência vivida por uma colega minha, traumatizante.
A Índia gere em mim sentimentos contraditórios.
É fascinante e inexplicável... Encata-me e deprime-me...
Suspeito, melhor dizendo, "cheira-me" que talvez a Índia tenha esta magia...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Memórias e Afectos (12)
Diz-se que recordar é viver. Eu volto atrás no tempo e vivo, recordando, tantos momentos passados com o “avôzinho” R. (teimo em continuar a pôr acento circunflexo…), nas Caldas da Rainha.
Recordo um incidente como se tivesse sido hoje.
Recordo como se tivesse parado no tempo…
E cada vez que recordo, o mesmo sentimento de culpa…
Os passeios com o avô R., ao fim da tarde, faziam parte da rotina diária, mas para mim, e julgo que também para o J., eram a melhor forma de acabar mais um dia de férias, só superados pelas histórias ao deitar…
Deveria ter uns sete ou oito anos e o J. teria uns nove ou dez.
Nesse dia o passeio foi estendido até ao Parque. O avô, o J., eu e o Tejo. Já no regresso, sugerimos que o “avôzinho” e o Tejo fossem por uma rua, enquanto nós nos esgueirávamos por outra, para ver quem chegava mais depressa a casa. Claro que nós, miúdos e cheios de energia, sabíamos, de antemão, que seríamos os primeiros a chegar, apesar do nosso percurso ser ligeiramente maior. O avô aceitou a aposta, sorrindo, não deixando revelar que sabia tão bem como nós quem seriam os “vencedores”…
Mas…o problema é que o avô, já nessa altura, era um pouco surdo e em vez de perceber “casa”, percebeu “praça”…e a Praça da fruta, ainda hoje conhecida por ter, diariamente, um mercado, era ali próxima…
O J. e eu chegámos a casa num ápice e depois de termos explicado a verdadeira razão da nossa chegada sozinhos, fomos para a janela esperar pelo avô…
O avô tardava em chegar… coitado! À nossa espera na Praça da fruta, apoquentado por não nos ver e cheio de remorsos por nos ter deixado entregues a nós mesmos…
E o tempo que ele esperou… Atormentado com o que poderia ter acontecido, resolveu voltar a casa, pensando no que lhe diriam por aparecer sem os netos…
Ver-nos à janela foi o bastante para ele sorrir e respirar de alívio. O mal entendido foi esclarecido e tudo ficou bem porque acabou bem…
Experimentei, julgo que pela primeira vez, o sentimento de culpa. Senti-o na angústia que ele trazia espelhada na cara…
Não foi preciso crescer, não foi preciso ter filhos para perceber a dor e a aflição que o meu querido “avôzinho” terá sentido nesse dia…
Recordo um incidente como se tivesse sido hoje.
Recordo como se tivesse parado no tempo…
E cada vez que recordo, o mesmo sentimento de culpa…
Os passeios com o avô R., ao fim da tarde, faziam parte da rotina diária, mas para mim, e julgo que também para o J., eram a melhor forma de acabar mais um dia de férias, só superados pelas histórias ao deitar…
Deveria ter uns sete ou oito anos e o J. teria uns nove ou dez.
Nesse dia o passeio foi estendido até ao Parque. O avô, o J., eu e o Tejo. Já no regresso, sugerimos que o “avôzinho” e o Tejo fossem por uma rua, enquanto nós nos esgueirávamos por outra, para ver quem chegava mais depressa a casa. Claro que nós, miúdos e cheios de energia, sabíamos, de antemão, que seríamos os primeiros a chegar, apesar do nosso percurso ser ligeiramente maior. O avô aceitou a aposta, sorrindo, não deixando revelar que sabia tão bem como nós quem seriam os “vencedores”…
Mas…o problema é que o avô, já nessa altura, era um pouco surdo e em vez de perceber “casa”, percebeu “praça”…e a Praça da fruta, ainda hoje conhecida por ter, diariamente, um mercado, era ali próxima…
O J. e eu chegámos a casa num ápice e depois de termos explicado a verdadeira razão da nossa chegada sozinhos, fomos para a janela esperar pelo avô…O avô tardava em chegar… coitado! À nossa espera na Praça da fruta, apoquentado por não nos ver e cheio de remorsos por nos ter deixado entregues a nós mesmos…
E o tempo que ele esperou… Atormentado com o que poderia ter acontecido, resolveu voltar a casa, pensando no que lhe diriam por aparecer sem os netos…
Ver-nos à janela foi o bastante para ele sorrir e respirar de alívio. O mal entendido foi esclarecido e tudo ficou bem porque acabou bem…
Experimentei, julgo que pela primeira vez, o sentimento de culpa. Senti-o na angústia que ele trazia espelhada na cara…
Não foi preciso crescer, não foi preciso ter filhos para perceber a dor e a aflição que o meu querido “avôzinho” terá sentido nesse dia…
Message in a bottle (13)
(por Catarina Carvalho)
Há uma mudança a acontecer no cinema. Por um lado, as televisões estão maiores, parecidas com écrans de cinema. Por outros, os filmes estão mais intimistas. Veja-se os nomeados para os Óscares: Frost/Nixon, Milk, O Leitor…
Excepto Quem quer ser bilionário, os outros podiam ser telefilmes (como bem diz o crítico de cinema da revista Time, Richard Corliss).
Há cada vez menos diferença entre ficar em casa a ver um filme ou fazê-lo no cinema. Isto deve explicar a falta de educação e de saber estar numa sala de cinema a que tenho assistido. As pessoas comentam cenas, alto, com o parceiro do lado, comem pipocas feito alarves, riem-se e sorvem bebidas.
Mas… estão simplesmente a portar-se… como se estivessem em casa.
(por Pezinhos na Areia)
O primeiro passo a dar é ir a um cinema onde não se vendam pipocas nem bebidas.
Foi o que eu fiz ontem…
Fui ao Londres ver O Leitor. O Londres, apesar de me parecer um pouco negligenciado, continua a ter a vantagem de não estar localizado num centro comercial. Para além da total ausência de pipocas, afins e similares, é frequentado por cinéfilos ou por gente bem-educada, pelo menos é a ideia que tenho daquele espaço.
São tão bem educados que o senhor que estava à nossa frente se recostou na cadeira e dormiu a maior parte do tempo só para não incomodar... (sem ressonar, isto é importante dizer). Este senhor, ao contrário de mim, não amou o filme, mas soube estar numa sala de cinema…
Gostei mesmo muito do filme mas foi difícil a escolha. Há ocasiões em que a escolha é difícil porque nada me agrada e outras em que a escolha é difícil porque todos os filmes em cartaz me interessam…
Por mim, até fazia o sacrifício de ir a um centro comercial com 10 salas. Começava às 13 horas e ia até à sessão da meia-noite. Milk, Frost/Nixon, Quem quer ser bilionário, Vicky Cristina Barcelona, A dúvida, O Estranho Caso de Benjamim Button, A Troca, Revolutionary Road, Valquíria...
E sou eu cinéfila de trazer por casa, o que seria se fosse viciada...
Há uma mudança a acontecer no cinema. Por um lado, as televisões estão maiores, parecidas com écrans de cinema. Por outros, os filmes estão mais intimistas. Veja-se os nomeados para os Óscares: Frost/Nixon, Milk, O Leitor…
Excepto Quem quer ser bilionário, os outros podiam ser telefilmes (como bem diz o crítico de cinema da revista Time, Richard Corliss).
Há cada vez menos diferença entre ficar em casa a ver um filme ou fazê-lo no cinema. Isto deve explicar a falta de educação e de saber estar numa sala de cinema a que tenho assistido. As pessoas comentam cenas, alto, com o parceiro do lado, comem pipocas feito alarves, riem-se e sorvem bebidas.
Mas… estão simplesmente a portar-se… como se estivessem em casa.
(por Pezinhos na Areia)
O primeiro passo a dar é ir a um cinema onde não se vendam pipocas nem bebidas.
Foi o que eu fiz ontem…
Fui ao Londres ver O Leitor. O Londres, apesar de me parecer um pouco negligenciado, continua a ter a vantagem de não estar localizado num centro comercial. Para além da total ausência de pipocas, afins e similares, é frequentado por cinéfilos ou por gente bem-educada, pelo menos é a ideia que tenho daquele espaço.
São tão bem educados que o senhor que estava à nossa frente se recostou na cadeira e dormiu a maior parte do tempo só para não incomodar... (sem ressonar, isto é importante dizer). Este senhor, ao contrário de mim, não amou o filme, mas soube estar numa sala de cinema…
Gostei mesmo muito do filme mas foi difícil a escolha. Há ocasiões em que a escolha é difícil porque nada me agrada e outras em que a escolha é difícil porque todos os filmes em cartaz me interessam…
Por mim, até fazia o sacrifício de ir a um centro comercial com 10 salas. Começava às 13 horas e ia até à sessão da meia-noite. Milk, Frost/Nixon, Quem quer ser bilionário, Vicky Cristina Barcelona, A dúvida, O Estranho Caso de Benjamim Button, A Troca, Revolutionary Road, Valquíria...
E sou eu cinéfila de trazer por casa, o que seria se fosse viciada...
domingo, 22 de fevereiro de 2009
I ain't afraid of no ghost...
If there's something strange in your neighbourhood
Who you gonna call? Ghostbusters!
If it's something weird and it don't look good
Who you gonna call? Ghostbusters!
Who you gonna call? Ghostbusters!
If it's something weird and it don't look good
Who you gonna call? Ghostbusters!
Os Caça Fantasmas, Dr. Peter Venkman, Dr. Raymond Stantz e Dr. Egon Spengler, foram chamados a Torres Vedras devido aos estranhos fenómenos que tomaram conta da cidade.
O Dr. Raymond Stantz, especialista em manifestações sobrenaturais,
esclareceu que o seu comportamento paranormal se deve a um fenómeno Real em grande escala…
O aspecto esverdeado terá a ver com radiações de ectoplasma delirante...
Realmente…o amor tem destas coisas… mas gosto de o ver assim “Ray”
Memórias e Afectos (11)
Duas das muitas canções da minha meninice... que ainda guardo na memória!
Foi numa linda manhã
estava a brincar no jardim
a certa altura a mamã
chamou-me e disse-me assim:
não brinques só a correr
tropeças sem querer
tu cais, ficas mal
Respondi: pronto, está bem,
depressa porém
esqueci-me de tal
Ninguém sabe depois como foi
escorreguei caí no chão
no joelho ficou um dói-dói
no nariz um arranhão
Desde então procurei ser melhor
por ser má fui infeliz
faço agora tudo quanto
a mamã me diz.
O ratinho foi ao baile
De cartola e jaquetão
Sapato de bico fino
E um par de luvas na mão
Encontrou uma ratazana
Que dançava no salão
O ratinho aproximou-se
Apertando sua mão
Convidou-a p’ra dançar
E ela respondeu que não
A ratazana estava noiva
E não quis complicação
O ratinho ficou zangado
Sofrendo do coração
Pegou na sua cartola
E retirou-se do salão.
Foi numa linda manhã
estava a brincar no jardim
a certa altura a mamã
chamou-me e disse-me assim:
não brinques só a correr
tropeças sem querer
tu cais, ficas mal
Respondi: pronto, está bem,
depressa porém
esqueci-me de tal
Ninguém sabe depois como foi
escorreguei caí no chão
no joelho ficou um dói-dói
no nariz um arranhão
Desde então procurei ser melhor
por ser má fui infeliz
faço agora tudo quanto
a mamã me diz.
O ratinho foi ao baile
De cartola e jaquetão
Sapato de bico fino
E um par de luvas na mão
Encontrou uma ratazana
Que dançava no salão
O ratinho aproximou-se
Apertando sua mão
Convidou-a p’ra dançar
E ela respondeu que não
A ratazana estava noiva
E não quis complicação
O ratinho ficou zangado
Sofrendo do coração
Pegou na sua cartola
E retirou-se do salão.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
A dúvida é a sala de espera do conhecimento...
"Existem duas espécies de idiotas: aqueles que não duvidam de nada e aqueles que duvidam de tudo."
Claro que existem outras espécies de idiotas, nas quais me poderei incluir, mas nestas duas categorias não me encaixo (estou safa). Não sou céptica mas, uma vez por outra, a dúvida assalta-me...
Actualmente, oiço, com frequência, profissionais da comunicação social, assim como outras pessoas, pronunciarem a palavra "bactéria" com um "a" aberto ("bá") e, apesar de nunca na vida a ter pronunciado assim, comecei a duvidar da forma como a pronuncio... aliás, até pensei que o acordo ortográfico já vigorava e tinha que pronunciar à "brasilêro"...
Ora, como eu não consigo viver com dúvidas, excepto as existenciais (ih, ih, ih), já andava há algum tempo a pensar que tinha que esclarecer a "coisa" mas esquecia-me... o esquecimento é um problema com o qual me debato diariamente...
No entanto, hoje, a memória não me atraiçoou e lembrei-me de investigar.
Fui direitinha ao site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e obtive a resposta:
A pronúncia correcta, ao contrário do que por vezes se ouve, é com o "a" fechado, como em bater.
Deixo um agradecimento às minhas professoras primárias e peço desculpa por ter posto em dúvida a sua competência, ainda que por pouco tempo...
Claro que existem outras espécies de idiotas, nas quais me poderei incluir, mas nestas duas categorias não me encaixo (estou safa). Não sou céptica mas, uma vez por outra, a dúvida assalta-me...
Actualmente, oiço, com frequência, profissionais da comunicação social, assim como outras pessoas, pronunciarem a palavra "bactéria" com um "a" aberto ("bá") e, apesar de nunca na vida a ter pronunciado assim, comecei a duvidar da forma como a pronuncio... aliás, até pensei que o acordo ortográfico já vigorava e tinha que pronunciar à "brasilêro"...
Ora, como eu não consigo viver com dúvidas, excepto as existenciais (ih, ih, ih), já andava há algum tempo a pensar que tinha que esclarecer a "coisa" mas esquecia-me... o esquecimento é um problema com o qual me debato diariamente...
No entanto, hoje, a memória não me atraiçoou e lembrei-me de investigar.
Fui direitinha ao site Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e obtive a resposta:
A pronúncia correcta, ao contrário do que por vezes se ouve, é com o "a" fechado, como em bater.
Deixo um agradecimento às minhas professoras primárias e peço desculpa por ter posto em dúvida a sua competência, ainda que por pouco tempo...
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Para jovens e não só...
Os três melhores hostels do mundo estão em Lisboa!
Travellers House, Rossio Hostel e Lisbon Lounge Hostel, todos na Baixa lisboeta, são os nomes que lideram o ranking anual da HostelWorld. A escolha foi feita por viajantes dos cinco continentes, que elegeram os hostels lisboetas entre outros 20 mil de todo o mundo.
No top 10 dos 'Hoscars' surgem quatro pousadas da baixa da capital, que arrebataram os três primeiros lugares e ainda o oitavo.
A eleição foi feita pelos cerca de 800 mil viajantes que já passaram pelos mais de 20 mil hostels registados no site da HostelWorld. Dentro dos critérios de escolha estão seis requisitos que os albergues portugueses parecem cumprir à risca: segurança, limpeza, staff, personalidade, localização e divertimento.
Os donos das casas dizem que a mais-valia está na forma de receber o viajante: “Tratamo-lo como se fôssemos nós a viajar”.
O ambiente do Traveller's House é relaxado, simpático, com música lounge, sala de DVD e até café grátis. A pernoita fica entre os 16 e 18 euros, em média.
Conhecidos pelo seu baixo custo e ambiente descontraído, os hostels são albergues destinados sobretudo a viajantes mais jovens, embora seja cada vez mais comum encontrarem-se adeptos mais velhos e até mesmo famílias a optar por este tipo de alojamento. Os quartos são partilhados, assim como casas-de-banho, cozinha e sala de convívio.
(Retirado do jornal Expresso)
Fiquei entusiasmada, talvez assim ainda venha a escrever um diário de viagens...
Travellers House, Rossio Hostel e Lisbon Lounge Hostel, todos na Baixa lisboeta, são os nomes que lideram o ranking anual da HostelWorld. A escolha foi feita por viajantes dos cinco continentes, que elegeram os hostels lisboetas entre outros 20 mil de todo o mundo.
No top 10 dos 'Hoscars' surgem quatro pousadas da baixa da capital, que arrebataram os três primeiros lugares e ainda o oitavo.
A eleição foi feita pelos cerca de 800 mil viajantes que já passaram pelos mais de 20 mil hostels registados no site da HostelWorld. Dentro dos critérios de escolha estão seis requisitos que os albergues portugueses parecem cumprir à risca: segurança, limpeza, staff, personalidade, localização e divertimento.
Os donos das casas dizem que a mais-valia está na forma de receber o viajante: “Tratamo-lo como se fôssemos nós a viajar”.
O ambiente do Traveller's House é relaxado, simpático, com música lounge, sala de DVD e até café grátis. A pernoita fica entre os 16 e 18 euros, em média.
Conhecidos pelo seu baixo custo e ambiente descontraído, os hostels são albergues destinados sobretudo a viajantes mais jovens, embora seja cada vez mais comum encontrarem-se adeptos mais velhos e até mesmo famílias a optar por este tipo de alojamento. Os quartos são partilhados, assim como casas-de-banho, cozinha e sala de convívio.
(Retirado do jornal Expresso)
Fiquei entusiasmada, talvez assim ainda venha a escrever um diário de viagens...
Livros e Mar: eis o meu elemento! (8)
Enquanto a implacável Peste Negra assolava a Europa, uma nova cultura começava a florescer nas cidades e o estudo das grandes civilizações clássicas iniciava uma época de esplendor para as artes, as letras e as ciências.
Em Roma, a restauração de um único trono papal vaticinava uma nova etapa de poder e fausto do papado, mas ao mesmo tempo a corrupção ameaçava a Igreja. Altos mandatários eclesiásticos visitavam os bordéis e mantinham várias amantes, aceitavam subornos e negociavam com as bulas papais que perdoavam os pecados mais atrozes.
Assim era a vida no Renascimento. Assim era o mundo de Alexandre VI, o Papa Bórgia, e dos seus filhos César, João, Lucrécia e Godofredo. Esta é a história, o retrato fascinante de uma família cuja ambição e sede de poder a levariam ao topo do mundo e a crónica do alto preço que pagaram por isso.
A Família, o último romance de Mario Puzo, é o resultado de um trabalho de mais de dez anos e foi publicado postumamente. Carol Gino, assistente pessoal e companheira de Mario Puzo durante muitos anos, trabalhou intensamente com o autor na preparação deste romance. Com a colaboração do historiador Bertram Fields, encarregou-se de rever e completar os capítulos que ficaram inacabados com a morte do autor.
Em Roma, a restauração de um único trono papal vaticinava uma nova etapa de poder e fausto do papado, mas ao mesmo tempo a corrupção ameaçava a Igreja. Altos mandatários eclesiásticos visitavam os bordéis e mantinham várias amantes, aceitavam subornos e negociavam com as bulas papais que perdoavam os pecados mais atrozes.
Assim era a vida no Renascimento. Assim era o mundo de Alexandre VI, o Papa Bórgia, e dos seus filhos César, João, Lucrécia e Godofredo. Esta é a história, o retrato fascinante de uma família cuja ambição e sede de poder a levariam ao topo do mundo e a crónica do alto preço que pagaram por isso.
A Família, o último romance de Mario Puzo, é o resultado de um trabalho de mais de dez anos e foi publicado postumamente. Carol Gino, assistente pessoal e companheira de Mario Puzo durante muitos anos, trabalhou intensamente com o autor na preparação deste romance. Com a colaboração do historiador Bertram Fields, encarregou-se de rever e completar os capítulos que ficaram inacabados com a morte do autor.
(retirado do Blog Clube de Leitura)
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Reservado à Indignação (8)
Alguns excertos de um conto do livro Os Meus Amores de Trindade Coelho.
Não me parece que seja de fácil leitura para miúdos de onze e doze anos...
Como TPC, a professora de português enviou uma folhita A4, frente e verso, com quase 100 sinónimos... Pudera! Com uma linguagem destas...
Na biografia "reza" o seguinte:
O seu estilo natural...
... fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português.
... dedicou-se a uma intensa actividade pedagógica tentando elucidar democraticamente o cidadão português.
Estilo natural? Conto rústico? Ok... mas para mentes instruídas...
Tentando elucidar o cidadão português? Democraticamente?
Não sei quem planeia os programas de português mas textos com esta dificuldade de linguagem para um 7º ano, parece-me ideia de jerico...
A minha filha R., que por sinal é boa aluna à disciplina de Português, parecia o Jô Soares:
Não precisa explicar, eu só queria entender...
ABYSSUS ABYSSUM
Trindade Coelho, Os Meus Amores, 1891
...
– Ao pra baixo remo eu, ora remo? – Remas.
– E tu regulas, ora regulas? – Regulo.
– Ao pra cima é às avessas, ora é?
– É.
Muito bem, «basta palavra»! E ambos, ao mesmo tempo, um ao outro se impuseram segredo... – Psiu!... – Psiu!
...
A tarde descaía límpida. Na vasta cúpula do céu, penachos de nuvens alvejavam, imóveis.
Acesas naquela explosão rubra do ocaso, as arestas dos montes franjavam-se de púrpura e ouro, na decoração mágica dos poentes. Começava de cair sobre os campos a larga paz tranquila dos crepúsculos, e uma quietação dulcíssima e vagamente melancólica entrava de adormecer a natureza para o grande sono reparador de toda a noite.
Naquela luz indecisa de crepúsculo que mansamente se ia acentuando, os montes do Sul tomavam um torvo aspecto de sombras gigantescas, imobilizados num fundo em que se iam apagando ao de leve todos os cambiantes de luz. Os pormenores da paisagem perdiam-se naquela indecisão vaga de noite que vinha descendo, e uma espécie de silêncio confrangedor dominava a natureza toda, recolhida num como espasmo amedrontador e sinistro que dentro de nós evoca a essa hora não sei que vagos receios ou medos inconscientes que fazem com que na imaginação as coisas criem vulto, e no mundo exterior obrigam a retina a exagerar as formas às coisas...
...
Riram muito. O Manuel despidinho, coiracho ao colo da mãe, havia de ser engraçado! E então todos de volta, a ver quando se talhava o ar!
– Mas talhou-se! Agora, em paga, uma vez por ano (ao menos uma vez por ano) tenho de olhar pelos ralos do lenço pràs cinco chagas, umas estrelas que além estão, e rezar uma ave-maria.
...
Parecia-lhes medonho aquele marulhar contínuo da corrente, afligia-os como se fosse o salmodiar monótono e rouco duma legião de espíritos maus, preludiando-lhes as agonias lentas da morte.
Depois do que escrevi, será um contra-senso dizer que Os Meus Amores vai constar da minha lista de livros a comprar?
Não me parece que seja de fácil leitura para miúdos de onze e doze anos...
Como TPC, a professora de português enviou uma folhita A4, frente e verso, com quase 100 sinónimos... Pudera! Com uma linguagem destas...
Na biografia "reza" o seguinte:
O seu estilo natural...
... fazem de Trindade Coelho um dos mestres do conto rústico português.
... dedicou-se a uma intensa actividade pedagógica tentando elucidar democraticamente o cidadão português.
Estilo natural? Conto rústico? Ok... mas para mentes instruídas...
Tentando elucidar o cidadão português? Democraticamente?
Não sei quem planeia os programas de português mas textos com esta dificuldade de linguagem para um 7º ano, parece-me ideia de jerico...
A minha filha R., que por sinal é boa aluna à disciplina de Português, parecia o Jô Soares:
Não precisa explicar, eu só queria entender...
ABYSSUS ABYSSUM
Trindade Coelho, Os Meus Amores, 1891
...
– Ao pra baixo remo eu, ora remo? – Remas.
– E tu regulas, ora regulas? – Regulo.
– Ao pra cima é às avessas, ora é?
– É.
Muito bem, «basta palavra»! E ambos, ao mesmo tempo, um ao outro se impuseram segredo... – Psiu!... – Psiu!
...
A tarde descaía límpida. Na vasta cúpula do céu, penachos de nuvens alvejavam, imóveis.
Acesas naquela explosão rubra do ocaso, as arestas dos montes franjavam-se de púrpura e ouro, na decoração mágica dos poentes. Começava de cair sobre os campos a larga paz tranquila dos crepúsculos, e uma quietação dulcíssima e vagamente melancólica entrava de adormecer a natureza para o grande sono reparador de toda a noite.
Naquela luz indecisa de crepúsculo que mansamente se ia acentuando, os montes do Sul tomavam um torvo aspecto de sombras gigantescas, imobilizados num fundo em que se iam apagando ao de leve todos os cambiantes de luz. Os pormenores da paisagem perdiam-se naquela indecisão vaga de noite que vinha descendo, e uma espécie de silêncio confrangedor dominava a natureza toda, recolhida num como espasmo amedrontador e sinistro que dentro de nós evoca a essa hora não sei que vagos receios ou medos inconscientes que fazem com que na imaginação as coisas criem vulto, e no mundo exterior obrigam a retina a exagerar as formas às coisas...
...
Riram muito. O Manuel despidinho, coiracho ao colo da mãe, havia de ser engraçado! E então todos de volta, a ver quando se talhava o ar!
– Mas talhou-se! Agora, em paga, uma vez por ano (ao menos uma vez por ano) tenho de olhar pelos ralos do lenço pràs cinco chagas, umas estrelas que além estão, e rezar uma ave-maria.
...
Parecia-lhes medonho aquele marulhar contínuo da corrente, afligia-os como se fosse o salmodiar monótono e rouco duma legião de espíritos maus, preludiando-lhes as agonias lentas da morte.
Depois do que escrevi, será um contra-senso dizer que Os Meus Amores vai constar da minha lista de livros a comprar?
Gosto...e não se fala mais nisso! (9)
Pelo simbolismo...Pintado por Picasso, representativo da destruição da povoação basca de Guernica durante a Guerra Civil Espanhola.
Guernica foi sistematicamente atacada por vaga atrás de vaga de bombardeiros alemães e italianos (apoiantes do ditador Franco), que durante várias horas lançaram milhares de bombas e metralharam civis. Mais de quinze mil pessoas morreram.
Uma comunidade inteira foi varrida...
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Memórias e Afectos (10)
Em meados da década de 60, os meus pais ofereceram-me um View-Master...
Fiquei fascinada! Não era para menos... porque naquele tempo havia muito pouca oferta de brinquedos e os de menina resumiam-se a bonecas, mobílias, cozinhas, tachinhos e panelinhas (suspeito que terá sido por este motivo que eu detesto tudo o que diz respeito a trabalhos domésticos...). Receber um View-Master foi uma lufada de ar fresco!

Cada disco tem catorze slides que correspondem a sete fotografias a cores porque em cada par de imagens as cenas são iguais e é isso que dá o efeito de relevo.
Apesar de não ter muitos discos, usei o meu View-Master até à exaustão...
Julgo que ainda existem mas certamente já não encantam nem deslumbram crianças...
O meu View-Master está guardado no sótão da minha casa e no meu "sótão" de memórias...
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
O saber não ocupa lugar
Felizmente herdei do meu pai o prazer de pesquisar, de investigar, de aprender, de saber.
Quando era gaiata e mesmo já na adolescência não havia internet, essa facilidade que hoje existe de pesquisa, mas tinha a sorte de ter à disposição um manancial de enciclopédias no "escritório" do meu pai (essa divisão da casa é conhecida, na nossa "gíria doméstica", por tulha, pelo facto de estar sempre desarrumado...).
Talvez as minhas "investigações", nesse tempo, não fossem tão fáceis como hoje em dia mas eram, certamente, mais encantadoras... porque manusear livros é muito mais empolgante do que a acção de clicar ou teclar.
Lembro-me bem da "cruzada" que empreendi, para desvendar algumas localizações geográficas, quando li "Tristão e Isolda" de Béroul e "Paulo e Virgínia" de Bernardin de Saint-Pierre , tinha eu aí uns treze ou catorze anos...
O saber não ocupa lugar mas se "o lugar estiver muito ocupado" posso sempre fazer um delete da informação que não me interessa "arquivar" nos neurónios.
E como o saber não ocupa lugar, soube pela S. que no nosso país existiam muitos exemplares de Trilobites e que a maior foi encontrada no lugar de Canelas, perto de Alvarenga, no concelho de Arouca. Apesar de ter conhecimento que em Portugal se encontram fósseis de vários tipos, nunca me tinha passado pela cabecita que houvesse Trilobites...
Trilobites eram animais marinhos que existiram nos mares de há 300 milhões de anos e se extinguiram antes do aparecimento dos dinossáurios. Para os estudiosos de fósseis, as Trilobites marcam o momento em que a vida começou a sua conquista em todos os locais do planeta.

Mas o concelho de Arouca não é só rico em Trilobites, é rico em "pedras parideiras"... um fenómeno espantoso!
As "pedras parideiras", que revelam um fenómeno geológico único no mundo, são nódulos negros de biotite, um mineral, encrustados numa matriz granítica, que pelo efeito da erosão saltam da rocha. Constituem um fenómeno científico único, quer na sua formação, quer na "expulsão" devido à erosão. Brotam de uma rocha-mãe, daí se chamarem Parideiras e existem apenas em dois locais do Planeta Terra: na Serra da Freita, freguesia de Albergaria da Serra e na Rússia, perto de S. Petersburgo...


O saber não ocupa lugar... ou, como alguém diria, ocupa o lugar da ignorância...
Quando era gaiata e mesmo já na adolescência não havia internet, essa facilidade que hoje existe de pesquisa, mas tinha a sorte de ter à disposição um manancial de enciclopédias no "escritório" do meu pai (essa divisão da casa é conhecida, na nossa "gíria doméstica", por tulha, pelo facto de estar sempre desarrumado...).
Talvez as minhas "investigações", nesse tempo, não fossem tão fáceis como hoje em dia mas eram, certamente, mais encantadoras... porque manusear livros é muito mais empolgante do que a acção de clicar ou teclar.
Lembro-me bem da "cruzada" que empreendi, para desvendar algumas localizações geográficas, quando li "Tristão e Isolda" de Béroul e "Paulo e Virgínia" de Bernardin de Saint-Pierre , tinha eu aí uns treze ou catorze anos...
O saber não ocupa lugar mas se "o lugar estiver muito ocupado" posso sempre fazer um delete da informação que não me interessa "arquivar" nos neurónios.
E como o saber não ocupa lugar, soube pela S. que no nosso país existiam muitos exemplares de Trilobites e que a maior foi encontrada no lugar de Canelas, perto de Alvarenga, no concelho de Arouca. Apesar de ter conhecimento que em Portugal se encontram fósseis de vários tipos, nunca me tinha passado pela cabecita que houvesse Trilobites...
Trilobites eram animais marinhos que existiram nos mares de há 300 milhões de anos e se extinguiram antes do aparecimento dos dinossáurios. Para os estudiosos de fósseis, as Trilobites marcam o momento em que a vida começou a sua conquista em todos os locais do planeta.

Mas o concelho de Arouca não é só rico em Trilobites, é rico em "pedras parideiras"... um fenómeno espantoso!
As "pedras parideiras", que revelam um fenómeno geológico único no mundo, são nódulos negros de biotite, um mineral, encrustados numa matriz granítica, que pelo efeito da erosão saltam da rocha. Constituem um fenómeno científico único, quer na sua formação, quer na "expulsão" devido à erosão. Brotam de uma rocha-mãe, daí se chamarem Parideiras e existem apenas em dois locais do Planeta Terra: na Serra da Freita, freguesia de Albergaria da Serra e na Rússia, perto de S. Petersburgo...


O saber não ocupa lugar... ou, como alguém diria, ocupa o lugar da ignorância...
"Hay que buscarse un Amante"
Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm e as que tinham e perderam. Geralmente são estas últimas que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insónia, apatia, pessimismo, crises de choro, ou as mais diversas dores. Elas contam-me que as suas vidas correm de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar o tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente a perder a esperança. Antes de me contarem tudo isto, já tinham estado noutros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão"... além da inevitável receita do anti-depressivo do momento.
Assim, depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa destas?!". Há também as que, chocadas e escandalizadas, despedem-se e não voltam nunca mais.
Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte:
Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso Amante é o que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido... Enfim, Amante é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"? "Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é o deixarmo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um amante, sejam também um amante e um protagonista da vossa vida... Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um amante.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: "Para se estar satisfeito, activo, e sentirem-se jovens e felizes, É PRECISO NAMORAR A VIDA".
Texto: Dr. Jorge Bucay
Livro: "Hay que buscarse un Amante"
Assim, depois de as ouvir atentamente, eu digo-lhes que elas não precisam de nenhum anti-depressivo. Digo-lhes que o que elas precisam é de um Amante!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem o meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa destas?!". Há também as que, chocadas e escandalizadas, despedem-se e não voltam nunca mais.
Às que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico-lhes o seguinte:
Amante é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de adormecermos, e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir.
O nosso Amante é o que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida. Às vezes encontramos o nosso amante no nosso parceiro, outras vezes, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no desporto, no trabalho, na necessidade de nos transcendermos espiritualmente, numa boa refeição, no estudo, ou no prazer obsessivo do nosso passatempo preferido... Enfim, Amante é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir vivendo". E o que é "ir vivendo"? "Ir vivendo" é ter medo de viver. É vigiar a forma como os outros vivem, é o deixarmo-nos dominar pela pressão, andar por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastarmo-nos do que é gratificante, observar decepcionados cada ruga nova que o espelho nos mostra, é aborrecermo-nos com o calor ou com o frio, com a humidade, com o sol ou com a chuva. "Ir vivendo" é adiar a possibilidade de viver o hoje, fingindo contentarmo-nos com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contentem com "ir vivendo". Procurem um amante, sejam também um amante e um protagonista da vossa vida... Acreditem que o trágico não é morrer, porque afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém. O trágico é desistir de viver, por isso, e sem mais delongas, procurem um amante.
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental: "Para se estar satisfeito, activo, e sentirem-se jovens e felizes, É PRECISO NAMORAR A VIDA".
Texto: Dr. Jorge Bucay
Livro: "Hay que buscarse un Amante"
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Celebram-se hoje os 200 anos…
…do nascimento do naturalista inglês que criou a teoria da selecção natural.Charles Darwin esteve cinco anos em viagem à volta do mundo e quando embarcou, em 1831, no HMS Beagle, não sabia que isso iria mudar a sua vida e revolucionar a história da ciência.
Quando regressou a Inglaterra, além de publicar um livro sobre a viagem, desenvolveu a sua teoria sobre a evolução, embora só tenha publicado "On the Origin of Species" em 1859.
O livro conquistou adeptos e causou polémica.
Até hoje, a polémica continua.
(curiosamente, o meu avô aventureiro e visionário também celebraria hoje pr'aí uns 125 anos...)
Reminiscências
Sempre que ajudo a minha filha R. a estudar, a minha memória vai direitinha para um poema de Fernanda de Castro, que constava do meu livro de português do 1º ano do liceu.
"...Lisboa, Santarém, Porto, Leiria..."
(eu sabia de cor toda a geografia)
O Senhor Inspector
deu-me a nota mais alta em geografia
e disse gravemente:
- "Continua. Hás-de ser gente..." -
"Ângulo recto, agudo,
cateto, hipotenusa...
(já manchara de giz a minha blusa
mas respondia a tudo
e a professora sorria
enquanto eu papagueava a geometria)
"...D.Sancho, o Povoador...
D.Dinis, o Lavrador..."
(Tinha então boa memória,
sabia as datas da história...)
1580
1640
1143
em Arcos de Valdevez...
(Muito bem, sim senhor!
A pequena é simpática)
E depois, em voz alta, o senhor Inspector:
- Vamos à gramática." -
"...E, nem, não só, mas também...
conjunções copulativas"
(Eu pensava na alegria
que ia dar a minha mãe,
nas frases admirativas
da velha D. Maria,
a minha primeira mestra:
- Tão novinha e ficou "bem"!
e esta suavíssima orquestra
acompanhava em surdina
o meu primeiro exame de menina
aplicada, orgulhosa e inteligente...)
- "Vá ao quadro, menina!" Docilmente
fiz os problemas, dividi fracções,
disse as regras das quatro operações
e finalmente
O Senhor Inspector felicitou-me,
quis saber o meu nome
e declarou-me
que ficara "distinta" sem favor.
Ah! que esplendor!
Que alegria total e sem mistura,
que orgulho, que vaidade!
Olhei de frente o sol e a claridade
não me cegou, julguei-a quase escura...
As estrelas, fitei-as como iguais.
Melhor: como rivais...
E a Humanidade
pareceu-me um rebanho sem vontade,
uma vasta colónia de formigas...
(As minhas pobres, tímidas amigas!)
Pouco depois, em casa, a testa em fogo, o olhar em brasa,
gritei num desafio
à terra, ao céu, ao mar, ao rio:
- "O mãe, eu já sei tudo!"
No seu olhar tranquilo de veludo,
no seu olhar profundo,
que era todo o meu mundo,
passou uma ironia tão velada,
uma ironia
tão funda, tão calada,
que ainda hoje murmuro cada dia:
"-O mãe, eu não sei nada!..."
"...Lisboa, Santarém, Porto, Leiria..."
(eu sabia de cor toda a geografia)
O Senhor Inspector
deu-me a nota mais alta em geografia
e disse gravemente:
- "Continua. Hás-de ser gente..." -
"Ângulo recto, agudo,
cateto, hipotenusa...
(já manchara de giz a minha blusa
mas respondia a tudo
e a professora sorria
enquanto eu papagueava a geometria)
"...D.Sancho, o Povoador...
D.Dinis, o Lavrador..."
(Tinha então boa memória,
sabia as datas da história...)
1580
1640
1143
em Arcos de Valdevez...
(Muito bem, sim senhor!
A pequena é simpática)
E depois, em voz alta, o senhor Inspector:
- Vamos à gramática." -
"...E, nem, não só, mas também...
conjunções copulativas"
(Eu pensava na alegria
que ia dar a minha mãe,
nas frases admirativas
da velha D. Maria,
a minha primeira mestra:
- Tão novinha e ficou "bem"!
e esta suavíssima orquestra
acompanhava em surdina
o meu primeiro exame de menina
aplicada, orgulhosa e inteligente...)
- "Vá ao quadro, menina!" Docilmente
fiz os problemas, dividi fracções,
disse as regras das quatro operações
e finalmente
O Senhor Inspector felicitou-me,
quis saber o meu nome
e declarou-me
que ficara "distinta" sem favor.
Ah! que esplendor!
Que alegria total e sem mistura,
que orgulho, que vaidade!
Olhei de frente o sol e a claridade
não me cegou, julguei-a quase escura...
As estrelas, fitei-as como iguais.
Melhor: como rivais...
E a Humanidade
pareceu-me um rebanho sem vontade,
uma vasta colónia de formigas...
(As minhas pobres, tímidas amigas!)
Pouco depois, em casa, a testa em fogo, o olhar em brasa,
gritei num desafio
à terra, ao céu, ao mar, ao rio:
- "O mãe, eu já sei tudo!"
No seu olhar tranquilo de veludo,
no seu olhar profundo,
que era todo o meu mundo,
passou uma ironia tão velada,
uma ironia
tão funda, tão calada,
que ainda hoje murmuro cada dia:
"-O mãe, eu não sei nada!..."
Message in a bottle (12)
Está bem... façamos de conta
(por Mário Crespo)
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
(por Mário Crespo)
Façamos de conta que nada aconteceu no Freeport. Que não houve invulgaridades no processo de licenciamento e que despachos ministeriais a três dias do fim de um governo são coisa normal. Que não houve tios e primos a falar para sobrinhas e sobrinhos e a referir montantes de milhões (contos, libras, euros?). Façamos de conta que a Universidade que licenciou José Sócrates não está fechada no meio de um caso de polícia com arguidos e tudo.
Façamos de conta que José Sócrates sabe mesmo falar Inglês. Façamos de conta que é de aceitar a tese do professor Freitas do Amaral de que, pelo que sabe, no Freeport está tudo bem e é em termos quid juris irrepreensível. Façamos de conta que aceitamos o mestrado em Gestão com que na mesma entrevista Freitas do Amaral distinguiu o primeiro-ministro e façamos de conta que não é absurdo colocá-lo numa das "melhores posições no Mundo" para enfrentar a crise devido aos prodígios académicos que Freitas do Amaral lhe reconheceu. Façamos de conta que, como o afirma o professor Correia de Campos, tudo isto não passa de uma invenção dos média. Façamos de conta que o "Magalhães" é a sério e que nunca houve alunos/figurantes contratados para encenar acções de propaganda do Governo sobre a educação. Façamos de conta que a OCDE se pronunciou sobre a educação em Portugal considerando-a do melhor que há no Mundo. Façamos de conta que Jorge Coelho nunca disse que "quem se mete com o PS leva". Façamos de conta que Augusto Santos Silva nunca disse que do que gostava mesmo era de "malhar na Direita" (acho que Klaus Barbie disse o mesmo da Esquerda). Façamos de conta que o director do Sol não declarou que teve pressões e ameaças de represálias económicas se publicasse reportagens sobre o Freeport. Façamos de conta que o ministro da Presidência Pedro Silva Pereira não me telefonou a tentar saber por "onde é que eu ia começar" a entrevista que lhe fiz sobre o Freeport e não me voltou a telefonar pouco antes da entrevista a dizer que queria ser tratado por ministro e sem confianças de natureza pessoal. Façamos de conta que Edmundo Pedro não está preocupado com a "falta de liberdade". E Manuel Alegre também. Façamos de conta que não é infinitamente ridículo e perverso comparar o Caso Freeport ao Caso Dreyfus. Façamos de conta que não aconteceu nada com o professor Charrua e que não houve indagações da Polícia antes de manifestações legais de professores. Façamos de conta que é normal a sequência de entrevistas do Ministério Público e são normais e de boa prática democrática as declarações do procurador-geral da República. Façamos de conta que não há SIS. Façamos de conta que o presidente da República não chamou o PGR sobre o Freeport e quando disse que isto era assunto de Estado não queria dizer nada disso. Façamos de conta que esta democracia está a funcionar e votemos. Votemos, já que temos a valsa começada, e o nada há-de acabar-se como todas as coisas. Votemos Chaves, Mugabe, Castro, Eduardo dos Santos, Kabila ou o que quer que seja. Votemos por unanimidade porque de facto não interessa. A continuar assim, é só a fazer de conta que votamos.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
I'll be back...
sábado, 31 de janeiro de 2009
Yes, we can!
Contrariamente ao que parece, não vou escrever sobre o famoso slogan da campanha de Barack Obama.
"Qualquer simples problema se pode tornar insolúvel se fizermos um número suficiente de reuniões para o discutir."
Ontem, sexta-feira, supostamente um dos melhores dias da semana foi igualada a todas as segundas-feiras, conhecidas como dias internacionais do desespero…
Mais uma “mega” reuniãozinha secante de departamento!
“Mega porque somos setenta, reuniãozinha porque é deprimente e sem utilidade e secante porque dura o dia todo só com um intervalo para almoço. O DIA TODO! Aquilo nem é uma reunião, é um filme do Manoel de Oliveira…
Felizmente consegui alcançar o meu único objectivo do dia: não me sentar em frente dos directores e dos chefes dos Serviços!
Depois do objectivo alcançado, puxei duma folha e aproveitei para começar a rascunhar este texto em vez de a desperdiçar com rabiscos e figurinhas geométricas…
Que pena eu não ser caricaturista… tinha ali muita matéria-prima!
“Gosto” destes acontecimentos, particularmente quando estou sentada em lugares privilegiados e posso fazer comentários com os colegas do lado sem que me vejam…
Costumo dizer que em qualquer reunião existem sempre três tipos de pessoas e eu faço parte do pior.
Há os que têm um dom, o dom da palavra! Este dom nasce com as pessoas e não nasceu comigo… o único dom que tenho está na estante… é o Dom Quixote!
O outro tipo de pessoas não tem apenas o dom, tem o “bidom”… ou seja, tem o dom da palavra e muita lata à mistura e isso é uma das condições sine qua non numa reunião. O “bidom” pode adquirir-se ao longo dos anos mas andei entretida a adquirir outras coisas e a “lata” passou-me ao lado…
Qualquer destes dois tipos de gente, sempre cheios de verborreia (não fui ao dicionário, juro!) enchem uma reunião e deixo-lhes aqui um incentivo: se alguém bocejar enquanto falam, não desistam! Mais cedo ou mais tarde alguém vai adormecer…
O terceiro tipo, do qual eu faço parte, é conhecido por monos!...
Os monos só lá estão para encher a sala, ouvir os que têm dom e “bidom” e, obviamente, fazer comentários com os colegas do lado…
Geralmente é um mono que faz as actas das reuniões porque os outros entram nos actos, são os actores principais da tragédia (caso a reunião demore mais que uma hora) enquanto os monos são simples figurantes.
A directora começou a reunião pedindo silêncio com o auxílio de um… martelinho!... Não?! Sim! Tipo juiz no tribunal! O martelinho era semelhante aos que são utilizados pelos arqueólogos… Escavações? Onde? Na minha mente? Na minha alma? Nos objectivos do ano passado? Demasiado recentes…
Que o martelinho é ridículo, é! Raio da mulherzinha, minhoca sem-abrigo, fóssil vivo… só pensa em reuniões.
Bem, lá começou o discurso do costume, a dar as informações do costume, com os suspeitos do costume…
Blá, blá, blá… não sei quê, quotas na avaliação de desempenho. Já estou como o outro: “Desejo um excelente ano de 2009 a todos! A todos? Todos não pode ser! Então e as quotas? Uns terão que ter um ano bom e outros, vá lá… suficientezinho…”
Continuou o discurso agradecendo o nosso esforço, empenho e dedicação…
Passei os olhos pela sala. A grande maioria das pessoas estava a pensar no fim-de-semana…
A palavra foi passada ao director adjunto, um brincalhão ambicioso que vi “crescer” na instituição e apenas na instituição… mas enfim, os homens não se medem aos palmos (ainda bem para ele).
Objectivos para 2009 transmitidos em cascata…
É bonito! O pior é que eu, estando na base, vou levar com aquelas toneladas de água em cima!...
Blá, blá, blá… task force! Gosto desta expressão! Não sei, tem estilo… E empreendedorismo? Uf… só de a escrever fico cansada!
Blá, blá, blá… Ups! O quê? Precisam de quanto? Cinco milhões? Não há? Mau planeamento! Podiam ter jogado no euro milhões, na lotaria, na roleta, podiam ter feito rifas, sei lá, tudo, menos andar aí ao tio ao tio… a pedir esmolas ao estrangeiro!
Como disse a S., só faltou passar a bandeja das esmolas, como na missa…
Nestas reuniões, tenho ocasião de me regozijar por pertencer ao menos mau dos Serviços do Departamento… digamos que somos assim como a aldeia gaulesa… no meio dos “romanos”, superiores em número mas que nada podem contra a nossa poção mágica… o riso!
Aqui está o Staff!
Novamente o apelo à dedicação, ao empenho e ao esforço para conseguirmos, qual Obama, ultrapassar as dificuldades e alcançar os objectivos!
Yes, we can!
O ponto alto desta reunião foi, sem dúvida, o final, com a visualização da reportagem fotográfica da nossa festa dos Reis, pois por momentos foi possível juntar “romanos” e “gauleses” na harmonia do riso…
"Qualquer simples problema se pode tornar insolúvel se fizermos um número suficiente de reuniões para o discutir."
Ontem, sexta-feira, supostamente um dos melhores dias da semana foi igualada a todas as segundas-feiras, conhecidas como dias internacionais do desespero…
Mais uma “mega” reuniãozinha secante de departamento!
“Mega porque somos setenta, reuniãozinha porque é deprimente e sem utilidade e secante porque dura o dia todo só com um intervalo para almoço. O DIA TODO! Aquilo nem é uma reunião, é um filme do Manoel de Oliveira…
Felizmente consegui alcançar o meu único objectivo do dia: não me sentar em frente dos directores e dos chefes dos Serviços!
Depois do objectivo alcançado, puxei duma folha e aproveitei para começar a rascunhar este texto em vez de a desperdiçar com rabiscos e figurinhas geométricas…
Que pena eu não ser caricaturista… tinha ali muita matéria-prima!
“Gosto” destes acontecimentos, particularmente quando estou sentada em lugares privilegiados e posso fazer comentários com os colegas do lado sem que me vejam…
Costumo dizer que em qualquer reunião existem sempre três tipos de pessoas e eu faço parte do pior.
Há os que têm um dom, o dom da palavra! Este dom nasce com as pessoas e não nasceu comigo… o único dom que tenho está na estante… é o Dom Quixote!
O outro tipo de pessoas não tem apenas o dom, tem o “bidom”… ou seja, tem o dom da palavra e muita lata à mistura e isso é uma das condições sine qua non numa reunião. O “bidom” pode adquirir-se ao longo dos anos mas andei entretida a adquirir outras coisas e a “lata” passou-me ao lado…
Qualquer destes dois tipos de gente, sempre cheios de verborreia (não fui ao dicionário, juro!) enchem uma reunião e deixo-lhes aqui um incentivo: se alguém bocejar enquanto falam, não desistam! Mais cedo ou mais tarde alguém vai adormecer…
O terceiro tipo, do qual eu faço parte, é conhecido por monos!...
Os monos só lá estão para encher a sala, ouvir os que têm dom e “bidom” e, obviamente, fazer comentários com os colegas do lado…
Geralmente é um mono que faz as actas das reuniões porque os outros entram nos actos, são os actores principais da tragédia (caso a reunião demore mais que uma hora) enquanto os monos são simples figurantes.
A directora começou a reunião pedindo silêncio com o auxílio de um… martelinho!... Não?! Sim! Tipo juiz no tribunal! O martelinho era semelhante aos que são utilizados pelos arqueólogos… Escavações? Onde? Na minha mente? Na minha alma? Nos objectivos do ano passado? Demasiado recentes…
Que o martelinho é ridículo, é! Raio da mulherzinha, minhoca sem-abrigo, fóssil vivo… só pensa em reuniões.
Bem, lá começou o discurso do costume, a dar as informações do costume, com os suspeitos do costume…
Blá, blá, blá… não sei quê, quotas na avaliação de desempenho. Já estou como o outro: “Desejo um excelente ano de 2009 a todos! A todos? Todos não pode ser! Então e as quotas? Uns terão que ter um ano bom e outros, vá lá… suficientezinho…”
Continuou o discurso agradecendo o nosso esforço, empenho e dedicação…
Passei os olhos pela sala. A grande maioria das pessoas estava a pensar no fim-de-semana…
A palavra foi passada ao director adjunto, um brincalhão ambicioso que vi “crescer” na instituição e apenas na instituição… mas enfim, os homens não se medem aos palmos (ainda bem para ele).
Objectivos para 2009 transmitidos em cascata…
É bonito! O pior é que eu, estando na base, vou levar com aquelas toneladas de água em cima!...
Blá, blá, blá… task force! Gosto desta expressão! Não sei, tem estilo… E empreendedorismo? Uf… só de a escrever fico cansada!
Blá, blá, blá… Ups! O quê? Precisam de quanto? Cinco milhões? Não há? Mau planeamento! Podiam ter jogado no euro milhões, na lotaria, na roleta, podiam ter feito rifas, sei lá, tudo, menos andar aí ao tio ao tio… a pedir esmolas ao estrangeiro!
Como disse a S., só faltou passar a bandeja das esmolas, como na missa…
Nestas reuniões, tenho ocasião de me regozijar por pertencer ao menos mau dos Serviços do Departamento… digamos que somos assim como a aldeia gaulesa… no meio dos “romanos”, superiores em número mas que nada podem contra a nossa poção mágica… o riso!
Aqui está o Staff!
Novamente o apelo à dedicação, ao empenho e ao esforço para conseguirmos, qual Obama, ultrapassar as dificuldades e alcançar os objectivos!Yes, we can!
O ponto alto desta reunião foi, sem dúvida, o final, com a visualização da reportagem fotográfica da nossa festa dos Reis, pois por momentos foi possível juntar “romanos” e “gauleses” na harmonia do riso…
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Good looking
O carteiro toca sempre duas vezes...
... assim como o meu despertador!
Aconteceu, porém, que hoje em vez de me levantar após o segundo toque, não sei o que me aconteceu... foi feitiço, o que é que me deu?... para me deixar ir nos braços de Morfeu...
Assim, qual "bela" adormecida, dormi mais duas horas, o que quer dizer que me levantei à hora em que já costumo ir a caminho do meu local de trabalho e a minha filha R. a caminho da escola, ou seja, às 8 menos dez...
Sei que apelidar-me de "bela" é pretencioso e além disso nem sequer estive a dormir 100 anos... foram apenas umas míseras duas horas!
A verdade é que duas horas de atraso numa rotina diária, com horários escolares e profissionais a cumprir, se tornam problemáticas, um autêntico bico d'obra...
O caos e o pânico instalaram-se, assim que a minha filha A., curiosamente de férias a estudar para os exames, me acordou com uma vozinha incrédula...
Sim, porque eu nem acordei sozinha... e qualquer coisa me diz que eu era bem capaz de fazer concorrência à princesa Aurora e dormir esses tais 100 anos...
O banhinho da manhã... já era! Paciência... a pele precisa de descanso...
O pequeno almoço... foi-se! Paciência... da boca para baixo só faz engordar...
Depois de nos arranjarmos (acho que já nem havia arranjo, estávamos mesmo avariadas...), a prioridade era chamar um táxi que nos levasse com alguma celeridade até à escola, visto que a R. começava as aulas às 8.15 horas!!...
Com uma boa dose de sorte consegui rapidamente um táxi e como o taxista foi expedito, a R. só chegou atrasada 10 minutos.
Eu cheguei atrasada 6x10 minutos mas, como diria um amigo meu, o que é isso comparado com o diâmetro da Terra, em milímetros?...
Aconteceu, porém, que hoje em vez de me levantar após o segundo toque, não sei o que me aconteceu... foi feitiço, o que é que me deu?... para me deixar ir nos braços de Morfeu...
Assim, qual "bela" adormecida, dormi mais duas horas, o que quer dizer que me levantei à hora em que já costumo ir a caminho do meu local de trabalho e a minha filha R. a caminho da escola, ou seja, às 8 menos dez...
Sei que apelidar-me de "bela" é pretencioso e além disso nem sequer estive a dormir 100 anos... foram apenas umas míseras duas horas!
A verdade é que duas horas de atraso numa rotina diária, com horários escolares e profissionais a cumprir, se tornam problemáticas, um autêntico bico d'obra...
O caos e o pânico instalaram-se, assim que a minha filha A., curiosamente de férias a estudar para os exames, me acordou com uma vozinha incrédula...
Sim, porque eu nem acordei sozinha... e qualquer coisa me diz que eu era bem capaz de fazer concorrência à princesa Aurora e dormir esses tais 100 anos...
O banhinho da manhã... já era! Paciência... a pele precisa de descanso...
O pequeno almoço... foi-se! Paciência... da boca para baixo só faz engordar...
Depois de nos arranjarmos (acho que já nem havia arranjo, estávamos mesmo avariadas...), a prioridade era chamar um táxi que nos levasse com alguma celeridade até à escola, visto que a R. começava as aulas às 8.15 horas!!...
Com uma boa dose de sorte consegui rapidamente um táxi e como o taxista foi expedito, a R. só chegou atrasada 10 minutos.
Eu cheguei atrasada 6x10 minutos mas, como diria um amigo meu, o que é isso comparado com o diâmetro da Terra, em milímetros?...
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Merece reflexão...
... porque o Sr. Arnaldo pode ter razão e segundo Frank Lloyd Wright,
"a televisão é pastilha elástica para os olhos"...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Gosto...e não se fala mais nisso! (8)
Gosto muito de jacarandás!Para os franceses, esta espécie tropical é a “árvore das ostras” porque os seus frutos, semelhantes a castanholas andaluzes, libertam sementes aladas.
No livro “As crónicas de um anjo cinzento”, Alejandro Dolina diz que na Argentina há um grande jacarandá que assobia tangos na Plaza de Flores...
Eu acredito...
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
A não perder!
Não sei se tive conhecimento do PNETLiteratura por casualidade, pois costuma dizer-se que nada acontece por acaso. Chegou-me através da maior rede de sites temáticos de Portugal – a rede PNET, através de e-mail.
Três cronistas dão voz ao diagnóstico crítico, nomeadamente Jorge Reis-Sá (observatório da poesia), Pedro Teixeira Neves (observatório do romance) e Maria do Carmo Figueira (observatório da tradução).
Três escritores particularmente singulares, Almeida Faria, Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe darão a conhecer neste espaço inéditos de sua autoria.
Três cronistas dão voz ao diagnóstico crítico, nomeadamente Jorge Reis-Sá (observatório da poesia), Pedro Teixeira Neves (observatório do romance) e Maria do Carmo Figueira (observatório da tradução).
Três escritores particularmente singulares, Almeida Faria, Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe darão a conhecer neste espaço inéditos de sua autoria.
Livros e Mar: eis o meu elemento! (7)
Arturo Pérez-Reverte é um dos escritores espanhóis mais lidos em todo o mundo. Aventurou-se, com «A Rainha do Sul», num cenário pouco familiar aos seus leitores – o inferno do narcotráfico, cujo enigma não reside numa intriga policial, mas numa mulher, Teresa Mendoza, que triunfou num mundo predominantemente masculino. Esta é uma mulher solitária que constrói um império a partir do nada.
Uma história de corrupção, amor e morte.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Magnetismos Terrestres
O eixo Norte-Sul geográfico da Terra não coincide com o eixo norte-sul magnético.
Quando usamos uma bússola, sabemos que o pólo norte da agulha indica o pólo Norte geográfico porque é atraído pelo pólo sul magnético da Terra.
Daqui, tiro logo uma conclusão, idiota, tola, mentecapta, obtusa... mas uma conclusão.
Se eu fosse um objecto, nunca poderia ser uma bússola... ou se o fosse, seria uma bússola contrariada e de muito mau feitio!...
Isto, porque não tenho qualquer tipo de magnetismo pelo pólo Norte geográfico ou pelo pólo sul magnético, o que vai dar ao mesmo.
O norte de Portugal é lindíssimo mas não estou a imaginar-me a viver lá. Inverno com muito frio e neve em alguns locais... nem pensar!
Nem sei como há pessoal que faz férias na neve!... Ná!... É lindo ver nevar e parágrafo, a partir daí já nada tem graça.
Não! Não gostaria de viver (não é passear...) no norte da Europa. Seria uma neura...
Na Europa, sinto uma atracção pelas regiões banhadas pelo Mediterrâneo e seria capaz de me aventurar (se fosse jovem, claro) por esses países.
A América do Norte também não tem a minha simpatia, meteorologicamente falando. Frio, nevões, casacões! Luvas, gorros e botas, tudo coisas que eu não amo e não me ficam bem...
Norte de África? Não! Apesar de haver a possibilidade de encontrar um tuaregue que talvez fosse capaz de me levar à certa... não iria aceitar bem a ideia de ser trocada por camelos... Decididamente não! Grandes amplitudes térmicas fazem-me mal à moleirinha...
No entanto, sinto um fascínio por este Continente e gostaria muito de pisar solo africano antes de "bater a bota"... mas país que me fizesse sair daqui, só S. Tomé e Príncipe e Moçambique, com um saltinho a Madagáscar...
Viver na Ásia? Completamente fora de questão, tanto o norte como o sul, não me seduz...
Eu escrevi viver... não escrevi passar lá quinze dias ou um mês a desfrutar de paisagens soberbas e culturas diferentes.
Na verdade, eu seria feliz, num qualquer sítio de um qualquer país, desde que a minha indumentária, de manhã à noite, fosse composta por t-shirt, calções e chinelos de enfiar no dedo, pomposamente chamados de havaianas...
Invejo quem o pode fazer porque eu gosto é do Verão...
Só não passeio com a prancha na mão porque a idade e as condições físicas já não me permitem praticar modalidades radicais...
É pena!...
Quando usamos uma bússola, sabemos que o pólo norte da agulha indica o pólo Norte geográfico porque é atraído pelo pólo sul magnético da Terra.
Daqui, tiro logo uma conclusão, idiota, tola, mentecapta, obtusa... mas uma conclusão.
Se eu fosse um objecto, nunca poderia ser uma bússola... ou se o fosse, seria uma bússola contrariada e de muito mau feitio!...
Isto, porque não tenho qualquer tipo de magnetismo pelo pólo Norte geográfico ou pelo pólo sul magnético, o que vai dar ao mesmo.
O norte de Portugal é lindíssimo mas não estou a imaginar-me a viver lá. Inverno com muito frio e neve em alguns locais... nem pensar!
Nem sei como há pessoal que faz férias na neve!... Ná!... É lindo ver nevar e parágrafo, a partir daí já nada tem graça.
Não! Não gostaria de viver (não é passear...) no norte da Europa. Seria uma neura...
Na Europa, sinto uma atracção pelas regiões banhadas pelo Mediterrâneo e seria capaz de me aventurar (se fosse jovem, claro) por esses países.
A América do Norte também não tem a minha simpatia, meteorologicamente falando. Frio, nevões, casacões! Luvas, gorros e botas, tudo coisas que eu não amo e não me ficam bem...
Norte de África? Não! Apesar de haver a possibilidade de encontrar um tuaregue que talvez fosse capaz de me levar à certa... não iria aceitar bem a ideia de ser trocada por camelos... Decididamente não! Grandes amplitudes térmicas fazem-me mal à moleirinha...
No entanto, sinto um fascínio por este Continente e gostaria muito de pisar solo africano antes de "bater a bota"... mas país que me fizesse sair daqui, só S. Tomé e Príncipe e Moçambique, com um saltinho a Madagáscar...
Viver na Ásia? Completamente fora de questão, tanto o norte como o sul, não me seduz...
Eu escrevi viver... não escrevi passar lá quinze dias ou um mês a desfrutar de paisagens soberbas e culturas diferentes.
Na verdade, eu seria feliz, num qualquer sítio de um qualquer país, desde que a minha indumentária, de manhã à noite, fosse composta por t-shirt, calções e chinelos de enfiar no dedo, pomposamente chamados de havaianas...
Invejo quem o pode fazer porque eu gosto é do Verão...
Só não passeio com a prancha na mão porque a idade e as condições físicas já não me permitem praticar modalidades radicais...
É pena!...
Memórias e Afectos (9)
Recordo, com muita saudade, estes dois famosos jingles
que passavam na rádio, na década de 60...
E, plagiando Paulo Gonzo, "sei-te de cor..."
Jingle Formitrol:
O senhor está constipado
e ficou mal de repente
porque não teve cuidado
porque foi imprevidente.
Para o mal cujo motivo
está na chuva, frio ou sol
qual o melhor preventivo?
Formitrol, Formitrol, Formitrol!
Jingle Rádio Vitória:
Candeeiros bem bonitos
modernos, originais,
compre-os na Rádio Vitória,
não se preocupe mais.
Lá na Rua da Vitória
quarenta e seis quarenta e oito
satisfaz-se plenamente
o cliente mais afoito.
Porque na Rádio Vitória
Embaixada do bom gosto
Quem lá vai é bem servido
e sai sempre bem disposto.
que passavam na rádio, na década de 60...
E, plagiando Paulo Gonzo, "sei-te de cor..."
Jingle Formitrol:
O senhor está constipado
e ficou mal de repente
porque não teve cuidado
porque foi imprevidente.
Para o mal cujo motivo
está na chuva, frio ou sol
qual o melhor preventivo?
Formitrol, Formitrol, Formitrol!
Jingle Rádio Vitória:
Candeeiros bem bonitos
modernos, originais,
compre-os na Rádio Vitória,
não se preocupe mais.
Lá na Rua da Vitória
quarenta e seis quarenta e oito
satisfaz-se plenamente
o cliente mais afoito.
Porque na Rádio Vitória
Embaixada do bom gosto
Quem lá vai é bem servido
e sai sempre bem disposto.
sábado, 17 de janeiro de 2009
Reservado à Indignação (7)
Eehhh!... Não me indignava há um mês! Claro que isto não podia durar muito, até porque neste país, aliás, neste sítio paradisíaco e bem localizado, mas muito mal frequentado, só com grande esforço ou sendo cego, surdo e mudo, é possível viver sem nos indignarmos...
Tenho uma malapata com os supermercados!
Infelizmente sou obrigada a frequentá-los com regularidade...
Infelizmente os supermercados, como sítios públicos, são frequentados por todo o tipo de pessoas, sendo os "chicos espertos" um deles. Sempre ouvi dizer que "em terra de cegos quem tem um olho é rei" e os supermercados estão pejados de cegos que são, facilmente, súbditos de rei com um olho...
Estes reis (e rainhas) ciclópicos têm o poder absoluto que ninguém ousa contestar. São pessoas que não têm consideração nenhuma pelo próximo e como não têm educação, os cegos preferem, quase sempre, não entrar em confronto directo, pois se o fizerem levam uma tareia de língua...
Voltando às minhas idas ao mercado que é tudo menos "super"... hoje, na única caixa que existe com prioridade a grávidas e pessoas com bebés ao colo, caixa essa da qual eu fujo a sete pés, estava uma fila considerável, assim como nas outras...
"Eise-os!"... Apareceram, sub-repticiamente, como quem não quer a coisa, mas quer muito, e começaram a passar à frente do pessoal até chegarem à frente... dois mânfios, um casal! Ela com o bebé ao colo e ele com o cestinho das compras... estilo lobo disfarçado de Capuchinho Vermelho (pena não andar um caçador nas redondezas)...
Mas o qué isto?! Que falta de vergonha é esta?
A maior parte das pessoas nem piou, os outros comentaram entre dentes.
Como diria Martin Luther King, "O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons".
Tenho uma malapata com os supermercados!
Infelizmente sou obrigada a frequentá-los com regularidade...
Infelizmente os supermercados, como sítios públicos, são frequentados por todo o tipo de pessoas, sendo os "chicos espertos" um deles. Sempre ouvi dizer que "em terra de cegos quem tem um olho é rei" e os supermercados estão pejados de cegos que são, facilmente, súbditos de rei com um olho...
Estes reis (e rainhas) ciclópicos têm o poder absoluto que ninguém ousa contestar. São pessoas que não têm consideração nenhuma pelo próximo e como não têm educação, os cegos preferem, quase sempre, não entrar em confronto directo, pois se o fizerem levam uma tareia de língua...
Voltando às minhas idas ao mercado que é tudo menos "super"... hoje, na única caixa que existe com prioridade a grávidas e pessoas com bebés ao colo, caixa essa da qual eu fujo a sete pés, estava uma fila considerável, assim como nas outras...
"Eise-os!"... Apareceram, sub-repticiamente, como quem não quer a coisa, mas quer muito, e começaram a passar à frente do pessoal até chegarem à frente... dois mânfios, um casal! Ela com o bebé ao colo e ele com o cestinho das compras... estilo lobo disfarçado de Capuchinho Vermelho (pena não andar um caçador nas redondezas)...
Mas o qué isto?! Que falta de vergonha é esta?
A maior parte das pessoas nem piou, os outros comentaram entre dentes.
Como diria Martin Luther King, "O que me preocupa não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons".
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Message in a bottle (11)
Circunspecção de mau gosto
(por Ricardo Araújo Pereira)
Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira.
Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.
O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.
(por Ricardo Araújo Pereira)
Julgo que a opinião da directora da DREN, Margarida Moreira, segundo a qual a ameaça a uma professora com uma arma de plástico foi uma brincadeira de mau gosto, é uma brincadeira de mau gosto. Mais uma vez se prova que a crítica de cinema é extremamente subjectiva. Eu também vi o filme no YouTube e não dei pela brincadeira de mau gosto. Vi dois ou três encapuzados rodearem uma professora e, enquanto um ergue os punhos e saltita junto dela, imitando um pugilista em combate, outro aponta-lhe uma arma e pergunta: «E agora, vai dar-me positiva ou não?» Na qualidade de apreciador de brincadeiras de mau gosto, fiquei bastante desapontado por não ter detectado esta antes da ajuda de Margarida Moreira.
Vejo-me então forçado a dizer, em defesa das brincadeiras de mau gosto, que, no meu entendimento, as brincadeiras de mau gosto têm duas características encantadoras: primeiro, são brincadeiras; segundo, são de mau gosto. Brincar é saudável, e o mau gosto tem sido muito subvalorizado. No entanto, aquilo que o filme captado na escola do Cerco mostra aproxima-se mais do crime do que da brincadeira. E os crimes, pensava eu, não são de bom-gosto nem de mau gosto. Para mim, estavam um pouco para além disso – o que é, aliás, uma das características encantadoras dos crimes. Se, como diz Margarida Moreira, o que se vê no vídeo se enquadra no âmbito da brincadeira de mau gosto, creio que acaba de se abrir todo um novo domínio de actividade para milhares de brincalhões que, até hoje, estavam convencidos, tal como eu, que o resultado de uma brincadeira é ligeiramente diferente do efeito que puxar de uma arma, mesmo falsa, no Bairro do Cerco, produz.
O mais interessante é que Margarida Moreira, a mesma que agora vê uma brincadeira de mau gosto no que mais parece ser um delito, é a mesma que viu um delito no que mais parecia ser uma brincadeira de mau gosto. Trata-se da mesma directora que suspendeu o professor Fernando Charrua por, numa conversa privada, ele ter feito um comentário desagradável, ou até insultuoso, sobre o primeiro-ministro. Ora, eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o primeiro-ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Uma pechincha!
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Déjà vu...
Recessão é um período em que há uma queda do crescimento económico de um país. Há diminuição da produção e das exportações, aumento das importações e, claro, défice comercial. Origina desemprego, salários baixos e diminuição do poder de compra. Concluindo, há problemas económicos e sociais.
Ok! Eu entendo…
O que eu não entendo é o motivo para tanto falatório… O povo já devia estar habituado a isto porque sempre viveu descontente e sempre viveu tempos difíceis, desde o Condado Portucalense, passando pelo Reino de Portugal, até aos nossos dias.
Na 1ª dinastia, durante os reinados de D. Afonso IV e D. Pedro I, a população portuguesa viveu tempos difíceis e um período de crise económica e social. Os problemas de sucessão ao trono após a morte de D. Fernando vão estar na origem de… uma crise e do descontentamento e agitação popular.
Já na dinastia de Avis, o reinado de D. Manuel decorreu no período em que os produtos de África e da Índia trouxeram grande riqueza ao Reino, riqueza essa que o rei fazia o favor de gastar em festas, banquetes faustosos e cortejos reais…
E o povinho? Vivia, como habitualmente, na miséria…
Toda a 3ª dinastia foi marcada por crise e descontentamento da população.
Na última dinastia, a dinastia de Bragança, o comércio do ouro e pedras preciosas trouxe grande rendimento à Coroa portuguesa. E, mais uma vez, tal como tinha acontecido com D. Manuel, o rei, D. João V, tornou a sua corte numa das mais ricas e luxuosas da U.E., perdão, da Europa. No entanto, o povo continuava a viver com grandes dificuldades devido aos baixos salários e aos muitos impostos que tinham de pagar. No que diz respeito às diversões, não são muito diferentes das de hoje em dia e já lá vão para aí uns trezentos anos… saltimbancos, fantoches, romarias, procissões e touradas…
Quando D. José foi aclamado rei, o País enfrentou, novamente, vários problemas económicos que, séculos depois, continuam a persistir, como diminuição das exportações, aumento das importações, a agricultura não produzia o suficiente, a indústria com produtos mais caros do que os produtos estrangeiros and so on…
Vai na volta, a meu ver, a sorte de D. José foi mesmo o grande terramoto de 1755, em que morreram cerca de dez mil pessoas… sempre eram menos umas a mostrar o seu descontentamento, não é?...
Para ajudar a resolver os problemas do País, D. José escolheu para ministro Sebastião José de Carvalho e Melo e fez muito bem porque, cheira-me, que o rei não tinha capacidade para fazer reformas económicas, sociais e no ensino (e sem Magalhães!...).
No início do séc. XIX, depois do episódio do Bloqueio Continental, D. João VI pirou-se para o Brasil e Portugal sofreu as invasões francesas. As invasões terminaram e coisa rara e nunca vista… o País ficou numa situação muito difícil…
Mais uma vez, os problemas provocaram o descontentamento e a desmoralização dos portugueses, com a família real no Brasil a “curtir o bronze” e no samba, pouco preocupada com a situação que se vivia em Portugal.
Segue-se a Revolução Liberal de 1820, D. Pedro (futuro IV) deu o “grito do Ipiranga” e na segunda metade do séc. XIX vivia-se em Portugal um déjà vu, ou seja, um período de crise…
Durante o reinado de José Socrátes, perdão, de D. Maria II, tomaram-se uma série de medidas com vista à modernização tecnológica do Reino. É até desta época, a inauguração do TGV, ai, do comboio…
Entretanto, Portugal continuava a depender do estrangeiro, tanto a nível de importações como de empréstimos e os trabalhadores continuavam a viver com grandes dificuldades.
As difíceis condições de vida, assim como a cedência de Portugal em relação ao ultimato britânico, levaram à queda da monarquia e à implantação da República.
E quais foram as primeiras medidas tomadas pelo governo provisório da República? Uma nova bandeira, esteticamente mais feia… mas gostos não se discutem, o hino nacional e a moeda passou a ser o escudo em vez do real. Ou sou cegueta, pouco patriótica ou anti-republicana… porque não consigo encontrar em nenhuma destas medidas, propostas interessantes para melhorar as condições económicas e sociais do País…
A participação de Portugal na 1ª Guerra contribuiu para agravar os problemas que afectavam o “canteiro à beira-mar plantado”. Ah, pois foi!... E o resultado? Claro… o crescente descontentamento dos portugueses!
Os preços subiam, os salários não, ou seja, redução do poder de compra…
Aumentavam os impostos…
As despesas do Estado eram superiores às receitas…
Os assaltos eram frequentes…
Isto foi há noventa anos… não estou a falar do presente, mas parece!
Dá-se a queda da 1ª República, seguiu-se a Ditadura Militar que não interessou nem ao Menino Jesus e chegou o Estado Novo com as restrições às liberdades e a Guerra Colonial. Onde é que isto levou? Ao elevado descontentamento dos portugueses!...
Golpe militar põe fim ao Estado Novo. O povo está com o MFA!
Seguem-se vários governos provisórios. Daí para cá, entre governos do PS e do PSD, o País foi vivendo sempre em contenção e em crise e a população sempre descontente…
Déjà vu!...
Ok! Eu entendo…
O que eu não entendo é o motivo para tanto falatório… O povo já devia estar habituado a isto porque sempre viveu descontente e sempre viveu tempos difíceis, desde o Condado Portucalense, passando pelo Reino de Portugal, até aos nossos dias.
Na 1ª dinastia, durante os reinados de D. Afonso IV e D. Pedro I, a população portuguesa viveu tempos difíceis e um período de crise económica e social. Os problemas de sucessão ao trono após a morte de D. Fernando vão estar na origem de… uma crise e do descontentamento e agitação popular.
Já na dinastia de Avis, o reinado de D. Manuel decorreu no período em que os produtos de África e da Índia trouxeram grande riqueza ao Reino, riqueza essa que o rei fazia o favor de gastar em festas, banquetes faustosos e cortejos reais…
E o povinho? Vivia, como habitualmente, na miséria…
Toda a 3ª dinastia foi marcada por crise e descontentamento da população.
Na última dinastia, a dinastia de Bragança, o comércio do ouro e pedras preciosas trouxe grande rendimento à Coroa portuguesa. E, mais uma vez, tal como tinha acontecido com D. Manuel, o rei, D. João V, tornou a sua corte numa das mais ricas e luxuosas da U.E., perdão, da Europa. No entanto, o povo continuava a viver com grandes dificuldades devido aos baixos salários e aos muitos impostos que tinham de pagar. No que diz respeito às diversões, não são muito diferentes das de hoje em dia e já lá vão para aí uns trezentos anos… saltimbancos, fantoches, romarias, procissões e touradas…
Quando D. José foi aclamado rei, o País enfrentou, novamente, vários problemas económicos que, séculos depois, continuam a persistir, como diminuição das exportações, aumento das importações, a agricultura não produzia o suficiente, a indústria com produtos mais caros do que os produtos estrangeiros and so on…
Vai na volta, a meu ver, a sorte de D. José foi mesmo o grande terramoto de 1755, em que morreram cerca de dez mil pessoas… sempre eram menos umas a mostrar o seu descontentamento, não é?...
Para ajudar a resolver os problemas do País, D. José escolheu para ministro Sebastião José de Carvalho e Melo e fez muito bem porque, cheira-me, que o rei não tinha capacidade para fazer reformas económicas, sociais e no ensino (e sem Magalhães!...).
No início do séc. XIX, depois do episódio do Bloqueio Continental, D. João VI pirou-se para o Brasil e Portugal sofreu as invasões francesas. As invasões terminaram e coisa rara e nunca vista… o País ficou numa situação muito difícil…
Mais uma vez, os problemas provocaram o descontentamento e a desmoralização dos portugueses, com a família real no Brasil a “curtir o bronze” e no samba, pouco preocupada com a situação que se vivia em Portugal.
Segue-se a Revolução Liberal de 1820, D. Pedro (futuro IV) deu o “grito do Ipiranga” e na segunda metade do séc. XIX vivia-se em Portugal um déjà vu, ou seja, um período de crise…
Durante o reinado de José Socrátes, perdão, de D. Maria II, tomaram-se uma série de medidas com vista à modernização tecnológica do Reino. É até desta época, a inauguração do TGV, ai, do comboio…
Entretanto, Portugal continuava a depender do estrangeiro, tanto a nível de importações como de empréstimos e os trabalhadores continuavam a viver com grandes dificuldades.
As difíceis condições de vida, assim como a cedência de Portugal em relação ao ultimato britânico, levaram à queda da monarquia e à implantação da República.
E quais foram as primeiras medidas tomadas pelo governo provisório da República? Uma nova bandeira, esteticamente mais feia… mas gostos não se discutem, o hino nacional e a moeda passou a ser o escudo em vez do real. Ou sou cegueta, pouco patriótica ou anti-republicana… porque não consigo encontrar em nenhuma destas medidas, propostas interessantes para melhorar as condições económicas e sociais do País…
A participação de Portugal na 1ª Guerra contribuiu para agravar os problemas que afectavam o “canteiro à beira-mar plantado”. Ah, pois foi!... E o resultado? Claro… o crescente descontentamento dos portugueses!
Os preços subiam, os salários não, ou seja, redução do poder de compra…
Aumentavam os impostos…
As despesas do Estado eram superiores às receitas…
Os assaltos eram frequentes…
Isto foi há noventa anos… não estou a falar do presente, mas parece!
Dá-se a queda da 1ª República, seguiu-se a Ditadura Militar que não interessou nem ao Menino Jesus e chegou o Estado Novo com as restrições às liberdades e a Guerra Colonial. Onde é que isto levou? Ao elevado descontentamento dos portugueses!...
Golpe militar põe fim ao Estado Novo. O povo está com o MFA!
Seguem-se vários governos provisórios. Daí para cá, entre governos do PS e do PSD, o País foi vivendo sempre em contenção e em crise e a população sempre descontente…
Déjà vu!...
Originalidade...
O sucesso dos Stomp é mundial…Os Stomp, a companhia britânica que faz música com objectos do quotidiano, estão de volta a Portugal, no Casino Lisboa até 15 de Fevereiro, para mostrar que com o lixo também se faz música.
Conhecidos de vários anúncios, das longas digressões e de cerimónias como as dos Óscares, os Stomp começaram a dar nas vistas sobretudo pela sua originalidade, juntando percussão, movimento e comédia visual.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
A propósito de Poirot...
Depois de Austin Trevor nos anos trinta e Tony Randall em 1966, foi a vez de Albert Finney fazer de Hercule Poirot.
Para mim, o melhor Poirot de sempre...
preocupado com a aparência, obssessivo, ordenado e metódico...
Seguiram-se Peter Ustinov e David Suchet.
Este último, também uma boa versão do detective belga.
Efeméride
Agatha Christie, a Rainha do Crime, morreu a 12 de Janeiro de 1976."Dentro de alguns anos, só quero ser lembrada como uma boa escritora de casos policiais."
E, de facto, estou convicta que Agatha Christie permanece como a melhor escritora de romances policiais, sendo eu um dos seus fiéis leitores…
“Why not make my detective a Belgian?...I could see him as a tidy little man, always arranging things, liking things in pairs, liking things square instead of round. And he should be brainy – he should have little grey cells of the mind.”
And so, one of the greatest detectives in literature was born, Hercule Poirot!
A primeira e última reportagem...
Fez 80 anos que um repórter chamado Tintim partiu para a
Rússia soviética. Começava assim a primeira aventura do
herói, desenhada a preto e branco por um jovem ilustrador
chamado Hergé, pseudónimo de Georges Rémi.
O quadradinho a preto e branco é histórico porque se trata
da única vez, em todas as aventuras de Tintim, que ele é
visto a escrever um artigo para o jornal.
As diferenças na personagem são notórias...
Tintim será o herói de Hergé, mas não é, certamente, uma
personagem que me seduza... ao contrário do capitão
Haddock, do professor Girassol e dos inseparáveis
Dupond e Dupont...
Curiosamente li todos os álbuns com excepção de "Tintim
au pays des soviets"...
Uma falta grave!... eu diria mesmo uma grave falta...
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Message in a bottle (10)
Obviamente
(por Pedro Tadeu)
Há coisas óbvias que parece não necessitarem de serem ditas mas que a vida prova, afinal, terem mesmo de ser explicitadas.
Era óbvio que o País estava em recessão, mas, obviamente, o Banco de Portugal teria de fazer uma conferência de imprensa para anunciá-la ao povo.
Era óbvio que o primeiro-ministro estava fartinho de saber da chegada da recessão, mas, obviamente, só o admitiria na véspera do anúncio do Banco de Portugal.
É óbvio que, no mínimo, desde Setembro o Governo tinha consciência deste resultado inevitável. E é óbvio que, durante meses, negaram e negaram porque, obviamente, andaram a fazer de nós parvos.
Como é óbvio...
(por Pedro Tadeu)
Há coisas óbvias que parece não necessitarem de serem ditas mas que a vida prova, afinal, terem mesmo de ser explicitadas.
Era óbvio que o País estava em recessão, mas, obviamente, o Banco de Portugal teria de fazer uma conferência de imprensa para anunciá-la ao povo.
Era óbvio que o primeiro-ministro estava fartinho de saber da chegada da recessão, mas, obviamente, só o admitiria na véspera do anúncio do Banco de Portugal.
É óbvio que, no mínimo, desde Setembro o Governo tinha consciência deste resultado inevitável. E é óbvio que, durante meses, negaram e negaram porque, obviamente, andaram a fazer de nós parvos.
Como é óbvio...
O que (agora) me satisfazia completamente…(1)
domingo, 4 de janeiro de 2009
The Nightmare after Christmas...
Depois das filhoses,
das rabanadas,
dos sonhos...
...voltar ao trabalho!
Como diria o Calimero:
- It's an injustice, it is!
Snif, snif...
das rabanadas,
dos sonhos...
...voltar ao trabalho!
Como diria o Calimero:
- It's an injustice, it is!
Snif, snif...
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Blue Style and Just Relax
Gerard Rietveld, em Lisboa, no próximo dia 7 de Janeiro.
Claro que estou a brincar!...
Foram feitos por mim para a minha filha R. levar para a disciplina de
Educação Tecnológica.
Aceitam-se encomendas...ih, ih, ih.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Um ano ímpar!...
Uma das muitas mensagens que recebi, com votos de um bom ano de 2009, foi particularmente chamativa pois dizia que o ano que acabou de entrar seria um ano ímpar...
Eu estou a contar com isso!
Que não seja só um ano ímpar no verdadeiro sentido da palavra mas que seja um ano sem igual...
Até agora a única coisa boa da passagem do ano é que o ano de 2008 passou... mas eu continuo por cá!...
Eu estou a contar com isso!
Que não seja só um ano ímpar no verdadeiro sentido da palavra mas que seja um ano sem igual...
Até agora a única coisa boa da passagem do ano é que o ano de 2008 passou... mas eu continuo por cá!...
Finalmente...
...acabaram os festejos!!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto no "mappling"!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto no "zapping"!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto na preguiça!...
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto no "mappling"!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto no "zapping"!
Finalmente... posso preguiçar em toda a escala, excepto na preguiça!...
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
domingo, 21 de dezembro de 2008
Gosto...e não se fala mais nisso! (6)
Decorei esta poesia para uma aula de Português.
Ainda hoje a sei de cor.
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga - Antologia poética
Ainda hoje a sei de cor.
Era uma vez, lá na Judeia, um rei.
Feio bicho, de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava, reparava, e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da Nação.
Mas,
Por acaso ou milagre, aconteceu
Que, num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer, ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.
Miguel Torga - Antologia poética
sábado, 20 de dezembro de 2008
Memórias e Afectos (8)



Por esta altura do ano, há quarenta anos atrás e tendo já o hábito da leitura, era meu costume deslocar-me ao Bazar Bebé. Esta loja, no centro da vila, agora cidade, onde nasci, para além dos brinquedos da época tinha também prateleiras cheias de livros.
A minha mãe conhecia bem os donos do Bazar Bebé e dava-me autorização para lá ir escolher livros, dentro de um certo limite, claro, que ela no dia seguinte iria pagar.
A dona do Bazar Bebé já sabia e achava graça ao facto de eu querer os livros embrulhados um a um e usava até papéis diferentes...
Este sempre foi um dos momentos mais preciosos dos meus natais...
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